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<publisher-name><![CDATA[Pontificia Universidad Católica de Chile<br>Facultad de Arquitectura, Diseño y Estudios Urbanos<br> Instituto de Estudios Urbanos y Territoriales]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O padrão de mobilidade de São Paulo e o pressuposto de desigualdade]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The inequality pattern ofurbanization is a crucialfactor determiningproblems of daily mobility in metropolitan areas. Sao Paulo is a representative case study since the problems ofmobility long since are deeply affecting the low income population. More recently the problem is gainingscale andpressure for impro ved transport conditions aregrowing. In this context, discussing measures to improve public transport systems is necessary but not sufficient. The dream ofcar ownership and use is widespread, but this modal shift has no conditions to enable daily mobility. The expansion ofrail transportation system is slow and in this context there is no possibility of substantive change in the short term. The current chaotic mobility model is structured by the social inequality, resulting nowadays in a growing urban environmental inequality. Mobility improvementfor everyone requires deconstruction ofthe inequality pattern.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[  	    <p><font face="verdana" size="2">EURE  vol 38 , N° 113, ENERO 2012 . pp. 77&#45;97</font></p>     <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><strong><font size="2">ART&Iacute;CULO</font></strong></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="verdana" size="4"><b>O padr&atilde;o de mobilidade de S&atilde;o Paulo e o pressuposto de desigualdade</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="verdana" size="2"><b><i>Patricia Zandonade, Ricardo Moretti.</i></b> </font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Universidade Federal do ABC, S&atilde;o Paulo, Brasil. E&#45;mail:<a href="mailto:patricia.zandonade@ufabc.edu.br">patricia.zandonade@ufabc.edu.br</a><i>    <br> </i> Universidade Federal do ABC, S&atilde;o Paulo, Brasil.</font> <font face="verdana" size="2">E&#45;mail:</font> <font face="verdana" size="2"><a href="mailto:ricardo.moretti@ufabc.edu.br">ricardo.moretti@ufabc.edu.br</a></font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="verdana" size="2"><b>RESUMEN</b>: Os fatores determinantes dos problemas de mobilidade cotidiana nas metr&oacute;poles brasileiras est&atilde;o associados ao seu padr&atilde;o desigual de urbaniza&ccedil;&atilde;o. Tomado como refer&ecirc;ncia para esta discuss&atilde;o, S&atilde;o Paulo &eacute; um caso de extrema representatividade para esta problem&aacute;tica, onde as dificuldades de mobilidade afetam seriamente a popula&ccedil;&atilde;o de menor renda. Mais recentemente o problema se alastra e crescem as press&otilde;es pela melhoria das condi&ccedil;&otilde;es de transporte. Neste contexto, o debate sobre melhoria dos sistemas de transporte coletivo &eacute; necess&aacute;rio, mas n&atilde;o suficiente. A expectativa de utiliza&ccedil;&atilde;o do autom&oacute;vel particular &eacute; generalizada, por&eacute;m n&atilde;o existem condi&ccedil;&otilde;es de viabilizar a mobilidade cotidiana com base nesse modal. A amplia&ccedil;&atilde;o do transporte sobre trilhos &eacute; lenta e n&atilde;o h&aacute; possibilidade de mudan&ccedil;a substantiva em curto prazo. Este ca&oacute;tico modelo sustentase no pressuposto da desigualdade social, que resulta hoje numa crescente desigualdade ambiental urbana. A melhoria das condi&ccedil;&otilde;es de mobilidade para todos envolve o questionamento desse pressuposto.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2"><b>PALABRAS CLAVE</b>: desigualdade social, modelos de transporte, transporte urbano.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="verdana" size="2"><b>ABSTRACT: </b> <i>The inequality pattern ofurbanization is a crucialfactor determiningproblems of daily mobility in metropolitan areas. Sao Paulo is a representative case study since the problems ofmobility long since are deeply affecting the low income population. More recently the problem is gainingscale andpressure for impro ved transport conditions aregrowing. In this context, discussing measures to improve public transport systems is necessary but not sufficient. The dream ofcar ownership and use is widespread, but this modal shift has no conditions to enable daily mobility. The expansion ofrail transportation system is slow and in this context there is no possibility of substantive change in the short term. The current chaotic mobility model is structured by the social inequality, resulting nowadays in a growing urban environmental inequality. Mobility improvementfor everyone requires deconstruction ofthe inequality pattern.</i></font></p>     <p><font face="verdana" size="2"><b>KEY WORDS</b><i>: social inequalities, transportation models, urban transportation.</i></font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="verdana" size="3"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>      <p><font face="verdana" size="2">Os conflitos de mobilidade das metr&oacute;poles brasileiras t&ecirc;m como pano de fundo as quest&otilde;es relacionadas ao uso do espa&ccedil;o p&uacute;blico. Para o caso de S&atilde;o Paulo, estes conflitos se mostram mais acentuados, onde seu padr&atilde;o de urbaniza&ccedil;&atilde;o se traduz num padr&atilde;o radicalmente desigual de mobilidade e acessibilidade urbana.