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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Expansão da agricultura e sua vinculação com o processo de urbanização na Região Nordeste/Brasil (1990-2010)]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The process of Brazilian urbanization has changed in the last twenty years. Studies in the regional economy have pointed to the strong influence of the expansion of export agriculture in areas of the border as a major determinant of the new urban dynamics in the period 1990-2008. Statistics are used to describe the expansion of agriculture in the area of Savannah in northeastern Brazil, and to examine the possible effects it had on the process of urbanization in the period. The analysis of the effects of urbanization due to the expansion of agriculture is a consequence of growth for soybean exports to adjacent areas of the provinces of Bahia (western Bahia), Maranhão (south Maranhão) and Piauí (southern Piauí). We conclude that the pattern of urbanization in the Northeast is characterized by a dynamic urban peripheral consequence of deepening social and spatial heterogeneity in recent years.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[  	    <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">EURE|</font> <font face="Verdana" size="2">vol 381 n<sup>o</sup> 114|mayo 2012 | </font><font face="Verdana" size="2">pp. <b>173-201</b></font></p>  	    <p align="right"><font face="Verdana" size="2"><strong>ART&Iacute;CULOS</strong></font></p>     <p align="justify">&nbsp;</p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="4"><b>Expans&atilde;o da agricultura e sua vincula&ccedil;&atilde;o com o processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o na Regi&atilde;o Nordeste/Brasil (1990&#45;2010)</b></font></p>  	    <p align="justify">&nbsp;</p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b><i>Humberto Miranda.</i></b> </font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Universidade Estadual de Campinas, Campinas, Brasil.</font> <font face="verdana" size="2">E&#45;mail: <a href="mailto:humbertomn@eco.unicamp.br">humbertomn@eco.unicamp.br</a></font></p>     <p align="justify"><hr size="1">     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><strong>RESUMO</strong> | O processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o brasileiro tem se modificado nos &uacute;ltimos vinte anos. Os estudos em economia regional t&ecirc;m apontado para a forte influ&ecirc;ncia da expans&atilde;o da agricultura de exporta&ccedil;&atilde;o em territ&oacute;rios de fronteira como um dos principais determinantes da nova din&acirc;mica urbana no per&iacute;odo 1990&#45;2010. Utilizam&#45;se dados estat&iacute;sticos para, primeiro, descrever a expans&atilde;o da agricultura na &aacute;rea do bioma do cerrado na Regi&atilde;o Nordeste do Brasil e, segundo, para analisar os poss&iacute;veis efeitos que ela teve sobre o processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o no per&iacute;odo. A an&aacute;lise dos efeitos sobre a urbaniza&ccedil;&atilde;o em decorr&ecirc;ncia da expans&atilde;o da agricultura &eacute; consequ&ecirc;ncia do crescimento do plantio da soja para exporta&ccedil;&atilde;o nas &aacute;reas adjacentes dos Estados da Bahia (oeste baiano), Maranh&atilde;o (sul maranhense) e Piau&iacute; (sudoeste piauiense). Conclui&#45;se que o padr&atilde;o de urbaniza&ccedil;&atilde;o na Regi&atilde;o Nordeste caracteriza&#45;se por uma din&acirc;mica urbana perif&eacute;rica devido ao aprofundamento das heterogeneidades socioespacias em anos recentes.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2"><strong>PALAVRAS-CHAVE</strong> | urbaniza&ccedil;&atilde;o, rela&ccedil;&atilde;o campo&#45;cidade, economia regional</font></p>     <p align="justify"><hr size="1">     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><strong>ABSTRACT</strong> | <i>The process of Brazilian urbanization has changed in the last twenty years. Studies in the regional economy have pointed to the strong influence of the expansion of export agriculture in areas of the border as a major determinant of the new urban dynamics in the period 1990&#45;2008. Statistics are used to describe the expansion of agriculture in the area of Savannah in northeastern Brazil, and to examine the possible effects it had on the process of urbanization in the period. The analysis of the effects of urbanization due to the expansion of agriculture is a consequence of growth for soybean exports to adjacent areas of the provinces of Bahia (western Bahia), Maranh&atilde;o (south Maranh&atilde;o) and Piau&iacute; (southern Piau&iacute;). We conclude that the pattern of urbanization in the Northeast is characterized by a dynamic urban peripheral consequence of deepening social and spatial heterogeneity in recent years.</i></font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><strong>KEY  WORDS</strong> |<i> urbanization, countryside&#45;city relationship, regional economy.</i></font></p>     <p align="justify"><hr size="1">     <p align="justify"><font face="verdana" size="3"><strong>Introdu&ccedil;&atilde;o</strong></font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O objetivo geral &eacute; discutir o processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o como efeito da expans&atilde;o da fronteira agr&iacute;cola. Quanto aos objetivos espec&iacute;ficos, busca&#45;se descrever como se deu a expans&atilde;o da fronteira agr&iacute;cola na &aacute;rea do bioma do cerrado na Regi&atilde;o Nordeste do Brasil e analisar o car&aacute;ter da urbaniza&ccedil;&atilde;o em &aacute;reas n&atilde;o metropolitanas, no per&iacute;odo 1990&#45;2010. O processo de apropria&ccedil;&atilde;o privada do territ&oacute;rio brasileiro deu o sentido &agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica do espa&ccedil;o rural como se fosse um vazio social e ecol&oacute;gico. A outra face da ocupa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica do rural foi o grande incentivo ao vi&eacute;s estritamente urbano de sua ocupa&ccedil;&atilde;o populacional. Um verdadeiro desequil&iacute;brio socioespacial.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O espa&ccedil;o rural brasileiro foi, desde a coloniza&ccedil;&atilde;o do continente latino&#45;americano, considerado como "algo vago" e inculto, desvalorizado social, cultural e ecologicamente. Al&eacute;m das contradi&ccedil;&otilde;es e conflitos oriundos da desigualdade no acesso &agrave; terra, promoveu&#45;se a desigualdade no uso e no acesso a recursos e espa&ccedil;os naturais. Tais recursos naturais n&atilde;o devem ser vistos apenas como os objetos da Natureza a servi&ccedil;o da atividade econ&ocirc;mica estritamente; eles s&atilde;o espa&ccedil;os e recursos regulados pela Natureza e desigualmente usados e acessados pelos agentes econ&ocirc;micos e pela popula&ccedil;&atilde;o. No cerne desse uso&#45;acesso desigual do territ&oacute;rio est&aacute; o crescimento da explora&ccedil;&atilde;o do solo pela agricultura de larga escala, voltada ao mercado externo.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Ao examinar a especificidade do caso brasileiro, pode&#45;se perceber o mesmo car&aacute;ter de ocupa&ccedil;&atilde;o territorial do capital em outros pa&iacute;ses latino&#45;americanos. Cobos (1989 e 2008) discute a rela&ccedil;&atilde;o entre o agro e a urbaniza&ccedil;&atilde;o na Am&eacute;rica Latina, seu crescimento urbano an&aacute;rquico e as mudan&ccedil;as nos processos territoriais na nova fase de acumula&ccedil;&atilde;o do capital, mas tamb&eacute;m "os pobres resultados do neoliberalismo" neste continente ap&oacute;s os anos de 1990, especialmente por aumentar o n&iacute;vel de desigualdade e heterogeneidade territorial (urbano&#45;regional) (Cobos, 2010). Este pesquisador &eacute; bastante claro no que diz respeito ao desafio &agrave; nossa cultura cient&iacute;fica e pol&iacute;tica:</font></p>  	    <p align="justify"><table width="90%" border="0" align="center">       <tr>         <td><font face="verdana" size="2">(...) debemos construir nuestra propia cultura cient&iacute;fica y pol&iacute;tica para explicar nuestra realidad particular y confrontarla cr&iacute;ticamente con la venida de fuera, del norte en particular; debemos construir las pol&iacute;ticas territoriales para transformar nuestra realidad y resolver sus contradicciones, a partir de su explicaci&oacute;n cient&iacute;fica, los instrumentos disponibles, los intereses que defendemos y nuestras posiciones en el abanico pol&iacute;tico&#45;ideol&oacute;gico." (Cobos, 2010, p. 19)</font></td>       </tr>     </table> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Deste ponto de vista, pode&#45;se perceber o mesmo car&aacute;ter de ocupa&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano na Am&eacute;rica Latina, ou seja, em que pesem as especificidades de cada forma&ccedil;&atilde;o nacional, tem&#45;se a mesma problem&aacute;tica, a do subdesenvolvimento urbano, especialmente nas an&aacute;lises sobre as &aacute;reas metropolitanas. Contudo, seguindo o conselho de Cobos, precisamos entender as particularidades da urbaniza&ccedil;&atilde;o subdesenvolvida na maneira como ela se projeta para al&eacute;m das &aacute;reas metropolitanas. Afinal, s&atilde;o nas &aacute;reas n&atilde;o metropolitanas onde o espa&ccedil;o urbano se entrela&ccedil;a mais fortemente com o espa&ccedil;o rural nos pa&iacute;ses latino&#45;americanos e manifesta cabalmente as implica&ccedil;&otilde;es das desigualdades e heterogeneidades socioespaciais.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Para o presente momento, optou&#45;se pela an&aacute;lise do caso brasileiro por este sintetizar a problem&aacute;tica da urbaniza&ccedil;&atilde;o perif&eacute;rica, devido a: sua extens&atilde;o territorial de cerca de 8,5 milh&otilde;es de km<sup>2</sup>, sua numerosa popula&ccedil;&atilde;o rural de cerca de 29,8 milh&otilde;es de habitantes, sua alta taxa de urbaniza&ccedil;&atilde;o de 84,4% e seu consider&aacute;vel avan&ccedil;o na moderniza&ccedil;&atilde;o de sua agricultura, sem que se tenha equacionado o problema da concentra&ccedil;&atilde;o da terra. Segundo dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE), entre 2000 e 2010, houve um aumento do n&iacute;vel de ruraliza&ccedil;&atilde;o relativa (RR)<sup><a name="n1"></a><a href="#1">1</a></sup> da popula&ccedil;&atilde;o das Regi&otilde;es Norte e Nordeste, cujas popula&ccedil;&otilde;es rurais somadas aumentaram de 58,6% em 2000 para 61,9% em 2010 seu tamanho em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; popula&ccedil;&atilde;o rural total do Brasil; j&aacute; as popula&ccedil;&otilde;es rurais somadas das demais regi&otilde;es (Centro&#45;Oeste, Sudeste e Sul) diminu&iacute;ram de 41,4% em 2000 para 38,1% em 2010 o tamanho das suas popula&ccedil;&otilde;es rurais em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; popula&ccedil;&atilde;o rural total do pa&iacute;s, que, por suas dimens&otilde;es, re&uacute;ne os elementos necess&aacute;rios para o estudo do padr&atilde;o de urbaniza&ccedil;&atilde;o. Isso quer dizer que, apesar do pa&iacute;s ter uma alta taxa de urbaniza&ccedil;&atilde;o, uma de suas grandes regi&otilde;es em particular, a Nordeste, continua a concentrar o maior volume de popula&ccedil;&atilde;o rural em termos absolutos, cerca de 14,2 milh&otilde;es de habitantes, e relativos, 47,8%, ou praticamente a metade da popula&ccedil;&atilde;o rural do pa&iacute;s.</font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A hip&oacute;tese defendida neste artigo &eacute; de que a articula&ccedil;&atilde;o entre o urbano e o rural, &agrave; medida que se d&aacute; mais ou menos intensamente, altera o padr&atilde;o de urbaniza&ccedil;&atilde;o, tornando&#45;o predominantemente dispersivo no que se refere ao car&aacute;ter da rede urbana nas &aacute;reas de fronteira. A abertura externa da economia brasileira nos anos de 1990 forjou novos determinantes para o urbano, reiterando a expans&atilde;o da fronteira agr&iacute;cola/mineral, que n&atilde;o estaria voltada para atender exclusivamente aos objetivos de expans&atilde;o interna do produto industrial, mas tamb&eacute;m e principalmente para atender aos imperativos do mercado mundial de commodities, com mais pa&iacute;ses consumidores (asi&aacute;ticos) e com a pr&aacute;tica de melhores n&iacute;veis de pre&ccedil;os. Nesse &iacute;nterim, os anos de 1990 e 2000 mostram, de um lado, os grandes centros urbanos se saturando (de gente e atividades) e as cidades m&eacute;dias crescendo vigorosamente e, de outro, novas centralidades urbanas voltando a ocorrer e pequenas cidades continuando a surgir intermitentemente nas &aacute;reas de expans&atilde;o da fronteira agr&iacute;cola.