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Teología y vida

Print version ISSN 0049-3449On-line version ISSN 0717-6295

Teol. vida vol.63 no.2 Santiago June 2022

http://dx.doi.org/10.7764/tyv/632/1/149-177 

Estudios

A teologia na academia: valores, desafios e possibilidades

1 Programa de Pós-Graduação em Teologia Pontifícia Universidade Católica do Paraná – Brasil elias.wolff@pucpr.br

Resumen

La teología en la academia se desarrolla con criterios técnicos que le dan su estatuto científico. El objetivo de este estudio es mostrar las oportunidades y desafíos que esto presenta a la ciencia teológica. Se destaca, de una parte, la necesidad de reconfigurar el constructo epistémico de la teología y, de otra parte, el mantenimiento de la originalidad y especificidad del saber de fe. El método de investigación es el análisis de cómo la teología en la academia mantiene o fragiliza elementos como la fe, la afirmación de lo trascendente, la eclesialidad, el compromiso en el mundo, el pueblo como sujeto teológico o la praxis. Se concluye que, solo asegurando esos elementos, la teología se afirma como tal entre las demás ciencias, constituyéndose como un saber aplicable a las situaciones teóricas y prácticas de la humanidad.

Palabras-clave: teologia; universidad; ciência; fe; Iglesia; sociedad

Abstract

Theology in the academy is developed according to technical criteria that give it scientific status. The aim of this study is to explore the opportunities and challenges that this presents for theological science. On the one hand, there is the need to reconfigure the epistemic construct of theology, and, on the other, the importance of maintaining the originality and specificity of faith as a field of knowledge. The research method is the analysis of how theology in the academy maintains or weakens such elements as faith, the affirmation of the transcendent, ecclesiality, engagement in the world, the people as theological subject, and praxis. The conclusion is that only by ensuring these elements can theology in the academy assert itself as such among the other sciences, constituting itself as a field of knowledge applicable to the theoretical and practical situations of humanity.

Key words: theology, university; science; faith; Church; society

INTRODUÇÃO

Há diferentes âmbitos ou níveis de reflexão da fé, dentre os quais se destacam o ensino das lideranças comunitárias, a teologia acadêmica e o ensino das autoridades eclesiásticas, este como um nível intermediário entre os dois primeiros. Daqui temos uma teologia pastoral, uma acadêmica e uma eclesiástica. A distinção dos tipos de teologia está principalmente na linguagem e na orientação prática, sendo uma espontânea, que acontece na força das circunstâncias pastorais (das lideranças comunitárias), outra profissional (da academia) e outra que se coloca entre essas duas (eclesiástica). O nível acadêmico da teologia mostra-se com particular rigor técnico para afirmar seu estatuto científico, enquanto os outros dois não têm essa preocupação.

Nos lugares onde os cursos de teologia são reconhecidos pelos órgãos governamentais, o que no Brasil ocorre desde 1999, a teologia com cidadania acadêmica se reconfigura em sua epistemologia, seus métodos, suas hermenêuticas, justificando-se como área de conhecimento com status de ciência e conquistando espaço nas universidades. A cientificidade do saber teológico na academia requer que a epistemologia teológica se desenvolva com critérios metodologicamente rigorosos na análise do seu objeto. Nisso distinguem-se intellectus (inteligência) e fides (fé), ato teológico e magistério eclesiástico, como instâncias autônomas, mas sem perder o vínculo que lhes é essencial. Cada vez mais na academia as regras do pensar teológico são definidas pelos profissionais da área, e não pelas autoridades eclesiásticas. E a regulamentação dos cursos de teologia é da competência do estado. Há tensões entre a regula fidei (regra de fé) eclesiástica e os critérios científicos aplicados à ciência teológica. Mas essa tensão torna-se criativa, impulsionando a teologia a encontrar o seu lugar entre a academia, as igrejas e a sociedade.

Isso é importante conquista para o saber da fé, que se desenvolve para além do mundo eclesiástico e em diálogo com outros saberes. Este estudo tem como objetivo analisar como a teologia é produzida na academia, principalmente nos programas de pós-graduação, com critérios técnicos, sofisticações linguísticas e complicações semânticas na expressão do objeto. A questão central a ser respondida é: como a teologia produzida nas universidades tem incidência efetiva na vida das comunidades? Trata-se de verificar os valores, os desafios e as possibilidades da teologia científica para a vivência da fé nas comunidades. Daqui emergem outras questões que buscaremos responder: em que medida a teologia desenvolvida cientificamente mantém sua originalidade como serviço à fé eclesial? Como o ato teológico na academia contempla a fé, a eclesialidade, o engajamento no mundo, o lugar do povo no saber da fé, a práxis? A hipótese a ser verificada é que a teologia como ciência produzida nas universidades ao mesmo tempo que se enriquece pela interação dialógica com outras áreas do saber e afirma-se como ciência, não raro se intimida na expressão de sua natureza e finalidade originais, correndo o risco de confundir-se com áreas da ciência que também tratam de temas religiosos. A conclusão é que a teologia na academia não precisa, e nem pode, abandonar sua natureza e finalidade originais. No mesmo processo de reconfiguração como ciência criativa, processual e contextualizada, a teologia precisa reafirmar elementos que tradicionalmente fazem parte de seu estatuto epistemológico.

1. A TEOLOGIA COMO CIÊNCIA NA ACADEMIA

A teologia em nossos tempos conquista cidadania acadêmica nas universidades enquanto conhecimento sistematizado com elementos próprios do pensar científico, obtendo domínio numa área de conhecimento. O saber teológico afirma-se como ciência que tem sua própria lógica, objeto, objetivos, métodos e horizontes hermenêuticos; lança hipóteses que são verificadas por meio de uma investigação que procede com apurado rigorismo metodológico; e suas conclusões são explicitadas com categorias e linguagem acadêmicas. Isso confere à teologia capacidade e competência científica na argumentação do que investiga, bem como a aplicabilidade do seu saber aos diversos problemas práticos e/ou científicos da humanidade. E sendo a universidade um ambiente plural, a teologia ali produzida dialoga com diferentes saberes, assumindo novas pautas. Ela ganha visibilidade no diálogo com especialistas de diversos campos do conhecimento e diferentes tradições eclesiais, contribuindo para iluminar os desafios que emergem de diversas realidades, o que a configura como um saber interdisciplinar, intercultural e interconfessional, numa interação entre diferentes ciências, culturas e igrejas. Os novos lugares, as novas pautas, os novos sujeitos e as novas hermenêuticas concedem ao conhecimento teológico processualidade, dinamicidade, progressividade e dialogicidade, superando o dogmatismo, o fixismo e a imutabilidade na concepção da verdade cristã. Também profissionais das diversas ciências podem contribuir com a teologia “por disporem de uma chave de leitura própria que poderia desvelar verdades escondidas e oferecer insights inéditos da fé cristã” 1 .

Na academia, a teologia faz-se ciência entre as ciências e a análise do seu objeto tem o modelo formal comum às demais ciências, como a criticidade, a sistematicidade e a dinamicidade 2 . Mas na demonstração das verdades, há uma grande diferença entre a ciência teológica e as demais. As verdades teológicas não são demonstráveis com evidências práticas, a fé não tem provas de comprovação científica. Contudo, a semântica teológica, como qualquer fala que se pretende verdadeira, é suscetível de alguma verificação experimental 3 . A verificação concreta de uma afirmação de fé passa pela importância existencial dessa afirmação, expressa situações peculiares das pessoas e das comunidades de fé. Para isso concorre o testemunho, a experiência litúrgica e sacramental. Não é um subjetivismo fideísta, que exclui a razão crítica da fé. É um “estranho discernimento” 4 , onde o termo Deus, por exemplo, tem função integradora suprema para a “montagem cósmica” 5 das experiências. A verificação do saber teológico não busca demonstração lógica, mas evoca o sentido do mistério último da existência. O empírico, sensível, na fé, indica uma realidade maior. Como diz C. Boff, a ciência teológica é um “saber das intenções significativas” 6 , verificando hipóteses de sentido e tentando sua sistematização. Assim, a teologia define-se como ciência hermenêutica, que não é apenas um discurso sobre Deus, mas uma ciência que reflete a linguagem sobre Deus, interpreta a linguagem que fala humanamente de Deus 7 .