</font></p>  	    <p><font face="verdana" size="2">Na discuss&atilde;o sobre mobilidade, as abordagens ambientais predominantes se articulam em torno do gasto de energia f&oacute;ssil e sobre a degrada&ccedil;&atilde;o ambiental que o atual modelo de transporte provoca, que se reflete em um aparelho urbano dispendioso, em tempo e recursos. As discuss&otilde;es mais recorrentes abordam os impactos relacionados com a polui&ccedil;&atilde;o do ar, falta de seguran&ccedil;a e adequa&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os p&uacute;blicos, polui&ccedil;&atilde;o sonora, polui&ccedil;&atilde;o dos solos e das &aacute;guas com a sujeira das ruas arrastada pelas chuvas.</font></p>  	    <p><font face="verdana" size="2">Por&eacute;m, as situa&ccedil;&otilde;es cr&iacute;ticas de congestionamentos de tr&aacute;fego e de dificuldades dos deslocamentos na Regi&atilde;o Metropolitana de S&atilde;o Paulo t&ecirc;m acontecido em momentos em que uma parcela relativamente pequena dos autom&oacute;veis do munic&iacute;pio est&aacute; em circula&ccedil;&atilde;o. O tr&aacute;fego de ve&iacute;culos praticamente p&aacute;ra, resultando em centenas de quil&ocirc;metros de congestionamentos, em momentos em que n&atilde;o mais que 16%<sup><a name="t1"></a><a href="#n1">1</a></sup> do total de autom&oacute;veis cadastrados em S&atilde;o Paulo est&atilde;o na rua. Essa situa&ccedil;&atilde;o assumiu contorno ca&oacute;tico no &uacute;ltimo per&iacute;odo de chuvas. Aqueles que usam o autom&oacute;vel para seu deslocamento cotidiano reclamam da situa&ccedil;&atilde;o, reivindicando melhorias vi&aacute;rias e eici&ecirc;ncia no sistema de circula&ccedil;&atilde;o, e apontam que a precariedade do sistema de transporte coletivo impossibilita a sua utiliza&ccedil;&atilde;o como alternativa ao autom&oacute;vel.</font></p>      <p><font face="verdana" size="2">Podese, de in&iacute;cio, concluir que n&atilde;o h&aacute; espa&ccedil;o p&uacute;blico dispon&iacute;vel para que todos utilizem diariamente o autom&oacute;vel. O consumo de solo urbano no modelo de mobilidade baseado no autom&oacute;vel particular &eacute; muito maior do que no modelo baseado no transporte coletivo. Se a cidade foi pensada para o carro, ent&atilde;o se pressup&otilde;e que todos poderiam ter e usar seu carro na cidade para seus deslocamentos cotidianos. Mas o processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o das metr&oacute;poles brasileiras tem como pressuposto a desigualdade ambiental, que integra seu sistema de desigualdades sociais. Enquanto os impactos deste padr&atilde;o de mobilidade puderem ser repassados para outros grupos sociais, aqueles que se beneiciam do modelo n&atilde;o t&ecirc;m grande interesse em mudan&ccedil;as significativas. A preocupa&ccedil;&atilde;o do amplo acesso do autom&oacute;vel &agrave;s classes sociais antes sem possibilidade &eacute; anacr&ocirc;nica se n&atilde;o for considerado esse quadro. Questionase assim a abordagem simplficada do tema, que focaliza de forma isolada a perspectiva dos investimentos em estruturas vi&aacute;rias e t&eacute;cnicas dos sistemas de transporte coletivo.</font></p>  	    <p><font face="verdana" size="3"><b>Urbaniza&ccedil;&atilde;o dispersa e caracter&iacute;sticas da metr&oacute;pole contempor&acirc;nea</b></font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">A metropoliza&ccedil;&atilde;o e a dispers&atilde;o urbana tornaram o sistema de mobilidade, que antes era secund&aacute;rio na rela&ccedil;&atilde;o e deini&ccedil;&atilde;o entre as formas de moradia e formas de trabalho, em um elemento estruturador destes sistemas no tecido urbano. As</font> <font face="verdana" size="2">mudan&ccedil;as no sistema de mobilidade se inserem neste processo de transforma&ccedil;&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o &agrave;s novas realidades e tamb&eacute;m ao novo ciclo econ&ocirc;mico do contexto nacional, desencadeado na segunda metade do s&eacute;culo passado. Este processo trouxe impactos sociais e ambientais, que resultaram na altera&ccedil;&atilde;o dos padr&otilde;es de deslocamento cotidiano, alterando modos de circula&ccedil;&atilde;o, gest&atilde;o do transporte e do tr&acirc;nsito, e desencadeando novas conigura&ccedil;&otilde;es do tecido urbano.</font></p>      <p><font face="verdana" size="2">Quando falamos de mobilidade urbana estamos falando do tecido urbano din&acirc;mico, onde a moradia n&atilde;o pode ser considerada um ponto ixo e a realidade metropolitana segue em cont&iacute;nuo processo de mudan&ccedil;as. A urbaniza&ccedil;&atilde;o dispersa da metr&oacute;pole refor&ccedil;ou a din&acirc;mica que relaciona fortemente as condi&ccedil;&otilde;es de moradia, trabalho e renda, e as formas de circula&ccedil;&atilde;o. A mobilidade na metr&oacute;pole n&atilde;o pode ser considerada aleat&oacute;ria, a partir de uma escolha individual, e a transforma&ccedil;&atilde;o do tecido urbano disperso se insere numa l&oacute;gica de reestrutura&ccedil;&atilde;o das formas de habitar, de produzir, de se deslocar e de organizar a vida cotidiana. Juntamente com este processo, verficamse como caracter&iacute;sticas da metr&oacute;pole brasileira, e igualmente das demais latino&#45;americanas, o aumento constante do crescimento de prec&aacute;rias periferias residenciais de baixa renda e a prolifera&ccedil;&atilde;o de por&ccedil;&otilde;es auto&#45;segregadas de resid&ecirc;ncias de mais alta renda, assim como a acessibilidade desigual &agrave;s oportunidades e amenidades urbanas.