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O artigo comp&otilde;e&#45;se de tr&ecirc;s partes. Na primeira, apresenta&#45;se a desconcentra&ccedil;&atilde;o produtiva e as mudan&ccedil;as advindas com a maior internacionaliza&ccedil;&atilde;o das estruturas produtivas regionais, especialmente no que se refere ao peso setorial da agricultura a partir dos efeitos da expans&atilde;o da fronteira agr&iacute;cola. Na segunda, discutem&#45;se os efeitos sobre a urbaniza&ccedil;&atilde;o no <i>Arco dos Cerrados</i> da Regi&atilde;o Nordeste do Brasil, chamando&#45;se a aten&ccedil;&atilde;o para os processos de dispers&atilde;o urbana derivados de seus v&iacute;nculos com o desempenho do setor agr&iacute;cola. Na terceira e &uacute;ltima parte, o referencial te&oacute;rico toma como base as caracter&iacute;sticas da urbaniza&ccedil;&atilde;o em &aacute;reas de expans&atilde;o da fronteira agr&iacute;cola, observando como ele vai refinando a divis&atilde;o social do trabalho para al&eacute;m da separa&ccedil;&atilde;o tradicional campo&#45;cidade ou rural&#45;urbana e promovendo outros padr&otilde;es de urbaniza&ccedil;&atilde;o na periferia subdesenvolvida, diferentemente do que ocorreu nos pa&iacute;ses centrais.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="3"><strong>Aspectos metodol&oacute;gicos</strong></font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A metodologia nortear&#45;se&#45;&aacute; pela caracteriza&ccedil;&atilde;o dos fatores que explicitem a evolu&ccedil;&atilde;o das heterogeneidades socioespaciais, relacionando os efeitos da expans&atilde;o da fronteira agr&iacute;cola vinculados ao processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o para o per&iacute;odo mais recente (19902010), ao desempenho do setor agr&iacute;cola na por&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio aqui denominada de Arco dos Cerrados Nordestino (ACNE), que tem expandido sua &aacute;rea plantada nos &uacute;ltimos anos. A Regi&atilde;o Norte passou de 34,7 mil hectares de &aacute;rea plantada com soja (em gr&atilde;os) em 1990 para 562,7 mil hectares em 2010; a Regi&atilde;o Nordeste passou de 376,8 mil hectares de &aacute;rea plantada com soja (em gr&atilde;os) em 1990 para 1.857,1 mil hectares em 2010, segundo os dados da Produ&ccedil;&atilde;o Agr&iacute;cola Municipal do IBGE. A Regi&atilde;o Nordeste foi a que mais expandiu recentemente, sob a lideran&ccedil;a dos Estados da Bahia, Piau&iacute; e Maranh&atilde;o. As informa&ccedil;&otilde;es geradas baseiam&#45;se em dados secund&aacute;rios referentes aos munic&iacute;pios plantadores de soja nas tr&ecirc;s unidades da federa&ccedil;&atilde;o (UF) supracitadas. Analisa&#45;se, portanto, munic&iacute;pios plantadores de soja, situados em &aacute;reas n&atilde;o metropolitanas e com baixa densidade demogr&aacute;fica.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O <i>Arco dos Cerrados Nordestino,</i> nos termos deste artigo, cont&eacute;m munic&iacute;pios das Mesorregi&otilde;es com menor densidade demogr&aacute;fica nos Estado da Bahia, Maranh&atilde;o e Piau&iacute;. De acordo com os &uacute;ltimos dados do Censo Demogr&aacute;fico do IBGE (2010), a <i>Mesorregi&atilde;o do Extremo Oeste Baiano</i> possui uma popula&ccedil;&atilde;o de 579,2 mil habitantes e uma densidade demogr&aacute;fica de 4,96 hab/krrV*, destacando&#45;se os munic&iacute;pios de Barreiras, Correntina, Lu&iacute;s Eduardo Magalh&atilde;es, S&atilde;o Desid&eacute;rio, Riach&atilde;o das Neves e Formosa do Rio Preto, com mais de 50 mil hectares de &aacute;rea plantada de soja. A <i>Mesorregi&atilde;o do Sul Maranhense</i> possui uma popula&ccedil;&atilde;o de 308, 4 mil habitantes e uma densidade demogr&aacute;fica de 4,57 hab/km2, destacando&#45;se os munic&iacute;pios de Balsas e Tasso Fragoso, com mais de 50 mil hectares de &aacute;rea plantada de soja. E, finalmente, a <i>Mesorregi&atilde;o do Sudoeste Piauiense</i> possui uma popula&ccedil;&atilde;o de 511,6 mil habitantes e uma densidade demogr&aacute;fica de 4,0 hab/km2, destacando&#45;se o munic&iacute;pio de Uru&ccedil;u&iacute;, com mais de 50 mil hectares de &aacute;rea plantada de soja.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O per&iacute;odo de an&aacute;lise ser&aacute; 1990&#45;2010. Ser&atilde;o considerados dois sub&#45;per&iacute;odos na an&aacute;lise, 1985&#45;1995/6 e 1995&#45;2005/6, para efeito de caracteriza&ccedil;&atilde;o da estrutura fundi&aacute;ria nas diferentes &aacute;reas, atrav&eacute;s de defini&ccedil;&atilde;o de seus estratos, baseada nas informa&ccedil;&otilde;es dos dois &uacute;ltimos Censos Agropecu&aacute;rios, da Produ&ccedil;&atilde;o Agr&iacute;cola Municipal e dos Censos Demogr&aacute;ficos, incluindo o mais atual, de 2010. No per&iacute;odo, daremos &ecirc;nfase ao car&aacute;ter mais prospectivo da an&aacute;lise, o que nos remeter&aacute; aos aspectos mais espec&iacute;ficos dos efeitos da expans&atilde;o da fronteira agr&iacute;cola sobre a din&acirc;mica urbana nordestina, durante o processo de desconcentra&ccedil;&atilde;o produtiva regional.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Para a an&aacute;lise dos aspectos relativos &agrave; urbaniza&ccedil;&atilde;o nos munic&iacute;pios plantadores de soja na Regi&atilde;o Nordeste do Brasil (<a name="nanexo1"></a><a href="#anexo1">Anexo, Figura 1</a>), foram selecionados 49 munic&iacute;pios plantadores de soja, com &aacute;reas a partir de 1.000 hectares, sendo: 09 munic&iacute;pios plantadores na Bahia, 15 munic&iacute;pios plantadores no Piau&iacute; e 25 munic&iacute;pios plantadores no Maranh&atilde;o (<a name="nanexo02" id="nanexo02"></a><a href="#anexo02">Anexo, Figuras 2, 3 e 4</a>). A rela&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica a ser analisada &eacute; entre o percentual da &aacute;rea plantada (AP) na cultura de soja versus a taxa de urbaniza&ccedil;&atilde;o (TU) e a densidade demogr&aacute;fica (DD), chamada neste artigo de rela&ccedil;&atilde;o AP X TU X DD. A an&aacute;lise dessa rela&ccedil;&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel apenas em &aacute;reas n&atilde;o&#45;metropolitanas, justamente por captar a intera&ccedil;&atilde;o entre os espa&ccedil;os rural e urbano e verificar em que medida nas &aacute;reas de expans&atilde;o da fronteira agr&iacute;cola as taxas de urbaniza&ccedil;&atilde;o s&atilde;o mais modestas ou n&atilde;o.</font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="3"><strong>A din&acirc;mica regional da agricultura brasileira: aspectos gerais</strong></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">A din&acirc;mica regional brasileira apresentou ao longo de sua evolu&ccedil;&atilde;o a seguinte peculiaridade econ&ocirc;mico&#45;espacial: uma forte concentra&ccedil;&atilde;o industrial acompanhada de uma cont&iacute;nua expans&atilde;o da fronteira agr&iacute;cola. O que parecia para muitos uma dualidade ou contraste gerado pela especificidade do processo de desenvolvimento brasileiro, crescimento das cidades e "esvaziamento" do rural, hoje pode parecer uma regularidade da forma de inser&ccedil;&atilde;o da economia brasileira no mundo globalizado, embora n&atilde;o necessariamente decorrente de um "esvaziamento" do rural, mas de sua maior import&acirc;ncia para o urbano. O que parecia contraste torna&#45;se complementaridade; o que era dualidade torna&#45;se possibilidade de maior articula&ccedil;&atilde;o rural&#45;urbana ou perspectiva de maior integra&ccedil;&atilde;o territorial. O que estava definido como espa&ccedil;o residual, para al&eacute;m dos per&iacute;metros urbanos, hoje, o rural, parece mais "preencher" a din&acirc;mica urbana do que ser seu pressuposto negativo, o n&atilde;o urbano. Um processo de "preenchimento" que pode ter seguido, como corol&aacute;rio, o curso da desconcentra&ccedil;&atilde;o produtiva regional ap&oacute;s os anos de 1970.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">No Brasil, a partir dos anos de 1990, a desconcentra&ccedil;&atilde;o produtiva regional e as mudan&ccedil;as advindas com a maior internacionaliza&ccedil;&atilde;o das estruturas produtivas regionais passaram a requerer um maior peso setorial da agricultura, um dos mais importantes efeitos foi o prevalecimento das escalas seletivas do territ&oacute;rio em detrimento da escala nacional. Nesse processo, a din&acirc;mica <i>mais virtuosa</i> da des&#45;concentra&ccedil;&atilde;o produtiva, isto &eacute;, via mecanismos regionais de incentivo articulados ao desempenho da ind&uacute;stria nacional, passou a ser problem&aacute;tica ao privilegiar as especializa&ccedil;&otilde;es produtivas regionais e incentivar, livremente, seu acesso ao mercado internacional de <i>commodities,</i> sem que houvesse um conjunto de contrapartidas previamente determinado como, por exemplo, a imposi&ccedil;&atilde;o de limites &agrave; escala relativos &agrave; perpetra&ccedil;&atilde;o do trin&ocirc;mio apropria&ccedil;&atilde;o&#45;explora&ccedil;&atilde;o&#45;degrada&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Do ponto de vista da an&aacute;lise regional, os anos de 1990 marcariam o processo de desnacionaliza&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria e a adapta&ccedil;&atilde;o gradual das economias regionais ao novo modelo de crescimento politicamente imposto desde o Plano Collor (1990) e aprofundado pelo Plano Real (1994), durante os governos dos presidentes Fernando Collor (1990&#45;1992) e Fernando Henrique Cardoso (1994&#45;2002) respectivamente. Com o desmonte da estrutura de planejamento do Estado e o esgotamento da sua capacidade financeira nesse per&iacute;odo, as estrat&eacute;gias de inser&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica regional tornaram&#45;se mais competitivas e dependentes de mecanismos desarticula&#45;dores do desenvolvimento nacional. Um dos mais conhecidos desses mecanismos foi a concess&atilde;o de subs&iacute;dios fiscais via Imposto sobre Circula&ccedil;&atilde;o de Mercadorias e</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Servi&ccedil;os (ICMS), cujo prop&oacute;sito maior era atrair investimentos (financeiros, imobili&aacute;rios e locacionais) para as diferentes regi&otilde;es. O acirramento da competi&ccedil;&atilde;o entre estados nesse processo de atra&ccedil;&atilde;o de investimentos privados ficou conhecido como "guerra fiscal" (Oliveira, 2002 e Monteiro Neto, 2005).</font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Segundo Cano (2008), as limita&ccedil;&otilde;es est&atilde;o imersas nos mecanismos da din&acirc;mica regional ap&oacute;s 1990: a manuten&ccedil;&atilde;o do baixo crescimento da economia, desemprego, corte de cr&eacute;dito ao setor privado, a intensidade da explora&ccedil;&atilde;o das bases de recursos naturais, a amplia&ccedil;&atilde;o da "guerra fiscal" e o aumento da produ&ccedil;&atilde;o export&aacute;vel com menor valor agregado s&atilde;o algumas das mais conhecidas. O processo de desconcen&#45;tra&ccedil;&atilde;o produtiva regional ganha um novo car&aacute;ter nos anos de 1990, ao tornar&#45;se dinamicamente distinto, por causa do modelo de crescimento via inser&ccedil;&atilde;o competitiva das economias perif&eacute;ricas. Esse processo muda de configura&ccedil;&atilde;o a pr&oacute;pria din&acirc;mica urbano&#45;regional e acentua o car&aacute;ter itinerante da agricultura brasileira.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Salienta&#45;se ainda que o per&iacute;odo 2000&#45;2010 aprofunda o processo de desconcen&#45;tra&ccedil;&atilde;o engendrado na d&eacute;cada de 1990, embora com algumas diferen&ccedil;as fundamentais: a revers&atilde;o do d&eacute;ficit comercial em super&aacute;vits crescentes a partir de 2002, como consequ&ecirc;ncia da desvaloriza&ccedil;&atilde;o cambial de 1999; a redu&ccedil;&atilde;o lenta e cont&iacute;nua das taxas de juros nominais a um patamar inferior aos 26,5% de 2003; o crescimento cont&iacute;nuo do PIB agropecu&aacute;rio no per&iacute;odo p&oacute;s&#45;desvaloriza&ccedil;&atilde;o cambial (1999&#45;2004), conforme aponta Balsadi (2008); o chamado "efeito China", devido as suas altas e sucessivas taxas de crescimento econ&ocirc;mico. Foram priorizadas as iniciativas de desenvolvimento local com maior inser&ccedil;&atilde;o externa das regi&otilde;es rurais, principalmente nos anos 2000, devido ao "efeito China", explicitando uma forte contradi&ccedil;&atilde;o entre a expans&atilde;o da fronteira agropecu&aacute;ria e a explora&ccedil;&atilde;o extensiva (espacialmente) e intensiva (ecologicamente) da base de recursos naturais, j&aacute; que n&atilde;o resulta de ganhos de produtividade por hectare cultivado, mas da facilidade em manter a itiner&acirc;ncia territorial como solu&ccedil;&atilde;o de conjunto para o crescimento da agricultura brasileira.