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Literatura y lingüística

versión impresa ISSN 0716-5811

Lit. lingüíst.  n.18 Santiago  2007

http://dx.doi.org/10.4067/S0716-58112007000100010 

 

Literatura y Lingüística N°18 ISSN 0716-5811 /pp. 189-199

Lingüística: artículos y monografías

A Lingua Inglesa e o Acesso às Novas Tecnologías da Comunícação

Maria Inés R.AIbernaz Kury*

 


Resumo

O artigo pretende mostrar a relevância que a lingua inglesa adquiriu como instrumento facilitador às novas tecnologías da comunicação, por meio de urna breve análise dos fatores que contribuíram para tal e da nova abordagem do ensino de inglês ñas universidades e escolas técnicas nacionais, como conseqüéncia dessa nova concepção.

Palavras-chave: Tecnologías, Língua Instrumental, Inglês.


Abstract

This work attempts to show the relevance that the English language acquired as a facilitating tool for new communication technologies. This issue is proposed by means of a brief ana lysis of the factors involved in such claiming and the new undertaking of English teaching at universities and national technical schools as a consequence of this new idea.

Key words: technologies, instrumental languaje, english


 

Em nota à versâo traduzida do livro de Steven Johnson, "Cultura da interface: como o computador transforma nossa maneira de criar e comunicar", a tradutora Maria Luíza Borges faz a seguinte observação:

Considerando que a maioria dos termos técnicos do universo da Informática provém do inglês - grande parte sendo ¡mediatamente assimilada á nossa lingua, e estando inclusive dicionarizada -, optou-se nesta edição por manté-los sem destaque, ou seja, sem uso de itálicos. Optou-se, além disso, pelo uso de termos mais correntes e já adotados, independentemente de já contarem com urna tradução ou de terem se mantido em inglês.

Levando em conta tal posicionamento, o presente artigo considera o uso da Lingua Inglesa um instrumento relevante na nossa relação de interação com o computador e, conseqüentemente, no nosso papel social na era tecnológica, na qual estamos inseridos.

Podemos observar tal relevancia na alteração das metodologias do ensino de Lingua Inglesa ñas escolas técnicas e universidades nacionais passando, inclusive, a vigorar, desde os anos 80, urna nova nomenclatura curricular: "Lingua Estrangeira Instrumental".

O inglês passou a ser ensinado não mais da forma tradicional que enfoca va as quatro habilidades (ler,falar,ouvir eescrever) de maneira geral, mas, sim, como um instrumento de acesso (neste caso, a habilidade de leitura passou a ser primordial) e um facilitador do processo de leitura do aprendiz ou usuario. Desde entáo, concentra-se a atenção no ensino de estrategias de leitura, vocabulario técnico/específico e nos objetivos que se desejam atingir. Conhecido como ESP (English for Specific Purposes), o projeto de inglês instrumental surgiu ñas escolas técnicas e universidades brasileiras, tendo como objetivo o ensino de inglês como um instrumento ("tool") para alcancar um objetivo ou aprender um assunto. Esses cursos são centrados no aprendiz, feitos a partir de urna análise de necessidades e com objetivos de curto prazo.

Eis urna boa definição para ESP (Inglês Instrumental): "ESP is generally used to refer to the teaching/learning of a foreign language for a clearly utilitarian purpose of which there is no doubt" (Mackay, 1975)1.

Com a revolução científica e tecnológica e o advento do computador, o inglês passou a se tornar a lingua dominante no mundo académico, científico e tecnológico. Poderíamos dizer que o inglês está para os nossos dias como o latim estava para a Idade Media.

A lingua como instrumento é rica e nos leva á compreensâo do que se pretende comunicar. Para se pensar politicamente e explicar o "papel" das línguas, devemos nos questionar sempre: "de onde viemos?"; "quem somos?"; "com quem queremos nos comunicar?"; "qual lingua nos permite urna comunicação com todo o mundo ou com os mais próximos a nos?"; "quem nos queremos que se comunique conosco?" Afinal, "it's a small world after all"...

