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<publisher-name><![CDATA[Centro de Estudios Griegos Bizantinos y Neohelénicos. Facultad de Filosofía, Humanidades y Educación. Universidad de Chile.]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A HISTÓRIA DAS GUERRAS: UM ESTUDO SOBRE AS DESCRIÇÕES DOS BÁRBAROS EM PROCÔPIO DE CESAREIA - SÉCULO VI]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[THE HISTORY OF THE WARS: A STUDY ABOUT THE DESCRIPTIONS OF THE BARBARIANS IN PROCOPIUS -SIXTH CENTURY]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article proposes a study about the book History of the Wars, writing by Procopius of Caesarea in the sixth century, which narrates th Byzantines achievements of Justinian at Mediterranean and Eastern Persia. The goal is to analyze how the descriptions of Procopius about the barbarian people can be understood as a narrative committed and, at the same time, subjected to the imperial project of expanding boundaries.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BYZANTION NEA HELLAS 30, 2011: 173-187</font></p>     <p align="right"><font size="2"><strong><font face="Verdana">ART&Iacute;CULOS GRECIA BIZANTINA</font></strong></font></p>     <p align="justify">&nbsp;</p>     <p align="justify"><strong><font size="4" face="Verdana">A <i>HISTÓRIA DAS GUERRAS: </i>UM ESTUDO SOBRE AS DESCRIÇÕES DOS BÁRBAROS EM PROCÔPIO DE CESAREIA - SÉCULO VI</font></strong></p>     <p align="justify">&nbsp;</p>     <p align="justify"><font size="3" face="Verdana"><strong>THE <i>HISTORY OF THE WARS: </i>A STUDY ABOUT THE DESCRIPTIONS OF THE BARBARIANS IN PROCOPIUS -SIXTH CENTURY</strong></font></p>     <p align="justify">&nbsp;</p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana"><strong>Renato Viana Boy</strong></font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana">Universidad de São Paulo. Brasil</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana"><a name="top"></a><a href="#a">Correspondencia:</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana"><strong>Resumo:</strong> Este artigo propõe um estudo da obra História das Guerras, escrita por Procópio de Cesareia no século VI, que narra as conquistas bizantinas de Justiniano no Mediterrâneo e oriente persa. O objetivo é analisar como suas descrições dos povos bárbaros podem ser entendidas como uma narrativa comprometida e, ao mesmo tempo, submetida ao projeto imperial de expansão de fronteiras.</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana"><strong>Palavras-chave:</strong> Procópio de Cesareia, bárbaros, História das Guerras.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana"><strong>Abstract:</strong> This article proposes a study about the book History of the Wars, writing by Procopius of Caesarea in the sixth century, which narrates th Byzantines achievements of Justinian at Mediterranean and Eastern Persia. The goal is to analyze how the descriptions of Procopius about the barbarian people can be understood as a narrative committed and, at the same time, subjected to the imperial project of expanding boundaries.</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana"><strong>Key words:</strong> Procopius of Caesarea, barbarians, History of the Wars. </font></p> <hr size="1" noshade>     <p align="justify">&nbsp;</p>     <p align="justify"><font size="3" face="Verdana"><strong>1. Contextualização: as guerras de Justiniano</strong></font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana">Ogoverno de Justiniano é historiograficamente conhecido não apenas por ter sido um período de peste, terremotos e, segundo J. A. S. Evans, pela sensação de que o fim do mundo estivesse próximo <i>(The Age of Justinian, </i>1996, p. 1), mas principalmente por suas audaciosas pretensões de conquistas político-militares. Desde os primeiros anos de seu governo, Justiniano se preocupara em colocar em prática um ousado projeto para trazer de volta aos domínios romanos seus antigos territórios. Trata-se de regiões que pertenceram ao império até o século III e que, nos dois séculos seguintes (período conhecido como &quot;Baixo Império&quot;), foram perdidos para os povos ditos &quot;bárbaros&quot; (germanos, godos, vândalos, persas), nas fronteiras da Europa Ocidental, do norte da Africa e Oriente. Ao chegar ao poder em 527, sucedendo seu tio Justino (518-527), Justiniano encontrou as fronteiras do seu Império reduzidas ao Oriente grego e à Asia Menor (Ostrogorsky, 1984, p. 83).</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana">Para Averil Cameron, uma das principais estudiosas do período da Antiguidade Tardia, as pretensões de expansão das fronteiras eram partes de um projeto imperial ainda mais amplo, que visava a restauração de todo um passado glorioso. Essa foi a grande marca do governo de Justiniano que, além de questões ligadas à recuperação de antigas fronteiras romanas no Mediterrâneo e oriente persa, também exerceu sua influência em outros domínios culturais, como nas esferas intelectual, artística, religiosa e jurídica (Cameron, <i>Procopius and the Sixth Century, </i>1996, pp. 18-19).</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana">As ambições políticas e militares de Justiniano, de restabelecimento da antiga grandiosidade romana, encontravam sua base ideológica na recuperação do passado grandioso do Império. Para Georg Ostrogosrky, essa &quot;política restauradora&quot; do imperador seria motivada, em grande medida, pelo que o autor considera uma &quot;eterna nostalgia&quot; dos romanos em relação à idéia de um Império Romano universal (1984, pp. 83-84). Walter Goffart, num estudo que propõe uma reavaliação do processo de &quot;migrações&quot; de populações bárbaras em território romano, afirma que os historiadores da Antiguidade Tardia observavam que, desde a segunda metade do século V, crescia uma hostilidade da população de Constantinopla contra os bárbaros, o que teria fundamentando ideologicamente as campanhas de Justiniano <i>(Barbarians andromans, </i>1980, p. 34).