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Nesse quadro mais amplo, torna&#45;se relevante assinalar <i>o car&aacute;ter itinerante da agricultura brasileira,</i> j&aacute; apontado por Celso Furtado em alguns dos seus principais trabalhos (cf. Cano, 2002), e que permanece como uma caracter&iacute;stica estrutural in&#45;terferente na din&acirc;mica regional do pa&iacute;s. A expans&atilde;o da fronteira agr&iacute;cola &eacute; seu ve&iacute;culo motor e se constitui num elemento estrutural, pois que dificulta a transi&ccedil;&atilde;o para um novo padr&atilde;o produtivo nacional calcado na perspectiva da sustentabilidade ambiental do territ&oacute;rio, isto &eacute;, nas diversas fra&ccedil;&otilde;es inter e intra&#45;regional do fen&ocirc;meno da itiner&acirc;ncia expressos no espa&ccedil;o, de modo extensivo e intensivo, incentivado economicamente pela explora&ccedil;&atilde;o financeira e agromercantil. A chamada "integra&ccedil;&atilde;o competitiva" condicionou o processo de desconcentra&ccedil;&atilde;o produtiva regional, desarticulando&#45;a de uma perspectiva nacional de desenvolvimento, e refor&ccedil;ou os mecanismos de incentivo estaduais &agrave; expans&atilde;o da fronteira agr&iacute;cola na <i>periferia nacional.</i></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Neste contexto mais geral, utilizando Delgado (2001) podemos discernir tr&ecirc;s per&iacute;odos em que o tema agricultura e desenvolvimento regional adquiriram contornos mais precisos em face do que denominamos aqui de "itiner&acirc;ncia territorial".</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="3"><strong>Primeiro per&iacute;odo: p&oacute;s&#45;guerra a 1964</strong></font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Entre o p&oacute;s&#45;guerra e 1964, discutia&#45;se o lugar do setor rural na economia e na sociedade em processo de franca industrializa&ccedil;&atilde;o, ora para que se ajustasse ao modelo seguido de substitui&ccedil;&atilde;o de importa&ccedil;&otilde;es, ora como promessa de um projeto expl&iacute;cito de pol&iacute;tica econ&ocirc;mica. Nesse contexto, a emerg&ecirc;ncia do tema da Reforma Agr&aacute;ria como "quest&atilde;o nacional" era disputado por tr&ecirc;s setores distintos: o Partido Comunista Brasileiro (PCB), os setores ditos progressistas da Igreja Cat&oacute;lica e a Comiss&atilde;o Econ&ocirc;mica para a Am&eacute;rica Latina (CEPAL). Vindo logo atr&aacute;s, um quarto grupo, representavam os n&atilde;o&#45;defensores da Reforma e de espectro ideol&oacute;gico oposto, cujo enfoque era industrialista e liberal&#45;conservador.</font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Do lado dos setores politicamente progressistas da academia, destacam&#45;se ainda as an&aacute;lises de Caio Prado Jr. (1960) e Ign&aacute;cio Rangel (1961). O primeiro justifica a realiza&ccedil;&atilde;o da Reforma Agr&aacute;ria brasileira naquele momento &agrave; possibilidade de elevar os padr&otilde;es de vida da popula&ccedil;&atilde;o rural (foco na inclus&atilde;o socioecon&ocirc;mica). O segundo concentrou&#45;se nos problemas da superprodu&ccedil;&atilde;o e escassez de produtos agr&iacute;colas (dificultando o com&eacute;rcio exterior) e da superpopula&ccedil;&atilde;o rural (refletindo em desemprego urbano), fazendo com que o setor agr&iacute;cola ora n&atilde;o liberasse m&atilde;o&#45;de&#45;obra em quantidade necess&aacute;ria para a expans&atilde;o dos outros setores da economia, ora liberasse em excesso, rebaixando os sal&aacute;rios. Um pouco mais tarde, viria &agrave; tona a problem&aacute;tica estrutural cepalina que foi expressa no car&aacute;ter inel&aacute;stico da oferta de alimentos <i>vis&#45;&agrave;&#45;vis</i> as press&otilde;es da demanda urbano&#45;industrial, como parte do diagn&oacute;stico do Plano Trienal (1963&#45;1965), que justificava a necessidade de mudan&ccedil;a tanto na estrutura fundi&aacute;ria quanto nas rela&ccedil;&otilde;es de trabalho no campo.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Completando o quadro evolutivo, chama aten&ccedil;&atilde;o a mudan&ccedil;a de mentalidade da Igreja Cat&oacute;lica sobre a import&acirc;ncia da Reforma Agr&aacute;ria. Este debate ganharia corpo com a cria&ccedil;&atilde;o da Confer&ecirc;ncia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), nas d&eacute;cadas de 1950 e 1960, quando o episcopado constatou que a aplica&ccedil;&atilde;o da doutrina da Igreja Cat&oacute;lica contrastava com uma realidade agr&aacute;ria perversa. Foi posta em pr&aacute;tica uma nova "doutrina social". Ocorre a den&uacute;ncia da injusti&ccedil;a e da exclus&atilde;o social, o que leva &agrave; igreja a obter importante influ&ecirc;ncia pol&iacute;tica na &eacute;poca por ter inscrito na sua Doutrina Social o princ&iacute;pio da fun&ccedil;&atilde;o social da propriedade, logo incorporado ao Estatuto da Terra (1964) e, mais tarde, &agrave; Constitui&ccedil;&atilde;o Federal (1988), atualmente em vigor.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Do lado dos setores politicamente conservadores, a proposi&ccedil;&atilde;o defendida por Delfim Netto considera refut&aacute;vel a tese cepalina da rigidez da oferta agr&iacute;cola. Os economistas liberais defendiam a tese da "resposta funcional" da oferta agr&iacute;cola &agrave;s press&otilde;es da demanda, j&aacute; que n&atilde;o consideravam a estrutura fundi&aacute;ria existente e nem as rela&ccedil;&otilde;es de trabalho no campo como quest&otilde;es econ&ocirc;micas relevantes. Para eles, n&atilde;o era uma quest&atilde;o pol&iacute;tica. Sendo assim, n&atilde;o havia raz&atilde;o para se realizar a reforma agr&aacute;ria, bastando que a agricultura cumprisse adequadamente suas fun&ccedil;&otilde;es via o est&iacute;mulo da pol&iacute;tica agr&iacute;cola, dentro do processo de desenvolvimento j&aacute; em curso. Isto &eacute;, liberar m&atilde;o&#45;de&#45;obra para a ind&uacute;stria, gerar oferta de alimentos, suprir</font> <font face="verdana" size="2">a ind&uacute;stria de mat&eacute;rias&#45;primas, elevar as exporta&ccedil;&otilde;es agr&iacute;colas e transferir renda real para o setor urbano.</font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="3"><strong>Segundo momento: 1965 a 1985</strong></font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O golpe militar de 1964, al&eacute;m de calar por meio da for&ccedil;a o debate agr&aacute;rio mais amplo, sentenciou que o caminho proposto pelos economistas liberais era o que seria seguido. Caminho este que ficou conhecido mais tarde na voz dos economistas cr&iacute;ticos pelas seguintes denomina&ccedil;&otilde;es: "moderniza&ccedil;&atilde;o sem reforma", "moderniza&ccedil;&atilde;o conservadora" ou "moderniza&ccedil;&atilde;o dolorosa". O Programa de A&ccedil;&atilde;o Econ&ocirc;mica do Governo (PAEG), elaborado ente 1964&#45;1966, pelos Ministros Roberto Campos (Planejamento) e Oct&aacute;vio Gouv&ecirc;a de Bulh&otilde;es (Fazenda), tinha como objetivo interpretar o desenvolvimento e formular uma pol&iacute;tica que eliminasse os estrangulamentos internos da economia que bloqueavam o crescimento. Para eles, a causa fundamental era a press&atilde;o inflacion&aacute;ria e somente a moderniza&ccedil;&atilde;o do setor agropecu&aacute;rio surtiria efeito e n&atilde;o uma reforma. A Reforma s&oacute; seria necess&aacute;ria se feita de modo pontual e, mesmo assim, onde a estrutura agr&aacute;ria, comprovadamente, gerasse inefici&ecirc;ncia econ&ocirc;mica, j&aacute; que a expans&atilde;o da agricultura dependia, segundo eles, de quatro fatores b&aacute;sicos: n&iacute;vel t&eacute;cnico da m&atilde;o&#45;de&#45;obra; n&iacute;vel de mecaniza&ccedil;&atilde;o; n&iacute;vel de utiliza&ccedil;&atilde;o de adubos; e de uma estrutura agr&aacute;ria eficiente.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Tal modelo, al&eacute;m de ter imposto uma derrota pol&iacute;tica ao movimento social pela Reforma Agr&aacute;ria, ofereceu uma resposta pol&iacute;tica que priorizava a valoriza&ccedil;&atilde;o do caf&eacute; e seu regime cambial favor&aacute;vel, que apressava a industrializa&ccedil;&atilde;o e a urbaniza&ccedil;&atilde;o ent&atilde;o em curso, diversificando e elevando consideravelmente as exporta&ccedil;&otilde;es agr&iacute;colas e agroindustriais. Estavam postas as condi&ccedil;&otilde;es objetivas para fortalecer o vi&eacute;s fortemente urbano no modelo de expans&atilde;o da agricultura moderna ou do <i>agribusisness</i> brasileiro.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="3"><strong>Terceiro e &uacute;ltimo momento: o p&oacute;s&#45;1985</strong></font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">No p&oacute;s&#45;1985, com o fim do regime militar e a abertura pol&iacute;tica, o debate em torno da quest&atilde;o agr&aacute;ria foi retomado como dilema pol&iacute;tico. O ambiente pol&iacute;tico interno passou a ser de radicaliza&ccedil;&atilde;o da democracia, principalmente com as grandes manifesta&ccedil;&otilde;es da sociedade civil por elei&ccedil;&otilde;es diretas para presidente da rep&uacute;blica e, mais tarde, com os debates acerca da elabora&ccedil;&atilde;o da Nova Constitui&ccedil;&atilde;o Brasileira. No ambiente econ&ocirc;mico externo, consolidava&#45;se uma "nova ordem econ&ocirc;mica mundial", com base em um crescente endividamento dos pa&iacute;ses latino&#45;americanos e radicaliza&ccedil;&atilde;o das doutrinas liberalizantes. Nesse novo contexto, estavam de um lado os movimentos sociais, que voltavam a atuar com toda for&ccedil;a e de outro, aumentavam as restri&ccedil;&otilde;es ao financiamento externo da economia brasileira, agravando a situa&ccedil;&atilde;o social e pol&iacute;tica.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Delgado (2001), por&eacute;m, classifica os anos de 1980, no geral, como um <i>per&iacute;odo de transi&ccedil;&atilde;o.</i> Para ele, o Brasil passou do per&iacute;odo <i>modernizante&#45;conservador</i> para o <i>liberalizante&#45;conservador,</i> o qual tomaria realmente forma nos anos de 1990.</font> <font face="verdana" size="2">Essa <i>transi&ccedil;&atilde;o</i> a que se refere representaria uma nova inflex&atilde;o no debate agr&aacute;rio. As raz&otilde;es apontadas pelo autor s&atilde;o de que: o cen&aacute;rio econ&ocirc;mico foi de relativa estagna&ccedil;&atilde;o industrial nos anos de 1980 e prosseguiu assim nos anos de 1990; a agricultura que gerou altos saldos comerciais externos, especialmente na d&eacute;cada de 1980, encontrou um clima inverso nos anos de 1990, quando as exporta&ccedil;&otilde;es em geral sofreram rev&eacute;s acentuado, particularmente com a entrada em vigor do Plano Real (1994&#45;1995); o desmonte sucessivo do aparato estatal nos anos de 1980 e 1990, fez com que parte essencial das interven&ccedil;&otilde;es no setor agr&iacute;cola, que vigoraram desde 1930 e foram recicladas pelo regime militar, deixassem de existir quase por completo; a falta de prioridade na pol&iacute;tica do desenvolvimento agr&iacute;cola na agenda do Estado tornou&#45;se fato consumado, motivada que foi, sobretudo, pela perda de impulso da pr&oacute;pria industrializa&ccedil;&atilde;o; e a prioriza&ccedil;&atilde;o do setor externo da economia no per&iacute;odo recente foi, praticamente, a &uacute;nica pol&iacute;tica que restou do per&iacute;odo <i>modernizante&#45;conservador.</i></font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O significado do debate agr&aacute;rio, de acordo com essa sint&eacute;tica periodiza&ccedil;&atilde;o a partir de Delgado (2001), foi bastante simplificado no que se refere ao papel do setor agropecu&aacute;rio, o que amesquinhou o car&aacute;ter nacional do desenvolvimento brasileiro. A moderniza&ccedil;&atilde;o agropecu&aacute;ria foi substancialmente robustecida, com a diversifica&ccedil;&atilde;o e aumento da produ&ccedil;&atilde;o, alterando o padr&atilde;o tecnol&oacute;gico do setor, mas, ao mesmo tempo, mantendo inalterada a heterogeneidade social. O pacto agr&aacute;rio&#45;modernizante&#45;conservador apoiou e defendeu o latif&uacute;ndio na sua nova estrutura fiscal e financeira, fazendo com que todos os ingredientes pol&iacute;ticos que precipitaram o debate mais amplo em torno da quest&atilde;o agr&aacute;ria ficassem em plano secund&aacute;rio, prontos para re&#45;eclodir com mais for&ccedil;a ainda nos anos de 1990.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Durante todo o ciclo de industrializa&ccedil;&atilde;o da economia brasileira, no per&iacute;odo de 1930 a 1980, apesar de ter sido estabelecida uma rota clara guiada pelo modelo da substitui&ccedil;&atilde;o de importa&ccedil;&otilde;es<a name="n2"></a><sup><a href="#2">2</a></sup>, o que se viu prevalecer foi um processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o como sin&ocirc;nimo de "cidades industriais", onde se criaria um <i>universo de direitos</i> e um processo de "ruraliza&ccedil;&atilde;o" identificados com um <i>universo de priva&ccedil;&otilde;es.</i> O rural passou a ser tratado de modo subsidi&aacute;rio dentro modelo de industrializa&ccedil;&atilde;o, como um setor, o agr&iacute;cola, cumprindo um papel funcional dentro da expans&atilde;o da ind&uacute;stria brasileira.