O/a teólogo/a é uma pessoa técnica do mistério. E mesmo se sobre o mistério mais se deve calar do que falar, a competência da/o teólogo/a na universidade é avaliada por falar com regras que caracterizam o discurso científico, e não pelas suas convicções acerca do objeto que investiga. O conhecimento desse objeto é de natureza intuitiva, da percepção da fé, mas a fala sobre ele tem uma racionalidade. E a natureza do objeto da ciência teológica não determina a competência técnica do/a teólogo/a, para o que vale mais o aspecto formal da argumentação. Assim, a teologicidade do discurso não está propriamente no objeto material, mas no objeto formal. Em termos técnicos, afirmar a existência de Deus tem o mesmo valor que negá-la, considerando apenas o discurso elaborado com os quesitos científicos, embora a natureza da ciência mude conforme a perspectiva com que se utilizam os quesitos que a configuram. Assim temos, por exemplo, na filosofia da religião e teologia teses que não podem ser comprovadas empiricamente, mas que são plausíveis de argumentação com racionalidade técnica. E assim o profissionalismo do/a teólogo/a é validado por critérios que a instituição universitária aplica a profissionais de diferentes áreas do saber, como os parâmetros da produção, a orientações de teses e dissertações, a ação em grupos de pesquisa, a visibilidade da atuação, etc. Mas em teologia causa certa perplexidade o fato de o objeto não determinar a natureza científica da ciência teológica, e sim a competência como esse objeto é tratado. Além disso, em meios universitários há o risco de se medir essa competência apenas pela quantificação, com uma produção que por vezes atende mais a interesses corporativos e à lógica do mercado; ou de ver o profissionalismo do/a teólogo/a como mera observância das regras do comportamento acadêmico.

Tais são os desafios que a teologia precisa hoje enfrentar nos meios acadêmicos onde ela se encontra. Como tudo pode ser teologizado, nada escapa do olhar teológico, e a universidade é um excelente espaço para esse olhar ser um encontro de diferentes perspectivas das ciências, das culturas e dos credos. A teologia é instigada a reconhecer nesse mundo plural riquezas que contribuem para a compreensão das verdades cristãs. Isso requer assumir a pluralidade como paradigma do pensar teológico, de modo que a justificação da confissão cristã implica em reconhecer o valor de outras confissões, a sistematização da verdade cristã não é um caminho de mão única. A academia é um espaço privilegiado para uma teologia plural, por duas principais razões: é o lugar do saber plural que se expressa tanto no âmbito das ciências, quanto dos credos; e a teologia produzida na universidade precisa, como ciência, assumir essa pluralidade como constitutiva do saber da fé cristã. Para isso faz-se necessário um redimensionamento epistemológico da teologia como ciência, com a revisão de método, hermenêuticas, categorias e linguagens. As teorias tradicionalmente estabelecidas são revistas numa perspectiva interdisciplinar e interconfessional, pela qual verdades da fé cristã podem ser colhidas e expressadas na relação com especificidades de diferentes culturas e credos. Isso implica numa virada hermenêutica que expressa uma ruptura epistêmica no processo de compreensão da fé, situando-a num contexto cultural e religioso diversificado, que exige novas posturas de auto-afirmação pela/com a alter-afirmação, não sem crise de referências que sustentam a auto e alter identidade. A teologia na academia sente a ineficácia de mediações que não favorecem a inserção num processo contextual plural, interdisciplinar e interconfessional. Sendo a universidade o lugar do pluralismo, a palavra da teologia ali tem lugar como palavra de diálogo, superando resistências que visam manter o pensar teológico com métodos e hermenêuticas estreitas e anacrônicas.

2. A ENCRUZILHADA ENTRE EPISTEMOLOGIA E POLÍTICA NOS CURSOS DE TEOLOGIA

Ao longo da sua história, a teologia se desenvolveu a partir das interpelações da fé vivida nas comunidades sendo, e há quem a entende, “subordinada às políticas eclesiais e pastorais das igrejas” 8 , como dependente das orientações das lideranças eclesiásticas. Hoje, para assumir as propostas universitárias de ensino, pesquisa e extensão, a teologia precisa de autonomia em relação às igrejas. Como reconhecimento governamental dos cursos de teologia, a política da teologia na academia está na dependência do estado, a quem compete cuidar da ciência nas universidades, propondo critérios formais dos cursos de teologia, como qualificação docente, carga horária, títulos acadêmicos, etc 9 . Mas o estado não determina o fundamento científico de uma ciência, o que é competência de especialistas da área, a quem compete identificar novos lugares e novas pautas, desenvolver métodos e hermenêuticas do saber teológico. Como em geral, especialistas em teologia mantém vínculos com as igrejas, isso faz com que a teologia na universidade tenha natureza também confessional. Ela tem autonomia em relação às igrejas, mas não independência, pois também na academia as igrejas influem na identidade epistemológica da teologia. Tal fato acontece pela separação entre igreja e estado, pelo que este não interfere em questões religiosas, cabendo às igrejas a definição tanto do objeto material quanto do objeto formal da ciência teológica. O estado regulamenta essa decisão, como constata Décio Passos 10 , oferecendo a política da teologia na academia, enquanto as igrejas, juntamente com os profissionais da área, propõem a epistemologia. Nisso existe uma tensão na teologia nas universidades: afirma-se como área de conhecimento, enquanto ciência, mas não abandona o território confessional. A “área de conhecimento” (ciência) e a “liberdade religiosa” (fiéis/igrejas) tensionam na manutenção de autonomia política em relação ao estado, e de autonomia epistemológica em relação às igrejas 11 . Mas essa tensão é natural e pode ser mais criativa do que conflitiva. Em relação ao estado, a tensão em muito está superada. Em relação às igrejas, a superação de aspectos conflitivos dessas tensões exige que elas confiem nos profissionais da teologia para a elaboração dos currículos; e confiem na academia para a definição das regras do pensar e do método da investigação da fé. Assim, a área de conhecimento e a liberdade religiosa podem interagir positivamente, uma vez que a teologia na academia ganha autonomia tanto em relação ao estado quanto em relação às igrejas. E a teologia pode ajudar a igreja a estar também na universidade sem fazer desta uma extensão dos projetos eclesiásticos. O mundo é plural, a universidade é plural e nela só tem lugar uma teologia que seja também plural, dialogando com concepções plurais da verdade. E se tem alguma contribuição que a teologia pode oferecer às igrejas hoje, é ajudá-las a dialogar com o mundo plural em que vivemos. Então a fala da igreja e da teologia na universidade é uma fala inter-saberes e interconfessional.

3. MUDANÇAS EPISTEMOLÓGICAS E HERMENÊUTICAS NECESSÁRIAS

No debate epistemológico, não é a teologia como tal o problema discutido, mas o modo de fazê-la. A questão epistemológica não é nova, mas recorrente em toda a história do pensar cristão. A teologia sempre foi construída como saber de fé em diálogo com outros saberes. Na Alexandria, Filo, Clemente, Orígenes, entre outros, desenvolveram regras para a leitura da Bíblia. É conhecido o método dos diferentes sentidos das Escrituras em Orígenes 12 . No século v, Agostinho dialoga com Platão; no século xiii, Tomás de Aquino dialoga com Aristóteles; no século xix, a discussão sobre a hermenêutica da fé ganha força com Schleiermacher e Dilthey 13 ; no século xx, a teologia recebe contribuições de várias ciências, como a história, a arqueologia, a antropologia, a filosofia, entre outras. Destacam-se as ciência humanas como a fenomenologia de Heidegger, seguido por Gadamer na universalidade ontológica da hermenêutica, entendendo esta como “o movimento fundamental da existência” 14 ; Paul Ricoeur contribui com a categoria do distanciamento entre o mundo do texto e o mundo do leitor, que se apropria do texto, do sentido do poder-ser manifestado no mundo do texto: “compreender é compreender-se diante do texto” 15 ; Thomas Kuhn ajuda a constatar que “mudanças de paradigmas” 16 são frequentes nos modos de viver humanos, o que exige reconstruir padrões de pensamento e de comportamento; Michel Foucault (1926-1984) e Michael de Certeau (1925-1986) alertam para o vínculo entre saber e poder, numa relação entre a produção de conhecimento e modelos políticos hegemônicos nas instituições; David Tracy revisita o método da correlação de Tillich numa perspectiva hermenêutica, em diálogo com Gadamer e Ricoeur, afirmando distintos públicos da teologia: a igreja com a teologia sistemática; a academia, com a teologia fundamental; e a sociedade, com a teologia prática 17 .