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font size="2" face="Verdana">Na <i>História das Guerras, </i>obra dedicada ao registro das conquistas militares de Justiniano (e principal fonte desse trabalho), o historiador Procópio de Cesareia não define essas campanhas militares como um projeto de &quot;reconquista&quot;.</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana">Entretanto, é essa a expressão utilizada, em destacados trabalhos sobre o tema, para definir a natureza dos ataques imperiais no século VI. Entre estes estão historiadores como Peter Brown e Averil Cameron<sup><a name="nota1"></a><a href="#n1">1</a></sup>. Já outros, como Georg Ostrogorsky e J. A. S. Evans, preferem falar em termos de &quot;restauração&quot;, referindo-se ao mesmo processo político-militar de recuperação dos territórios ocidentais junto às populações bárbaras<a name="nota2"></a><sup><a href="#n2">2</a></sup>.</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana">Na década de 1960, Georg Ostrogorsky observava esse projeto de &quot;restauração&quot; do Ocidente como o retorno de um antigo ideal de universalismo do Império, pretendendo a &quot;libertação&quot; dos territórios romanos em relação ao domínio de povos bárbaros e heréticos (1984, p.83). Ostrogorsky também analisa essas guerras como uma tentativa de recuperação de um passado glorioso, não restrito apenas à questões territoriais, mas estendido a um campo cultural romano ainda mais amplo, destacando, por exemplo, a codificação do direito e a busca por uma unidade cristã contra manifestações de cultos heréticos (Ostrogorsky, 1984).</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana">Outros ainda, como Charles Pazdernik, atrelam a busca pela recuperação de um passado grandioso a uma identidade comum a ser recuperada entre os romanos, &quot;libertando-os&quot; da submissão a um inimigo bárbaro (2000, p.149-187). Essa suposta unidade também é trabalhada por Peter Brown, afirmando que Justiniano pretendia reconquistar o que considerava &quot;províncias perdidas do 'seu' Império&quot;, que deveriam ser libertadas da dominação bárbara e, assim, não romana (1972, p. 142).</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana">Conhecer melhor esse período da história romana é fundamental para nosso trabalho, não apenas por ter sido nele que Procópio de Cesareia concebeu sua grandiosa produção historiográfica, mas também porque foram os acontecimentos decorridos sob Justiniano que serviram ao historiador como objetos principais de suas narrativas. Nesse sentido, uma discussão sobre as diferentes visões historiográficas do período das guerras tem sua importância aqui não apenas por se tratarem de estudos referentes aos acontecimentos narrados na <i>História das Guerras, </i>mas também por permitir-nos apreender, de maneira mais crítica, tanto o modo de inserção de Procópio junto aos acontecimentos por ele narrados, quanto as formas pelas quais o autor aborda suas narrativas.</font></p>     <p align="justify"><font size="3" face="Verdana"><strong>2. Procópio de Cesareia nas guerras</strong></font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana">Nessas campanhas, junto às tropas imperiais, seguia o historiador Procópio de Cesareia (490-562). Nascido na Palestina, Procópio tornou-se conselheiro do general Belisário, comandante dos exércitos romanos. Sua produção histo-riográfica é marcada por três grandes obras, classificadas por Averil Cameron em três estilos distintos de escrita: o panegírico <i>das Construções </i>(do latim <i>de Aedificis, </i>e do grego <i>Peri Ktismaton), </i>referente ao programa das construções do governo imperial; uma segunda de injúrias, intitulada <i>História Secreta (Historia Arcana </i>em latim e <i>Anekdota </i>em grego), contendo severas críticas ao casal imperial Justiniano e Teodora, e a Belisário e sua esposa Antonina; e uma terceira, em estilo clássico, intitulada <i>História das Guerras (Polemon </i>em grego, e <i>de Bellis </i>em latim) (Cameron, <i>Procopius and the Sixth Century, </i>1996 p. 19). É sobre esta última que discorreremos nesse trabalho. Trata-se, nas palavras de Charles Pazdernik, de uma monumental história política e militar, onde são relatadas essas campanhas dos exércitos de Justiniano contra os persas, vândalos e góticos (2000, p. 149).</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana">Devemos salientar que a produção historiográfica de Procópio de Cesareia (com exceção da <i>História Secreta) </i>se propunha a exaltar os feitos do governo de Justiniano (Cameron, <i>Procopius and the Sixth Century, </i>1996, p.16). Ao se dedicar à narrativa das guerras promovidas pelo imperador no século VI, Procópio parecia crer que contemplaria ali os mais importantes registros históricos de sua época. O próprio autor afirma isso no primeiro livro da <i>História das Guerras: </i><b><sup>r</sup>Kpeiaaov &#948;&#949; &#959;&#973;&#948;&#949;&#957; &#942; &#953;&#963;&#967;&#965;&#961;&#972;&#964;&#949;&#961;&#959;&#957; &#964;&#969;&#957; fev &#964;&#959;&#912;&#963;&#948;&#949; &#964;&#959;&#953;&#962; &#960;&#959;&#955;&#941;&#956;&#959;&#953;&#962; &#964;&#949;&#964;&#965;&#967;&#951;&#954;&#972;&#964;&#969;&#957; &#964;&#974; &#947;&#949; &#974;&#962; &#940;&#955;&#951;&#952;&#974;&#962; &#964;&#949;&#954;&#956;&#951;&#961;&#953;&#944;&#963;&#952;&#945;&#953;&#946;&#959;&#965;&#955;&#959;&#956;&#941;&#957;&#969; &#966;&#945;&#957;&#942;&#963;&#949;&#964;&#959;&#945;<a name="nota3"></a><sup><a href="#n3">3</a></sup>.