</font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O padr&atilde;o adotado teve duas fun&ccedil;&otilde;es prec&iacute;puas: incentivou tanto a moderniza&ccedil;&atilde;o do campo quanto a degrada&ccedil;&atilde;o ambiental do territ&oacute;rio nacional. Esta situa&ccedil;&atilde;o prosperou no apogeu da Revolu&ccedil;&atilde;o Verde no Brasil, nos anos de 1970; tornou&#45;se um problema dram&aacute;tico a partir da d&eacute;cada de 1980, com o fim dos subs&iacute;dios agr&iacute;colas, revelando as conseq&uuml;&ecirc;ncias ambientalmente nefastas da mecaniza&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola, com crescente perda de recursos naturais (solos agricult&aacute;veis); se aprofundou nos anos de 1990 com o aumento da participa&ccedil;&atilde;o das <i>commodities</i> agr&iacute;colas na pauta exportadora, caracterizando uma <i>explora&ccedil;&atilde;o</i> cont&iacute;nua da base de recursos naturais e vem intensificando&#45;se ainda mais nos anos 2000, em dire&ccedil;&atilde;o &agrave;s regi&otilde;es rurais mais</font> <font face="verdana" size="2">pobres e em &aacute;reas de transi&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica entre a Regi&atilde;o Nordeste (bioma Cerrado) e a Regi&atilde;o Norte (bioma Amaz&ocirc;nico) do pa&iacute;s.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="3"><strong>Arco dos Cerrados Nordestino: especificidades da rela&ccedil;</strong></font><font face="verdana" size="3"><strong>&atilde;o rural/urbano no Brasil</strong></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O caso brasileiro permite entender os diferentes n&iacute;veis de articula&ccedil;&atilde;o entre o urbano e o rural, que ocorre mais ou menos intensamente, na altera&ccedil;&atilde;o do padr&atilde;o de urbaniza&ccedil;&atilde;o, tornando&#45;o predominantemente dispersivo ou concentrado no que se refere &agrave; rede urbana, dentro da tend&ecirc;ncia totalizante da rela&ccedil;&atilde;o entre capital e espa&ccedil;o. A escolha de uma unidade espa&ccedil;o espec&iacute;fica, o Arco da Soja na Regi&atilde;o Nordeste do Brasil, permite isolar as vari&aacute;veis mais relevantes para a an&aacute;lise no estudo do fen&ocirc;meno da expans&atilde;o da fronteira agr&iacute;cola como um tra&ccedil;o estruturante da apropria&ccedil;&atilde;o territorial capitalista brasileira.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O prop&oacute;sito desta se&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; o de elaborar <i>cases</i> ilustrativos das realidades das regi&otilde;es brasileiras, mas de conceber o emp&iacute;rico com base numa estrutura te&oacute;rica. Sendo assim, do ponto de vista te&oacute;rico, sabemos que o capital penetra todas as rela&ccedil;&otilde;es e estruturas sociais quando atinge seu est&aacute;gio mais desenvolvido. No momento atual, o est&aacute;gio &eacute; de transi&ccedil;&atilde;o, isto &eacute;, de passagem da domin&acirc;ncia capitalista num espa&ccedil;o determinado, o urbano&#45;industrial, para uma domin&acirc;ncia total do capital sobre o espa&ccedil;o. Em outras palavras, isso significa dizer que o movimento do capital no espa&ccedil;o, a fim de confin&aacute;&#45;lo &agrave; l&oacute;gica de acumula&ccedil;&atilde;o e libert&aacute;&#45;lo das ra&iacute;zes exclusivamente agr&aacute;rias e estritamente urbanas, vai refinando a divis&atilde;o social do trabalho para al&eacute;m da separa&ccedil;&atilde;o tradicional campo&#45;cidade ou rural&#45;urbana.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A &aacute;rea do Arco dos Cerrados na Regi&atilde;o Nordeste do Brasil localiza&#45;se no Bio&#45;ma do Cerrado e compreende os Estados da Bahia (mesorregi&atilde;o do oeste baiano), Maranh&atilde;o (mesorregi&atilde;o do sul maranhense) e Piau&iacute; (mesorregi&atilde;o do sudoeste piauiense) e direciona&#45;se &agrave; Regi&atilde;o Amaz&ocirc;nica (Bioma Amaz&ocirc;nico). O processo de expans&atilde;o da fronteira agr&iacute;cola &eacute; comandado pelo cultivo de gr&atilde;os, especialmente a soja, para exporta&ccedil;&atilde;o. Nesse subespa&ccedil;o brasileiro, a rela&ccedil;&atilde;o entre o rural e o urbano ganha caracter&iacute;sticas pr&oacute;prias, marcadas por fortes heterogeneidades socioespaciais por causa de seus v&iacute;nculos com o mercado exportador de gr&atilde;os.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Observando&#45;se o <a href="#graf01">Gr&aacute;fico 1</a>, v&ecirc;&#45;se que o crescimento da &aacute;rea plantada com soja em gr&atilde;os na Regi&atilde;o Norte e Nordeste aumentou vertiginosamente nas tr&ecirc;s &uacute;ltimas d&eacute;cadas, 1990, 2000 e 2010. As duas regi&otilde;es mais que dobraram a &aacute;rea plantada em rela&ccedil;&atilde;o ao Brasil na &uacute;ltima d&eacute;cada<a name="n3"></a><sup><a href="#3">3</a></sup>. &Eacute; um caso de r&aacute;pida expans&atilde;o da fronteira agr&iacute;cola cujas consequ&ecirc;ncias come&ccedil;am a ser avaliadas.</font></p> 	    <p align="center"><a name="graf01"></a>    <br>     <img src="/fbpe/img/eure/v38n114/graf07-01.jpg" width="522" height="296"></p>     
<p align="justify"><font face="verdana" size="2">O aumento em 16 vezes da &aacute;rea plantada de 2000 em rela&ccedil;&atilde;o ao ano de 1990, na Regi&atilde;o Norte, significou em termos absolutos passar de um patamar de 34,7 mil hectares para 562,7 mil hectares (aumento de 528 mil, aproximadamente), enquanto que na Regi&atilde;o Nordeste o aumento de quase 05 vezes foi mais representativo em termos absolutos, passando de um patamar de 376,9 mil hectares para 1.857,1 mil hectares (aumento de 1.480 mil, aproximadamente). As regi&otilde;es com agricultura j&aacute; mecanizada desde as d&eacute;cadas de 1970 e 1980, com rela&ccedil;&atilde;o apenas &agrave; &aacute;rea plantada com soja em gr&atilde;os, as Regi&otilde;es Sul e Centro&#45;Oeste, partiram de patamares bem superiores em 1990, cerca de 6.159 mil hectares e 3.894 mil hectares e alcan&ccedil;aram 8.942 e 10.460 mil hectares em 2000, respectivamente. O &iacute;ndice apresentado no gr&aacute;fico acima chama a aten&ccedil;&atilde;o para o crescimento expressivo da &aacute;rea plantada com soja em gr&atilde;os naquelas duas regi&otilde;es, que obtiveram taxas de urbaniza&ccedil;&atilde;o praticamente iguais, 73,5% no Norte e 73,1% no Nordeste.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">A <a href="#t1">Tabela 1</a> a seguir mostra que as regi&otilde;es da grande fronteira de expans&atilde;o da agropecu&aacute;ria e mineral no Brasil &#151;Centro&#45;Oeste, Nordeste e Norte&#151;, por diversos motivos, foram as que mais incrementaram suas taxas de crescimento da popula&ccedil;&atilde;o urbana. Observa&#45;se que a taxa de crescimento geom&eacute;trico anual da popula&ccedil;&atilde;o urbana na Regi&atilde;o Nordeste, para os quatro per&iacute;odos considerados, foi inferior ao do Brasil no 1&deg; per&iacute;odo (1980/1970), 4,10% a.a. <i>vis&#45;&agrave;&#45;vis</i> 4,44% a.a., todavia, foi superior nos demais: 3,55% a.a. <i>vis&#45;&agrave;&#45;vis</i> 2,97% a.a. no 2&deg; per&iacute;odo (1991/1980); 2,77% a.a. <i>vis&#45;&agrave;&#45;vis</i> 2,45% a.a. no 3&deg; per&iacute;odo (2000/1991); e 1,65% a.a. <i>vis&#45;&agrave;&#45;vis</i> 1,55% a.a. no 4&deg; per&iacute;odo (2010/2000). No caso da Regi&atilde;o Centro&#45;Oeste, esta cumpriu j&aacute; nos anos de 1970 seu papel de fronteira de expans&atilde;o da agricultura comercial e mecanizada como hinterl&acirc;ndia da regi&atilde;o mais industrializada, a Sudeste. Quanto &agrave; Regi&atilde;o Norte, seu crescimento populacional se deve aos investimentos nos grandes projetos de minera&ccedil;&atilde;o (Complexo Ferr&iacute;fero de Caraj&aacute;s) e de hidroenergia (hidrel&eacute;tricas), que geralmente provocam fortes fluxos migrat&oacute;rios de m&atilde;o&#45;de&#45;obra barata. O caso da Regi&atilde;o Nordeste, por sua vez, tem seu crescimento populacional relativo comandado por investimentos mais diversificados, seja na agricultura de exporta&ccedil;&atilde;o, especialmente os complexos da soja, gado e min&eacute;rios,</font> <font face="verdana" size="2">seja no setor de insumos b&aacute;sicos (investimentos vinculados ao processo de industrializa&ccedil;&atilde;o) concentrados em suas regi&otilde;es metropolitanas. Nas Regi&otilde;es Sudeste e Sul, com o processo de industrializa&ccedil;&atilde;o j&aacute; consolidado, as taxas de crescimento geom&eacute;trico se estabilizaram em patamares semelhantes &agrave; nacional, apresentando maior concentra&ccedil;&atilde;o e adensamento populacional.</font></p>      <p align="center"><a name="t1"></a>    <br> <img src="/fbpe/img/eure/v38n114/tb07-01.jpg" width="515" height="277"></p>  	    
<p align="justify"><font face="verdana" size="2">O crescimento do n&uacute;mero de cidades associado ao ritmo de crescimento da popula&ccedil;&atilde;o das cidades nos tr&ecirc;s estados selecionados na Regi&atilde;o Nordeste &#151; Bahia, Piau&iacute; e Maranh&atilde;o &#151;, de acordo com os &uacute;ltimos tr&ecirc;s censos populacionais, 1991, 2000 e 2010, apresenta padr&otilde;es diversos. &Eacute; necess&aacute;rio analisar cada classe de maneira independente em cada um dos estados, a fim de notar mudan&ccedil;as mais ou menos significativas no que tange ao processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o. Considera&#45;se como "Classe Inferior", em que predominam as pequenas cidades, a classe de popula&ccedil;&atilde;o at&eacute; 20 mil habitantes; como "Classe Intermedi&aacute;ria", em que predominam as cidades m&eacute;dias, a classe de popula&ccedil;&atilde;o entre 20 mil e 50 mil habitantes; e como "Classe Superior", em que predominam as cidades grandes, a classe de popula&ccedil;&atilde;o acima de 50 mil habitantes. Alerta&#45;se que esta classifica&ccedil;&atilde;o &eacute; limitada &agrave; an&aacute;lise de &aacute;reas n&atilde;o metropolitanas e que, portanto, se busca destacar mais a quantidades de cidades em cada classe, a sua dispers&atilde;o territorial, e n&atilde;o apenas a concentra&ccedil;&atilde;o de popula&ccedil;&atilde;o nas cidades maiores.</font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">No Estado da Bahia, conforme o <a href="#graf02">Gr&aacute;fico 2</a>, a diminui&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de cidades na classe at&eacute; 20 mil habitantes no &uacute;ltimo per&iacute;odo (2000&#45;2010) &eacute; expressiva, cerca de 88 cidades mudaram de patamar populacional.</font></p>     <p align="center"><a name="graf02"></a>    <br> <img src="/fbpe/img/eure/v38n114/graf07-02.jpg" width="513" height="282"></p>     
<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Houve neste estado um incremento na classe entre 20 mil e 50 mil habitantes no per&iacute;odo 1991&#45;2000, surgindo mais 24 cidades nesta classe de popula&ccedil;&atilde;o e mais 09 cidades na classe acima de 50 mil habitantes. O que se v&ecirc; retratado no Gr&aacute;fico 2 &eacute; um caso de redu&ccedil;&atilde;o do quadro de dispers&atilde;o urbana em favor das cidades nas classes de popula&ccedil;&atilde;o intermedi&aacute;ria e superior. S&atilde;o 24 cidades situadas na classe acima de 50 mil habitantes, com aproximadamente 60,0% da popula&ccedil;&atilde;o total (5,62 milh&otilde;es de habitantes), em 2010. A mudan&ccedil;a de classe das pequenas para m&eacute;dias e para as grandes cidades &eacute; mais caracter&iacute;stica. H&aacute; redu&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de pequenas cidades acompanhando o crescimento mais expressivo do n&uacute;mero de m&eacute;dias e grandes cidades, sendo mais distribu&iacute;do entre as classes o contingente de popula&ccedil;&atilde;o urbana.</font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">No Estado do Piau&iacute;, <a href="#graf03">Gr&aacute;fico 3</a>, o crescimento do n&uacute;mero de cidades na classe de at&eacute; 20 mil habitantes &eacute; significativo. Uma nuvem de pequenas cidades surgiu (210 cidades) j&aacute; no ano 2000, mas quase metade da popula&ccedil;&atilde;o total do estado, cerca de 47,0% ou 963,3 mil habitantes, est&aacute; concentrada em apenas tr&ecirc;s cidades na classe de cidades com mais de 50 mil habitantes. N&atilde;o houve uma troca de classes acentuada entre as cidades, apenas marginalmente, o que, no caso do Piau&iacute;, mostra que a concentra&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o urbana &eacute; mais intensa ainda na classe de cidades acima de 50 mil habitantes. A mudan&ccedil;a de classe das pequenas para m&eacute;dias cidades n&atilde;o &eacute; expressiva e est&aacute; estagnado o crescimento das cidades acima de 50 mil habitantes no Piau&iacute;. Ou seja, h&aacute; grande n&uacute;mero de pequenas cidades e forte concentra&ccedil;&atilde;o de popula&ccedil;&atilde;o urbana em poucas cidades.</font></p>      <p align="center"><a name="graf03"></a>    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> <img src="/fbpe/img/eure/v38n114/graf07-03.jpg" width="511" height="231"></p>      
