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Ciencia y enfermería

versión On-line ISSN 0717-9553

Cienc. enferm. vol.23 no.2 Concepción mayo 2017

http://dx.doi.org/10.4067/S0717-95532017000200121 

INVESTIGACIONES

REPRESENTAÇÕES LÚDICAS DE ESTUDANTES DE ENFERMAGEM ACERCA DA SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM

LUDIC REPRESENTATIONS OF NURSING STUDENTS ABOUT THE SYSTEMATIZATION OF NURSING CARE

REPRESENTACIONES LÚDICAS DE ESTUDIANTES DE ENFERMERÍA ACERCA DE LA SISTEMATIZACIÓN DE LA ATENCIÓN DE ENFERMERÍA

Pétala Tüani Candido de Oliveira Salvador 1  

Kálya Yasmine Nünes de Lima 2  

Kisna Yasmin Andrade Alves 3  

Cláudia Cristiane Filgueira Martins Rodrigues 4  

Viviane Euzébia Pereira Santos 5  

1Enfermeira. Docente da Escola de Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Natal, Brasil. Email: petalatuani@hotmail.com. Autor correspondente.

2Enfermeira, Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Natal, Brasil. Email: lima.yasmine@yahoo.com.br

3Enfermeira. Docente da Escola de Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Natal, Brasil. Email: kisnayasmin@hotmail.com

4Enfermeira. Docente da Escola de Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Natal, Brasil. Email: claudiacrisfm@yahoo.com.br

5Enfermeira. Docente do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Natal, Brasil. Email: vivianeepsantos@gmail.com

RESUMO

Objetivo:

Identificar as representações lúdicas de estudantes de Enfermagem acerca da Sistematização da As sistência de Enfermagem (SAE).

Método:

A coleta de dados foi realizada a partir de um grupo focal com oito estudantes de Enfermagem, utilizando a prática da mandala humanopoiética como técnica projetiva, através da representação figurativa com miniaturas e massas de modelar. O processo de análise de dados seguiu o rigor metodológico qualitativo, a partir do referencial metodológico da análise de conteúdo.

Resultados:

A represen tação lúdica dos estudantes perpassou três categorias de análise: benefícios da SAE; problemas vivenciados; e possibilidades de melhoria.

Conclusão:

Os estudantes representam positivamente a SAE, acreditando em sua consolidação. Destaca-se que o uso da mandala humanopoiética como técnica projetiva constitui um elemento qualificador do estudo, estimulando a expressão das subjetividades e favorecendo a verbalização de suas per cepções.

Palavras chave: Planejamento de assistência ao paciente; processo de enfermagem; estudantes de Enfermagem

ABSTRACT

Objective:

To identify the ludic representations of Nursing students about the Systematization of Nursing Care (SNC).

Method:

Data was collected from a focus group of eight Nursing students, using the human-poetic mandala as projective technique, through figurative representations with miniatures and modeling clay. A qual itative methodology for data analysis was used, based on content analysis as a referential method.

Results:

The students' ludic representations included three thematic axes: benefits of the SNC; problems experienced; and possibilities for improvement.

Conclusion:

The students represented the SNC positively, believing in its consol idation. It is worth mentioning that the use of the human-poetic mandala as projective technique represents a qualifying element of the study, stimulating the expression of subjectivity and encouraging the verbalization of their perceptions.

Key words: Patient care planning; nursing process; nursing students

RESUMEN

Objetivo:

Identificar las representaciones lúdicas de estudiantes de Enfermería acerca de la Sistematización de la Atención de Enfermería (SAE).

Material y método:

La recolección de datos se realizó a partir de un grupo focal con ocho estudiantes de Enfermería de una universidad federal del Nordeste de Brasil, utilizándose la práctica de mandala humanopoiética como técnica proyectiva, a través de la representación figurativa con miniaturas y compuestos de modelado. El análisis de datos siguió el rigor metodológico cualitativo, a partir del referencial metodológico de análisis de contenido.

Resultados:

La representación lúdica de estudiantes impregnó tres te mas: beneficios de la SAE; problemas experimentados y posibilidades de mejora.

Conclusión:

Los estudiantes representaron positivamente la SAE, creyendo en su consolidación. Cabe señalar que el uso de la mandala hu manopoiética como técnica proyectiva es un elemento de calificación del estudio, pues estimula la expresión de subjetividades y fomenta la verbalización de percepciones.