</b></font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana">Procópio julgava-se, ainda, privilegiadamente habilitado para o registro de tão importantes acontecimentos. Isso se devia ao fato de o historiador ocupar, durante as guerras, o posto de conselheiro particular do general Belisário, estando assim numa posição de testemunha visual dos fatos a serem por ele descritos. Nas palavras do próprio autor, era essa posição de testemunha que deveria conferir maior grau de veracidade e confiabilidade a suas histórias:</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana"><b>Kat di &#945;&#906;&#964;&#954;&#948; &#958;&#965;&#951;&#951;&#960;&#943;&#963;&#964;&#945;&#964;&#959; &#960;&#940;&#957;&#964;&#969;&#957; &#960;&#940;&#955;&#953;&#963;&#964;&#945; &#948;&#965;&#957;&#945;&#964;&#972;&#962; &#969;&#957; &#964;&#940; &#948;&#949; &#958;&#965;&#947;&#947;&#961;&#940;&#968;&#945;&#953; &#954;&#945;&#953; &#940;&#955;&#955;&#959; &#956;&#949;&#957; &#963;&#971;&#948;&#941;&#957;, &#972;&#964;&#953; &#948;&#941; aireó) &#958;&#965;&#956;&#946;&#955;&#959;&#973;&#955;&#969; &#942;&#961;&#951;&#956;&#941;&#951;&#969; &#946;&#949;&#955;&#953;&#963;&#945;&#961;&#943;&#969; &#964;&#969; &#963;&#964;&#961;&#945;&#964;&#951;&#947;&#974; &#963;&#967;&#949;&#948;&#972;&#957; &#964;&#953; &#940;&#960;&#945;&#963;&#953; &#960;&#945;&#961;&#945;&#947;&#949;&#957;&#941; &#963;&#952;&#945;&#953; &#964;&#959;&#953;&#962; &#960;&#949;&#960;&#961;&#945;&#947;&#956;&#941;&#957;&#959;&#953;&#962; &#958;&#965;&#957;&#941;&#960;&#949;&#963;&#949;<a name="nota4"></a><sup><a href="#n4">4</a></sup>.</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font size="2" face="Verdana">Além de testemunhar grande parte dos acontecidos em combate, o posto de conselheiro presumia, entre suas obrigações, que o historiador devesse escrever as cartas e discursos do general, fazendo inclusive cópia delas. Isso leva a crer que muitos desses escritos reproduzidos nas <i>Guerras </i>possa, de fato, conter o texto completo das citadas cartas e discursos (Treadgold, 2010, p. 216). Por sua proximidade não só com o general, mas com o próprio imperador, suas narrativas se tornaram uma das principais fontes para o conhecimento da história política e militar bizantina do século VI.</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana">Os trabalhos dedicados ao estudo da obra de Procópio de Cesareia ressaltam sempre sua estreita ligação com o estilo de escrita dos antigos gregos clássicos. Seus principais modelos eram Heródoto, por descrever os grandes acontecimentos contemporâneos ao historiador, para que estes fossem relembrados na posteridade, e Tucídides, que se dedicou ao registro de eventos por ele testemunhados, assim como Procópio<a name="nota5"></a><sup><a href="#n5">5</a></sup>.</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana">Esses antigos modelos clássicos provavelmente foram absorvidos por Procópio em Cesareia ainda na Palestina, sua terra natal. De fundação helênica e famosa por sua biblioteca, a cidade de Cesareia se manteve como grande centro intelectual até o século IV. Existem menos evidências sobre a grandeza de Cesareia no século VI, mas certamente Procópio teve ali, ao longo do processo de sua formação, acesso a toda uma tradição de grande riqueza intelectual (Cameron, <i>Procopius and the Sixth Century, </i>1996, p. 4).</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana">Apesar da formação helênica e do estilo clássico na <i>História das Guerras, </i>Procópio é um autor do século VI e, sendo assim, apresenta em seus textos preocupações e problemáticas próprias de sua época. Essas questões aparecem no texto de Procópio, segundo Cameron, formando como que uma mescla entre, por um lado, a visão tradicionalista e conservadora do autor e, por outro, a busca por uma imitação de uma escrita de história antiga clássica. Em outras palavras, para a autora, o que as <i>Guerras </i>apresentam é uma sutil combinação entre o pessoal e o imitativo, entre o tradicional e o contemporâneo em Procópio (Cameron, <i>Procopius and the Sixth Century, </i>1996, p. 45). Além disso, a autora acredita que a escrita das Guerras apresentavam uma visão de Procópio condicionada tanto pelo estilo clássico quanto pelo próprio conteúdo de suas histórias.</font></p>     <p align="justify"><font size="3" face="Verdana"><strong>3. Análise da obra: as descrições das populações bárbaras em Procópio</strong></font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana">A proposta desse trabalho, como dito, é analisar alguns textos da <i>História das Guerras, </i>visando perceber como essas narrativas se comprometiam com o projeto político-militar do imperador </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Justiniano. Concentraremos nossos estudos especificamente nas descrições feitas por Procópio em relação aos chamados &quot;povos bárbaros&quot;. Nosso objetivo aqui é demonstrar como o discurso contrário ao elemento bárbaro, presente nas <i>Guerras, </i>poderia ser interpretado como um argumento fundamental em favor da intervenção imperial sobre suas antigas possessões no Mediterrâneo.</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para tanto, partiremos das referências aos bárbaros em Procópio analisadas como um tipo de construção de uma identidade étnica. Tal construção pode ser situada historiograficamente, a partir da ótica de um historiador romano em relação a outras <i>ethne. </i>A palavra etnicidade tem sua raiz no grego <i>ethnos </i>(&#949;&#952;&#957;&#959;&#962;), termo que pode ser traduzido como &quot;nação&quot;, ou ainda &quot;povo&quot; (Geary, 2005, p. 59). Para o estudo da construção de elementos de uma identidade bárbara em Procópio, seguiremos aqui a proposta de Walther Pohl. Para esse historiador, uma estrutura étnica não é algo inato, um fenômeno objetivo, formado biologicamente e determinado pela natureza, mas sim o resultado de práticas étnicas que reproduzem os laços que mantém um grupo unido (2003, p. 39). Por isso, as descrições dos bárbaros na <i>História das Guerras </i>serão tomadas como resultantes de uma construção historiográfica, relacionadas a uma dinâmica política e social, produto do momento de sua criação, das experiências vividas pelo autor e da posição ocupada por este durante as guerras. Em outras palavras, são construções diretamente resultantes de processos históricos (Pohl, 2003, pp. 35-49).