As novas tecnologiastransformam todo nosso comporta mentó, nossa concepção de mundo, nosso estilo e ritmo de vida, nossas expressóes e criações, enfim, todo nosso papel social e, inclusive, nossa linguagem, de modeque precisamos de urna nova "linguagem" para descrever toda essa "nova era tecnológica". Surge, assim, urna terminologia específica para tal propósito. Temos, hoje, por exemplo o vocabulario high tech destinado á nova linguagem do ciberespaco e do mundo digital.

Desenvolvimiento de tecnologías: um longo e continuo processo histórico

Desde os primordios da humanidade, o homem vem procurando meios de facilitar sua vida e desenvolver tecnologías para mudar suas formas de ambientação e suas relações intersubjetivas.

Desde a i nvenção do a Ifa beto fonético entre 11.000 e 5.000 a nos a.C, o homem vem revolucionando seu modo de vida por meio de tecnologias, que, são, na verdade, urna extensâo de suas habilidades. Por urna neces-sidade ou um acidente da natureza, ele vai fazendo suas mediações e transformando a natureza. A origem do alfa beto fonético deu-sequando Tradução livre da autora: "O Inglês Instrumental é geralmente usado para se referir ao ensino/aprendizagem de urna Lingua Estrangeira através de um propósito claramente utilitario do qual não se tem dúvida."

o homem passou a discernir fonemas e a estabelecer sentidos, criando as palavras. Na verdade, ele foi urna distinção feita pelo homem primitivo para a criação de urna escala de significados. O alfabeto fonético foi decisivo para a fundamentação da escrita, quando se articulou um fonema a um grafema, possibilitando a inscrição da cultura e da memoria dos homens em registros que ficariam para a eternidade:

Existem, há dezenas de milhares de anos, ¡números meios de transmitir mensagens através de desenhos,sinaise¡ma-gens. Entretanto, a escrita, propriamentedita, só comecou a existir a partir do momento em que foi elaborado um conjundo organizado de signos ou símbolos, por meio dos quaisseus usuarios puderam materializar efixar claramente tudo que pensavam, sentiam ou sabiam expressar. (Jean, 2002, p. 12)

Os homens escreveram sua historia sobre pedra, barro e papiro, considerando tal processo um presente de Deus. A palavra "hieróglifo", que designa os caracteres da escrita egipcia, significa "escrita dos deuses". O sistema hieroglífico é considerado uma escrita verdadeira por reproduzir a lingua faladae por remeterá realidades abstraíase concretas. Essa escrita era constituida de tres partes: os pictogramas (desenhos estilizados), que representavam as coisas e os seres, combinando símbolos para exprimir idéias; os fonogramas, que representavam os sons, e, os determinativos, que eram símbolos indicativos de que categoria eram os seres e as coisas. Foi através da escrita que os antigos egipcios perpetuaram sua historia e narraram acontecimentos importantes, colocando-os em or-dem cronológica. Por exigencia das necessidades cotidianas, o sistema hieroglífico concebeu outras formas de escrita mais rápidas. Do outro lado do mundo, os chineses também inventaram, há dois mil anos a.C, uma escrita que perdura até hoje, cujos pictogramas ainda subsistem nos caracteres chineses. Posteriormente, 1000 anos a.C, deu-se, através dos fenicios, a invenção do alfabeto, que se fez conhecido pelos povos mediterráneos devido às navegações e transações comerciáis com eles estabelecidas. Por volta do séc. VIII a.C, dois novos alfabetos a parecerá m e foram fundamentáis para a escrita do Antigo Testamento: o aramaico e o hebraico. Tanto na Biblia quanto no Alcoráo, os vocábulos "escrita" e "escritura" tém uma conotação sagrada. Os gregos tomam do alfabeto aramaico varios signos que não existiam na lingua grega e criam as suas vogais. E, com a escrita grega, surge, nos séculos V e IV a.C, uma literatura extremamente rica, de varios géneros: teatro, prosa, poesia, historia e filosofia. É da escrita grega que se origina o alfabeto latino, ou seja, o nosso alfabeto. Por volta do séc. Ill a.C. foi criado um alfabeto latino de 19 letras, sendo o X e o Y anexados no séc. I a.C. Quatro séculos antes de nossa era, a escrita indiana já estava estruturada.