Assim, a questão epistemológica e hermenêutica da teologia é sempre relevante, e a academia é o lugar privilegiado para essa discussão, onde a episteme teológica se refaz constantemente num diálogo de saberes, tempos e contextos. Desse diálogo a teologia colhe importantes questões tanto sobre o conteúdo da fé, quanto do modo de pensar esse conteúdo. Como a organização interna do saber está sempre vinculada às suas condições de produção (Foucault, Certeau), a atual mudança epocal exige rever o constructo epistêmico da ciência da fé, considerando que as transformações não acontecem apenas em detalhes da cultura ou da fé, mas no marco total de referências. Isso impulsiona uma reorganização do sistema pístico da teologia em três principais elementos: ela remodela-se como interpretação criativa dos dados de fé; desenvolve-se como razão aberta; e estabelece uma correlação crítica e mútua entre passado e presente, doutrina e experiência, religião e sociedade. Trata-se de uma virada hermenêutica que mostra “um cristianismo sob o risco da interpretação” 18 .

Assim, Claude Geffrè mostra “a passagem da teologia como saber constituído para a teologia como interpretação plural ou ainda a passagem da teologia dogmática para a teologia como hermenêutica” 19 . Por muito tempo, a teologia afirmou um saber pronto da fé, com base em uma leitura das Escrituras, da tradição e do magistério como última palavra sobre os mistérios cristãos. Hoje, porém, toda verdade é concebida de modo processual, histórico, de modo que nada há de acabado. O conhecimento é entendido como interpretação, e não existe a última palavra sobre a verdade. Com isso, há um deslocamento do lugar das Escrituras, da tradição e do magistério no saber teológico. Como diz C. Geffré, esses elementos são mais “referências” do que “autoridades” 20 que legitimam o pensar da fé. A própria Escritura é “ testemunho que remete a eventos históricos” 21 , mostrando que o Deus cristão é reconhecido numa história, de forma encarnada. Teologia é reflexão da “verdade encarnada” 22 . Justifica-se, assim, o fato de a teologia tratar de questões do mundo, abordadas pelas diversas ciências, como a política, a economia, a cultura, a ética, a biotecnologia, etc. A teologia investiga tudo como lugar de sentido expressando a autenticidade original da fé cristã e a consciência eclesial frente às diferentes realidades. Desse modo, ela assume as pautas do mundo e sobre elas se expressa com categorias e linguagem que, não obstante se aproximarem de outras áreas do saber, possuem horizonte hermenêutico e universo semântico próprios. Uma vez que “a adesão à fé […] comanda toda teologia cristã autêntica” 23 , mantém-se uma especificidade distintiva do auditus fidei sobre as realidades investigadas.

Desse modo, no ato teológico acadêmico interagem a fé e as técnicas de investigação. A criticidade que a academia oferece à reflexão teológica coloca a razão da fé em questão frente a si mesma, possibilita-lhe dinamicidade e atualização, reconstruindo suas hipóteses, pressupostos e estrutura epistêmica. E reconfigura o universo semântico de suas categorias, revendo a linguagem com a qual a teologia afirma suas verdades. Nisso a teologia percebe a constante mutabilidade com que seu objeto de pesquisa se lhe aparece, o que a coloca no horizonte epistêmico próprio dos tempos pós-modernos, onde não há verdades acabadas, mesmo como doutrina de fé. Deus, como mistério, não é objeto do conhecimento humano de modo pleno, definitivo, e não pode ser expressado por discursos científicos, mesmo se teológicos. Então a teologia tateia o mistério, convicta de que, não obstante seu esse absconditus (ser oculto), Deus pode ser apreendido pelo intellectus fidei , embora não seja compreendido cabalmente, como nos mostra a teologia apofática.

4. FRAGILIDADES E DESAFIOS DA TEOLOGIA NA ACADEMIA

A teologia se refaz em seu constructo epistêmico na academia assumindo características próprias desse espaço e em relação com o mundo atual, como lugares do pensar da fé, com novos sujeitos e novas pautas cada vez mais plurais. Isso é altamente positivo para o saber da fé, mas também apresenta o risco de fragilizar especificidades da teologia, muitas vezes confundindo-se com outras ciências que também tratam de temas religiosos. Nem toda fala sobre Deus, revelação, fé, igreja, escrituras sagradas, etc., é teologia, e por isso é importante manter a atenção a alguns aspectos que fazem parte da tradição teológica, com particular relevância àquela produzida na academia.

4.1. Tem lugar a fé na teologia como ciência?

Como entra a fé no processo técnico, científico e acadêmico da teologia? De um lado, a fé é expressão de experiências de pessoas e comunidades religiosas. De outro lado, toda ciência necessita de um estatuto teórico e metodológico universal, que vá além de pessoas e grupos. Isso serve também para a teologia como ciência. Não é a fé que determina o saber científico, e sim a forma de pensar a fé. Na universidade, essa forma é definida (ou deveria ser) pela comunidade acadêmica, e não pelas comunidades religiosas. Então, é possível afirmar a fé como pressuposto, ponto de partida e princípio formal da teologia como ciência?

Na Escolástica, pela analogia fidei (analogia da fé), a teologia refletia os problemas da fé à fé, buscando entender a coerência interna da fé. O iluminismo moderno, o racionalismo e o empirismo, separaram fé e razão. Kant colocou a religião “nos limites da razão” 24 , e somente assim ela podia ser objeto de estudo da ciência. A teologia não era considerada ciência por ter pressupostos de fé, e abandonou as universidades. Os mestres da suspeita, Marx, Nietzsche e Freud, antecedidos por Feuerbach, minaram a pretensão de verdade a partir da fé. Max Weber, Marcel Gauchet e Charles Taylor, entre outros, mostram que a secularização desencanta o mundo, e muitas pessoas crentes abandonaram os sistemas religiosos, frustrados de suas doutrinas e estruturas. Em nossos tempos, com G. Vattimo a pós-modernidade tem como chave de leitura o pensamento débil, expressão do enfraquecimento do ser, numa apologia do niilismo de Nietzsche, dando “adeus à verdade” 25 . Nesse contexto temos a teologia do cristianismo sem religião, considerando o desejo religioso como fato antropológico de uma aspiração implícita por Cristo. E na ânsia de evitar um cristianismo deformado, muitas pessoas professam a fé cristã num caminho diferente das igrejas, ou mesmo sem elas. Gauchet trata “do religioso após a religião” 26 , pelo que mesmo se observa nas diferentes teologias contemporâneas uma herança cristã, isso para algumas pessoas tem deixado de ser algo necessário. Assim, uma teologia secular, acadêmica e científica pode ser desenvolvida por agnósticos ou ateus, traçando o desenvolvimento das crenças na história atual. Temas por muito tempo exclusivos da teologia são hoje pensados por outras ciências, mas apenas como discurso religioso, questionando a teologia em sua natureza original, de compromisso com a fé eclesial. Tal fato, de um lado, expressa uma autonomia legítima do mundo secular em relação à religião. De outro lado, questiona, na medida em que a fé religiosa deixa de ser significativa para esse mundo.