</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para o caso da Antiguidade Tardia, ainda é possível observamos a existência de uma bipolaridade entre os conceitos de <i>bárbaro </i>e <i>romano, </i>embora, como afirma Walter Pohl, nesse período ela se encontrasse em um &quot;nível mais baixo&quot; que em séculos anteriores (2003, p. 40). Ainda segundo Pohl, as populações bárbaras definiam-se a partir do grau de dependência ou afastamento em relação a um estado tardo-romano de natureza poliétnica (2003, p. 48).</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nossa hipótese inicial é que as narrativas das <i>Guerras </i>não se prestavam simplesmente a uma descrição dos eventos decorridos nas batalhas, mas também (e principalmente) se propunham a tecer uma bem fundamentada justificativa para essas incursões. Essa possibilidade se torna bastante fundamentada pela adesão do historiador ao projeto imperial, percebido pela sua relação de grande proximidade com a alta hierarquia política e militar do Império. Essa posição de Procópio certamente o influenciou tanto nas formas de abordagem do tema, quanto nos conceitos utilizados pelo historiador ao longo das narrativas. Pretendemos problematizar essa posição a partir da qual Procópio teria concebido sua obra, verificando como as caracterizações feitas pelo historiador dos povos bárbaros se comprometiam com esse objetivo imperial.</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Primeiramente, destacamos que Procópio ao utilizar a denominação de <i>bárbaro </i>para tratar dos inimigos do império, em oposição aos <i>romanos, </i>súditos de Justiniano. Entretanto, o historiador não se preocupa em destacar as importantes distinções existentes entre as diferentes populações não pertencentes ao império, como os francos, ostrogodos, visigodos ou gépidas. E essa não distinção entre os povos não romanos fica clara no seguinte trecho da <i>Guerra Vândala:</i></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/fbpe/img/byzantion/n30/a9.jpg" width="408" height="286"></p>     
<p align="center"><img src="/fbpe/img/byzantion/n30/ab9.jpg" width="569" height="54"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup><a name="nota6"></a><a href="#n6">6</a></sup>.</font></p>     
<p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar de Procópio apresentar as tribos góticas como possuidoras de leis, língua, religião e até características físicas comuns, devemos ressaltar que não estamos diante de sociedades com características lingüísticas, políticas, culturais ou mesmo geográficas que possam ser consideradas homogêneas. Walter Goffart cita a impossibilidade de uma narração uniforme que contemple, por exemplo, os godos do sul da Rússia com a heterogeneidade dos povos guiados por Alarico (Goffart, <i>Los Bárbaros en la Antigüedad Tardía y su Instalación en Occidente, </i>2003, p. 53).<sup><a name="nota7"></a><a href="#n7">7</a></sup> Afirma ainda, citando Frantisek Graus, que o mesmo é aplicado ao conceito de &quot;germânico&quot;, tratando-se de uma construção puramente acadêmica, que não reflete a &quot;diversidade e desunião&quot; dos povos que ameaçavam as fronteiras romanas no período do Baixo Império (Cit. em Goffart, <i>Barbarians and Romans, </i>2003, p. 25).</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Patrick Geary, a simplificação de toda uma diversidade cultural e étnica dos povos não romanos no conceito <i>bárbaro, </i>ou seja, aquele que &quot;fala mal&quot; (2005, p. 65), teria fundamento na política imperialista romana. Para o autor, essa classificação se insere numa perspectiva prática: &quot;os imperialistas romanos achavam mais fácil lidar com os outros povos quando vistos como povos étnicos homogêneos, e não como tão complexos e fluidos quanto a população romana&quot; (Geary, 2005, p. 75). Citando Geary, </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">a qualidade de <i>romano </i>era uma categoria constitucional, e não étnica. Já a qualidade de <i>bárbaro </i>era uma categoria inventada, projetada sobre uma variedade de povos com todos os preconceitos e pressuposições de séculos de etnografía clássica e imperialismo. (Geary, 2005, p. 81).</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A concepção de <i>bárbaro </i>que encontramos na <i>Guerra Gótica </i>é aqui tomada a partir dessa perspectiva, apresentada por Geary e também defendida por W. Pohl, ou seja, tomada como construção de uma identidade étnica, resultante de processos históricos e estreitamente relacionada a uma dinâmica política e social </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">(Pohl, 2003, pp. 35-49).</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Logo no primeiro capítulo da <i>Guerra Gótica, </i>ao iniciar a descrição da tomada do poder em Roma, podemos perceber a forma depreciativa com a qual o historiador se referirá aos bárbaros ao longo de toda a sua obra. Nesse trecho, Procópio cita uma aliança feita pelo Império, no século V, com povos góticos, comandados por Alarico. Segundo Procópio, a partir dessa aliança, a influência de elementos bárbaros aumentara no exército, gerando um declínio no prestígio dos soldados romanos:</font></p>     <p align="center"><img src="/fbpe/img/byzantion/n30/ac9.jpg" width="474" height="199"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="nota8"></a><sup><a href="#n8">8</a></sup>.</font></p>     