Para nosso espanto, vê-se que a escrita não foi e não é totalmente compartilhada pelo mundo todo. Em nossos dias, existem regióes que não a conhecem. De acordó com estudos lingüísticos, há aproximadamente tres mil línguas distintas, porém, nem todas são transcritas.

Durante muitos anos, a escrita ficou centralizada ñas máos dos escribas que copiavam os textos da biblia, escrevendo-os em latim, utilizando o papiro. Em seguida, substitui-se o papiro por pergaminho, possiblitando o nascimentodo livro. Na Idade Media, monges copistas eram verdadeiros artistas, produzindo manuscritos belose valiosos, de conteúdos unívocos e verdades pré-estabelecidas. No final do sáculo XII, a burguesía passa a ter acesso as obras escritas e surgem novas obras, como tratados de filosofia, de astronomia etc, bem como manuais de toda especie: de educação, de culinaria, de astronomía, etambém romances. No en tanto, somente com a utilização do papel (já em uso na China) para a escrita, o ritmo da fabricação do texto escrito foi acelerado. No sáculo XV, com a invenção da máquina de Gutenberg, os livros passam a ser impressos e reproduzidos em grande escala.

Urna serie de invenções, bem como as novas concepções de mundo, fazem com que a escrita vá tomando novos cursos e se modernizando cada vez mais. A tipografía, a litografía e o progresso da imprensa tornam possíveis a confecção de jomáis, cartazes, livros mais ilustrados e ordenados, documentos escritos diversos e diversificados. O própriosurgimento das palavras, inclusive, está ligado diretamente a urna necessidade. Podemos observar tal fato, inclusive, nos dias atuais, quando a tecnología da informação nos traz todo um vocabulario novo e específico exigido pelo próprio advento do computador.

Através da existencia do documento escrito, o homem se projeta como um ser histórico e grafado; o tempo passa de circular a continuo e, com a informação passível de ser observada, o ser humano se politiza, não podendo mais ser gerido pelas "leis do mais sabio", ou "do mais velho". As relações tornam-se políticas, não mais valendo as relações genéticas e sanguíneas. A partir da invenção da imprensa, o livro democratiza o acesso á informação, restrita anteriormente a um grupo restrito, chegan-do, finalmente, aos nossos dias, ao "livro eletrónico", conseqüentemente, a um saber sem dono, visto que a Internet possibilita o livre acesso de qualquer pessoa a qualquer tipo de informação.

As tecnologías fabricam signos - sinais, marcas que sinalizam algo, que definem um objeto e cujos significados são outros signos - sempre contextúalizados. O livro éum signo na historia cultural da humanidade, podendo ser lido de varias formas e sofrer diferentes interpretações, posto que, como todo signo, caracteriza urna época e sofre interferencias sociais, históricas, políticas e culturáis.

Na era da informação, propiciada pelo desenvolvimento das mídias, o receptor tern o controle, de alguma forma, para consumir, visto que a informação não é uma coisa imposta. Somos nos que a procuramos. Nos anos 70/80, a mídia comeca a valer mais do que o próprio conteúdo. O foco da inteligencia passa a ser centrado no receptor. A sociedade aparece como transcultural e transnacional, em outras palavras, uma nova sociedade é fundada pela informatização da economia e da própria sociedade, onde o computador é a principal mídia e a produtividade é a tónica. Há uma "desregulamentação", não havendo mais imposição ideológica nem qualquer outra palavra de ordem, como se da va na fase anterior á era da informação, nos anos 30, quando o emissor era dono dos meios de comunicação, que impunham valores ao receptor, levando-o ao "assujeitamento", isto é, a uma aceitação passiva. AN, a televisâo era a principal mídia e por meio déla, patrocinavam-se a uniformização e a estruturação dediscursos precisóse ideológicos. Ofocoestava no emissor e a inteligencia era o controle.

Na era da comutação, em que nos situamos, a inteligencia está no circuito, não sendo mais nem do emissor, nem do receptor. As máquinas são semióticas e temos a interface homem-computador. não há imposição. Há, sim, uma mediação, uma troca, visto que todo receptor é também co-emissor.