Palabras clave: Planificación de atención al paciente; proceso de enfermería; estudiantes de enfermería

INTRODUÇÃO

A enfermagem, durante a sua história, per passou por diversas mudanças relacionadas ao contexto sociopolítico em que estava inse rida. A princípio, era uma atividade realizada por caridade, ligada à religião e sem muita produção científica no sentido de otimizar o cuidado prestado ao paciente. Diante disso, as práticas eram baseadas em empirismo e tradições1.

Logo em seguida, a classe profissional pas sa a ser delineada pelos preceitos médicos e por eles determinada, configurando-se em uma profissão subordinada a classe médica e que se utilizava de seus conhecimentos para definir a sua prática1,2.

A partir da segunda metade do século XIX, contudo, a enfermagem começa um período de transição através do qual vem se desenvolvendo, passando por várias fases, até os tempos atuais. E como resultado, o cui dado passou a direcionar-se à recuperação e ao bem estar do indivíduo, com base num consistente conhecimento científico e na au tonomia profissional2.

A organização desse conhecimento cien tífico ocorreu devido ao considerável avanço na construção e na organização dos modelos conceituais de enfermagem. Estes serviram como referencial para a elaboração das teo rias de enfermagem, objetivando estabelecer uma relação entre diferentes conceitos, bem como melhor direcionar a assistência presta da ao ser humano1,2.

Essas teorias subsidiaram a edificação da Sistematização da Assistência de Enferma gem (SAE), a qual representa o instrumento de trabalho do enfermeiro com objetivo de identificar as necessidades do paciente, apre sentando uma proposta ao seu atendimento e cuidado, direcionando a equipe de enfer magem nas ações a serem realizadas. Trata-se de um processo dinâmico e que requer na prática conhecimento técnico-científico, de modo que sua aplicabilidade é feita por meio do processo de enfermagem3.

Contudo, embora o Conselho Federal de Enfermagem tenha tornado obrigatória a implementação da SAE nos serviços de saú de, ainda existem vários entraves à sua apli cação, que vão desde a formação profissional até a própria dinâmica das instituições de saúde3,4.

No que se refere à formação de enfermei ros, a literatura afirma a relevância do conhe cimento teórico da SAE e sua aplicação ainda na universidade como facilitador para im plantação na prática dos serviços de saúde. Torna-se imperativo, também, o preparo dos estudantes para lidar com as dificuldades do serviço, uma vez que apenas o aporte teórico não é suficiente para superar os problemas do cotidiano assistencial1.

Outro fator relevante para contribuir com a consolidação da SAE seria uma maior ar ticulação das instituições de formação com os serviços, o que pode ser otimizado através dos estudantes que usam esses serviços para suas aulas práticas e estágios, de modo que estes poderiam auxiliar e estimular o profis sional do serviço a seguir esse modelo de as sistência1.

Nessa perspectiva, considerando a forma ção do profissional um elemento chave para a implementação da SAE, entende-se que identificar o que os estudantes do curso de graduação em Enfermagem compreendem acerca do tema pode contribuir para reflexão sobre a forma como esse conteúdo está sen do desenvolvido nas instituições formadoras, bem como para analisar possíveis lacunas existentes e a importância atribuída pelos es tudantes à SAE, aspecto que influirá direta-mente na sua prática profissional futura.

Deste modo, elencou-se como questiona mento dessa pesquisa: como os estudantes do curso de graduação em enfermagem re presentam ludicamente a SAE? Considera-se que investigar a representação lúdica dos es tudantes possui relevância teórica, visto que "(...) a compreensão de como os alunos con cebem sua futura profissão é necessária para o crescimento e fortalecimento da Enferma gem"5.

Portanto, objetiva-se identificar as repre sentações lúdicas de estudantes de enferma gem acerca da SAE.

MATERIAL E MÉTODO

O presente estudo corresponde a um recorte dos resultados da fase de ambientação com o campo e com o instrumento de dissertação de mestrado intitulada "Compreensão do tí pico ideal de técnicos de enfermagem acerca da sistematização da assistência de enferma gem", defendida pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Fe deral do Rio Grande do Norte (UFRN), em 2013.