</font></p>  	    <p><font face="verdana" size="2">Algumas caracter&iacute;sticas deste novo modelo territorial, relacionado com a expans&atilde;o da mobilidade ocorrida a partir da d&eacute;cada de 70, incluem uma expans&atilde;o f&iacute;sica sem precedentes, a fragmenta&ccedil;&atilde;o, especializa&ccedil;&atilde;o e complexidade crescente do espa&ccedil;o urbano (Garc&iacute;a Palomares, 2008). Nos espa&ccedil;os metropolitanos as transforma&ccedil;&otilde;es territoriais e sociais criam necessidades de se alcan&ccedil;ar um n&uacute;mero maior de destinos para uma variedade maior de atividades, agora mais dispersos e distantes. O desenvolvimento dos meios de transporte e comunica&ccedil;&otilde;es alarga as dist&acirc;ncias cotidianas, multiplicando as possibilidades de escolha para uma parte da popula&ccedil;&atilde;o: o lugar da resid&ecirc;ncia, a localiza&ccedil;&atilde;o do trabalho, as rela&ccedil;&otilde;es pessoais, todos a partir de uma multiplicidade da mobilidade (Ascher, 1995).</font></p>  	    <p><font face="verdana" size="2">A descentraliza&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m segue com a implementa&ccedil;&atilde;o de novos espa&ccedil;os de atra&ccedil;&atilde;o na periferia, induzindo e sendo induzidos por este processo de dispers&atilde;o, como grandes centros de consumo, servi&ccedil;os do terci&aacute;rio avan&ccedil;ado, centros de lazer, centros complexos de resid&ecirc;ncia, lazer e servi&ccedil;os, etc. Para o caso das metr&oacute;poles do hemisf&eacute;rio sul mant&ecirc;mse nos centros tradicionais espa&ccedil;os de atra&ccedil;&atilde;o de viagens, tornando complexo tamb&eacute;m o entendimento dos luxos e din&acirc;micas de viagens centro&#45;periferia.</font></p>  	    <p><font face="verdana" size="2">As oportunidades geradas pela economia metropolitana s&atilde;o melhores aproveitadas com o incremento da capacidade de deslocamentos cotidianos. Grupos de popula&ccedil;&atilde;o com maior n&iacute;vel de renda e capacidade de deslocamentos aumentam suas oportunidades econ&ocirc;micas, enquanto que os grupos de mais baixa renda, cada vez mais numerosos, s&atilde;o submetidos a uma desigualdade de mobilidade e acesso &agrave; cidade, que tornam suas oportunidades econ&ocirc;micas ainda mais reduzidas. Assim, associase um processo de desigualdade social &agrave; desigualdade ambiental nas metr&oacute;poles.</font></p>  	    <p><font face="verdana" size="2">A mudan&ccedil;a das rela&ccedil;&otilde;es de apropria&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o &eacute; outro ponto chave e dial&eacute;tico na percep&ccedil;&atilde;o dos problemas ambientais urbanos. O bairro deixa de ser a unidade urbana da proximidade e os guetos que v&atilde;o se formando passam a estruturar pequenas comunidades. Esta fragmenta&ccedil;&atilde;o acontece tanto para as camadas de maior renda, a partir dos condom&iacute;nios fechados e em um processo de auto&#45;segrega&ccedil;&atilde;o, quanto para comunidades de baixa renda, segregadas do restante da cidade pela condi&ccedil;&atilde;o prec&aacute;ria dos seus assentamentos. A desigualdade ambiental se acentua com o avan&ccedil;o deste novo padr&atilde;o de apropria&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano.</font></p>      <p><font face="verdana" size="2">Assim, o desenvolvimento urbano disperso caracterizado por descontinuidades f&iacute;sicas e territoriais marca a nova estrutura espacial urbana. Este novo tecido, desmembrado e esgar&ccedil;ado s&oacute; pode ser recomposto e viabilizado a partir do incremento de seus luxos e o sistema de mobilidade &eacute; o estruturante desta nova din&acirc;mica metropolitana. A rela&ccedil;&atilde;o rec&iacute;proca e circular da estrutura&ccedil;&atilde;o e dos estruturantes destas transforma&ccedil;&otilde;es &eacute; o ponto chave para as an&aacute;lises do tema da mobilidade na nova din&acirc;mica metropolitana (Miralles, 2002).</font></p>  	    <p><font face="verdana" size="2">Nesta nova realidade, temse um trip&eacute; constitu&iacute;do pelos novos padr&otilde;es de moradia, pelas transforma&ccedil;&otilde;es das rela&ccedil;&otilde;es e espacializa&ccedil;&otilde;es do trabalho, e pela expans&atilde;o das tecnologias e redes de infraestrutura de deslocamento e transporte. Estas vari&aacute;veis afetam diretamente as outras dimens&otilde;es da vida urbana.</font></p> 	    <p align="center"><img src="/fbpe/img/eure/v38n113/fig4.1.gif" width="531" height="364"></p>     