Como propõe E. Morin, é preciso fazer “ciência com consciência” 27 , o que inclui clareza do lugar onde se está e a partir de onde se fala. Diante disso, a teologia tem três tarefas: identificar o universo semântico das diferentes linguagens atuais: das ciências, das culturas, de outras religiões; integrar-se nos contextos dessas linguagens, de modo a dialogar com seus articuladores; traduzir a fé cristã com categorias compreensíveis a essas linguagens. Somente assim a fé cristã é significativa para hoje e o hoje é significativo para a fé cristã 28 . Assim, a teologia na universidade precisa ser capaz de “dizer a palavra que lhe é própria em interação fecunda e aberta com outras disciplinas e áreas do saber” 29 . Como diz Zabatiero,

a teologia não pode perder-se em um discurso racionalista que substitua Deus e sua revelação por conceitos e categorias filosóficos ou científicos, perdendo sua identidade de saber da fé e confundindo-se com outros saberes produzidos sem referência a qualquer tipo de fé 30 .

Isso acontece evitando tanto a traição semântica dos conceitos teológicos, o que negaria sua intenção original de inteligência da fé; quanto evitando uma “expansão semântica, teórica e política do conceito de teologia a ponto de identificá-lo simplesmente com discursos religiosos” 31 . A teologia que se dilui também se perde numa transcendência sem absoluto, vazia de referências. Vive com “linguagens de empréstimo” 32 , aventurando-se por caminhos epistemológicos que não são os próprios e abandonando a aventura original e primordial de dar razão da fé por uma experiência da própria fé.

É bem verdade que o pensar teológico não pode reduzir-se a conveniências eclesiásticas, princípios de fé, ou um código de normas. Mas, para ser teologia, não se pode prescindir da fé, pois não é mera especulação sobre rituais vazios de transcendência: “A essência do estatuto da teologia permanece sendo a relação entre fé e razão, nas múltiplas expressões que ambas adquirem, ao longo da história do pensamento nos diversos contextos socioculturais” 33 . No dizer de Jon Sobrino, “o caminho real da teologia não é outro que o caminho da fé” 34 . Não é problema o fato que a fé seja colocada à prova do labor crítico da academia, com técnicas de discernimento apurado das fontes e rigor metodológico, exigindo coerência entre pressupostos e resultados de uma investigação feita com exigências de inteligibilidade para o mundo contemporâneo. É a fé que busca ser inteligente para o mundo atual, e nisso a teologia manifesta sua racionalidade. E como a razão é, em geral, o que caracteriza um saber como ciência, também para a teologia é mais o intellectus (inteligência) do que a fides (fé) que a caracteriza como área de conhecimento 35 . Mas em teologia o intellectus expressa uma compreensão sistemática das diversas expressões da fides , ao mesmo tempo que dela se distingue.

Por isso fé e razão se implicam mutuamente na teologia. Se “uma fé desprovida de racionalidade seria uma fé morta” 36 , uma razão sem a fé não justifica esperanças além da imanência. À questão se é possível fazer teologia sem fé, a resposta é sim, se for considerado apenas o seu aspecto técnico. E não, se considerar a natureza e a finalidade original do pensar teológico, como intelligentia fidei (inteligência da fé). O uso de técnicas da pesquisa científica não é tudo para a teologia, mesmo na academia. Ela é razão aberta na articulação das questões que dizem respeito ao sentido. E trata-se de um sentido de fé, de modo que a teologia parte das interpelações que o mundo atual faz para a fé e, vice-versa, das interpelações da fé para o mundo. Uma afirmação teológica que prescinde da fé é tão vulnerável quanto uma afirmação de fé que prescinde da teologia. A primeira é carente de sentido para a realidade da/na qual fala; e a segunda é carente de realidade para a fé/sentido.

4.2. As novas pautas substituem temas permanentes/clássicos da teologia?

Em nossos tempos, a teologia assume novas pautas, formadas por questões candentes do mundo marcado pela internacionalização, globalização e tecnologia, como a ecologia, a tecnociência, a bioeticidade, a interculturalidade, o pluralismo religioso, questões de gênero, as mídias eletrônicas e digitais, entre outras. Não são apenas temas teológicos, mas uma “nova problemática teológica” 37 que exige nova sistematização do saber da fé. Emergem, então, as teologias contemporâneas: étnica, política, ecumênica, da libertação, das religiões, de gênero, pública, etc. Nisso constata-se que o pensar da fé “caminha juntamente com a humanidade, participa da mesma sorte terrena do mundo” 38 .

Contudo, não se pode deixar de pensar temas considerados clássicos ou nucleares da teologia cristã, como a cristologia, a graça, a escatologia, a eclesiologia, os sacramentos, entre outros. Exatamente porque “clássicos”, esses assuntos não são démodé (ultrapassado), referem-se à realidade última, totalizadora de sentido para a pessoa crente e formam o “princípio arquitetônico” 39 da teologia. E ainda não estão resolvidos todos os problemas que esses temas comportam, o que se faz com novos enfoques, ou seja, novas articulações dos dados originários da fé em relação às novas situações da humanidade. Vale para isso o que diz David Tracy sobre textos clássicos: “Conversar com um texto clássico é encontrar-se a si mesmo a lidar com questões e respostas dignas de um espírito livre” 40 . O caráter noético e dinâmico da tradição da fé exige que as pautas clássicas da discussão teológica sejam revistas em sintonia com as pautas emergentes, numa relação de inter-saberes e interconfessionalidades, iluminando vivências da fé em novas referências culturais.

Apresenta-se aqui o desafio de a teologia acadêmica atualizar os temas nucleares da teologia cristã nas novas perspectivas teológicas em construção. Não se trata apenas de mudar a linguagem, mas de atualizar e legitimar hoje o conteúdo do que por eles se entende ao longo da história. Temas como revelação, ressurreição, reino, igreja, missão, pecado, salvação, entre outros, não podem desaparecer da pauta teológica, sob pena de a teologia perder o seu específico: discernir como as realidades que eles indicam podem ser significativas no mundo atual. Não se trata de manter os conceitos, mas de garantir hoje a sua intencionalidade, ou apropriar-se da realidade que eles expressam. Assim fazendo, a teologia na academia contribui para “encontrar palavras novas para dizer coisas antigas e tradicionais e fazer-se entender” 41 .

O debate epistemológico atual absorve significativa energia de teólogos/as para precisar a técnica, o princípio hermenêutico, o método da ciência da fé, atualizando a sua linguagem para a cultura do nosso tempo. Naturalmente, a preocupação com a forma e a regra do pensar teológico incide na reconfiguração do seu conteúdo. A teologia hoje aprende com Gadamer que todo saber acontece por uma “fusão de horizontes” 42 ; retoma, com David Tracy, o método da correlação de Paul Tillich, presente também em E. Schillebeeckx, para quem os dados doutrinais são mediados através da atenção ao contexto da vida 43 . Contudo, ainda não se conseguiu utilizar esse aprendizado metodológico para ressignificar o conteúdo das verdades cristãs para o nosso tempo. O atual ressurgimento de concepções e práticas espirituais anacrônicas mostra que a reconstrução epistemológica da teologia na academia pouco influi, efetivamente, na fé vivida nas comunidades. Entre a academia e as comunidades não acontece aquela “fusão de horizontes” proposta por Gadamer. A teologia ilustrada da academia não move o estabelecido nas instituições eclesiásticas e suas estruturas, como o centralismo clerical, a condição submissa das mulheres, a inibição do laicato. A adoção de teorias hermenêuticas contemporâneas para compreender a relação entre saber e poder, elucidando processos de conhecimentos e modelos políticos hegemônicos nas instituições, não incidem numa necessária reforma das estruturas da igreja para a saída numa perspectiva de conversão pastoral, como propõe o papa Francisco 44 , ou no universo semântico das categorias teológicas.