Atualmente, há uma grande quantidade de informação de baixo custo. A Internet nos obriga a saber. Porém, esse excesso de informação pode ser negativo, caso nos, usuarios (receptores e co-emissores), não nos preocupemos com a qualidade e não selecionemos nossa leitura na rede. Os hipertextos, através de seus ¡números links, podem nos conduzir a leituras catastróficas ou, até mesmo, a um grande silencio se não dirigirmos o rumo de nossa leitura para o fim desejado e tomarmos caminhossempreabertoseoferecidos,geralmente com fins mera mente comerciáis e diversos aos nossos.

Seria ideal a existencia de uma disciplina escolar dedicada ao ensino de navegação na Internet, na qual se ensinaria géneros e registros de linguagem para facilitar o acesso do usuario á grande rede. Conforme Harry Bloom, crítico litera rio americano, a informação não é sedimentada. Pela rapidez de acesso, não há tempo hábil para assimilação. Ele ressalta a necessidade de nos questionarmos sobre as questóes de "como e por que ler?"

A preocupação com futuras gerações de leitores é tema frequénte entre escritores e educadores. Sabemos que ler não é apenas decodificar códigos, mas também e, sobretudo, interpretar e compreender o que foi lido. A cibercultura nos oferece uma grande possibilidade de acesso universal aos dados e aos mais diversos tipos de textos. Uma questáo se faz primordial, no entanto: saber qual informação é útil. Segundo Lévy (1999): a informação está em rede, são as "árvores do conhecimento" e, a cada "nó"dessa "árvore",dessa "rede", temos que tomar uma decisâo. são como labirintos. Somos, portante, responsáveis por nossas escolhas.

A semiótica está em tudo

Hoje, com a resolução digital e com o surgimento do hipertexto e da hipermídia, o mundo está sendo crescentemente povoado de signos. Conseqüentemente, temos a necessidade, também crescente, de "dialogar"com estes signos, em um nivel um pouco mais profundo.

Na visâo semiótica de Peirce, lingüista norte-americano que concebe uma visâo triádica do signo (a ser abordada posteriormente), ele nunca é apreendido em sua totalidade. Apreendemos partes do signo, isto é, apreendemos, parcialmente, um conhecimento. Através da Lógica, Peirce chega á conclusâo sobre como ocorre a linguagem. A semiótica é uma ciencia plural que dá conta de tudo, pois tudo é signo. Peirce nos mostra, através da semiótica, que o conhecimento se processa em tres níveis. O nivel de primeiridade, ou seja, a constatação de algo, sem juízos de valor. Este nivel de conhecimento é simplista, havendo meramente a apreensâo dos fatos. É a estética. O de secundidade, quando estabe-lecemos valores e qualidades ñas diferentes apreensóes que temos e comecamos a "dialogar" com o objeto apreendido. É o nivel da ética, que determina comporta mentes. Finalmente, o de terceiridade, nivel mais profundo de conhecimento, quando somos capazes de fazer uma constatação, argumentar, discutir. Quando nos colocamos e temos o que dizer. Quando teorizamos. É a lógica, ou, semiótica. Somente através do desenvolvimento do pen sámente chegamos á terceiridade.

A semiótica nos possibilitou que a linguagem fosse capaz de ser determinada pela revolução da mídia. Novos signos são introjetados na linguagem a cada dia. Sem um repertorio, sem palavras, sem signos, não podemos pensar. Precisamos recorrerá eles para desenvolvermos nossas idéias e torná-las apreensíveis aos outros.

Santaella (1996) faz menção ao conceito de "ecología cognitiva", que significa a interação de coisas que criam um sistema, isto é, uma "circunscrição" de coisas. O computador, considerado a grande "máquina semiótica", nos faz pensar com outras propriedades. Nosso cerebro não pensaria como pensa se não fossem as máquinas. Elas são uma especie de "suporte" do cerebro. Isso faz parte da tecnologia semiótica.