<p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao se referir aos povos bárbaros como <i>tiranos, intrusos, opressores </i>e <i>cruéis, </i>Procópio transmite a idéia de que os romanos teriam tido seu território conquistado por uma população invasora que, estando entre os soldados romanos, teriam estabelecido ali o seu poder pelo uso da força, impondo-se dessa forma sobre a população local.</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Seguindo a narrativa, Procópio descreve então como teria se dado a ascensão de Odoacro ao poder na Itália:</font></p>     <p align="center"><img src="/fbpe/img/byzantion/n30/ad9.jpg" width="477" height="103"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/fbpe/img/byzantion/n30/ae9.jpg" width="460" height="68"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup><a name="nota9"></a><a href="#n9">9</a></sup>.</font></p>     
<p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Feito isso, Odoacro teria conquistado a submissão dos bárbaros e consolidado seu poder na península por uma década:</font></p>     <p align="center"><img src="/fbpe/img/byzantion/n30/af9.jpg" width="480" height="71"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup><a name="nota10"></a><a href="#n10">10</a></sup>.</font></p>     
<p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pelas passagens citadas, podemos perceber que, para Procópio, a presença de elementos bárbaros entre os romanos era um fator depreciativo, que diminuía a importância e o prestígio do exército imperial. Notamos também, nessa mesma passagem, certo menosprezo do autor pela figura de Odoacro, tratado aqui apenas como um &quot;certo homem entre os romanos&quot;, na condição de &quot;guarda-costas&quot; do imperador. As referências a Odoacro, apresentadas por Patrick Geary, falam de um &quot;comandante bárbaro-romano à moda antiga — um rei sem povo&quot;, à frente de um exército formado pelos &quot;remanescentes das tropas romanas regulares e auxiliares&quot; (Geary, 2005, p. 131). O fato de Procópio, no mesmo trecho, fazer referência a seus &quot;comandados&quot;, confirma a existência de certo poder de liderança e supremacia de Odoacro frente ao exército.</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A visão depreciativa em relação aos godos pode ainda ser ilustrada em uma carta que Justiniano enviou ao líder dos francos, na intenção de firmar com estes uma aliança:</font></p>     <p align="center"><img src="/fbpe/img/byzantion/n30/ag9.jpg" width="480" height="62"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup><a name="nota11"></a><a href="#n11">11</a></sup>.</font></p>     
<p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Percebe-se que o imperador, ao enfatizar o fato de a Itália ter pertencido ao Império, se ressente de os romanos terem perdido ali o poder diante dos godos. Ressalta-se ainda que os romanos, segundo Justiniano, teriam sido vítimas de injustiças provocadas por esse povo. Dessa forma, a intervenção do exército imperial na península faria prevalecer ali um estado de justiça<a name="nota12"></a><sup><a href="#n12">12</a></sup>, recuperando territórios da Itália para o domínio romano e libertando a população local da submissão aos godos.</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Devemos destacar aqui que os francos, entre os povos não romanos tratados por Procópio, são os únicos formados por uma população convertida ao cristianismo. Esse inclusive é um elemento que fundamentava uma proposta de Justiniano para convencer os reis francos a unirem-se ao exército imperial contra os godos na Itália, visto que ambos comungavam de uma fé cristã comum, contrária os preceitos religiosos do arianismo praticado pelos godos. Diz o texto da carta:</font></p>     <p align="center"><img src="/fbpe/img/byzantion/n30/ah9.jpg" width="480" height="90"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup><a name="nota13"></a><a href="#n13">13</a></sup><a href="#n13">.</a></font></p>     
<p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, é possível percebermos que as referências feitas por Procópio aos povos bárbaros na <i>História das Guerras </i>se apresentam, como toda a obra, diretamente comprometidas com a política militar do Império no século VI, apresentando ao leitor um ponto de vista pró-romano dos acontecimentos por ele testemunhados.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><strong>4. Considerações finais</strong></font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A análise aqui apresentada nos faz considerar que Procópio, ao elaborar suas narrativas das guerras, o fazia não apenas a partir de sua visão pessoal ou do grupo aristocrático ao qual pertencia, tão pouco o estilo clássico de seus textos era o principal elemento que condicionava sua escrita. Pensamos que o historiador </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">não tenha encontrado grande liberdade, na <i>História das Guerras, </i>para apresentar suas críticas pessoais ao projeto militar de Justiniano, justamente pelo posto que ocupava junto à estrutura do poder político e militar do Império, claramente definida pelo próprio historiador. Nesse sentido, o trabalho como um todo estaria diretamente comprometido com a política militar imperial no século VI. Por se tratar de uma obra que objetivava relatar os grandes feitos militares dos exércitos de Justiniano, produzida por um historiador diretamente ligado ao comando das tropas, é possível considerar a <i>História das Guerras </i>como uma narrativa composta de maneira bastante cuidadosa, representando uma visão romana praticamente oficial, que retratava os desdobramentos dos combates a partir de uma ótica muito próxima tanto da do comandante Belisário, quanto a do próprio imperador.