Isso mostra que a teologia, como ciência da fé, não superou a prova crítica da suspeita do discurso tradicional, feita por Marx, Nietzche, Freud e tantos outros. A renovação da forma de pensar o objeto teológico, no aspecto linguístico e hermenêutico, reveste velhas concepções sobre fé, igreja, salvação, entre outros conceitos. Usa-se odres novos para vinhos velhos. As novas epistemes teológicas não têm efetiva incidência na relação existencial com o seu objeto. Exemplificando: não se afronta o desafio de redimensionar a eclesiologia; ou de rever conceitos como pessoa na Trindade, e homoousios (mesma substância) na cristologia; ou de superar a concepção extrinsecista da graça em relação à natureza, enraizada na compreensão de um deísmo intervencionista na história; ou de superar o signo de uma da moral natural em muitos aspectos da vida cristã; ou de abandonar a concepção mágica dos sacramentos e de rever a ordem entre eles – na tradição católica, a confirmação poderia retornar ao lugar original, junto ou logo após o batismo, uma vez que o Espírito já atua no primeiro sacramento; e categorias como substância e transubstanciação continuam sendo únicas legítimas na teologia eucarística. São alguns dos caminhos desafiadores para a teologia na academia.

Por isso, em muitas pesquisas teológicas, de excelência acadêmica, há novas formulações e concepções do mesmo. A teologia nos programas de pós-graduação sofre de uma espécie de macrocefalia, o ritmo acelerado das revoluções hermenêuticas é desproporcional ao desenvolvimento do conteúdo da fé. Há nova estrutura corporal/formal do pensar teológico, mas sem revigorar a alma/conteúdo. Na América Latina, em particular, desde que a teologia da libertação foi deixada de lado, não se observa significativas propostas para repensar o que acima denominamos temas permanentes/clássicos da teologia. O que se tem de real novidade é trazido de fora, como a proposta de Andrés T. Queiruga para repensar a revelação, a ressurreição, o mal – em seu conteúdo, e não apenas na forma 45 . O dilema é que, se quisermos adotar tais propostas, mantém-se a importação de saberes, comprometendo o projeto decolonizador do pensar teológico. A proposta por refazer o mundo teológico está, ainda, apenas começando.

4.3. Afirmação do transcendente no imanente

No mundo secularizado o humano afirma-se de forma autônoma às tradições religiosas. Tal autonomia legitima-se como desenvolvimento sociocultural das pessoas e dos povos. O problema surge quando por autonomia compreende-se uma separação ou oposição ao religioso. Então a fé antropológica substitui a fé religiosa, o saber das ciências é proposto como suficiente para a orientação de sentido, a imanência é vista como único horizonte possível. De um lado, esse fato questiona as doutrinas e os ritos religiosos em sua pretensão de apresentar alguma verdade sobre o mistério, a realidade última, Deus. Coloca a teologia em alerta na sua pretensão de nomear o inominável, objetivar o inobjetivável. Por outro lado, pode obnubilar a transcendência do pensar teológico. E é importante perguntar a quem serve uma teologia sem afirmar o transcendente como Deus, se para intelectuais e a academia, ou às comunidades que buscam entender o sentido último de suas vicissitudes cotidianas.

A teologia não pode conformar-se com vazio de transcendência, como a fé no transcendente, o que constitui o seu ponto de partida, sua natureza e sua finalidade. Sua função consiste em verificar a plausibilidade da percepção da “preocupação última” 46 por pessoas crentes. Ela aprende com o mundo secularizado da pós-modernidade e da pós-verdade a ser uma razão aberta, não dogmatizada, não rígida, numa profunda revisão do seu universo dogmático. E exatamente porque é razão aberta, a teologia pode reconhecer a existência de algo mais, e construir dele narrativas com sentido. Esse algo mais manifesta-se em situações concretas. Juan L. Segundo mostra que na tradição judaica Deus se expressa por uma linguagem corpórea, como metáfora de Jaweh, diferente do mundo grego que o teoriza 47 . Nessa direção o cristianismo concebe um Deus intra-histórico, encarnado (Jo 1,14). Esse fato favorece o diálogo com o mundo atual, não para fechar o imanente em si mesmo, mas para discernir nele elementos de aspiração e de abertura para o infinito. Assim, a teologia imerge na imanência identificando brechas de transcendência. São as diferentes pronúncias do “nome” em torno do qual a teologia cristã entra em diálogo com outras interpretações. Essa pronúncia exige revisão das hermenêuticas e das linguagens tradicionais. Na cristologia, por exemplo, Paul Knitter mostra que afirmar Jesus “verdadeiramente” revelador de Deus não exige afirmar ser “‘unicamente” ele o revelador 48 . E mesmo assim a verdade sobre Jesus Cristo continua, para quem nele crê, “universal, decisiva, indispensável” 49 . Além disso, não é suficiente à teologia afirmar Deus, é preciso mostrar qual Deus e como ele se manifesta – o que a especificidade cristã aponta para a misericórdia, a compaixão, o amor, como o que caracteriza o Deus de Jesus Cristo, Deus do reino da “vida em abundância” (Jo 10,10).

Portanto, a teologia sempre trabalha com o transcendente como sentido último das vicissitudes do cotidiano existencial. Mas há um déficit de transcendência a ser superado pela teologia na academia. Ela tem dificuldades para manter o seu horizonte de transcendência quando o perscruta com as regras técnicas do pensar científico. Por isso, muitas vezes a teologia confunde-se com algumas das ciências que também tratam do seu objeto. Outra vez, dizemos que a teologia não pode confundir a linguagem, o método e as especificidades na abordagem do seu objeto, com a abordagem feita pelas demais ciências. O constructo pístico da teologia precisa explicitar que sua transcendência está na intelligentia fidei, somente esta é capaz de identificar na experiência humana o sentido último de situações e realidades de significativa complexidade, como a vida, o sofrimento, a morte, a injustiça, a paz, entre outras. São nas situações deste mundo que, ao serem teologizadas, colhe-se a questão sobre Deus, salvação, espiritualidade, não como mera especulação acadêmica, mas no horizonte mistagógico, como exercício contemplativo da fé que deseja saber. E nisso a teologia distingue sua lógica epistêmica das ciências, cujo horizonte de imanência é insuperável.

Assim, a teologia é feita na perspectiva do transcendente, de Deus, da realidade última. Desenvolve essa perspectiva no coração das realidades temporárias do mundo. Aí ela colhe algo/alguém que se revela, o transcendente está no imanente. Então também na academia, como ciência, “a prática teórica teológica constrói-se pela transformação de um conhecimento pré-teológico pela força teórica do confronto com a revelação” 50 .

4.4. Garantir a eclesialidade

A academia contribui com a igreja na oferta dos critérios científicos do pensar teológico, e assume o lugar da igreja, ou atua com ela, na proposta epistemológica. Isso não é problema, pois compete à academia estabelecer os critérios da cientificidade do saber da fé. O desafio é manter a teologia na academia como um serviço eclesial, o que exige relacionar critérios científicos do pensar da fé com as circunstâncias pastorais e a orientação das igrejas. Para João B. Libânio, a teologia é um sistema de signos organizada “no interior de uma ciência (a teologia) que se elabora na igreja” 51 . A dificuldade é desenvolver uma equilibrada e interativa corresponsabilidade entre teólogo/a e o magistério eclesial. Essa é uma discussão histórica 52 . De um lado, o/a teolólogo/a não deve agir isolado das igrejas. De outro, as regras eclesiásticas não podem impedir a evolução da pesquisa acadêmica, esterilizando a reflexão. Para isso é fundamental que a teologia na universidade seja feita como racionalidade da fé eclesial, numa interação positiva com as comunidades de fé e o magistério. Assim, “a teologia exercida e ensinada no interior da universidade presta um serviço inestimável à comunidade dos fiéis ao enfrentar as questões presentes na sociedade e na cultura a nível científico, a saber, de modo abrangente, reflexivo e crítico” 53 .