A semiótica é a ciencia que lé os signos. É signo tudo o que substituí significativamente urna outra coisa, isto é, está no lugar de algo; representa ndo-o. Através da semiótica, podem ser realizados estudos dos processos culturáis como "processos de comunicacao", num "sistema de signrñcação". Um código é um "sistema de signrñcação" que une entidades presentes e ausentes, percebidas pelo destinatario, visto que todo processo de comunicacao humana pressupóe um sistema de signrñcação como condição necessária. Um signo é urna convenção social previamente determinada e aceita para que possa cumprir seu papel essencial de "estar no lugar de outra coisa". O significado é socializado, embora, ás vezes, não tenhamos consciéncia disso.

Essa convenção social e arbitraria dos signos se faz com o uso da lin-guagem verbal como metalinguagem para estabelecer as convenções. Temos, assim, um jogo continuo de atos e comportamentos conscientes e inconscientes, mas significativos socialmente, por isso, podemos nos comunicar uns com os outros.

O sistema lingüístico étriádico (cabe ressaltar que o pensamiento triá-dico é o grande "trunfo" da semiótica): sintático, relacionando os signos lingüísticos entre si; semántico, relacionando os signos com os objetos e pragmático, referindo-se á forma como os destinatarios reagem aos estímulos sugeridos pelas mensagens lingüísticas.

O computador é urna máquina semiotizadora, pois nele há um conjunto de regras, um sistema, urna estrutura operacional; mas ele não semio-logiza, pois não modifica o código, não simboliza como o ser humano.

Toda a nossa cultura está baseada na comunicacao e no sistema de sig-nrñcaçõesestruturadas. A cultura sósedá pela linguagem. Alinguagem é um instrumento de interpretado. Tudo é interpretação. Tudo é signo. E o maior dos signos é o próprio homem, pois precisa ser "interpretado", "lido", "decodificado".

As máquinas em nossas vidas

De acordó com Pierre Lévy, são tres os estágios das máquinas na vida humana: o primeiro éo estágio das máquinas quedesempenham alguma tarefa muscular, economizando nossa forca eenergia (automação), por exemplo, urna enxada, urna máquina de lavar, etc. O segundo estágio é o das máquinas sensoriais que váo causar efeito nos sentidos, "amortizando" a vida real e intensificando -os, como, por exemplo, a fotografía, o cinema e a televisâo. O terceiro estágio é o da máquina cerebral, capaz de pensar junto conosco.

Hoje, as máquinasjá vém sintonizadas,fazendo tudo sozinhas. não há "botóes". Tudo vém "embutido". Através da tecnología digital, urna nova vida nos foi dada. A rapidez e a facilidade de uso de toda "parafernália eletrónica" nos traz grande conforto.

Os artefatos, untensílios, ferramentas em geral, interferem direta-mente no trabalho humano; são transformadores de algo da natureza. As máquinas são resultados de tecnologias, com as quais o homem transformou a natureza eestendeusuas habilidades, facilitando, assim, seu trabalho e sua vida, poupando-lhe, sobretudo, tempo... bem como o fizeram e fazem as "tecnologias da inteligencia" que dizem respeito a todo cálculo que um homem é capaz de realizar sobre um artefato e á própria inteligencia humana.

O computador tem urna função lúdica, além de ser urna mídia quefaz urna "extensâo" dos sentidos humanos e de ser urna máquina cerebral.

A cibernética se inseriu abruptamente em nossas vidas. Em tudo podemos ver um "viés tecnológico": cartóes magnéticos, computado-rização, tecnologia digital em todos os eletrónicos, inclusive no cinema e em outras esferas..

Tudo está em sintonia digitalizada, o que significa que o controle não é mais feito por nos. O controle das máquinas é cibernético - possuindo características de auto-correção, auto controle, auto-desligamento etc.

A atual industria cultural massrñca a produção. A industria se apodera do que era raro e único e transforma-o em "produto da massa". Um caso desses são os "gadgets", produtos utilitarios com urna função extra (adicional), frutos da "americanização" cultural. Por exemplo,um enfeite de mesa que é também um abridor de garrafas ou um chaveiro que se transforma num isqueiro, entre outros. Ao se vender um "gadget", satis-faz-se urna necessidade física e espiritual simultáneamente. A televisâo, meio de comunicação potencialmente influenciado^ é o grande veículo de venda desses produtos de massa, incutindo "necessidades" de consumo e uniformização de comportamentos.