</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O fato de Procópio ter se tornado conselheiro do general durante o período das guerras, reflete a adesão do historiador às ambições imperiais no Mediterrâneo. Nessa perspectiva, concordamos com autores como Evans, que afirma que as narrativas de Procópio nessa obra foram construídas em nome do <i>Establishment,<a name="nota14"></a><sup><a href="#n14">14</a></sup> </i>e J. Haury, quando diz categoricamente que Procópio ocuparia uma posição oficial dentro do Império no período das guerras<sup><a name="nota15"></a><a href="#n15">15</a></sup>.</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Partindo dos aspectos supracitados, é possível levantar o seguinte apontamento. Estando o historiador declaradamente próximo tanto do imperador Justiniano quanto do general Belisário, e ocupando um posto oficial junto às tropas enviadas às guerras, é possível afirmar que Procópio de Cesareia construiria suas narrativas a partir de um ponto de vista não apenas favorável aos romanos, mas inserido mesmo no projeto imperial de restabelecimento da antiga grandiosidade romana. Essa posição do autor junto à estrutura política e militar do Império no período provavelmente oferecia restrições, nas narrativas das <i>Guerras, </i>à possíveis contestações ou críticas mais severas ao projeto de Justiniano. Analisar sua obra como uma narrativa construída sob esta perspectiva, nos obriga a considerar as diversas formas pelas quais seu trabalho estivera condicionado, e até mesmo comprometido, com os interesses políticos do Império no século VI.</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Não pretendemos, com isso, afirmar que a escrita da <i>História das Guerras </i>seja, toda ela, resultante das pressões políticas e das relações de proximidade do autor com os poderes imperial e militar. Entretanto, acreditamos ser fundamental em nosso trabalho problematizar a posição a partir da qual Procópio teria concebido sua obra, uma vez que consideramos estes últimos fatores como preponderantes nas escolhas dos conceitos trabalhados e da forma como o historiador aborda o tema em sua escrita. Nesse sentido, as narrativas das guerras teriam, nos textos de Procópio, uma clara função de apresentar fundamentos ideológicos que tornassem justificadas as intervenções imperiais no Mediterrâneo, visando restabelecer ali um poder imperial legitimado por questões históricas. Assim, as narrativas das <i>Guerras </i>não apenas serviriam aos planos imperiais como um tipo de fundamentação ideológica ao projeto de Justiniano, como também estariam condicionadas e balizadas por esse ele.</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A análise aqui apresentada é voltada basicamente a questões historiográficas na escrita de Procópio. Em nosso estudo, não temos como foco a análise dos conflitos militares do Império no Mediterrâneo, a história política e militar do governo de Justiniano, ou ainda uma reflexão em torno das práticas religiosas cristãs no mundo romano do século VI. Entretanto, acreditamos que trabalhos que se dedicam a uma melhor compreensão das narrativas de Procópio de Cesareia, seus propósitos e o significado dos conceitos com os quais o historiador trabalhou, possibilitam ao pesquisador que se dedica ao governo de Justiniano um trato mais cuidadoso com as especificidades referentes à principal fonte do período, indispensável ao estudo de temas como os acima citados.</font></p>     <p align="justify">&nbsp;</p>     <p align="justify"><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><strong>Notas</strong></font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="n1"></a><a href="#nota1">1</a>.- Cf. Cameron, Averil (1996). <i>the Mediterranean World in Late &Aacute;ntiquity. </i>AD. p. 42. &quot;(...) they were to establish a kingdom which despite some Byzantine success in the context of Justinian's <i>reconquest </i>lasted until the arrival of the Arabs in the early eight century&quot; (grifo meu).</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="n2"></a><a href="#nota2">2.</a>- Como exemplo, conferir Evans, J. A. S. (1996). <i>the age of Justinian. </i>p. 132. Nesse trecho, Evans cita palavras do pr&oacute;prio imperador Justiniano: &quot;The barbarian people who have passed under our yoke have come to lear of our warlike labours, and witness to them are both Africa and countless other provinces, wich by our victories won by Divine Grace, have been <i>restored </i>to Roman rule within our empire&quot; (grifo meu).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="n3"></a><a href="#nota3">3</a>.- Procopi&uuml;s. <i>de Bello Persico </i>I. i. 6. &quot;&Eacute; evidente que nenhum feito mais importante ou mais grandioso est&aacute; para ser encontrado na hist&oacute;ria que aqueles os quais tem sido documentados nessas guerras&quot;. As cita&ccedil;&otilde;es <i>Hist&oacute;ria das Guerras </i>est&atilde;o seguidas de uma tradu&ccedil;&atilde;o livre do grego para o portugu&ecirc;s nas todas de rodap&eacute;.</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="n4"></a><a href="#nora4">4</a>.- Procopius. <i>de Bello Persico </i>I. i. 3. &quot;Al&eacute;m disso, ele [Proc&oacute;pio, falando de si pr&oacute;prio] n&atilde;o tinha d&uacute;vidas de que era especialmente competente para escrever a hist&oacute;ria daqueles eventos, se n&atilde;o por outra raz&atilde;o, porque caiu para sua sorte, quando foi apontado conselheiro do general Belis&aacute;rio, estar pr&oacute;ximo de praticamente todos os eventos a serem descritos&quot;. </font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="n5"></a><a href="#nota5">5</a>.- Sobre essa liga&ccedil;&atilde;o de Proc&oacute;pio com os antigos modelos cl&aacute;ssicos de Tuc&iacute;dides e Her&oacute;doto, ver J.A.S. Evans, <i>Justinian and the Historian Procopius, </i>p. 219, K. Adshead, The Secret History of Procopius and its G&ecirc;nesis, p. 13, A. Momigliano, As ra&iacute;zes cl&aacute;ssicas da historiografia moderna. p. 74 e P. Brow, O fim do Mundo Cl&aacute;ssico, pp. 147, 189.</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="n6"></a><a href="#nota6">6</a>.