Trata-se de um estudo descritivo, de abor dagem qualitativa, realizado com oito estu dantes de enfermagem de uma universidade federal do Nordeste do Brasil. A coleta de da dos foi realizada através da técnica do grupo focal, considerada uma técnica rápida e de baixo custo para avaliação e obtenção de da dos e informações qualitativas6.

O grupo focal foi realizado de acordo com a Pedagogia Vivencial Humanescente: reali dade pedagógica transcorporal humanescen-te pautada nos saberes de dentro do Ser, de suas habilidades humanas, da sua subjetivi-dade e da sua corporeidade7, objetivando a expressão das motivações dos sujeitos.

Nesse contexto, foi utilizada a prática da mandala humanopoiética como técnica projetiva, através da representação figura tiva com miniaturas e massas de modelar, para compreender as representações lúdicas dos estudantes de enfermagem sobre a SAE a partir da questão norteadora: "Quais são suas percepções acerca da SAE?".

Destaca-se que o uso de técnicas projetivas colabora para uma investigação de conte údos inconscientes, propicia o diálogo e cria um ambiente favorável à investigação de as pectos subjetivos não revelados na verbaliza ção, estimulando a expressão de sentimentos5,8.

Assim, a proposta consistia em utilizar a tríade "montar-falar-escrever" para estimular a expressão das percepções dos participantes acerca da questão norteadora: 1) montar um cenário; 2) falar acerca de suas representa ções, compartilhando ideias e opiniões; e 3) escrever a descrição do cenário construído, em um instrumento de pesquisa que contri buiu para a análise das falas dos estudantes.

O grupo focal, de acordo com a aquies cência dos estudantes, teve seu áudio gravado e contou ainda com um relator, que anotou aquilo que não pode ser captado pelas grava ções, tais como: expressões faciais, expressões corporais, dentre outros aspectos; e de outro colaborador, responsável pelo registro foto gráfico e apoio.

Além disso, o ambiente foi previamente preparado: no centro da sala estava o lugar onde a mandala foi construída, com um "ta pete" de 3,00 x 4,20 m de Tecido Não Tecido (TNT) verde e um círculo central alaranja do, no qual estavam dispostas as tábuas de construção dos cenários, as massas de mo delar e as miniaturas; em semicírculo, atrás do espaço anteriormente descrito, havia ca deiras, para que os participantes assistissem a apresentação da pesquisa e após assinassem os termos e preenchessem o questionário de caracterização; e, de frente para esses espa ços, estava a cadeira em que a relatora ficou, descrevendo os detalhes percebidos no de senrolar do encontro.

O grupo focal, intitulado "O que eu pen so acerca da SAE", totalizou 125 minutos e aconteceu em setembro de 2012, no Depar tamento de Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Inicialmente, a mediadora detalhou como seria a construção da mandala, momento em que os estudantes demonstraram ansiedade se conseguiriam realizar o proposto. O sen timento inicial de preocupação, entretanto, se transformou aos poucos em envolvimento com os cenários.

Os estudantes de enfermagem olhavam muitas vezes para a pergunta chave que es tava projetada, refletindo sobre a melhor for ma de representar suas percepções, analisan do atentamente as miniaturas e manuseando as massinhas. Aos poucos, os cenários foram sendo construídos, com muita criatividade e reflexividade.

Após a construção das mandalas, os estu dantes iniciaram o preenchimento do instru mento de descrição do cenário construído. Esta foi a etapa mais demorada, em que os estudantes elucidaram dúvidas quanto ao re gistro de suas produções, as quais foram reti radas pela mediadora.

Finalizando os registros, os estudantes de Enfermagem foram convidados a contemplar o cenário dos colegas para, posteriormente, sentar em frente a sua produção e iniciar o compartilhamento das vivências.

Após visualizar os cenários, os estudantes e a mediadora sentaram em círculo em volta das produções, formando a verdadeira man dala humanopoiética. Nesse momento, todos os estudantes puderam expor suas percep ções, descrevendo seus cenários e responden do a questão inicialmente proposta.

A própria equipe de pesquisa realizou a transcrição e leitura dos registros realizados pelo relator do grupo focal. Utilizou-se o Mi crosoft Word 2010 para a realização da trans crição do encontro e o Microsoft Excel 2010 para síntese dos resultados por meio de uma planilha.

As falas foram organizadas, mediante múltiplas leituras, o que possibilitou, junta mente com a análise dos cenários construí dos, identificar as representações lúdicas dos estudantes de enfermagem acerca da SAE, processo que foi realizado a partir do refe rencial da análise de conteúdo temática9.