<p><font face="verdana" size="2">A melhora nas condi&ccedil;&otilde;es de deslocamento pode gerar possibilidades de melhores postos de trabalho e renda, condi&ccedil;&otilde;es de moradia e inser&ccedil;&atilde;o na metr&oacute;pole, melhorando assim sua capacidade de mobilidade. Um acesso &agrave; moradia adequada abre a possibilidade de conseguir um bom emprego e renda, melhorando sua capacidade</font> <font face="verdana" size="2">de deslocamento e mobilidade, e amplia por sua vez a possibilidade de ter moradia de melhor qualidade. Quanto mais facilitado o acesso ao trabalho decente e &agrave; renda, mais f&aacute;cil se torna o acesso &agrave; moradia, ampliando a possibilidade de mobilidade cotidiana e acesso &agrave; cidade. Esta abordagem trata das desigualdades setorizadas como inclu&iacute;das e compondo um sistema. Assim, a desigualdade social &eacute; um sistema de desigualdades, que &eacute; diminu&iacute;do a cada inser&ccedil;&atilde;o positiva em um dos setores, sendo tamb&eacute;m v&aacute;lida a afirma&ccedil;&atilde;o para as inser&ccedil;&otilde;es negativas. A desigualdade urbana se ameniza a cada inser&ccedil;&atilde;o positiva nos tr&ecirc;s principais eixos de caracteriza&ccedil;&atilde;o do padr&atilde;o de mobilidade cotidiana &#45; renda/trabalho, moradia, transportes/deslocamentos, e amplia o acesso &agrave; cidade. A partir disto se associam outros sistemas de desigualdade, como educa&ccedil;&atilde;o, cultura, consumo, sa&uacute;de, sendo estes fortemente influenciados pelo trip&eacute; moradia/renda/transporte.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">Entretanto, em um contexto de sistemas de desigualdade que interagem entre si, &eacute; limitado o alcance das a&ccedil;&otilde;es isoladas no enfrentamento de um problema setorial. Tomese, por exemplo, a interven&ccedil;&atilde;o no sistema de transporte, que pode levar a um resultado contr&aacute;rio ao inicialmente pretendido, com a expuls&atilde;o dos mais pobres das regi&otilde;es mais acess&iacute;veis. Assim, o que se pretendia como inser&ccedil;&atilde;o positiva, acaba n&atilde;o se concretizando, por n&atilde;o levar em conta a din&acirc;mica sist&ecirc;mica dos processos de desigualdade social.</font></p>  	    <p><font face="verdana" size="2">Como um elemento importante nesta discuss&atilde;o, o desenvolvimento da estrutura fundi&aacute;ria das terras urbanas &eacute; a base deste sistema de desigualdade ambiental urbana nas cidades brasileiras, deinindo as formas de distribui&ccedil;&atilde;o e apropria&ccedil;&atilde;o do solo urbano. Este desenvolvimento se deu a partir do pressuposto da desigualdade de acesso &agrave; terra entre os diferentes extratos sociais e no desenvolvimento de uma economia estruturada para a concentra&ccedil;&atilde;o de riquezas. Em v&aacute;rios momentos hist&oacute;ricos, com a justificativa de estimular o desenvolvimento e a utiliza&ccedil;&atilde;o produtiva e rent&aacute;vel do solo &#151;tanto rural como urbano&#151; a transfer&ecirc;ncia de terras anteriormente p&uacute;blicas foi facilitada para aqueles que dispunham de recursos inanceiros. Onde antes o escravo era o principal indicador e gerador de riquezas, ap&oacute;s a aboli&ccedil;&atilde;o as terras passaram a ser o principal capital sendo mesmo seu valor de propriedade sobreposto ao valor de uso. A terra urbana tem seu valor determinado, sobretudo por sua localiza&ccedil;&atilde;o na cidade. A varia&ccedil;&atilde;o deste valor se baseou historicamente nos investimentos e infraestrutura urbana, fazendo com que a proximidade destes equipamentos urbanos gerasse o aumento dos pre&ccedil;os da terra. Assim, a cria&ccedil;&atilde;o de n&uacute;cleos de segrega&ccedil;&atilde;o e distin&ccedil;&atilde;o social nas &aacute;reas urbanas foi uma constante nas cidades brasileiras.</font></p>  	    <p><font face="verdana" size="2">Com a metropoliza&ccedil;&atilde;o e a complexifica&ccedil;&atilde;o da din&acirc;mica urbana, associada a novos equipamentos tecnol&oacute;gicos de comunica&ccedil;&atilde;o e deslocamento, a caracter&iacute;stica central de valoriza&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria deixa de ser a proximidade, e passa a ser a acessibilidade. Assim, os equipamentos de deslocamento e transporte urbanos passam a ser os principais orientadores da l&oacute;gica de valoriza&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria. Como no Brasil a infraestrutura urbana de deslocamento e transporte &eacute; feita pelo estado, este passa</font> <font face="verdana" size="2">a ser um parceiro necess&aacute;rio aos capitais para a orienta&ccedil;&atilde;o do valor imobili&aacute;rio. Esta orienta&ccedil;&atilde;o do valor pelo investimento em infraestrutura tem um efeito mais acentuado nas cidades brasileiras e latino&#45;americanas, onde a regula&ccedil;&atilde;o do uso e ocupa&ccedil;&atilde;o do solo urbano historicamente acontece para assegurar a qualidade de lugares j&aacute; valorizados. Aqueles que n&atilde;o possuem ainda este valor comercial elevado pelas infraestruturas n&atilde;o s&atilde;o objeto de fiscaliza&ccedil;&atilde;o ou interven&ccedil;&atilde;o do estado. Isto acontece porque ao longo da hist&oacute;ria, e tamb&eacute;m atualmente, os governos vincularamse aos interesses daqueles que possuem maior poder econ&ocirc;mico. Associado a este contexto, a ind&uacute;stria automobil&iacute;stica e petroqu&iacute;mica foram tomadas como eixos do desenvolvimento industrial brasileiro nos &uacute;ltimos 50 anos. A economia ica assim vinculada &agrave; produ&ccedil;&atilde;o e consumo crescente destes artefatos industriais, tendo o autom&oacute;vel particular como um dos principais setores rent&aacute;veis. As pol&iacute;ticas de planejamento e projetos urbanos tiveram o autom&oacute;vel como par&acirc;metro de projeto e de orienta&ccedil;&atilde;o para novas expans&otilde;es urbanas.