-&nbsp;Procopius. <i>de Bello Vandalico </i>III. ii. 1-5. &quot;Agora, enquanto Hon&oacute;rio tomava o poder imperial [395] no Ocidente, os b&aacute;rbaros tomavam posse de sua terra; e eu vou narrar quem eles eram e de que maneira isso aconteceu. Havia anteriormente muitas na&ccedil;&otilde;es g&oacute;ticas, como tamb&eacute;m h&aacute; atualmente, mas as maiores e mais importantes de todas eram os Godos, V&acirc;ndalos, Visigodos e G&eacute;pidas. Antigamente, entretanto, eram chamados Sauromates e Melanclenes; e havia tamb&eacute;m alguns tamb&eacute;m que chamavam &agrave;queles de na&ccedil;&otilde;es G&eacute;ticas. Todos esses, embora fossem distinguidos uns dos outros pelos nomes, como tem sido dito, n&atilde;o diferiam em nada diferem no todo. Pois todos eles corpos brancos e cabelos loiros, e s&atilde;o altos e belos de se olhar, e usam as mesmas leis e praticam uma religi&atilde;o comum. Pois eles s&atilde;o todos de f&eacute; Ariana e tem uma l&iacute;ngua chamada G&oacute;tico; e, como parece a mim, todos eles vieram originalmente de uma tribo, e foram mais tarde distinguidos pelos nomes daqueles que conduziam cada grupo&quot;.</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="n7"></a><a href="#nota7">7</a>.-&nbsp;Ver tamb&eacute;m, do mesmo autor, <i>Barbarians and Romans. A.D. 418-584. </i>The techniques of accommodation. New Jersey: Princeton University Press. 1980. p. 7.</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="n8"></a><a href="#nota8">8</a>.- Procopius. <i>de Bello Gothico </i>V, i. 4. E na propor&ccedil;&atilde;o que o elemento b&aacute;rbaro se fortalecia entre eles, o prest&iacute;gio dos soldados romanos imediatamente declinava, e sobre o nome de alian&ccedil;a, eles foram mais e mais <i>tiranizados </i>pelos <i>intrusos </i>e <i>oprimidos </i>por eles. Ent&atilde;o os b&aacute;rbaros <i>cruelmente </i>for&ccedil;aram muitas outras medidas sobre os romanos, muitas contra sua vontade, e finalmente que deveriam dividir com eles a terra inteira da It&aacute;lia (grifo meu)&quot;.</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="n9"></a><a href="#nota9">9</a>.- Procopius. <i>De Bello Gothico </i>V, i. 5-6. &quot;E de fato eles [os b&aacute;rbaros] ordenaram Orestes a dar-lhes a ter&ccedil;a parte dela [da It&aacute;lia], e como ele n&atilde;o iria, por meio algum, aceitar isso, eles o mataram imediatamente. Havia agora entre os romanos um certo homem chamado Odoacro, um dos guarda-costas do imperador e, naquele momento, ele concordou em conduzir seus comandados, na condi&ccedil;&atilde;o de que eles o conduzissem ao trono&quot;.</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="n10"></a><a href="#nota10">10</a>.- Procopius. <i>De Bello Gothico </i>V, i. 8. &quot;E dando a ter&ccedil;a parte da terra aos b&aacute;rbaros, e assim ganhando mais firmemente sua submiss&atilde;o, ele [Odoacro] manteve o poder supremo de maneira segura por dez anos&quot;.</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="n11"></a><a href="#nota11">11</a>.- Procopius. <i>De Bello Gothico </i>V, v. 8. Os Godos, tendo tomado pela viol&ecirc;ncia a It&aacute;lia, <i>que era nossa, </i>tem n&atilde;o apenas recusado absolutamente em devolv&ecirc;-la, mas tendo cometido posteriormente atos de injusti&ccedil;a contra n&oacute;s que n&atilde;o toleramos e ultrapassam todos os limites (grifo meu)&quot;.</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="n12"></a><a href="#nota12">12</a>.- Proc&oacute;pio se refere &agrave; tomada do poder em Roma pelos godos como ato de &quot;injusti&ccedil;a&quot; (ou) te METrIA), o que legitimava a guerra pela retomada do dom&iacute;nio romano sobre a It&aacute;lia. Cf. Procopius. <i>De Bello Gothico. </i>V, v. 8.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="n13"></a><a href="#nota13">13.</a>- Procopius. <i>DeBello Gothico. </i>V v, 9. Por essa raz&atilde;o n&oacute;s temos sido obrigados a tomar o campo contra eles [godos] e &eacute; pr&oacute;prio que voc&ecirc;s [francos] devessem juntar-se a n&oacute;s nessa guerra, que &eacute; feita suas tanto quanto nossa, n&atilde;o apenas pela f&eacute; de justo louvor, que rejeita a opini&atilde;o dos arianos, mas tamb&eacute;m pela inimizade que ambos sentimos pelos godos&quot;.</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="n14"></a><a href="#nota14">14</a>.-&nbsp;Cf. Evans, J. A. S. Justinian and the Historian Procopius. Greece &amp; Rome. pp. 219 e 222.</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="n15"></a><a href="#nota15">15</a>.-&nbsp;Cf. Haury, J. Zur Beurteilung d&ecirc;s Geschichtsschreibers Procopius von C&acirc;sarea, 1896, apud Downey, Glanville. Paganism and Christianity in Procopius. Church History. Vol. 18, No. 2. Washington: Dumbarton Oaks. Junho de 1949. p. 90.</font></p>     <p align="justify">&nbsp;</p>     <p align="justify"><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><strong>Referências bibliográficas</strong></font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><strong>Fontes</strong></font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Procopius. <i>De Bello Gothico (&#933;&#960;&#949;&#961; &#964;&#969;&#957; &#960;&#959;&#955;&#949;&#956;&#959;&#957;). History of The Wars. The Gothic War. </i>English translate by H. B. Dewing. London: Harvard University Press. 2006.</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Procopius. <i>De Bello Persico (&#933;&#960;&#949;&#961; &#964;&#969;&#957; &#960;&#959;&#955;&#949;&#956;&#959;&#957;). History of The Wars. The Persian War. </i>English translate by H. B. Dewing. London, Havard University Press. 1996.</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Procopius. <i>De Bello Vandalico (&#933;&#960;&#949;&#961; &#964;&#969;&#957; &#960;&#959;&#955;&#949;&#956;&#959;&#957;). History of The Wars. The Vandalic War. </i>English translate by H. B. Dewing. London, Harvard University Press. </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2006.