Desse modo, o processo de análise de da dos seguiu o rigor metodológico qualitativo, aplicando-se os critérios de credibilidade e consistência teórico-epistemológica.

Os sujeitos da pesquisa foram identifica dos pelas letras EE (Estudante de Enferma gem), seguidas pelo numero sequencial de um a oito.

O estudo seguiu os princípios éticos e le gais que regem a pesquisa científica em se res humanos, preconizados na Resolução n° 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde, preservando o caráter voluntário dos parti cipantes e o anonimato dos interlocutores, sendo aprovado pelo Parecer Consubstan ciado do Comitê de Ética em Pesquisa da UFRN, n° 98.424, de 31 de agosto de 2012, CAAE n° 05906912.0.0000.5537.

RESULTADOS

O grupo focal foi realizado com a colabora ção de oito estudantes de Enfermagem, de 19 a 24 anos, cursando o 5° (3; 37%), o 6° (2; 26%) ou o 7° período (3; 37%).

A partir da análise dos cenários, das falas e das descrições escritas dos estudantes de En fermagem, foi possível compreender como que eles representavam ludicamente a SAE, o que, a partir da análise temática (9), permitiu emergir três categorias de análise: benefícios da SAE; problemas vivenciados; e possibili dades de melhoria.

Benefícios da SAE

Os estudantes de enfermagem, em sua tota lidade, construíram uma imagem positiva da SAE, demonstrando que acreditam em sua essencialidade, o que pode ser reflexo de sua formação, cujo contato inicial com a temática se deu no 4° período do curso, na disciplina Semiologia e Semiotécnica em Enfermagem.

Os benefícios da SAE foram representa dos ludicamente de diversas maneiras, com binando miniaturas e massas de modelar, bem como utilizando palavras na construção de seus cenários.

Os bonecos de cores diferentes, por vezes unidos por suas mãos, foram utilizados por quase todos os estudantes para representar o cuidado individualizado e a aproximação do enfermeiro com o paciente, aspectos que podem ser alcançados com a solidificação da SAE. A fala de EE8 destaca o vínculo enfer-meiro-paciente proporcionado pela SAE:

[...] a implantação da SAE ela meio que favo rece o vínculo entre eles né, de forma que cria uma certa relação, porque à medida que você vai, como eu já falei, seguindo as etapas, você vai passo a passo, você vai se aproximando dele, você vai procurando entender o que está acon tecendo, pra que assim possa desenvolver um cuidado eficaz né [...] (EE8).

Destacou-se, ainda, que a SAE, à medida que permite tal visão individualizada das ne cessidades e subjetividades dos usuários, per mite a solidificação de um cuidado humani zado, representado, pelos estudantes de en fermagem, por brinquedos (peão, carrinho, dentre outros) e por flores, demonstrando a sensibilidade que deve existir no cuidado do enfermeiro, para enxergar as individualida des de seus pacientes.

A flor significa a humanização, pois o profis sional não olhará somente para as queixas do paciente e tratar a patologia, irá conversar para colher a anamnese, tocar para fazer o exame físico, orientar para traçar os resultados e, aci ma de tudo, cuidar do paciente, assim como flor precisa para viver, sendo regada, podada, tendo atenção (EE7).

Em outros cenários, o reconhecimento profissional foi representado por um avião, indicando os voos que a enfermagem pode alçar, por escadas construídas de peças de lego, bem como por patinhos unidos, indi cando que tal valorização só poderá ser alça da por meio de um trabalho em equipe.

O uso da palavra REGISTRO no cenário de EE3 segue o mesmo pensamento:

O REGISTRO dos cuidados realizados propos to pela SAE de forma sistematizada também é uma forma de promover o crescimento da pro fissão, pois possibilita aos demais reconhecer/ perceber a atuação da enfermagem (EE3).

O uso de letras e palavras também apare ceu em outros cenários para representar be nefícios da SAE: as letras COM indicando a comunicação entre a equipe; a palavra ATU-ALIZAÇÃO representando o crescimento profissional; as letras E e C mostrando que a SAE resulta da junção dos conhecimentos empíricos e científicos para organizar o cui dado; e as letras CDPIA como meio de repre sentar as iniciais das etapas do processo de enfermagem - coleta de dados, diagnóstico, prescrição, implementação e avaliação.