</font></p>      <p><font face="verdana" size="2">Assim, a vincula&ccedil;&atilde;o dos grandes poderes econ&ocirc;micos com a governan&ccedil;a da cidade &eacute; uma f&oacute;rmula eiciente de orientar a produ&ccedil;&atilde;o de valor da terra e garantir sua apropria&ccedil;&atilde;o. Para o modelo de deslocamento urbano, o autom&oacute;vel individual foi a op&ccedil;&atilde;o historicamente adotada. A simbiose entre o poder do estado e os interesses privados produziu, e ainda produz no Brasil uma desigualdade urbana abissal entre &aacute;reas consideradas de ricos e &aacute;reas consideradas de pobres, entre o modelo de deslocamento de rico &#151;o autom&oacute;vel&#151; e o modelo de deslocamento de pobres &#151; o transporte p&uacute;blico. As &aacute;reas que n&atilde;o possuem 'poder de mercado' n&atilde;o s&atilde;o objeto de preocupa&ccedil;&atilde;o do ponto de vista dos investimentos e melhorias. As regi&otilde;es de pior capacidade ambiental de urbaniza&ccedil;&atilde;o s&atilde;o transferidas para aqueles que n&atilde;o podem pagar o pre&ccedil;o de mercado. Em um processo interdependente, as &aacute;reas que possuem mais infraestrutura urbana para os deslocamentos, s&atilde;o os lugares ocupados, sobretudo, pelos ricos &#45; que usam majoritariamente o autom&oacute;vel, e por outro lado, onde moram os ricos, s&atilde;o destinados maiores investimentos em desenvolvimento e manuten&ccedil;&atilde;o da infraestrutura de deslocamento e transporte coletivo.</font></p>  	    <p><font face="verdana" size="2">Em s&iacute;ntese, destacamse algumas caracter&iacute;sticas da estrutura de S&atilde;o Paulo, que s&atilde;o encontradas tamb&eacute;m em outras metr&oacute;poles latino&#45;americanas:</font></p>  	    <p><font face="verdana" size="2">&bull;&nbsp;O uso do autom&oacute;vel tem um incremento acentuado e constante e o seu apelo simb&oacute;lico como representa&ccedil;&atilde;o social &eacute; muito forte;</font></p>  	    <p><font face="verdana" size="2">&bull;&nbsp;A mobilidade residencial, traduzida numa migra&ccedil;&atilde;o intraurbana do centro para as periferias prec&aacute;rias, &eacute; acentuada. O pre&ccedil;o elevado de moradias nos locais centrais ou com mais infraestrutura faz com que este movimento em dire&ccedil;&atilde;o a &aacute;reas perif&eacute;ricas seja cada vez mais intensficado. Para as camadas de menor renda, este movimento tem como destino as &aacute;reas menos valorizadas e com menor infraestrutura urbana. Para as classes de maior poder aquisitivo, ocorre a busca por novas formas de moradia, aliando menores densidades e caracter&iacute;sticas simb&oacute;licas de qualidade de vida e seguran&ccedil;a, localiza&ccedil;&otilde;es estra</font><font face="verdana" size="2">t&eacute;gicas tanto de acesso a eixos de infraestrutura rodovi&aacute;ria e tamb&eacute;m de transporte p&uacute;blico de massa;</font></p>      <p><font face="verdana" size="2">&bull;&nbsp;Os locais de moradia dos trabalhadores s&atilde;o cada vez mais afastados da cidade consolidada e dos empregos formais, e esta caracter&iacute;stica cria eixos saturados de deslocamento cotidiano;</font></p>  	    <p><font face="verdana" size="2">&bull;&nbsp;Surgem novos artefatos urbanos e empreendimentos privados afastados do centro consolidado, tendo o autom&oacute;vel como par&acirc;metro de projeto. Esta caracter&iacute;stica gera espa&ccedil;os coletivos onde seu uso se torna exclusivo das camadas de maior renda e distancia a rua como espa&ccedil;o p&uacute;blico e heterog&ecirc;neo;</font></p>  	    <p><font face="verdana" size="2">&bull;&nbsp;As camadas de menor renda n&atilde;o t&ecirc;m o leque de escolha dos fatores de custo e de tempo nos deslocamentos para as suas op&ccedil;&otilde;es de moradia. Isto acarreta uma nova forma de desigualdade, onde as pessoas de maior renda moram em uma metr&oacute;pole dispersa, mas com maior mobilidade, enquanto que as camadas mais pobres moram igualmente em um tecido urbano disperso, marcado pelas grandes dist&acirc;ncias, por&eacute;m com pouca mobilidade. Assim, as camadas mais pobres, comprometem uma maior parcela de seus rendimentos e de tempo para seus deslocamentos di&aacute;rios.</font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="3"><b>O c&iacute;rculo vicioso</b></font></p>      <p><font face="verdana" size="2">A partir da d&eacute;cada de 90, as metr&oacute;poles brasileiras apresentam a caracter&iacute;stica de aumento acentuado do uso do autom&oacute;vel. Acontece o que podemos descrever como c&iacute;rculo vicioso, onde a desigualdade da urbaniza&ccedil;&atilde;o e a degrada&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os p&uacute;blicos decorrente s&atilde;o cada vez mais refor&ccedil;adas entre si.</font></p>  	    <p><font face="verdana" size="2">Tomando S&atilde;o Paulo como exemplo, e contrariando o senso comum, encontramse maiores densidades populacionais em bairros afastadas das &aacute;reas centrais com as maiores densidades de emprego. Isto leva a grandes demandas de deslocamento da periferia em dire&ccedil;&atilde;o &agrave;s &aacute;reas centrais da metr&oacute;pole. Como mostra a <a href="#tab1">Tabela 01</a>, a maioria das viagens motorizadas ainda &eacute; realizada em transporte coletivo, predominantemente sobre pneus, que disputa o espa&ccedil;o do sistema vi&aacute;rio com os carros e &eacute;, portanto, bastante sens&iacute;vel ao aumento do n&uacute;mero de autom&oacute;veis particulares em circula&ccedil;&atilde;o.</font></p> 	    <p align="center"><a name="tab1"></a>    <br> 	  <img src="/fbpe/img/eure/v38n113/tab4.1.gif" width="668" height="950"></p>     