<p align="justify"><font face="verdana" size="2">No Estado do Maranh&atilde;o, <a href="#graf04">Gr&aacute;fico 4</a>, diferentemente dos outros dois, verifica&#45;se tanto um crescimento de cidades at&eacute; 20 mil habitantes quanto um crescimento mais expressivo das cidades situadas na classe intermedi&aacute;ria (de 20 mil a 50 mil habitantes) e um crescimento menos expressivo na classe acima de 50 mil habitantes. Entretanto, na classe acima de 50 mil habitantes, o contingente populacional, cerca de 47,7% ou 1.933,8 mil habitantes, est&aacute; concentrada em 11 cidades, dentro da classe com mais de 50 mil habitantes em 2010. A mudan&ccedil;a de classe das pequenas para m&eacute;dias cidades n&atilde;o foi expressiva no Maranh&atilde;o, mas houve um crescimento importante das cidades na classe intermedi&aacute;ria e um crescimento mais modesto na classe acima de 50 mil habitantes. A migra&ccedil;&atilde;o de algumas cidades entre as duas &uacute;ltimas classes, a intermedi&aacute;ria e a superior, parece ser mais caracter&iacute;stica neste estado, j&aacute; que n&atilde;o houve modifica&ccedil;&atilde;o substancial da classe inferior para a intermedi&aacute;ria nos dois &uacute;ltimos Censos, 2000 e 2010.</font></p>     <p align="center"><a name="graf04"></a>    <br> <img src="/fbpe/img/eure/v38n114/graf07-04.jpg" width="508" height="278"></p>     
<p align="justify"><font face="verdana" size="2">O &uacute;ltimo Censo populacional brasileiro, divulgado no ano de 2011 pelo IBGE, mostra que as popula&ccedil;&otilde;es urbanas dos tr&ecirc;s estados est&atilde;o concentradas na classe de cidades acima de 50 mil habitantes, mas &eacute; na Bahia que a popula&ccedil;&atilde;o urbana concentra&#45;se mais na classe superior que nas demais, a intermedi&aacute;ria e a inferior, em termos populacionais, como mostra o <a href="#graf05">Gr&aacute;fico 5</a>. Nos demais estados, Piau&iacute; e Maranh&atilde;o, a somat&oacute;ria das popula&ccedil;&otilde;es urbanas das classes intermedi&aacute;ria e inferior supera o da classe superior. Tem&#45;se, assim, um estado, a Bahia, com maior concentra&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o urbana, enquanto os outros dois, Piau&iacute; e Maranh&atilde;o, permanecem com tend&ecirc;ncia &agrave; dispers&atilde;o territorial de suas popula&ccedil;&otilde;es nas classes de popula&ccedil;&atilde;o urbana intermedi&aacute;ria e, principalmente, na inferior (at&eacute; 20 mil habitantes), embora a Bahia continue, em termos absolutos, com maior n&uacute;mero de pequenas cidades que Piau&iacute; e Maranh&atilde;o.</font></p>     <p align="center"><a name="graf05"></a>    <br> <img src="/fbpe/img/eure/v38n114/graf07-05.jpg" width="518" height="327"></p>     
<p align="justify"><font face="verdana" size="2">As caracter&iacute;sticas acima referentes ao n&uacute;mero de cidades por classe de popula&ccedil;&atilde;o urbana e a popula&ccedil;&atilde;o urbana por classe de tamanho s&atilde;o bastante gerais. Segundo os dados acima, na Regi&atilde;o Nordeste, a urbaniza&ccedil;&atilde;o ainda avan&ccedil;a com ritmo pr&oacute;prio e em tr&ecirc;s de seus estados aqui analisados, o processo urbano avan&ccedil;a de forma diferenciada. Como entender o que acontece nessa regi&atilde;o e nos seus tr&ecirc;s estados, fugindo de certas uniformiza&ccedil;&otilde;es interpretativas do processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o? Que elemento comum estaria influenciando ou resultando em efeitos sobre o processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o nesses tr&ecirc;s estados?</font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Prop&otilde;e&#45;se relacionar tais caracter&iacute;sticas ao da &aacute;rea plantada (AP) com soja em gr&atilde;os na regi&atilde;o do Cerrado Nordestino. Com isso, especificam&#45;se os munic&iacute;pios que fazem parte da &aacute;rea de expans&atilde;o agr&iacute;cola e o n&iacute;vel de dispers&atilde;o das cidades. Como podemos perceber na <a href="#t2">Tabela 2</a>, a &aacute;rea plantada total da soja em gr&atilde;os na Regi&atilde;o Nordeste e aquela correspondeste aos tr&ecirc;s estados do Nordeste aqui analisados. Esta &aacute;rea plantada, ressalvando os munic&iacute;pios com &aacute;rea plantada inferior a mil hectares, representa cerca de 99% da &aacute;rea plantada total de soja em gr&atilde;os na regi&atilde;o.</font></p>     <p align="center"><a name="t2"></a>    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> <img src="/fbpe/img/eure/v38n114/tb07-02.jpg" width="531" height="351"></p>     
<p align="justify"><font face="verdana" size="2">A AP Total distribui&#45;se pelos tr&ecirc;s estados do Nordeste, ficando, aproximadamente, 57,0% da AP no estado da Bahia, 25,0% no Maranh&atilde;o e 17,0% no Piau&iacute;. Considerando apenas os 49 munic&iacute;pios maiores plantadores, obt&eacute;m&#45;se uma AP Espec&iacute;fica que concentra praticamente toda AP Total. Ent&atilde;o, a inten&ccedil;&atilde;o &eacute; verificar como a urbaniza&ccedil;&atilde;o se manifesta nesta zona de expans&atilde;o agr&iacute;cola em particular. Chama aten&ccedil;&atilde;o o fato de a expans&atilde;o da fronteira agr&iacute;cola da soja ter ocorrido no estado do Piau&iacute; nos &uacute;ltimos 10 anos, com sua AP crescendo 24%, desde o ano de 2000 at&eacute; o ano de 2009. Cabe informar que a Bahia &eacute; o estado que inicia essa expans&atilde;o, vindo em seguida o Maranh&atilde;o e o Piau&iacute;. A seguir, juntamos as informa&ccedil;&otilde;es de &aacute;rea plantada, urbaniza&ccedil;&atilde;o e densidade demogr&aacute;fica desta &aacute;rea espec&iacute;fica no cerrado nordestino.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A <a href="#t3">Tabela 3</a> apresenta os dados dos estados j&aacute; contendo o n&uacute;mero de munic&iacute;pios que corresponde &agrave; AP Espec&iacute;fica que denominamos de Arco do Cerrado Nordestino (ACNE), considerando a rela&ccedil;&atilde;o entre &aacute;rea plantada (AP), taxa de urbaniza&ccedil;&atilde;o (TU) e densidade demogr&aacute;fica (DD). Verifica&#45;se que a Bahia tem o menor n&uacute;mero de munic&iacute;pios dentro do ACNE, com 09, o Maranh&atilde;o &eacute; o que tem o maior n&uacute;mero, 25, e o Piau&iacute; fica numa posi&ccedil;&atilde;o intermedi&aacute;ria com 15 munic&iacute;pios.</font></p> 	    <p align="center"><a name="t3"></a>    <br>     <img src="/fbpe/img/eure/v38n114/tb07-03.jpg" width="512" height="325"></p>     
<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Verifica&#45;se que a Bahia tem o menor n&uacute;mero de munic&iacute;pios dentro do ACNE, com 09 e quase 58% de AP com soja, o Maranh&atilde;o &eacute; o que tem o maior n&uacute;mero, 25 munic&iacute;pios e 25% de AP, e o Piau&iacute; fica numa posi&ccedil;&atilde;o intermedi&aacute;ria com 15 munic&iacute;pios e 17% de AP. A densidade demogr&aacute;fica &eacute; inferida a 10 habitantes por quil&ocirc;metro quadrado para a ACNE em seu conjunto e em termos parciais por estado, o que levaria a supor que se trata de uma &aacute;rea rural t&iacute;pica. Todavia, ao se conhecer a taxa de urbaniza&ccedil;&atilde;o da ACNE e as taxas parciais em cada um dos tr&ecirc;s estados, percebe&#45;se que s&atilde;o superiores a 50%, com destaque para a Bahia, que possui quase 67% de taxa de urbaniza&ccedil;&atilde;o. Ou seja, h&aacute; uma concentra&ccedil;&atilde;o razo&aacute;vel de popula&ccedil;&atilde;o urbana nos munic&iacute;pios da ACNE. A expans&atilde;o da fronteira agr&iacute;cola incentiva tamb&eacute;m uma urbaniza&ccedil;&atilde;o prematura, &agrave;s vezes, mais acentuada que em grandes centros urbanos, cujo processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o est&aacute; mais consolidado. H&aacute; de fato contradi&ccedil;&atilde;o entre o crescimento da taxa de urbaniza&ccedil;&atilde;o em &aacute;reas de expans&atilde;o da fronteira agr&iacute;cola? Podemos chamar essas &aacute;reas ainda de rurais?</font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A hip&oacute;tese explorada neste artigo &eacute; que a expans&atilde;o da fronteira agr&iacute;cola na regi&atilde;o do cerrado nordestino estaria produzindo efeitos sobre o processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o, ainda que parcialmente, mas de forma relevante. Para verificar esta hip&oacute;tese, ainda que de maneira preliminar, utilizam&#45;se os dados da <a href="#t4">Tabela 04</a>. A tabela traz um conjunto de informa&ccedil;&otilde;es relacionando vari&aacute;veis rurais (em termos de &aacute;rea agr&iacute;cola plantada e densidade demogr&aacute;fica baixa) e urbanas (taxa de urbaniza&ccedil;&atilde;o). Cabe esclarecer, antes de tudo, que os dados de &aacute;rea plantada dos 49 munic&iacute;pios que comp&otilde;em o subespa&ccedil;o denominado de Arco da Soja no Cerrado Nordestino foram agrupados em estratos de &aacute;rea. Isso d&aacute; uma dimens&atilde;o atual da &aacute;rea plantada com soja (gr&atilde;os) e seu peso percentual. Os dados da popula&ccedil;&atilde;o total dos munic&iacute;pios s&atilde;o de 2010 e a taxa de urbaniza&ccedil;&atilde;o foi extra&iacute;da com base no &uacute;ltimo Censo Demogr&aacute;fico (2010), permitindo ter uma dimens&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o total atual e do grau de urbaniza&ccedil;&atilde;o dos munic&iacute;pios em cada estrato de &aacute;rea plantada. Isso possibilita um entendimento melhor do processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o em &aacute;reas de expans&atilde;o agropecu&aacute;ria, ainda que de forma preliminar. A inten&ccedil;&atilde;o, entretanto, &eacute; explorar os dados mais recentes de forma independente para o conjunto dos munic&iacute;pios considerados em cada estrato de &aacute;rea e analisar a rela&ccedil;&atilde;o entre o estrato da &aacute;rea plantada, a taxa de urbaniza&ccedil;&atilde;o e densidade demogr&aacute;fica correspondente do agrupamento de munic&iacute;pios situado em cada estrato, no subespa&ccedil;o regional denominado de Arco do Cerrado Nordestino.</font></p>     <p align="center"><a name="t4"></a>    <br> <img src="/fbpe/img/eure/v38n114/tb07-04.jpg" width="527" height="439"></p>     
<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Os dado da <a href="#t4">Tabela 04</a> consideram a taxa de urbaniza&ccedil;&atilde;o, &aacute;rea plantada e densidade demogr&aacute;fica por estrato de &aacute;rea dos 49 munic&iacute;pios do ACNE. O estrato de &aacute;rea plantada com soja at&eacute; 10 mil hectares &eacute; o que contem maior n&uacute;mero de munic&iacute;pios (25), maior contingente de popula&ccedil;&atilde;o total (42,8%), maior densidade demogr&aacute;fica (7,1 hab/km<sup>2</sup>) em rela&ccedil;&atilde;o ao total do ACNE (4,6 hab/km<sup>2</sup>), mas tem a menor &aacute;rea plantada e sua taxa de urbaniza&ccedil;&atilde;o &eacute; igual ou levemente superior a 50%. No extremo oposto, no estrato de mais de 100 mil hectares de &aacute;rea plantada, figuram 06 munic&iacute;pios, com o segundo maior contingente de popula&ccedil;&atilde;o total (34,9%), com a segunda maior densidade demogr&aacute;fica (5,1 hab/km') em rela&ccedil;&atilde;o ao total do ACNE (4,6 hab/ km2), mas tem a maior &aacute;rea plantada e sua taxa de urbaniza&ccedil;&atilde;o &eacute; a mais alta, de 79,0%.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Segundo os dados acima, n&atilde;o &eacute; o fato de ser rural, considerando o predom&iacute;nio de uma atividade agr&iacute;cola e a baixa densidade demogr&aacute;fica, que caracteriza as &aacute;reas de expans&atilde;o da fronteira agr&iacute;cola, mas a exist&ecirc;ncia de um fato urbano relevante. Os 17 munic&iacute;pios situados nos estratos superiores a 20 mil hectares de AP apresentam as maiores taxas de urbaniza&ccedil;&atilde;o, acima de 60%. Somente os 07 munic&iacute;pios situados no estrato entre 10 mil e 20 mil hectares de AP apresentam menor taxa de urbaniza&ccedil;&atilde;o, inferior a 50%, mas n&atilde;o t&ecirc;m a menor densidade demogr&aacute;fica m&eacute;dia se comparados aos demais. Inclusive porque os 25 munic&iacute;pios situados no estrato at&eacute; 10 mil hectares de AP, ou seja, com menor &aacute;rea plantada, apresentam densidade demogr&aacute;fica m&eacute;dia de 7,1 habitantes por quil&ocirc;metro quadrado. Quanto maior a &aacute;rea plantada, maior &eacute; a taxa de urbaniza&ccedil;&atilde;o no agrupamento de 17 munic&iacute;pios acima de 20 mil hectares. Esta rela&ccedil;&atilde;o, entretanto, precisa ainda ser testada para uma base de dados maior e complementada com informa&ccedil;&otilde;es qualitativas de pesquisa de campo.</font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Os dados preliminares refor&ccedil;am a hip&oacute;tese sobre o papel da expans&atilde;o da fronteira na redefini&ccedil;&atilde;o do padr&atilde;o de urbaniza&ccedil;&atilde;o brasileiro. N&atilde;o &eacute; a densidade demogr&aacute;fica que define os munic&iacute;pios estudados como rurais, mas o fato de serem agr&iacute;colas e urbanos. E s&atilde;o urbanos porque estariam situados nas classes intermedi&aacute;ria e superior de popula&ccedil;&atilde;o urbana, em cidades acima de 20 mil ou de 50 mil habitantes. S&atilde;o urbanos porque o crescimento de suas &aacute;reas plantadas est&atilde;o levando a uma urbaniza&ccedil;&atilde;o prematura da popula&ccedil;&atilde;o, decorrente da apropria&ccedil;&atilde;o do capital no espa&ccedil;o.