O relógio representou, para a maioria dos estudantes de Enfermagem, a otimização do tempo possibilitada pela SAE:

[...] com a sistematização né, o próprio nome já diz, vai sistematizar o trabalho do enfermeiro e com isso ele vai economizar tempo, isso vai oti-mizar, só que pra isso é preciso que as pessoas percebam isso. Enquanto elas não perceberem que no início você vai requerer um tempo maior, mas depois isso vai ser satisfatório (EE5).

O relógio também vai dar o sentido no tempo e no espaço pras pessoas que utilizam e o sentido da profissão, que seria a organização e a croni-cidade das etapas que o enfermeiro irá seguir (EE7).

Problemas vivenciados para concretizar a SAE

Os estudantes representaram a partir da letra X construída em massa de modelar vermelha o que visualizam como cenário atual da SAE: benefícios que se contrapõem a dificuldades inerentes à prática de enfermagem, mas que podem ser superadas por meio, sobretudo, da crença e na busca da efetivação da SAE.

O relógio, que em todos os outros cená rios apareceu como elemento que represen tava um benefício da SAE - a otimização do tempo, é destacado no cenário de EE1 como um fator dificultador: a falta de tempo dos profissionais de saúde.

O peão, ao lado do relógio, destaca que os profissionais de enfermagem são exigidos quanto à rapidez e agilidade de sua prática profissional, o que acaba por ser um entrave para a consolidação efetiva da SAE.

Outros cenários destacaram que a sobre carga de trabalho e as más condições nos am bientes laborais contribuem para que a SAE não seja efetivada, aspecto que foi represen tado por um boneco rodeado de soldados, representando todos os elementos dificulta-dores presentes no ambiente de trabalho da equipe de enfermagem.

Adiciona-se, ainda, o despreparo e o des conhecimento de muitos profissionais acer ca da SAE, o que foi representado por EE1 como um jarro vazio - a falta de conheci mento. EE4 também representou tal aspecto, por meio de uma peça de quebra-cabeça:

a SAE ainda é um quebra-cabeça para os profis sionais, porque muitos não tem conhecimento e não sabem como implementála (EE4).

Os estudantes de enfermagem enfatiza ram o distanciamento do profissional de en fermagem no que se refere à interação com o paciente como problemas vivenciados, repre sentando ludicamente esse entrave por meio de bonecos distanciados. O terço presente no cenário de EE1 elucida tal questão, apontan do que muitos profissionais tem dificuldade de compreender as individualidades dos pa cientes.

Como problemas, eu trouxe uma barreira que existe muitas vezes entre os profissionais da saú de, onde um se acha superior ao outro, e isso complica, dificulta a sistematização, e também uma barreira entre os profissionais de saúde e o paciente, que muitas vezes os profissionais de saúde não conseguem estabelecer um elo ade quado com o paciente e acaba deixando pela metade a assistência que o paciente necessita (EE2).

É válido destacar, ainda, uma reflexão tra zida por EE8, que compreende que a predo minância do modelo biomédico constitui o elemento gerador dos entraves vivenciados e relatados, uma vez que dificulta a edificação do raciocínio clínico, do cuidado individua lizado, reflexivo e humanizado:

[...] agem de modo igual com todos os pacientes, sem ver as suas particularidades; além de exer cerem a enfermagem sem um raciocínio clínico, seguindo de modo tecnicista (EE8).

Possibilidades de melhoria: o caminho a trilhar

Os estudantes acreditam que, para consoli dar a SAE, é necessário: perseverança e luta dos profissionais (representadas ora por sol dados ora por bonecos unidos); trabalho em equipe (palavras FOCO, patinhos e avião); atualização e implementação do conheci mento necessário (livro e jarro com flor -compreendendo a terra como o conhecimen to necessário e a flor como a sensibilidade do cuidado implementado); e um ambiente de trabalho adequado (flores).

Para melhorar o quadro de dificuldades vivido, faz-se necessário agilidade do profissional, foco para manter seus objetivos, união da equipe e interação com o paciente, ambiente adequado para desenvolver as atividades e conhecimen to do seu cliente como um todo para atendê -lo com qualidade e de forma integral. Além da atualização de conhecimento científico por parte do enfermeiro, procurando aperfeiçoar-se cada vez mais (EE4).