Contudo, a teologia produzida na academia sofre de um significativo déficit de engajamento eclesial onde há distanciamento de teólogos/as das comunidades religiosas e pouca inserção das suas produções no cotidiano das comunidades. Não significa que não se pesquisa sobre questões do interesse da igreja. Mas a teologia científica discute seus postulados na academia e seus resultados não aterrissam nas comunidades. Estas, órfãs de teólogos/as competentes, são orientadas por lideranças que transformam a mídia, as plataformas digitais e o púlpito em cátedras do ensino da fé, apoiando-se no sobrenaturalismo, num deísmo intervencionista, no pietismo, no fundamentalismo. Não se preocupam em elucidar a ideia de Deus como o para o que ou para quem orientam a vivência, desenvolvendo uma fé difusa e generalizada. A teologia científica pouco tem a fazer nesse meio se mantém como público-alvo leitores/as de textos técnicos publicados com qualis expressivo, mas sem incidência nas vivências de fé. Não se trata de homogeneizar discursos acadêmicos, pastorais e espirituais. Mas é questionável a pertinência de uma inteligência acadêmica da fé que não possibilita uma revisão esclarecedora das experiências das comunidades, iluminando sua prática pastoral, litúrgica e espiritual. Essa teologia sofre de déficit eclesial e se equipara às ciências que tratam do religioso como fenômeno, mas sem tocar efetivamente na vivência religiosa.

Também a teologia na academia precisa ter as comunidades de fé como lugar teológico. O objetivo do discurso teológico depende do modo como ele é articulado para públicos específicos. E num momento em que grande parte da sociedade secularizada se mostra indiferente às religiões e à fé, e as comunidades religiosas ainda se sustentam num fideísmo frágil, a teologia precisa situar-se entre um e outro, colaborando na superação dos impasses que aí se manifestam. Mesmo se elaborada em nível de excelência acadêmica, a teologia não atinge a sua finalidade quando não expressa vínculo prático com as comunidades. Serve também para a teologia o que Gadamer mostra de todo saber como “inserção no processo de transmissão no qual o passado e o presente se mediatizam constantemente” 54 . Em teologia, “inserção” e “processo de transmissão” requerem vínculos concretos com as comunidades de fé, pois “a prática eclesial [...] tem papel estruturante na elaboração da mensagem” 55 .

Assim, a teologia ajuda a igreja a entrar com fé no debate das questões do mundo, como serviço concreto ao mundo e às comunidades de fé, simultaneamente. A questão a ser respondida é: que igreja para o mundo atual? A pergunta é concreta e não se satisfaz com respostas abstratas. Somente uma teologia eclesialmente comprometida ajuda a igreja a afirmar a autenticidade original da fé cristã no mundo, sem reduzir-se a conveniências, rituais vazios ou um código de normas. Teologia é, então, sentire cum ecclesia e sentire cum mundo (sentir com a igreja e sentir com o mundo) simultaneamente, os desafios que hoje implicam na revisão das verdades de fé e na transmissão dessas verdades. “A teologia como serviço da Igreja é responsável por uma mensagem, e o estudo do auto funcionamento dos textos que lhe são confiados deve estar a serviço da comunicação dessa mensagem” 56 . A natureza eclesial da teologia requer esse serviço de forma competente, numa coerência entre os pressupostos de fé e os resultados da investigação acadêmica sobre a fé, o que garante às pesquisas teológicas contribuírem para as reformas e as atualizações que a igreja do nosso tempo necessita.

4.5. O engajamento no mundo

A teologia na academia supera o déficit de transcendência engajando-se no mundo. Ela contribui para a elucidação do sentido último ao engajar-se nos contextos reais das vivências das pessoas, de modo que as hipóteses e teses lançadas na academia só são verificáveis nesses contextos. Somente assim a teologia sustenta ações e utopias que qualificam a realidade na qual as pessoas vivem. Nada do que diz respeito ao mundo é alheio ao pensar teológico, de modo que o vínculo com a realidade é constitutivo do estatuto epistemológico que sustenta a inteligência da fé em relação às questões contemporâneas. Mas não é um vínculo qualquer, trata-se de um engajamento comprometido com as realidades nas quais se colhe o dado revelado que a teologia articula.

Não obstante, constata-se hoje um significativo déficit de engajamento da teologia produzida na academia. Faz-se uma teologia acadêmica em diálogo com o mundo, mas não se está no mundo. O diálogo se dá no âmbito teórico, imaginário, a relação com o mundo se dá como fala sobre ou a partir de realidades do mundo. Mas o ato teológico não se desenvolve em meio às vicissitudes concretas de que fala e, por isso, não consegue mostrar que a pístis (fé) teológica é, primeiramente experiência ou práxis (ação), como fides qua (a fé pela qual se crê).

Isso implica no sujeito do ato teológico. É verdade que as exigências de uma teologia construída na academia exige a solidão do/a teólogo/a para pesquisar, orientar teses e dissertações, responder às demandas dos programas de pós-graduação e aos órgãos que subsidiam pesquisas. O problema surge quando esse isolamento não é apenas metodológico, mas expressa um deslocamento do lugar existencial e epistêmico do/a teólogo/a. Esse lugar já não é a comunidade religiosa concreta e a sociedade, mas exclusivamente a academia. Então Deus, fé, revelação, são apenas conceitos teóricos, concebidos para responder aos anseios e debates acadêmicos, não atendem às inquietações e necessidades das pessoas crentes e suas comunidades. A teodiceia atravessa obras literárias escritas por teóricos para teóricos, mas não tocam os corações crentes. Tanto o produtor quanto o destinatário do discurso teológico científico participam de um mundo teórico e não mais o mundo das reais vivências de fé.

Para suprir o déficit de engajamento, o que se teologiza na academia deve emergir da proximidade/vivência com a realidade teologizada. Assim, a teologia não é mera articulação teórica de categorias e linguagens elaboradas em meios acadêmicos, mas um pensar mergulhado no mundo complexo da realidade, para discernir o que é aí experimentado como realidade última, preocupação última, Deus. Essas noções são elucidadas com a experiência que envolve emoções e afetos na sensibilidade religiosa, mostrando que os conceitos teológicos são noções elaboradas existencialmente. Em teologia, não é possível uma linguagem científica com definições “que deixem de lado elementos imaginativos e afetivos, a fim de que a norma dogmática seja a mais exata possível e descarte o erro com maior clareza” 57 . Há uma hibridização hermenêutica, onde tem lugar a experiência, os sentidos, a razão e a fé. Nessa pluralidade de elementos que formam a hermenêutica teológica, o entendimento da fé se dá de forma comprometida.

Assim, o primeiro interlocutor do/a teólogo/a é a realidade, e não outro/a teólogo/a ou cientista. O pensamento que é fruto de outro pensamento –e que se desenvolve encerrado em bibliotecas– é inócuo. O/a teólogo/a precisa assumir a realidade no pensar da fé, sabendo que “a realidade é mais importante do que a ideia” 58 . E, como ensina João B. Libânio, a realidade só existe enquanto “compreendida [...] presente a nós [...] consciente” 59 , de modo que ver, conhecer e analisar teologicamente a realidade, implica numa atitude existencial com opções compromissivas com os contextos mundanos que servem de substrato do pensar teológico. Considerando que o primeiro ato do/a teólogo/a é ouvir a realidade, tal só é possível estando nela. A teologia primeiro ouve a voz que fala na realidade, ou a voz da realidade que fala. Ela é auditus fidei (escuta da fé) de uma fala reveladora. Em segundo momento, a teologia se faz mediação ou facilitação dessa fala, interpretando o que ouve, como hermenêutica dos “sinais dos tempos” 60 . Em terceiro lugar, a teologia emite também a sua voz exercitando o intellectus fidei (inteligência da fé), como sistematização dos sinais que interpreta. Então articula e categoriza a fala que ouve na/da realidade. É o processo maiêutico proposto por Andrés T. Queiruga: a teologia capta algo que está na realidade e, de algum modo, contribui no processo de sua revelação 61 . Nesse momento, ela fala da e a partir da realidade onde está. Isso mostra que o ato de professar a fé e de pensar a fé se dá sempre engajado em situações históricas concretas. A final, a realidade sociocultural e religiosa que interpela a fé e instiga a reflexão precisa antes da nossa presença, como teólogos/as, do que das nossas ideias. Por isso, o social precisa ser novamente assumido como lugar epistêmico da ciência da fé.