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O subespa&ccedil;o regional aqui denominado de Arco do Cerrado Nordestino abriga, portanto, caracter&iacute;sticas pr&oacute;prias de um padr&atilde;o de urbaniza&ccedil;&atilde;o que chamamos de perif&eacute;rico por apresentar heterogeneidades espaciais que destoam de padr&otilde;es de urbaniza&ccedil;&atilde;o com base na expans&atilde;o industrial ou do padr&atilde;o urbano&#45;industrial da Regi&atilde;o Sudeste do Brasil, por exemplo. O padr&atilde;o perif&eacute;rico de urbaniza&ccedil;&atilde;o &eacute; disperso, possibilita o surgimento ou &eacute; marcado pela presen&ccedil;a mais constante de cidades pequenas (abaixo de 20 mil habitantes), &eacute; mais agr&iacute;cola e urbano que apenas rural e concentra ainda boa parte da popula&ccedil;&atilde;o urbana em cidades at&eacute; 50 mil habitantes. Os munic&iacute;pios de Barreiras e Lu&iacute;s Eduardo Magalh&atilde;es destacam&#45;se no estado da Bahia, o de Bom Jesus e Uru&ccedil;u&iacute;, no estado do Piau&iacute; e os de Balsas, Chapadinha e Graja&uacute;, no estado do Maranh&atilde;o, concentram maior popula&ccedil;&atilde;o urbana, pois suas taxas de urbaniza&ccedil;&atilde;o variam entre 74% e 90%.</font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="3"><strong>H&aacute; um padr&atilde;o perif&eacute;rico de urbaniza&ccedil;&atilde;o ?</strong></font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A discuss&atilde;o proposta &eacute; sobre o que s&atilde;o e como se estruturam os padr&otilde;es perif&eacute;ricos de urbaniza&ccedil;&atilde;o na Am&eacute;rica Latina. O caso brasileiro ajuda a pontuar alguns elementos interpretativos que caracterizariam o que se denomina de padr&atilde;o perif&eacute;rico de urbaniza&ccedil;&atilde;o. Isso leva &agrave; discuss&atilde;o das caracter&iacute;sticas da urbaniza&ccedil;&atilde;o em &aacute;reas de expans&atilde;o da fronteira agr&iacute;cola, refinando a divis&atilde;o social do trabalho para al&eacute;m da separa&ccedil;&atilde;o tradicional campo&#45;cidade ou rural&#45;urbana e promovendo outros padr&otilde;es de urbaniza&ccedil;&atilde;o, diferentemente do que ocorreu nos pa&iacute;ses centrais do capitalismo desenvolvido ou no pr&oacute;prio Brasil na fase da industrializa&ccedil;&atilde;o pesada, entre 1956&#45;1980.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Foi sobretudo a baixa incorpora&ccedil;&atilde;o e difus&atilde;o de progresso t&eacute;cnico na economia brasileira que contribuiu enormemente para consolidar o car&aacute;ter assim&eacute;trico do processo de desenvolvimento, caracter&iacute;stica b&aacute;sica do que Furtado viria a chamar de subdesenvolvimento. O pa&iacute;s ficaria rico, mas injusto. Esse elemento central da sua teoria do subdesenvolvimento pode ser muito bem transposto para o n&iacute;vel espacial, ali&aacute;s, como fez Milton Santos em seu l&uacute;cido trabalho "A urbaniza&ccedil;&atilde;o desigual", de 1979, e no seminal "O espa&ccedil;o dividido", de 1973.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Estas duas perspectivas, a de Furtado e Santos, referem&#45;se &agrave;s capacidades assim&eacute;tricas que diferenciam os pa&iacute;ses do centro e da periferia, seja pela via da moderniza&ccedil;&atilde;o dos padr&otilde;es de consumo sem distribuir renda, seja pela via da urbaniza&ccedil;&atilde;o estreitamente comprometida com as necessidades da industrializa&ccedil;&atilde;o e sem maiores preocupa&ccedil;&otilde;es com o equil&iacute;brio socioespacial das cidades. O processo de industrializa&ccedil;&atilde;o e urbaniza&ccedil;&atilde;o perif&eacute;rico transformou as cidades brasileiras em p&oacute;los de desigualdade. Tal caracter&iacute;stica estrutural fez com que as cinco grandes regi&otilde;es brasileiras reproduzissem, em suas pr&oacute;prias fronteiras, as mesmas assimetrias, mimetizando o modelo de desenvolvimento e de urbaniza&ccedil;&atilde;o desiguais atrav&eacute;s do padr&atilde;o de acumula&ccedil;&atilde;o concentrador da renda e do padr&atilde;o de urbaniza&ccedil;&atilde;o em dois circuitos, o superior (moderno) e o inferior (empobrecido).</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O ge&oacute;grafo Milton Santos, no livro <i>A urbaniza&ccedil;&atilde;o brasileira,</i> de 1993, j&aacute; havia chamado a aten&ccedil;&atilde;o para as diferen&ccedil;as entre popula&ccedil;&atilde;o urbana, rural e agr&iacute;cola, mostrando que a queda relativa da popula&ccedil;&atilde;o rural era mais acentuada que o da popula&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola no Brasil. Santos (2009) aponta dois elementos para explicar o fen&ocirc;meno, um deles &eacute; a expans&atilde;o da fronteira agr&iacute;cola e o outro as migra&ccedil;&otilde;es inter&#45;regionais.</font></p>      <p align="justify"><table width="90%" border="0" align="center">   <tr>     <td><font face="verdana" size="2">O fen&ocirc;meno n&atilde;o se d&aacute; de maneira homog&ecirc;nea, uma vez que s&atilde;o diferentes os graus de desenvolvimento e ocupa&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via das diversas regi&otilde;es, pois estas s&atilde;o diferentemente alcan&ccedil;adas pela expans&atilde;o da fronteira agr&iacute;cola e pelas migra&ccedil;&otilde;es inter&#45;regionais. (Santos, 2009, p. 34)</font></td>   </tr> </table>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">S&atilde;o "cidades agr&iacute;colas" aquelas que surgem dotadas de um fator urbano pr&oacute;prio e sob o efeito do alcance do processo de expans&atilde;o da fronteira agropecu&aacute;ria e das migra&ccedil;&otilde;es entre regi&otilde;es, transferindo contingentes social e culturalmente diferenciados de popula&ccedil;&otilde;es para subespa&ccedil;os regionais que se caracterizam como verdadeiras plataformas exportadoras de gr&atilde;os ou carne bovina ou como retaguardas territoriais para a realiza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o agropecu&aacute;ria. S&atilde;o cidades agr&iacute;colas no sentido de abrigarem no interior do munic&iacute;pio ou da hinterl&acirc;ndia modalidades de produ&ccedil;&atilde;o agropecu&aacute;ria, e o fator urbano se manifesta de modo uniforme, como um "implante urbano" para favorecer a log&iacute;stica de escoamento dessa produ&ccedil;&atilde;o. O espa&ccedil;o rural do munic&iacute;pio, todavia, perde caracter&iacute;sticas naturais e singularidades.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Nos termos do debate europeu, tamb&eacute;m adotado no Brasil, o rural seria um espa&ccedil;o relacional diferenciado que ocupa um lugar estrat&eacute;gico no processo de desenvolvimento e contempla diversidade e singularidade. Segundo Abramovay (2003),</font></p>  	    <p align="justify"><table width="90%" border="0" align="center">       <tr>         <td><font face="verdana" size="2">A ruralidade n&atilde;o &eacute; uma etapa do desenvolvimento social a ser superada com o avan&ccedil;o do progresso t&eacute;cnico e da urbaniza&ccedil;&atilde;o. Ela &eacute; e ser&aacute; cada vez mais um valor para as sociedades contempor&acirc;neas. &Eacute; em torno deste valor e n&atilde;o somente de suas atividades econ&ocirc;micas setoriais que se procuraram aqui as caracter&iacute;sticas mais gerais do meio rural: rela&ccedil;&atilde;o com a natureza, regi&otilde;es n&atilde;o&#45;densamente povoadas e inser&ccedil;&atilde;o em din&acirc;micas urbanas. A import&acirc;ncia entre n&oacute;s da agricultura n&atilde;o deve impedir uma defini&ccedil;&atilde;o territorial do desenvolvimento e do meio rural. (Abramovay, 2003, p. 51)</font></td>       </tr>     </table> 	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O autor chama a aten&ccedil;&atilde;o para a imensa diversidade que caracteriza o meio rural, embora existam tra&ccedil;os comuns de ruralidade entre regi&otilde;es. Por esse &acirc;ngulo, a pobreza rural deixa de ser um problema de insufici&ecirc;ncia de renda agropecu&aacute;ria, para ser um fen&ocirc;meno de m&uacute;ltiplas causas ou multidimensional. Dessa forma, falar em Desenvolvimento Rural, para Abramovay (2003), n&atilde;o &eacute; reconhecer o "espa&ccedil;o residual" prop&iacute;cio &agrave; concentra&ccedil;&atilde;o ou expans&atilde;o urbana ou ao que ele se credencia a ser normalmente, no m&aacute;ximo, receptor de pol&iacute;ticas sociais de combate &agrave; pobreza. Para esse autor, Desenvolvimento Rural significa, sobretudo, falar da "capacidade das regi&otilde;es rurais de preencher determinadas fun&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias a seus habitantes e tamb&eacute;m &agrave;s cidades". Suas conclus&otilde;es b&aacute;sicas s&atilde;o de que: (1) o Rural deve ser compreendido em suas rela&ccedil;&otilde;es com as cidades, com as regi&otilde;es metropolitanas e com os pequenos centros em torno dos quais se organiza a vida local; (2) nem toda aglomera&ccedil;&atilde;o urbana pode ser adequadamente chamada de cidade, pois cabe um importante papel para as aglomera&ccedil;&otilde;es rurais no desenvolvimento territorial; (3) o meio rural n&atilde;o se define pelos tra&ccedil;os comuns que encerra, mas pela imensa diversidade que o caracteriza.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Graziano da Silva (2001), por sua vez, considera que o espa&ccedil;o rural, al&eacute;m de diferenciado especificamente pela rela&ccedil;&atilde;o com a terra e mais amplamente com a natureza e o meio ambiente, est&aacute; profundamente relacionado com aquele espa&ccedil;o que lhe &eacute; <i>cont&iacute;guo,</i> o urbano. Sendo assim, h&aacute; a proemin&ecirc;ncia do <i>continnum</i> espacial enquanto uma caracter&iacute;stica marcante da realidade atual, mesmo que ca&oacute;tica. O <i>continnum</i> espacial n&atilde;o necessariamente integra o rural e o urbano, como diz o autor, mas, pelo menos, cria muitos v&iacute;nculos entre estas duas fra&ccedil;&otilde;es espaciais. Portanto, a perspectiva de realiza&ccedil;&atilde;o social das popula&ccedil;&otilde;es locais que habitam indistintamente os espa&ccedil;os rurais e urbanos &eacute; dada pelo acesso, em termos de cidadania, ao que esse <i>continnum</i> espacial venha a oferecer, e, por enquanto, o que oferecem s&atilde;o prec&aacute;rias condi&ccedil;&otilde;es de vida, aos mais pobres especialmente. Para este autor, h&aacute; um novo rural em plena gesta&ccedil;&atilde;o e isso, a nosso ver, refor&ccedil;a o papel da dimens&atilde;o urbana no desenvolvimento em vez de enfraquec&ecirc;&#45;la.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">No caso da dimens&atilde;o urbana, Matos (2005) observa que algumas tend&ecirc;ncias dos anos de 1970 e 1980 n&atilde;o se confirmaram de todo. A tend&ecirc;ncia &agrave; macrocefalia, a famosa "explos&atilde;o metropolitana", n&atilde;o se confirmou e nem houve um "esvaziamento" completo do espa&ccedil;o rural conseq&uuml;entemente. Pelo contr&aacute;rio, o processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o, a partir dos anos de 1990, tornou&#45;se disseminado, com tend&ecirc;ncia mais forte &agrave; interioriza&ccedil;&atilde;o do fen&ocirc;meno urbano em dire&ccedil;&atilde;o &agrave;s cidades m&eacute;dias e metr&oacute;poles em forma&ccedil;&atilde;o, com diminui&ccedil;&atilde;o no ritmo de crescimento dos grandes centros. O autor &eacute; cr&iacute;tico &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o da densidade demogr&aacute;fica como um crit&eacute;rio decisivo para diferenciar &aacute;rea rural de &aacute;rea urbana, tendo em vista as tend&ecirc;ncias atuais de maior fragmenta&ccedil;&atilde;o da mancha urbana, especialmente quando se verificam mais casos de conurba&ccedil;&atilde;o (reuni&atilde;o de cidades) nos &uacute;ltimos anos.</font></p>  	    <p align="justify"><table width="90%" border="0" align="center">       <tr>         <td><font face="verdana" size="2">O processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o no Brasil, de fato, interiorizou&#45;se por amplos espa&ccedil;os regionais sem com isso provocar a desmetropoliza&ccedil;&atilde;o (j&aacute; que as metr&oacute;poles seguem, centrais e se reproduzindo); expandiu&#45;se em redes geogr&aacute;ficas de diversos tipos unindo cidades muito diversificadas funcionalmente; fez emergir protagonistas de peso no rol das chamadas cidades m&eacute;dias (algumas transformadas em "regi&otilde;es metropolitanas"); fez surgir uma pl&ecirc;iade de pequenas cidades associadas &agrave; pluriatividade em expans&atilde;o no chamado "novo rural"; deu vaz&atilde;o e ofereceu alternativa espacial ao processo de desconcentra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica e demogr&aacute;fica das &uacute;ltimas d&eacute;cadas. (Matos, 2005, p. 34)</font></td>       </tr>     </table> 	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Com base nos autores supracitados, pode&#45;se dizer que o movimento &eacute; mais geral do que se imagina e que a din&acirc;mica em curso caracteriza&#45;se pela maior rela&ccedil;&atilde;o rural&#45;urbana ou a maior articula&ccedil;&atilde;o urbano&#45;rural, j&aacute; que h&aacute; uma tend&ecirc;ncia ao crescimento de cidades mais agr&iacute;colas que rurais, como diria Milton Santos. "Cidades agr&iacute;colas" caracterizadas por uma urbaniza&ccedil;&atilde;o incompleta ou prec&aacute;ria e cada vez mais de aspecto homog&ecirc;neo, desbotando o rural de sua diversidade e singularidade e refletindo um urbano menos <i>continnum</i> do que se esperaria, tornando&#45;se cada vez mais uma retaguarda territorial da produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola ou uma plataforma produtiva e mercantil controlada de fora do espa&ccedil;o regional e nacional.