Os estudantes de Enfermagem defendem, desse modo, que, mesmo com os entraves vivenciados pela profissão, a SAE pode ser implementada. Isso é representado por EE7, quando representa em seu cenário uma esca da, em que, em seu topo, está um bebê:

[...] o caminhar da enfermagem pela SAE. Cada degrau vai ter sua dificuldade, mas ao fi nal dessa escada a gente tem o quê? Como se fos se a vitória. E por que o bebê? O bebê simboliza a vida, simboliza nascimento, então pra mim esse bebê simboliza o nascimento e a profissão cada vez mais aprimorada, cada vez melhor. Então cada etapazinha vai fazer com que a en fermagem se torne cada vez melhor, qualificada e humanizada (EE7).

DISCUSSÃO E CONCLUSÃO

Observou-se que o uso da mandala como técnica projetiva mostrou-se efetivo, uma vez que contribuiu, de forma semelhante a ou tros estudos que utilizaram representações lúdicas como forma de coleta de dados, para que a verbalização dos sentimentos e de sub jetividades fosse alçada5,8,10.

Os benefícios da SAE destacados pelos estudantes de Enfermagem são corrobora dos pela literatura, que destaca que o usu ário, foco dos benefícios da SAE, também é influenciado positivamente, uma vez que a SAE possibilita maior confiança, satisfação, gratidão, melhor recuperação e redução da ansiedade do cliente11.

Desse modo, à medida que a SAE focaliza o cuidado individualizado e humanístico, ela também proporciona a validação das fun ções da enfermagem, contribuindo para o reconhecimento da importância das ações de enfermagem em qualquer nível de assistência à saúde e aumentando sua autonomia e vi sibilidade, criando fenómenos com caracte rísticas próprias e específicas para o cuidado, essência da profissão12-14.

Outrossim, os estudantes de enferma gem também enfatizaram que a SAE traz como benefícios o crescimento profissional, o reconhecimento e a valorização da área de atuação da enfermagem, isso por meio da visibilidade do cuidado como a essência da profissão.

Dessa forma, visualiza-se a SAE como uma metodologia empregada na organização do conhecimento e do cuidado ao usuário, constituindo uma atividade intelectual deli berada, caracterizando-se por ser intencio nal, sistemática, dinâmica, interativa, flexível e baseada em teorias15.

Os estudantes enfatizaram a otimização do tempo possibilitada pela SAE, aspecto destacado também pela literatura, que con sidera como vantagens dessa metodologia de trabalho: a maior segurança na tomada de decisões, a economia de tempo e a facilidade de planejamento da assistência, diminuindo, inclusive, o tempo de internação hospitalar12,16.

Outros cenários destacaram ainda que a SAE proporciona à equipe de enfermagem o desenvolvimento de um raciocínio clínico, através da formação de dúvidas e hipóteses (representadas por um ponto de interroga ção) e do fomento de novas ideias (um ponto de exclamação), o que vai favorecer a qualifi cação do cuidado na medida em que este es tará norteado por conhecimentos científicos.

Destarte, de maneira semelhante a um estudo que buscou, por meio da técnica do desenho projetivo, identificar as percepções de recém-admitidos ao curso de graduação em enfermagem de uma universidade públi ca do Ceará acerca da profissão, elucidou-se que os estudantes de enfermagem represen taram ludicamente uma imagem profissional valorizada, com base em novas perspectivas que privilegiam a verdadeira essência da En fermagem: o cuidado à pessoa humana5.

Todavia, ao mesmo tempo em que os estudantes de enfermagem reconhecem a essencialidade da SAE enquanto elemento qualificador da prática profissional, apontam que essa não é efetivada nos ambientes assis tenciais, refletindo suas vivências em está gios, em que não visualizaram, em momento algum, tentativas ou efetivações da SAE.

A literatura destaca que, ao se deparar com inúmeras dificuldades, a desmotivação profissional é visualizada, contribuindo para o fato de o trabalho sistematizado ainda não estar incorporado à prática assistencial, es tando mais presente no discurso dos profis sionais, o que se traduz num enfraquecimen to e numa desarticulação da teoria com a prática, fato este que gera conflitos ideológi cos que prejudicam não somente o entendi mento da prática de enfermagem, como tam bém o ensino das teorias de enfermagem, do processo de enfermagem e da SAE11,17.