4.6. O lugar do povo no pensar teológico

A teologia acadêmica fala a si mesma, de si mesma, ou para outra teologia, num nível intelectual acessível a poucos. É até possível que o elemento popular nessa teologia se dê pelas temáticas abordadas, mas não é ele o sujeito produtor, nem a linguagem, nem o pensar da fé na academia, reconhecendo o povo como sujeito histórico e sujeito eclesial. É preciso reafirmar o povo como também sujeito do saber teológico, um saber espontâneo, vivencial, crítico, do qual o teólogo profissional colhe elementos para análises acadêmicas. Assim, a teologia não é algo feito para guiar o povo e conduzir o processo como se estivesse de fora da realidade do povo e sendo seu representante. Ao contrário, “toma-se de mais a mais a consciência de que só pode ser realmente representativa a pessoa que é do povo […] Dessa forma, a representação se quer representação-de e não representação-diante” 62 .

Então, o conhecimento teológico se constitui pela mediação da cultura popular. Esta é uma forma própria de conhecimento e discernimento, quem tem o povo como sujeito. A cultura popular sabe discernir quem é Deus e qual seu projeto como “vida em abundância” (Jo 10,10). E o conhece de uma forma que não é academicista, intelectualizada, embora não seja menos verdadeira ou acientífica. É uma sabedoria teológica que emerge do sensus fidei (sentido de fé) inculturado nas comunidades populares e instiga a teologia erudita a sair dos claustros, das bibliotecas e das salas de aula das universidades, para se discernir o que Deus fala ao mundo atual através da linguagem simbólica das comunidades populares. A fé pensada na academia não é outra que a fé das comunidades. Aqui a importância de não separar comunidade acadêmica e comunidade religiosa, ambas se necessitam no labor teológico como racionalidade da fé, e a teologia progride como ciência que dá roupagem ao corpo da fé. A teologia realiza esse serviço com uma perspectiva apologética: justificar a fé das comunidades no mundo atual, orientando as relações das comunidades com esse mundo e iluminando as questões do mundo para as comunidades. É uma dupla função, num estreito vínculo entre o povo e o ato teológico, que integra sociedade e eclesialidade, fé e realidade, cultura e missionariedade, militância e espiritualidade, confessionalidade e interconfessionalidade.

4.7. A práxis como critério

A consequência do que falamos acima é a retomada na teologia acadêmica do critério da práxis. Na tradição teológica latino-americana a práxis concretiza o engajamento da teologia, inserida tanto na sociedade quanto nas comunidades de fé. Existem aqui dois serviços fundamentais da teologia: confirmar a práxis da igreja, legitimando-a e afirmando sua justificação teórica; e provocar à práxis, ao testemunho profético da fé.

Contudo, é importante verificar se tal acontece. Não se trata apenas de propor práticas significativas para as igrejas. É preciso que o que se propõe emerja da práxis. Para isso, vimos acima que o/a teólogo/a, como sujeito epistêmico, deve ser engajado/a numa situação comunitária, social e eclesial, mostrando que “a própria prática dos cristãos é lugar teológico que oferece dados ao teólogo em sua interpretação criativa da fé” 63 . É preciso valer também para a academia a firmação da práxis como “o lugar do trabalho produtivo teológico” 64 , seu ponto de partida e critério de verificação. Em nossos tempos, porém, soa distante a compreensão de que “o teólogo que não estiver na práxis, não poderá prestar a ajuda a que pretende e a que se orienta toda teologia” 65 . É preciso retomar corajosamente a tese que a prática teológica se legitima como teologia na práxis. Pois o pensar teológico que visa justificar a fé só se sustenta em termos práticos, com engajamento existencial. Somente assim mostra que o evangelho de Jesus tem referência com as nossas experiências no mundo, e o pensar teológico que nele se enraíza é interpretativo de forma existencial-praxístico.

Assim, a solidão da pesquisa teológica, necessária para ganhar seriedade científica, não pode ser desculpa para o déficit de práxis e de engajamento comunitário, social e eclesial. A teologia produzida na academia precisa recuperar a práxis em dois horizontes: a) epistemológico, como aspecto formal do pensamento da fé, com engajamento no mundo e nas comunidades de fé onde elabora a teologia; b) no conteúdo da fé, quando ao pronunciar conceitos como Deus, reino, justiça, Igreja, o faz com sentido porque discute-se a natureza, o valor evangélico, a qualidade cristã das opções em jogo 66 . Isso ajuda a resolver o problema da verificabilidade da teologia. Não se trata de tornar compreensível apenas o que for traduzível por dados sensíveis, corporais (pretensão neopositivista). Mas de mostrar que a fala teológica, mais que comunicar um significado objetivo, visa favorecer e evocar vivências de fé. E a fidelidade dessas vivências à mensagem cristã é mais uma questão de ortopraxia do que de ortodoxia, de modo que o evangelho é performativo e configurativo do ser e agir cristãos 67 .

Portanto, também na academia é importante afirmar “a prática cristã, como lugar de produção do sentido da mensagem cristã e, ao mesmo tempo, como lugar de verificação dessa mensagem” 68 . Isso não é uma verificação empírica para provar a fala de Deus, mas entendimento do que acontece com quem assimila essa fala. O testemunho é um importante critério de significação da linguagem teológica 69 e para isso se requer o engajamento praxístico do sujeito do ato teológico e da sua teologia.

CONCLUSÃO

Neste estudo verificamos que a teologia na academia caracteriza como razão aberta, em diálogo com as diferentes ciências, as comunidades de fé e a sociedade. Ela desenvolve-se por uma rede de conexões que possibilitam um amplo e aprofundado conhecimento do seu objeto, com instrumental metodológico e técnico que lhe assegura o estatuto científico. A teologia pode, então, demonstrar a aplicabilidade do seu saber aos diversos problemas científicos e práticos da humanidade, mostrando que tanto coisas de religião quanto coisas do mundo podem ser tratadas teologicamente nos meios acadêmicos.

A quem pergunta sobre qual a razão de se ter teologia na universidade, respondemos: primeiro, porque a universidade é lugar de um saber plural, e também a teologia é um saber que precisa ter seu lugar assegurado nesse meio. Segundo, porque a razão tecnológica e científica não responde todas as questões da humanidade, não resolve todos os seus problemas e nem confirma suas esperanças. A teologia tem algo próprio a oferecer para isso. E diferente das demais ciências, sua contribuição é na ordem da percepção, da intuição e do desejo e “constrói um saber que amplia a razão” 70 .

Contudo, verificamos que para isso a teologia na academia precisa enfrentar o desafio de manter elementos que lhe são essencialmente constitutivos, como a fé, a perspectiva do transcendente, a eclesialidade, o engajamento no mundo, o povo como sujeito teológico, a práxis. Na medida em que esses elementos se fragilizam ou não são explícitos na reflexão teológica, a teologia corre o risco de se descaracterizar em sua natureza e finalidade. Isso ocorre quando há um deslocamento não apenas epistemológico, mas também existencial do ato teológico, distanciando-se das comunidades de fé e da sociedade, com riscos de cair num academicismo teórico sem incidência no cotidiano da vida das pessoas crentes. Então a teologia descaracteriza-se como inteligência da fé e perde a racionalidade eclesial. Tal é a teologia feita apenas como ciência, e não como exigência da fé, da eclesialidade, do engajamento praxístico. Para superar isso, é preciso que o constructo epistêmico da ciência teológica se desenvolva como fé inteligente, capaz de discernir o sentido do transcendente na imanência do cotidiano. O estatuto científico dessa teologia na academia se dá por uma virada hermenêutica que expressa nova postura epistêmica no processo de compreensão da fé, situando-a em novos contextos culturais e religiosos e com plausibilidade de acolhida nesses diversos contextos.

1M. de França Miranda, “Teologia na universidade”, Ephata 1/0 (2019) 31-51, 40.

2Cf. C. Boff, Teoria do método teológico (Vozes, Petrópolis 1998) 90.

3Cf. J. Macquarrie, Há senso parlare di Dio? (Borla , Turim 1969); J. B. Mondin, Il problema del linguaggio religioso dalle origini ad oggi (Queriniana, Brescia 1975).