As novas tecnologias, para os otimistas, eliminaram o monopolio de conhecimento queas grandes corporações de mídias obtinham efizeram surgir pequeños empresarios locáis e urna produção flexível, visto que a Internet é urna esfera pública, sendo, portante, a "invenção" mais democratizados, mais importante depois da imprensa. Entretanto, na ótica dos pessimistas, o que se tem é urna alianca entre a industria das novas tecnologias de comunicação e o monopolio tecnológico e econômico que pretende controlar a consciéncia individual para que certos valores se convertam em valores mais importante, ou seja, a continuidade (reforjada, tecnológicamente) do capitalismo, que impera desde 1920, de acordó com H. Shiller (1979) em parte de urna entrevista sobre a relação entre imperialismo e efeitos culturáis.

Na verdade, o poder vai adquirindo formas cada vez mais sutis para exercer o controle, pois que não sendo o consumo semiótico, isto é, não percebido pela pessoa, tem-se um efeito de "alienação". O controle passa a ser estabelecido pelo "viés da construção tecnológica", por meio dos processos de produção industrial revolucionados pela informática, e pelo controle metatecnológico, que transcende a tecnologia e pensa sobre ela. É a industria virtual que transmite e produz conhecimentos de forma cooperativa, ao envolver o usuario (consumidor) cada vez mais e com maior intensidade.

Esse acesso direto as fontes de informação, aos bancos de dados, á ciencia e outros podem levar ao desaparecimiento do atual papel e função dos mediadores (jornalistas, professores, médicos etc): "As insti-tuições e as profissóes afetadas pelo declínio de seu papel de mediador e o fortalecimento da transparencia não poderáo sobreviver e prosperar no cyberespaco se não for através da difusâo de competencias para a organização da inteligencia coletiva e assisténcia á navegação" ( Lévy, 1996, p.60).

Os computadores digitais são "máquinas literarias" porque trabalham com sinais e símbolos mesmo que para nos essa "linguagem elementar" seja incompreensível. Eles possuem um sistema simbólico que lida com representações e sinais. O grande poder dos computadores digitais da atualidade depende dessa capacidade de auto-representação e da incrível rapidez com que realizam suas operações.

A representado de toda essa informação exige urna nova linguagem, derivando novas "tecnologias". Daí, o surgimento das diferentes formas de interface, permitindo maior interação entre o usuario e a máquina e o vocabulario "high tech"que, em sua maior parte, permaneceu em inglês ou foi ligeiramente modificado e assimilado em outra lingua.

Acredita-se que, pelo fato de a IBM (International Business Machines) ter sido líder no mercado da informática, do produzir tanto hardware quanto software, a maioria da terminologia dessa área tenha permanecido em inglês, lingua originaria dos termos. Se fizéssemos um levantamento, reuniríamos ¡números vocábulos para comprovar o fato de que o inglês domina a terminologia da informática. Palavras como fax, modem, laptop, mouse, trackball, redial, CD-ROM, scanner, link, download, laser, entre outras são utilizadas constantemente em nossas vidas, ao fazermos uso ou, simplesmente, ao falarmos sobre Internet e computação em geral.

As vezes, quando existem equivalentes em outras línguas, as pala-vras são traduzidas. Como é o caso de "teclado"e "impressora". Ocorre, também, a criação de novos termos na lingua, como "disquete", "clicar", "plugar", "randómico" e tantos outros.

Concluindo, a lingua inglesa está, cada vez mais, reforjando seu "status privilegiado" de ser a lingua tecnológica, profissional e internacional do futuro. Certamente, o inglês não é mais um instrumento de subserviéncia ou urna lingua estrangeira a ser estudada e, sim, urna lingua internacional, urna ferramenta essencial na nova era tecnológica, da qual nos, usuarios, necessitamos ter, pelo menos, algum dominio para que possamos interagir, satisfatoriamente, no mundo da informática.

Notas

Professora de Lingua Inglesa do CEFET-Campos.

Bibliografía

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