<p><font face="verdana" size="2">Para as pessoas de mais alta renda, o transporte p&uacute;blico n&atilde;o &eacute; considerado como op&ccedil;&atilde;o. As pessoas de classe m&eacute;dia &#151;que usualmente almejam o padr&atilde;o de vida de alta renda&#151; tratam a aquisi&ccedil;&atilde;o do carro como uma conquista. A preocupa&ccedil;&atilde;o das classes dominantes em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; mobilidade na metr&oacute;pole se foca assim na sua necessidade de deslocamento e na sua modalidade de transporte.</font></p>  	    <p><font face="verdana" size="2">O padr&atilde;o de mobilidade desigual segue a l&oacute;gica do processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o da metr&oacute;pole. Para os lugares mais prec&aacute;rios, com pouca infraestrutura, o atendimento do transporte p&uacute;blico tamb&eacute;m &eacute; prec&aacute;rio. Ent&atilde;o, quando o cidad&atilde;o v&ecirc; a oportunidade de aumentar a sua mobilidade e seu conforto a partir da aquisi&ccedil;&atilde;o do carro, mesmo que isto comprometa boa parte de seu or&ccedil;amento familiar, ele o faz. Com</font> <font face="verdana" size="2">um pequeno aumento da renda individual, aliado a facilidades de inanciamento e redu&ccedil;&atilde;o do pre&ccedil;o inal dos autom&oacute;veis, como aconteceu nos &uacute;ltimos anos, aumenta tamb&eacute;m a posse e utiliza&ccedil;&atilde;o do autom&oacute;vel como op&ccedil;&atilde;o de mobilidade.</font>      <p><font face="verdana" size="2">Com mais autom&oacute;veis na rua, cresce o n&uacute;mero de congestionamentos, que por sua vez afeta diretamente o custo, a frequ&ecirc;ncia, o tempo de viagem, e a condi&ccedil;&atilde;o de conforto dos usu&aacute;rios dos &ocirc;nibus. O &ocirc;nibus demora mais para passar, demora mais para chegar ao seu destino, circula lotado e com custos mais altos. A m&aacute; qualidade do transporte coletivo e a disputa do espa&ccedil;o da rua com o crescente n&uacute;mero de autom&oacute;veis se associam a um ambiente urbano polu&iacute;do e agressivo. Assim, aquele que mais sofre os efeitos da op&ccedil;&atilde;o pelo autom&oacute;vel &eacute; aquele que n&atilde;o possui autom&oacute;vel, que anda a p&eacute;, de bicicleta, e transporte p&uacute;blico. Mais uma vez, temos o refor&ccedil;o no incentivo ao uso do autom&oacute;vel, que tem como caracter&iacute;stica o isolamento da pessoa em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es ambientais do espa&ccedil;o exterior. No carro, a pessoa se sente em seu espa&ccedil;o privado, com mais conforto, se protege do ru&iacute;do perturbador da rua, da polui&ccedil;&atilde;o atmosf&eacute;rica, da m&aacute; adequa&ccedil;&atilde;o bioclim&aacute;tica dos espa&ccedil;os urbanos &#45; a exemplo das ilhas de calor em S&atilde;o Paulo e das condi&ccedil;&otilde;es prec&aacute;rias das cal&ccedil;adas &#45; e ainda das outras pessoas, em face de uma ilus&oacute;ria sensa&ccedil;&atilde;o de prote&ccedil;&atilde;o contra a viol&ecirc;ncia. Mais carros nas ruas, e mais ruas para carros, alimentam assim o c&iacute;rculo vicioso.</font></p>     <p align="center"><img src="/fbpe/img/eure/v38n113/fig4.2.gif" width="530" height="477"></p>     
<p align="center"><img src="/fbpe/img/eure/v38n113/fig4.3.gif" width="526" height="453"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="3"><b>O c&iacute;rculo vicioso da desigualdade na mobilidade cotidiana em S&atilde;o Paulo</b></font></p>      <p><font face="verdana" size="2">O problema dos deslocamentos na cidade vem sendo tratado por uma especialidade de planejamento que nasceu da necessidade de incremento da fluidez do tr&aacute;fego, pela t&eacute;cnica de planejamentos de transportes desenvolvida pelos Estados Unidos e difundida desde a d&eacute;cada de 50.</font></p>  	    <p><font face="verdana" size="2">No Brasil n&atilde;o foi diferente. Estudos de proje&ccedil;&atilde;o de demanda de sistemas de vias foram posteriormente incorporando outras vari&aacute;veis, e o planejamento dos transportes p&uacute;blicos passou a ser incorporado pela t&eacute;cnica do planejamento de tr&aacute;fego. O uso do autom&oacute;vel passou a ser tomado como uma premissa das pol&iacute;ticas urbanas. Na maioria das metr&oacute;poles, e em S&atilde;o Paulo isto &eacute; muito mais acentuado, o planejamento de tr&aacute;fego sempre teve maior abrang&ecirc;ncia e poder para determinar as prioridades de investimento, em geral focadas na corre&ccedil;&atilde;o da estrutura vi&aacute;ria para o tr&aacute;fego crescente. Historicamente, a solu&ccedil;&atilde;o para os congestionamentos tem sido a constru&ccedil;&atilde;o de mais vias, viadutos, abertura de ruas, e obras de adequa&ccedil;&atilde;o de demanda de tr&aacute;fego em geral. O sistema de transporte p&uacute;blico, que em S&atilde;o Paulo e tamb&eacute;m nas demais capitais latino&#45;americanas tem o &ocirc;nibus como principal modalidade, vem a reboque desta orienta&ccedil;&atilde;o, inserida como mais um ve&iacute;culo no c&aacute;lculo da din&acirc;mica destes <i>fluidos</i> (a Companhia de Engenharia de Tr&aacute;fego &#91;CET&#93;</font> <font face="verdana" size="2">da cidade de S&atilde;o Paulo calcula 1 &ocirc;nibus equivalente a 2 carros). Nas &uacute;ltimas duas d&eacute;cadas, com o fortalecimento da ind&uacute;stria automobil&iacute;stica na economia do pa&iacute;s e os incentivos para este setor, com o sucateamento dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos na d&eacute;cada de 80, o crescimento da motoriza&ccedil;&atilde;o deu um salto. Agora ter um carro n&atilde;o &eacute; um privil&eacute;gio de elite, &eacute; um desejo de todos. Este processo desembocou no quadro atual de verdadeira calamidade da mobilidade urbana paulistana. Ent&atilde;o, o modelo mostra sua vertente baseada na desigualdade social: &eacute; um modelo criado para beneficiar poucos, e n&atilde;o se pode generalizar.