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">No <a href="#graf06">Gr&aacute;fico 6</a>, observam&#45;se as taxas de urbaniza&ccedil;&atilde;o e ruraliza&ccedil;&atilde;o<sup><a name="n4"></a><a href="#4">4</a></sup> no ACNE. O gr&aacute;fico mostra a distribui&ccedil;&atilde;o das taxas, partindo dos munic&iacute;pios com menor taxa de urbaniza&ccedil;&atilde;o para os de maior e o comportamento da taxa de ruraliza&ccedil;&atilde;o &agrave; medida que avan&ccedil;a a urbaniza&ccedil;&atilde;o. As curvas s&atilde;o bem caracter&iacute;sticas no sentido de verificar que os munic&iacute;pios com altos percentuais de &aacute;reas mais agr&iacute;colas n&atilde;o deixam de ser mais urbanos. Isto &eacute;, a taxa de ruraliza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o deixa de crescer mesmo com o aumento da taxa de urbaniza&ccedil;&atilde;o. Quanto mais se ocupam as &aacute;reas do munic&iacute;pio com produ&ccedil;&atilde;o de gr&atilde;os, mas h&aacute; movimento de popula&ccedil;&atilde;o concentrada nas cidades. O processo de moderniza&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola, com especializa&ccedil;&atilde;o produtiva, urbaniza mais r&aacute;pida e precariamente.</font></p> 	    <p align="center"><a name="graf06"></a>    <br>     <img src="/fbpe/img/eure/v38n114/graf07-06.jpg" width="521" height="367"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Mesmo que se adote um enfoque setorial, falar estritamente da agricultura no Brasil n&atilde;o invalida o aspecto espacial subjacente, ou seja, a rela&ccedil;&atilde;o com o urbano. Isto porque a agricultura brasileira tem car&aacute;ter itinerante e essa condi&ccedil;&atilde;o lhe d&aacute; uma dimens&atilde;o toda particular, porque &eacute; este car&aacute;ter espacial m&oacute;vel que, em primeira inst&acirc;ncia, assegura as condi&ccedil;&otilde;es para o pr&oacute;prio urbano expandir&#45;se, dispersiva ou difusamente, espraiando a rede urbana atrav&eacute;s de rebentos de cidades, ainda precariamente urbanas, pois o fato urbano, enquanto din&acirc;mica socioespacial espec&iacute;fica encontra&#45;se indeterminado.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Para se pensar um universo virtual de novas formas urbano&#45;rurais &#151;as que j&aacute; nasceram e s&atilde;o pouco vis&iacute;veis e outras mais, pedindo para nascer&#151; &eacute; necess&aacute;rio aceitar a complexidade da urbaniza&ccedil;&atilde;o contempor&acirc;nea e abarcar as muitas e diversas situa&ccedil;&otilde;es encontradas nesse processo dito de extens&atilde;o. Trata&#45;se, desde j&aacute;, de entender que todo o espa&ccedil;o social est&aacute; integrado sob a &eacute;gide do tecido urbano&#45;industrial que inclui tamb&eacute;m, por certo, formas intensivas de produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o e ocupa&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio: cidades, grandes &aacute;reas urbanas, &aacute;reas industriais, &aacute;reas de turismo, extens&otilde;es metropolitanas e outras mais. (Monte&#45;M&oacute;r e Linhares, 2009, p. 157)</font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">No caso da urbaniza&ccedil;&atilde;o oriunda do avan&ccedil;o da fronteira agropecu&aacute;ria, as pequenas cidades, por exemplo, jogam um papel importante, devido &agrave; maior dispers&atilde;o territorial que as acomete. Um dos tra&ccedil;os mais caracter&iacute;sticos de boa parte das cidades brasileiras foi terem constitu&iacute;do uma "urbaniza&ccedil;&atilde;o frouxa", ou seja, o conte&uacute;do urbano das cidades est&aacute; muito longe de expressar aquilo que Lefebvre (2001) chamou de "direito &agrave; vida urbana", pouco importando se seu conte&uacute;do tende a ser "mais rural" ou "mais urbano", ou se seu tamanho &eacute; grande ou pequeno. De um modo geral, as cidades que foram "plantadas" no territ&oacute;rio brasileiro tiveram diferentes motiva&ccedil;&otilde;es, mas no caso do espa&ccedil;o sub&#45;regional denominado aqui de Arco do Cerrado Nordestino, tanto as pequenas quanto as maiores cidades agr&iacute;colas ali situadas, o urbano funciona como um "implante", para servir de base de servi&ccedil;os da agricultura de exporta&ccedil;&atilde;o principalmente.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Torna&#45;se premente, portanto, entender o que s&atilde;o e como se estruturam os padr&otilde;es perif&eacute;ricos de urbaniza&ccedil;&atilde;o na Am&eacute;rica Latina em face dessa nova realidade dos circuitos mercantis. Por mais que cada um dos pa&iacute;ses latino&#45;americanos possua diferen&ccedil;as de ordem pol&iacute;tica e cultural marcantes, do ponto de vista social, econ&ocirc;mico e, inclusive, ambiental, s&atilde;o os tra&ccedil;os comuns &agrave; din&acirc;mica urbana neles impressos que levam a reproduzir padr&otilde;es perif&eacute;ricos de urbaniza&ccedil;&atilde;o, os quais se caracterizam por fortes heterogeneidades socioespaciais. Da&iacute; a prem&ecirc;ncia em se ampliar o debate, seja no que se refere ao processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o como um todo ou ao modo como ele vem ocorrendo, especialmente, a partir da expans&atilde;o da fronteira agr&iacute;cola, agropecu&aacute;ria ou mineral nos diferentes pa&iacute;ses.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="3"><strong>Considera&ccedil;&otilde;es finais</strong></font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Neste artigo, discorremos sobre a rela&ccedil;&atilde;o rural&#45;urbana como faces igualmente importantes do processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o tardia no Brasil. Considerou&#45;se tanto o rural quanto o urbano como processos de forma&ccedil;&atilde;o socioespaciais decorrentes de diferentes est&aacute;gios de "urbaniza&ccedil;&atilde;o tardia". Aqui, urbano e rural n&atilde;o s&atilde;o entendidos como duas faces de uma mesma moeda, o modelo urbano&#45;industrial, mas como um mesmo processo (apropria&ccedil;&atilde;o privada do espa&ccedil;o) de urbaniza&ccedil;&atilde;o tardia. A &ecirc;nfase relacional chama a aten&ccedil;&atilde;o para o fato de n&atilde;o se atribuir ao segmento urbano, isoladamente, as determina&ccedil;&otilde;es do processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o. O "jogo de escalas" espaciais influencia a din&acirc;mica urbana tamb&eacute;m em sua face rural. A vis&atilde;o vai al&eacute;m da cidade e seu entorno, preocupa&#45;se com a apropria&ccedil;&atilde;o territorial. Na verdade,</font> <font face="verdana" size="2">n&atilde;o &eacute; a defini&ccedil;&atilde;o de um limite separando o urbano do rural que est&aacute; em quest&atilde;o, mas o limite que o urbano encontra no rural. O limite da urbaniza&ccedil;&atilde;o extensiva. O que se torna urbano n&atilde;o corresponde necessariamente ao processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o em sentido pleno. A urbaniza&ccedil;&atilde;o incompleta ou inconclusa e a cidade dispersa ou difusa s&atilde;o mais bem entendidas pela intera&ccedil;&atilde;o rural&#45;urbana.</font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Pa&iacute;ses de origem colonial realizaram uma transi&ccedil;&atilde;o campo&#45;cidade ou rural&#45;urbana incompleta ou fraca, nos dois sentidos, o campo e o rural tiveram e continuam a ter um peso importante, seja em termos produtivos e socioespaciais e a cidade e o urbano mais abrigaram fluxos populacionais, crescendo o tecido urbano sem oferecer melhores condi&ccedil;&otilde;es de vida urbana, via maior inclus&atilde;o social. Se, do ponto de vista demogr&aacute;fico, o rural "desaparece", do ponto de vista socioecon&ocirc;mico&#45;espacial, o rural ressurge. Esse espa&ccedil;o rural ressurgente &eacute; o espa&ccedil;o que, sob o comando do capital, ressignifica o pr&oacute;prio espa&ccedil;o urbano como rela&ccedil;&atilde;o socioespacial. O presente artigo colocou em evid&ecirc;ncia alguns elementos associados &agrave; din&acirc;mica urbano&#45;regional na fronteira agr&iacute;cola como uma caracter&iacute;stica recente de um pa&iacute;s cuja agricultura se moderniza. Desse modo, n&atilde;o se trata apenas de heran&ccedil;a colonial, mas de um padr&atilde;o de urbaniza&ccedil;&atilde;o que se forja e define em suas caracter&iacute;sticas espec&iacute;ficas.</font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Entre os cientistas sociais brasileiros que estudam o rural, como Veiga, Abramovay, Graziano da Silva, Nazareth Wanderley, entre outros, h&aacute; certo consenso de que a dicotom&iacute;a campo&#45;cidade foi superada e que a vis&atilde;o setorial e os limites municipais escondem mais do que mostram, seja para enfatizar as potencialidades do rural ou os limites da sua fr&aacute;gil ou ausente regula&ccedil;&atilde;o. Graziano da Silva (2002) mostra</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">rurais que urbanas da maioria das cidades brasileiras, argumentando que o Brasil &eacute; mais rural do que se imagina. J&aacute; Milton Santos (1982) chamou de "cidades locais" aquelas que exercem um padr&atilde;o prim&aacute;rio de consumo, respondendo a necessidades imediatas da popula&ccedil;&atilde;o e cumprindo um papel importante no mercado urbano intra&#45;regional. Ao contr&aacute;rio do que recomendou Lewis Munford em seu livro cl&aacute;ssico, "A cidade na hist&oacute;ria", se quisermos identificar as cidades, devemos seguir sua trilha para frente e n&atilde;o para traz, isto &eacute;, identificar suas novas fontes de dinamismo econ&ocirc;mico, social e espacial e analisar as implica&ccedil;&otilde;es. Isto vale para as cidades do Arco do Cerrado Nordestino, posto que, sem identificar suas novas fontes de dinamismo e tratando&#45;as isoladamente, n&atilde;o se poder&atilde;o antecipar as consequ&ecirc;ncias socioespacialmente insustent&aacute;veis ali forjadas.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O car&aacute;ter itinerante da agricultura nacional influiu nos fatores de diferencia&ccedil;&atilde;o, desequil&iacute;brios e desigualdades regionais no Brasil. Do ponto de vista da an&aacute;lise regional, identifica&#45;se no fen&ocirc;meno da <i>itiner&acirc;ncia na agricultura</i> brasileira um dos elementos motrizes das transforma&ccedil;&otilde;es nos espa&ccedil;os rurais ao longo do tempo, com repercuss&atilde;o no processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o. A urbaniza&ccedil;&atilde;o perif&eacute;rica tem no fen&ocirc;meno da "itiner&acirc;ncia territorial", portanto, uma de suas principais caracter&iacute;sticas. Cano (2002), nos <i>Ensaios sobre a forma&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica regional do Brasil,</i> j&aacute; havia chamado a aten&ccedil;&atilde;o para esse aspecto da forma&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica nacional. O termo <i>itiner&acirc;ncia</i> expressa a rela&ccedil;&atilde;o territorial da economia agro&#45;exportadora moderna com a din&acirc;mica agr&aacute;ria brasileira. A itiner&acirc;ncia est&aacute; imersa numa rela&ccedil;&atilde;o de "ex&#45;propria&ccedil;&atilde;o" espacial da base de recursos naturais e deriva do sentido de modernidade conservadora do desenvolvimento hist&oacute;rico brasileiro. Trata&#45;se do processo de apropria&ccedil;&atilde;o privada do territ&oacute;rio nacional, que deu o sentido &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de um espa&ccedil;o regional com flagrantes n&iacute;veis de desigualdades sociais e de degrada&ccedil;&atilde;o ambiental. Este processo foi marcado por uma concentra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mico&#45;espacial que incentivou um crescimento urbano acelerado em detrimento do desenvolvimento espacialmente equilibrado entre o rural e o urbano.