</font></p>     <p align="justify"><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><strong>Bibliografia</strong></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Adshead, K. (1993). &quot;The Secret History of Procopius and its Gênesis&quot;, <i>Byzantium, </i>Tome LXIII. Bruxelles: Boulevard de l'Empereus. pp. 5-28.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0718-8471201100010000900004&pid=S0718-84712011000100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Brow, P. (1972). <i>O fim do Mundo Clássico. De Marco Aurélio a Maomé. </i>Lisboa, Editorial Verbo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0718-8471201100010000900005&pid=S0718-84712011000100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cameron, A. (1996). <i>Procopius and the Sixth Century. </i>Londres, Duckworth.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0718-8471201100010000900006&pid=S0718-84712011000100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cameron, A. (1996). <i>The Mediterranean World in Late Antiquity. </i>Londres and Nova York, Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0718-8471201100010000900007&pid=S0718-84712011000100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Downey, G. (1949). &quot;Paganism and Christianity in Procopius&quot;, <i>Church History. </i>Vol. 18, No. 2. Washington, Dumbarton Oaks, pp. 89-102.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0718-8471201100010000900008&pid=S0718-84712011000100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Evans, J. A. S. (1970). &quot;Justinian and the Historian Procopius&quot;. <i>Greece &amp; Rome, </i>Vol. </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">17, No. 2, pp. 219 e 222.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0718-8471201100010000900009&pid=S0718-84712011000100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Evans, J. A. S. (1996). <i>The Age of Justinian. The cirscunstances of imperial power. </i>New York, Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0718-8471201100010000900010&pid=S0718-84712011000100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Geary, P. (2005). <i>O mito das nações. A invenção do nacionalismo. </i>Tradução: Fábio Pinto. São Paulo, Conrad Editora do Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0718-8471201100010000900011&pid=S0718-84712011000100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Goffart, W. (1980). <i>Barbarians and Romans. A.D. 418-584. The techniques of accommodation. </i>New Jersey, Princeton University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0718-8471201100010000900012&pid=S0718-84712011000100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Goffart, W. (2003). &quot;Los Bárbaros en la Antigüedad Tardía y su Instalación en Occidente&quot;. In: Little, Lester K., e Rosenwein, H. <i>La Edad Media a debate. </i>Traducción Carolina del Olmo e César Rendueles. Madrid, Ediciones Akal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0718-8471201100010000900013&pid=S0718-84712011000100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Maas, M. (2005). &quot;Roman Questions, Byantine Answers. Contours of the AAge of Justinian. In: <i>Age of Justinian. </i>Cambridge: Cambridge University Press. pp. 3-27.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0718-8471201100010000900014&pid=S0718-84712011000100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Momigliano, A. (2004). <i>As raízes clássicas da historiografia moderna. </i>Trad. Maria Beatriz Borba Florenzano. Bauru, EDUSC (primeira edição 1962).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0718-8471201100010000900015&pid=S0718-84712011000100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ostrogorsky, G. (1984). <i>História del Estado Bizantino. </i>Tradução de Javier Facci. </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Madrid, Akal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0718-8471201100010000900016&pid=S0718-84712011000100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pazdernik, C. F. (2000). &quot;Procopius and Thucydides on the Labor of War: Belisarius and Brasidas in the Field&quot;, <i>Transactions of the American Philological Association. </i>Vol. 130. Emory University, pp. 149-187.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0718-8471201100010000900017&pid=S0718-84712011000100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pohl, W. (2003). &quot;El concepto de etnia en los estudios de la Alta Idad Media&quot;. In: Little, Lester K. y Rosenwein, H. <i>La Edad Media a debate. </i>Madrid, Ediciones </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Akal. pp. 35-49.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0718-8471201100010000900018&pid=S0718-84712011000100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Treadgold. W. (2010). <i>The Early Byzantine Historians. </i>Londres, Palgrave Macmillan.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0718-8471201100010000900019&pid=S0718-84712011000100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p> <hr align="left" width="30%" size="1" noshade>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Recibido: 10.12.2011 - Aceptado: 18.03.2011</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="a"></a><a href="#top"><img src="/fbpe/img/byzantion/n30/flecha.jpg" width="15" height="17"></a>Correspondencia: Renato Viana Boy - <a href="mailto:renatoboy@usp.br">renatoboy@usp.br</a> / <a href="mailto:renatoufop@yahoo.com.br">renatoufop@yahoo.com.br</a>. Doctor Historia Medieval por el Programa de Historia Social de la Universidade de S&atilde;o Paulo -Brasil. Fono: 55-11-674251- Fax: 55-11-3032-2314. .</font></p>     
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