</font></p>      <p><font face="verdana" size="2">Falase muito do n&uacute;mero de ve&iacute;culos emplacados por dia na cidade de S&atilde;o Paulo, onde temos n&uacute;meros desde 500 a 1000 carros emplacados por dia para os anos a partir de 2007. Segundo o site do Departamento Estadual de Tr&acirc;nsito de S&atilde;o Paulo (Detran), a frota somente de autom&oacute;veis particulares na capital em janeiro de 2011 foi de 5.103.295. Em janeiro de 2008 o n&uacute;mero era de 4.512.118.<sup><a name="t2"></a><a href="#n2">2</a></sup></font></p>     <p align="center"><img src="/fbpe/img/eure/v38n113/fig4.4.gif" width="523" height="271"></p>     
<p align="center"><img src="/fbpe/img/eure/v38n113/fig4.5.gif" width="525" height="264"></p>     
<p><font face="verdana" size="2">A velocidade m&eacute;dia dos carros na capital caiu de 29 para 27 km/h, de 2006 para 2007, nos hor&aacute;rios de pico. J&aacute; em 2007, os &ocirc;nibus se locomoviam com 12 km/h, de acordo com o sindicato SP&#45;Urbanus, de empresas de transporte urbano.</font></p>     <p align="center"><img src="/fbpe/img/eure/v38n113/tab4.2.gif" width="658" height="278"></p>     
<p><font face="verdana" size="2">Os picos de lentid&atilde;o praticamente se mantiveram apesar do aumento de 7% no emplacamento de ve&iacute;culos particulares de passeio a partir do in&iacute;cio de 2008. Destacase, por&eacute;m, que o monitoramento limitase a uma parcela da cidade, concentrado nos setores de maior renda, como pode ser observado quando comparadas as <a href="#fig11">Figuras 11 </a>e <a href="#fig12">12</a>.</font></p>     <p align="center"><img src="/fbpe/img/eure/v38n113/fig4.6.gif" width="530" height="418"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/fbpe/img/eure/v38n113/fig4.7.gif" width="538" height="688"></p>     
<p><font face="verdana" size="2">A capacidade de acomodar ve&iacute;culos nas ruas da S&atilde;o Paulo na &aacute;rea coberta pela pesquisa da CET, ou seja, a zona sudoeste da capital est&aacute; em seu limite desde 2007, quando se estabilizou a m&eacute;dia deste &iacute;ndice. Qualquer evento diferenciado nesta por&ccedil;&atilde;o que incentive o uso do autom&oacute;vel particular leva a cidade a ter um grande congestionamento, a exemplo do recorde de 293 km de lentid&atilde;o numa tarde de ter&ccedil;a feira (10 de junho de 2009), combinando v&eacute;spera de feriado, acidentes e dia chuvoso.</font></p>     <p align="center"><img src="/fbpe/img/eure/v38n113/fig4.8.gif" width="522" height="415"></p>     
<p><font face="verdana" size="2">Quem precisa mais do carro s&atilde;o as pessoas que moram mais longe da infraestrutura de transporte, que coincide em S&atilde;o Paulo, com as &aacute;reas habitadas pelos mais pobres. Quem mora em grandes eixos de transporte, seja uma grande avenida onde podem passar eixos de &ocirc;nibus de grande capacidade, sejam linhas de trem ou metr&ocirc;, em geral s&atilde;o pessoas que conseguem pagar o pre&ccedil;o da valoriza&ccedil;&atilde;o que esta infraestrutura gera para a terra urbana, nas leis de mercado que traduz a din&acirc;mica da metr&oacute;pole contempor&acirc;nea. As classes de maior renda tanto moram perto das &aacute;reas de maior acessibilidade pelo transporte coletivo ou eixos rodovi&aacute;rios quanto usam predominantemente o transporte individual. Quando menor a renda, mais dependente &eacute; do sistema de transporte coletivo. N&atilde;o &eacute; novidade, por exemplo, para nenhum paulistano que, aonde chega o metr&ocirc;, saem os pobres. A pesquisa de Cardoso (2009a) mostra os dados demogr&aacute;ficos de 1997 e de 2007 da Pesquisa Origem Destino do Metr&ocirc; e revela que a valoriza&ccedil;&atilde;o das regi&otilde;es do entorno das esta&ccedil;&otilde;es de metr&ocirc; expulsa as fam&iacute;lias mais pobres e abre caminho para a ocupa&ccedil;&atilde;o de fam&iacute;lias menores e que ocupam mais &aacute;rea constru&iacute;da por pessoa, diminuindo a densidade populacional destas localidades.</font></p>      <p><font face="verdana" size="2">Em reportagem ao jornal <i>Folha de S&atilde;o Paulo</i> (17&#45;01&#45;10) s&atilde;o apresentados depoimentos de proissionais da &aacute;rea de incorpora&ccedil;&otilde;es imobili&aacute;rias onde declaram que o an&uacute;ncio das obras de uma esta&ccedil;&atilde;o de metr&ocirc; valoriza imediatamente em 10% os lan&ccedil;amentos imobili&aacute;rios pr&oacute;ximos, e quando a melhoria urbana &eacute; entregue, o valor dos im&oacute;veis lan&ccedil;ados sobe 30% a 40%.