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">As &aacute;reas n&atilde;o metropolitanas podem reproduzir ou mimetizar o processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas metropolitanas, mas o que chama aten&ccedil;&atilde;o &eacute; o aumento da desigualdade e heterogeneidade socioespacial na urbaniza&ccedil;&atilde;o perif&eacute;rica. Cobos (2008) tem chamado a aten&ccedil;&atilde;o para o fato que o desenvolvimento desigual produziu, nos &uacute;ltimos anos na Am&eacute;rica Latina, da pequena cidade &agrave; extensa cidade&#45;regi&atilde;o m&uacute;ltiplas formas urbanas que se combinam complexamente, com tamanhos populacionais e estruturas econ&ocirc;mico&#45;sociais muito distintas (Cobos, 2008, pp. 151&#45;152). Embora Cobos discuta esse problema ao analisar as metr&oacute;poles perif&eacute;ricas, aqui neste artigo tentou&#45;se mostrar que o processo &eacute; mais amplo e est&aacute; vinculado tamb&eacute;m ao avan&ccedil;o da fronteira agr&iacute;cola e, por conseguinte, est&aacute; presente em &aacute;reas n&atilde;o metropolitanas, todavia, com novas determina&ccedil;&otilde;es: o controle do espa&ccedil;o pelo capital acontece de fora do territ&oacute;rio e n&atilde;o se vincula, como no passado, &agrave; industrializa&ccedil;&atilde;o, mas ao circuito mercantil das commodities e, especialmente, com a ascens&atilde;o da China.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O per&iacute;odo 1990&#45;2010 &eacute; um per&iacute;odo em que o padr&atilde;o de urbaniza&ccedil;&atilde;o brasileiro, produto ou resultado da expans&atilde;o da fronteira agr&iacute;cola, caracterizou&#45;se pelo aprofundamento das heterogeneidades socioespacias que passaram a se refletir na din&acirc;mica urbana espec&iacute;fica dos espa&ccedil;os inter e intra&#45;regionais. &Eacute; importante entender a urbaniza&ccedil;&atilde;o como uma din&acirc;mica socioespacial engendrada por determina&ccedil;&otilde;es mais amplas da economia capitalista, cristalizadas tanto em padr&otilde;es produtivos como de consumo. Uma agenda de pesquisa voltada para a caracteriza&ccedil;&atilde;o de padr&otilde;es perif&eacute;ricos de urbaniza&ccedil;&atilde;o na Am&eacute;rica Latina exige, naturalmente, um esfor&ccedil;o coletivo e capacidade de coopera&ccedil;&atilde;o, para que avancem as an&aacute;lises das suas particularidades em diferentes processos de expans&atilde;o da fronteira agropecu&aacute;ria e mineral: mapear padr&otilde;es de consumo das cidades, diferencia&ccedil;&atilde;o social, impactos socioambientais espec&iacute;ficos, migra&ccedil;&otilde;es inter&#45;regionais etc. Espera&#45;se que estas reflex&otilde;es ajudem a aprofundar o tema da urbaniza&ccedil;&atilde;o e da rela&ccedil;&atilde;o rural&#45;urbana nesta regi&atilde;o.</font></p> 	    <p align="center"><a name="anexo1"></a>    <br>     <a href="#nanexo1"><img src="/fbpe/img/eure/v38n114/anexo07-01.jpg" width="525" height="570"></a></p> 	    
<p align="center"><a name="anexo02" id="anexo02"></a>    <br>     <a href="#nanexo02"><img src="/fbpe/img/eure/v38n114/anexo07-02.jpg" width="513" height="825"></a></p>     
<p align="justify"><font size="3" face="verdana"><strong>Notas</strong></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="1"></a><a href="#n1">1</a></sup>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N&iacute;vel de ruraliza&ccedil;&atilde;o relativa &eacute; o percentual da popula&ccedil;&atilde;o rural da regi&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; popula&ccedil;&atilde;o rural total do pa&iacute;s.</font></p> 	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="2"></a><a href="#n2">2</a></sup>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Oriundo da Cepal, tal modelo foi concebido como um processo interno de desenvolvimento, estimulado por desequil&iacute;brio externo, diversifica&ccedil;&atilde;o e crescimento do setor industrial. Ver Souza e Fonseca (2009).</font></p> 	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="3"></a><a href="#n3">3</a></sup>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para facilitar a visualiza&ccedil;&atilde;o do fen&ocirc;meno, adota&#45;se o &iacute;ndice 100 (cem) como representativo dos valores em hectares de &aacute;rea plantada do ano de 1990, que serve para confronto com os valores dos per&iacute;odos seguintes.</font></p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="4"></a><a href="#n4">4</a></sup>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Taxa de Ruraliza&ccedil;&atilde;o &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o entre a &aacute;rea agr&iacute;cola total do munic&iacute;pio e a &aacute;rea geogr&aacute;fica do munic&iacute;pio em hectares. N&atilde;o est&atilde;o inclu&iacute;das as &aacute;reas de pastagens e outras.</font></p>     <p align="justify">&nbsp;</p> 	    <p align="justify"><font face="verdana" size="3"><strong>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</strong></font></p>      <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Abramovay, R. (2003). Fun&ccedil;&otilde;es e medidas da ruralidade no desenvolvimento contempor&acirc;neo. En R.</font> <font face="verdana" size="2">Abramovay, <i>O futuro das regi&otilde;es rurais</i> (pp.17&#45;56). Porto Alegre, RS: Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0250-7161201200020000700001&pid=S0250-71612012000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Balsadi, Ot&aacute;vio. (2008). O mercado de trabalho assalariado na agricultura brasileira e suas diferencia&ccedil;&otilde;es regionais no per&iacute;odo 1992&#45;2004. S&atilde;o Paulo: Editora Hucitec (Humanismo, Ci&ecirc;ncia e Tecnologia).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0250-7161201200020000700002&pid=S0250-71612012000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Cano, W. (2002). <i>Ensaios sobre a forma&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica regional do Brasil.</i> Campinas, SP: Ed. Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0250-7161201200020000700003&pid=S0250-71612012000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Cano, W. (2008). <i>Desconcentra&ccedil;&atilde;o produtiva regional do Brasil 1979&#45;2005.</i> S&atilde;o Paulo: Editora Universidade Estadual Paulista J&uacute;lio de Mesquita Filho (Unesp).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0250-7161201200020000700004&pid=S0250-71612012000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Cobos, E. P. (1989). Acumulaci&oacute;n de capital y estructura territorial en Am&eacute;rica Latina. En M. Lungo (Comp.), <i>Lo urbano: Teor&iacute;a y m&eacute;todos</i> (pp. 31&#45;67). San Jos&eacute;, Costa Rica: Secretaria General Consejo Superior Universitario Centroamericano (CSUCA)/Editorial Universitaria Centroamericana.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0250-7161201200020000700005&pid=S0250-71612012000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Cobos, E. P. (2008). Presente y futuro de las metr&oacute;polis de Am&eacute;rica Latina. <i>Territorios</i> (Bogot&aacute;), <i>1819,</i> 147&#45;181.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0250-7161201200020000700006&pid=S0250-71612012000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Cobos, E. P. (2010). Teorias y pol&iacute;ticas urbanas: libre mercado mundial, o construcci&oacute;n regional? <i>Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais,</i> 12(2), 9&#45;21.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0250-7161201200020000700007&pid=S0250-71612012000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2"> Delgado, G. C. (2001). Expans&atilde;o e moderniza&ccedil;&atilde;o do setor agropecu&aacute;rio no p&oacute;s&#45;guerra: um estudo</font> <font face="verdana" size="2">de reflex&atilde;o agr&aacute;ria. <i>Estudos Avan&ccedil;ado</i> (Instituto de Estudos Avan&ccedil;ados/USP, S&atilde;o Paulo),</font> <font face="verdana" size="2">15(43), 157&#45;172.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0250-7161201200020000700008&pid=S0250-71612012000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Graziano da Silva, J. (2001). Quem precisa de uma estrat&eacute;gia de desenvolvimento ? En<i> Jos&eacute; Graziano da Silva, Jean Marc e Bianchini debatem O Brasil Rural precisa de uma estrat&eacute;gia de desenvolvimento</i> (pp. 5&#45;52) Bras&iacute;lia, DF: Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio do Desenvolvimento Agr&aacute;rio (MDA)/ Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustent&aacute;vel (CNDRS)/N&uacute;cleo de Estudos Agr&aacute;rios e Desenvolvimento Rural (NEAD).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0250-7161201200020000700009&pid=S0250-71612012000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE). (2006). Censo Agropecu&aacute;rio. Rio de Janeiro (pp. 1&#45;777). (Livro com CD).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0250-7161201200020000700010&pid=S0250-71612012000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE). (2010). <i>Censo Demogr&aacute;fico. Brasil.</i> Rio de Janeiro. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.censo2010.ibge.gov.br/" target="_blank">http://www.censo2010.ibge.gov.br/</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0250-7161201200020000700011&pid=S0250-71612012000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE). (2010). <i>Produ&ccedil;&atilde;o Agr&iacute;cola Municipal &#45; culturas tempor&aacute;rias epermanentes,</i> v. 37: <i>Brasil</i> (pp. 1&#45;91). Rio de Janeiro. (Livro com CD).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0250-7161201200020000700012&pid=S0250-71612012000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Lefebvre, H. (2001). <i>O direito &agrave; cidade.</i> (Tradu&ccedil;&atilde;o: Rubens Eduardo Frias). S&atilde;o Paulo: Centauro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0250-7161201200020000700013&pid=S0250-71612012000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Matos, R. (2005). Das grandes divis&otilde;es do Brasil &agrave; ideia do urbano em rede tripartite. En R. Matos (Org.), <i>Espacialidades em rede: popula&ccedil;&atilde;o, urbaniza&ccedil;&atilde;o e migra&ccedil;&atilde;o no Brasil contempor&acirc;neo</i> (pp.17&#45;56). Belo Horizonte, MG: C/Arte.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0250-7161201200020000700014&pid=S0250-71612012000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Monteiro Neto, A. (2005). <i>Desenvolvimento regional em crise:pol&iacute;ticas econ&ocirc;micas liberais e restri&ccedil;&otilde;es &agrave; interven&ccedil;&atilde;o estatal no Brasil dos anos 90.</i> Tese (Doutorado), Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas. Campinas, SP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0250-7161201200020000700015&pid=S0250-71612012000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Monte&#45;M&oacute;r, R. L. &amp; Linhares, L. (2009). Urbaniza&ccedil;&atilde;o extensiva: express&otilde;es no Brasil. En N. G. Reis (Org.), <i>Sobre dispers&atilde;o urbana.</i> S&atilde;o Paulo: Via das Artes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0250-7161201200020000700016&pid=S0250-71612012000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Oliveira, Luiz G. (2002). Alguns aspectos da guerra fiscal. En A. Kon (Org.), <i>Unidade e fragmenta&ccedil;&atilde;o: a quest&atilde;o regional no Brasil</i> (pp. 197&#45;219). S&atilde;o Paulo: Editora Perspectiva.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0250-7161201200020000700017&pid=S0250-71612012000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Santos, M. (1982). <i>A urbaniza&ccedil;&atilde;o desigual: a especificidade do fen&ocirc;meno urbano em pa&iacute;ses subdesenvolvidos.</i> Petr&oacute;polis, RJ: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0250-7161201200020000700018&pid=S0250-71612012000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Santos, M. (2009) &#91;1993&#93;. <i>A urbaniza&ccedil;&atilde;o brasileira</i> (5&ordf;     ed., 2&ordf; reimpr.). S&atilde;o Paulo: Editora da USP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0250-7161201200020000700019&pid=S0250-71612012000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Santos, M. (2010). <i>Ensaios sobre a urbaniza&ccedil;&atilde;o latino&#45;americana.</i> (2&ordf; ed.). S&atilde;o Paulo: Editora da Universidade de S&atilde;o Paulo (EDUSP).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0250-7161201200020000700020&pid=S0250-71612012000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Souza, L. E. S. &amp; Fonseca, P. C. D. (Orgs.). (2009). <i>O processo de substitui&ccedil;&atilde;o de importa&ccedil;&otilde;es.</i> S&atilde;o Paulo: LCTE Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0250-7161201200020000700021&pid=S0250-71612012000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Veiga, J. E. (2001). Desenvolvimento territorial no Brasil: do entulho varguista ao zoneamento ecol&oacute;gico&#45;econ&ocirc;mico. <i>Bahia An&aacute;lise &amp; Dados</i> (Salvador, BA), 10(04), 193&#45;206.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0250-7161201200020000700022&pid=S0250-71612012000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p> 	    <p align="justify">&nbsp;</p> 	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Recibido el 15 de agosto de 2010, aprobado el 25 de agosto de 2011.</font></p>      ]]></body><back>
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