Em grande parte, o desconhecimento, a dificuldade de domínio técnico-científico e a resistência dos profissionais, por entender a SAE como uma atividade burocrática que os distancia do usuário, são vistos como ele mentos dificultadores11,14,18.

O desconhecimento, sobretudo, é visto como reflexo de uma formação que ainda privilegia habilidades técnicas: resultados de um estudo, que entrevistou 27 enfermeiros do hospital universitário (HU) da Universi dade Federal de Sergipe (UFS), demonstra ram que 63% dos entrevistados afirmaram terem estudado somente a teoria do PE e não o terem aplicado (ou aplicado superfi cialmente) na prática, enquanto que 18,5% referiram não ter estudado ou não lembra ram de ter sido abordado este assunto na sua formação (19).

Os estudantes de enfermagem ainda enfa tizaram os conflitos entre os profissionais de saúde e o distanciamento do profissional de enfermagem no que se refere à interação com o paciente como problemas vivenciados.

A SAE, destarte, é elucidada como uma ferramenta de empoderamento das práticas de enfermagem, sem a qual o enfermeiro se resume a um papel burocrático -o denomi nado "enfermeso"- executando um mero fa zer, reflexo do modelo biomédico que frag menta o processo de cuidar, comprometendo a qualidade da assistência, desvalorizando-se enquanto profissional11,19.

À medida que refletiram sobre as dificul dades vivenciadas para a real consolidação da SAE, os estudantes de enfermagem aponta ram caminhos que devem ser trilhados como meio de superação dos entraves e afirmação dos benefícios.

Entende-se, dessa forma, que desafios pre cisam ser superados, compreendendo que a implementação da SAE exige da profissão uma integração efetiva com a equipe multi disciplinar.

Além disso, o planejamento da efetivação da SAE deve sofrer as adequações necessárias a cada contexto institucional, isso através do levantamento do sistema como um todo -valores, recursos humanos e suas funções, es trutura política de gestão institucional, capa citação profissional, necessidades específicas/ perfil dos usuários, sensibilização e preparo de toda a equipe de enfermagem, definição do referencial teórico, elaboração de instru mentos e preparo prático para a implemen tação da SAE15-19.

Nesse ínterim, considera-se que a SAE pode contribuir para o resgate do poder da enfermagem à medida que valoriza o cuida do como essência da profissão, assumindo características de prática reflexiva, transfor mando o modo de pensar para uma mudan ça que busca a qualidade do cuidar.

Apreende-se que os estudantes acreditam na SAE como elemento qualificador da prá tica de enfermagem, proporcionando como benefícios a solidificação de um cuidado in dividualizado, reflexivo, sistematizado e hu manizado, o que contribui essencialmente para o reconhecimento profissional e para a valorização do cuidado como essência da enfermagem.

Reconheceu-se, entretanto, que muitos entraves ainda integram o ambiente de traba lho dos profissionais de enfermagem, como a sobrecarga de trabalho e as más condições laborais, o que, somado ao desconhecimento e à predominância do pensamento fragmen tado, dificulta a efetivação da SAE.

Contudo, reconhecendo seus benefícios e defendendo a implementação da SAE, os es tudantes de enfermagem traçaram possibili dades de melhoria, na forma de um caminho a ser trilhado pela enfermagem, envolvendo união, perseverança, lutas por melhores con dições de trabalho e a busca incessante de co nhecimento.

Destaca-se que o uso da mandala huma-nopoiética como técnica projetiva consti tuiu um elemento qualificador do estudo, estimulando a expressão das subjetividades e favorecendo a verbalização das percepções. Acrescenta-se, ainda, que, ao unir a represen tação por meio de cenários, a descrição escri ta dos mesmos e o compartilhamento verbal das construções, a expressão das representa ções lúdicas foi enriquecida.

É válido destacar que os resultados apre sentados constituem a expressão de uma rea lidade específica, em que a formação dos es tudantes de enfermagem influenciou positi vamente em suas percepções positivas acerca

da SAE.

Espera-se, desse modo, contribuir para que outros estudos sejam alçados, uma vez que conhecer a opinião de estudantes de en fermagem significa compreender como que o ensino está sendo refletido na formação crí tica e reflexiva de futuros profissionais, que irão lutar pela consolidação efetiva na SAE.

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Recebido: 01 de Julho de 2015; Aceito: 17 de Abril de 2017

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