4I. T. Ramsey, Religious language: an empirical placing of theological phrases (SCM Press, New York 1974) 75.

5I. T. Ramsey, Religious language, 75-101.

6C. Boff, Teoria do método teológico, 91.

7Cf. C. Geffré, Como fazer teologia hoje. Hermenêutica teológica (original francês, 1983), (Paulinas, São Paulo 1989).

8J. D. Passos, “Teologia e diretrizes curriculares: contradições e desafios”, em M. C. de Freitas (ed.), Teologia e sociedade: relevância e funções (Paulinas, São Paulo 2006) 167-195, 170.

9J. D. Passos, “Teologia e diretrizes curriculares”, 175-178.

10J. D. Passos, “Teologia e diretrizes curriculares”, 175.

11J. D. Passos, “Teologia e diretrizes curriculares”, 175.

12F. E. Gomes Ribeiro, “O tríplice sentido da Sagrada Escritura em Orígenes: proposta de um itinerário espiritual”, Encontros Teológicos 35/3 (2020) 273-286.

13Cf. W. Dilthey, Ermeneutica e religione (original alemão, 1911) (Patron, Bologna 1970).

14H. G. Gadamer, Verdade e Método. Traços fundamentais para uma hermenêutica filosófica (original alemão, 1986), (Vozes, Petrópolis 1999) 63.

15P. Ricoeur, Du texte à l´action. Essais d´herméneutique , II (Seuil, Paris 1986) 101-116.

16T. S. Kuhn, The structure of scientific revolutions, 2 ed., enlarged (University of Chicago Press, Chicago and London 1970) 219.

17D. Tracy, Plularity and ambiguity. Hermeneutics, religion and churc h (Harper and Row, San Francisco 1987).

18C. Geffré, Le Christianisme au risque de l´interprétation (Cerf, Paris 1983).

19C. Geffré, Como fazer teologia hoje, 17.

20C. Geffré, Como fazer teologia hoje, 23.

21C. Geffré, Como fazer teologia hoje, 23.

22J. L. Segundo, O dogma que liberta. Fé, revelação e magistério dogmático ( original espanhol, 1989 ), (Paulinas, São Paulo 1991) 207.

23M. C. L. Bingemer, “A teologia e a universidade: desafios e perspectivas”, em M. C. de Freitas, Teologia e sociedade, 127-150, 139.

24I. Kant, La religione entro i limiti della semplice ragione (original alemão, 1793), (Risconi Libri, Milano 1996).

25Cf. G. Vattimo, Adeus à verdade (original italiano, 2016), (Vozes, Petrópolis 2016).

26W. B. do Valle e H. M. Lott, “O religioso após a religião: um debate entre Marcel Gauchet e Luc Ferry”, Horizonte 8/19 (2010) 71-100.

27E. Morin, Ciência com consciência (original francês, 1990), (Bertrand, São Paulo ­2005).

28Cf. A. Yong, Beyond the impasse: toward a pneumatological theology of religions (Baker Academic, Minnesota 2003) 237.

29M. C. L. Bingemer, “A teologia e a universidade: desafios e perspectivas”, 143.

30J. P. T. Zabatiero, “De mestra a intérprete: a teologia no mundo acadêmico. Reflexões em diálogo com Habermas e Rorty”, em M. C. de Freitas, Teologia e sociedade, 327-348, 339.

31J. D. Passos, “Teologia e diretrizes curriculares: contradições e desafios”, 184.

32Cf. M. C. L. Bingemer, “Espiritualidade hoje novo rosto, antigos caminhos”, em P. S. L. Gonçalves e J. Trasferetti (eds.), Teologia na pós-modernidade. Abordagens epistemológica, sistemática e teórico-prática, (Paulinas, São Paulo 2003) 361-404, 203. Ver também M. C. L. Bingemer (ed.), O Impacto da modernidade sobre a religião (Loyola, São Paulo 1992).

33J. D. Passos, “Teologia e diretrizes curriculares: contradições e desafios”, 179.

34J. Sobrino, Cristologia a partir da América Latina (original espanhol, 1976), (Vozes, Petrópolis ²1983) 354.

35J. D. Passos, “Teologia e diretrizes curriculares: contradições e desafios”, 191.

36S. Guerriero, “Teologia, ciência e universidade: semelhanças e distinções no campo dos saberes”, em M. C. de Freitas (ed.), Teologia e sociedade, 197-216, 205.

37C. Boff, Teoria do Método Teológico, 51.

38Concílio Vaticano II, Constituição pastoral sobre a Igreja no mundo atual Gaudium et spes (Paulus, São Paulo 2007) n. 40.

39J. B. Mondin, Introduzione alla teologia (Massimo, Milão 1983) 8-11.

40D. Tracy, Plularity and ambiguity, 20.

41M. C. L. Bingemer, “A teologia na universidade: desafios e perspectivas”, 139.

42H. G. Gadamer, Verdade e Método, 457.

43Cf. M. C. Hilkert, “Hemeneutics of histyori: the theological method of Edward Schilebeeckx”, The Tomist. A Speculative Quarterly Review 51/1 (1987) 97-145.

44Cf. Francisco, Exortação apostólica Evangelii Gaudium sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual (Loyola, São Paulo 2014).

45Cf. A. T. Queiruga, Repensar a Revelação. A revelação divina na realização humana (original espanhol, 2008), (Paulinas, São Paulo 2010); Repensar o mal. Da ponerologia à teodiceia (original espanhol, 2011), (Paulinas, São Paulo 2011); Repensar a ressurreição. A diferença cristã na continuidade das religiões e da cultura (original espanhol, 2003), (Paulinas, São Paulo 2004).

46P. Tillich, Theology of culture( Oxford University Press, London 1964) 6-7.

47Cf. J. L. Segundo, O dogma que liberta, 99, nota 9.

48P. F. Knitter, Jesus e os outros nomes. Missão cristã e responsabilidade global (original inglês, 1996), (Nhanduti Editora, São Bernardo do Campo 2010) 95.

49P. F. Knitter, Jesus e os outros nomes , 100.

50J. B. Libânio, Teologia da libertação. Roteiro didático para um estudo (Loyola, São Paulo 1987) 215.

51J. B. Libânio, Teologia da libertação, 157.

52Cf. Congregação para a Doutrina da Fé, Instrução sobre a vocação eclesial do teólogo (Paulinas, São Paulo 1990); Comissão Teológica Internacional, Fazer teologia hoje: perspectivas, princípios e critérios (2012), 37-44. Disponível em https://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/cti_documents/rc_cti_doc_20111129_teologia-oggi_po.html (consulta: 10/01/2022).

53M. de França Miranda, “A teologia na universidade”, 43.

54H. G. Gadamer, Verdade e método, 130.

55C. Geffré, Como fazer teologia hoje, 28.

56C. Geffré, Como fazer teologia hoje, 29.

57J. L. Segundo, O dogma que liberta, 51.

58Francisco, Evangelii Gaudium, 231-233.

59J. B. Libânio, Teologia da libertação, 25.

60Concílio Vaticano II, Gaudium et spes , n. 4. Ver também Conselho Episcopal Latino-Americano, Documento de Aparecida. Texto conclusivo da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe (Edições CNBB, São Paulo 2007) 33.

61 Cf. A. T. Queiruga, Repensar a revelação, 108-109.112 .

62J. Pixley e C. Boff, Opção pelos Pobres (Vozes, Petrópolis 1986) 234.

63C. Geffré, Como fazer teologia hoje, 11.

64J. B. Libânio, Teologia da libertação, 164.

65J. B. Libânio, Teologia da libertação, 117.

66J. B. Libânio, Teologia da libertação, 117-118.

67P. F. Knitter, Jesus e os outros nomes , 95.

68C. Geffré, Como fazer teologia hoje, 28.

69R. Haight, O futuro da cristologia (original inglês, 2005), (Paulus, São Paulo 2008) 39.

70M. C. L. Bingemer, “A teologia na universidade: desafios e perspectivas”, 131.

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