</font></p>  	    <p><font face="verdana" size="2">Esta realidade do acesso &agrave; terra e &agrave; moradia na estrutura&ccedil;&atilde;o metropolitana tamb&eacute;m precisa ser colocada na pauta das discuss&otilde;es sobre a mobilidade urbana. Neste contexto est&aacute; a consolida&ccedil;&atilde;o do movimento pendular de v&aacute;rias &aacute;reas residenciais da periferia da metr&oacute;pole. Analisando o mapa de densidade de empregos na Regi&atilde;o Metropolitana de S&atilde;o Paulo (RMSP) e comparandoo com a densidade demogr&aacute;fica, notase que todos os dias uma multid&atilde;o que mora nas periferias precisa sair em hor&aacute;rios parecidos (o hor&aacute;rio de pico da manh&atilde;) de suas moradias e dirigirse para a regi&atilde;o central e sudeste de S&atilde;o Paulo, onde est&aacute; a maior concentra&ccedil;&atilde;o de emprego.</font></p> 	    <p align="center"><img src="/fbpe/img/eure/v38n113/fig4.9.gif" width="520" height="445"></p>     
<p><font face="verdana" size="2">Est&aacute; tamb&eacute;m nesta regi&atilde;o de maior densidade de empregos uma maior concentra&ccedil;&atilde;o de pessoas de classe de renda m&eacute;dia e alta. Na d&eacute;cada de 70, este movimento pendular j&aacute; demonstrava a satura&ccedil;&atilde;o dos sistemas de transporte p&uacute;blico. Na d&eacute;cada de 80, Affonso (1985) fez um balan&ccedil;o desta condi&ccedil;&atilde;o do transporte p&uacute;blico desde a d&eacute;cada anterior atrav&eacute;s dos v&aacute;rios movimentos organizados de reivindica&ccedil;&atilde;o da melhoria do sistema. A precariedade nas formas e caracter&iacute;sticas de deslocamento do trabalhador que mora na regi&atilde;o do extremo&#45;leste e sul da metr&oacute;pole &eacute; hist&oacute;rica, sendo "o atual caos no tr&acirc;nsito em S&atilde;o Paulo" uma vis&atilde;o recortada deste processo, voltada para as formas de deslocamento da classe dominante. O que desencadeia hoje este discurso do caos da mobilidade em S&atilde;o Paulo &eacute; que a demora nos desloca</font><font face="verdana" size="2">e&ccedil;ou a afetar tamb&eacute;m as pessoas que usam regularmente o carro e circulam pela regi&atilde;o centro&#45;oeste, apesar da precariedade das formas de deslocamento das camadas trabalhadoras serem hist&oacute;ricas e, ainda hoje, a lentid&atilde;o afetar muito mais quem usa transporte coletivo. O sistema que foi constru&iacute;do s&oacute; pode funcionar se a desigualdade for mantida. Muitos precisam se sujeitar a uma estrutura urbana desigual, a um sistema de transporte saturado e sem prioridade em rela&ccedil;&atilde;o ao autom&oacute;vel para que outros possam continuar se deslocando rapidamente para se apropriar das oportunidades urbanas. Uma cidade que mede a sua capacidade de transporte pela quantidade de congestionamentos nas vias, como &eacute; o caso de S&atilde;o Paulo, claramente mostra onde est&aacute; seu foco de preocupa&ccedil;&atilde;o: a fluidez do tr&aacute;fego de autom&oacute;veis.</font></p>     <p align="center"><img src="/fbpe/img/eure/v38n113/fig4.10.gif" width="646" height="551"></p>     
<p><font face="verdana" size="2">Outra caracter&iacute;stica alarmante neste modelo de mobilidade &eacute; a viol&ecirc;ncia no tr&acirc;nsito. Segundo a CET, em 2008 morreram 1.463 pessoas no tr&acirc;nsito paulistano. Os atropelamentos foram o tipo de ocorr&ecirc;ncia mais comum, sendo 27,4% do total de ocorr&ecirc;ncias. Foram registrados 7.602 atropelamentos e 658 resultaram em mortes. Ou seja, da mesma forma que os atingidos pela polui&ccedil;&atilde;o do ar, a maioria dos atingidos pela viol&ecirc;ncia no transito n&atilde;o s&atilde;o os motorizados.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">Vasconcelos (1996) demonstra de forma clara como se d&aacute; a desigualdade da ocupa&ccedil;&atilde;o de &aacute;rea urbana para quem usa o sistema de transporte coletivo e quem usa o carro em S&atilde;o Paulo. A partir da ocupa&ccedil;&atilde;o est&aacute;tica (ve&iacute;culos parados), o autor analisa a apropria&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas urbanas pelo carro particular e pelo &ocirc;nibus. Como o carro tem</font> <font face="verdana" size="2">uma ocupa&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia de 1,5 pessoas, a &aacute;rea urbana utilizada ser&aacute; de 4,6 m<sup>2</sup> por pessoa (considerando um ve&iacute;culo de 7 m<sup>2</sup>). Em um &ocirc;nibus, o autor usou uma taxa de 0,60 m<sup>2</sup> por pessoa. Desta compara&ccedil;&atilde;o j&aacute; podemos ver que uma pessoa dentro de um carro ocupa cerca de oito vezes mais espa&ccedil;o urbano que uma pessoa dentro de um &ocirc;nibus. Se a compara&ccedil;&atilde;o for feita para os ve&iacute;culos em movimento esta rela&ccedil;&atilde;o pode ir a 10 vezes. Este dado se associa tamb&eacute;m ao conforto das pessoas. A CET, em conformidade com v&aacute;rios estudos internacionais e com as especifica&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Normas T&eacute;cnicas (ABNT), utiliza como limite para o n&iacute;vel bom da lota&ccedil;&atilde;o do &ocirc;nibus a raz&atilde;o de 6,23 passageiros em p&eacute; por metro quadrado de &ocirc;nibus padr&atilde;o, excluindose deste c&aacute;lculo as &aacute;reas de comando (motorista), degraus, motor, &aacute;rea das portas, catraca e cobran&ccedil;a.<sup><a name="t3"></a><a href="#n3">3</a></sup> Algumas fontes, como reportagens da ag&ecirc;ncia Globo de not&iacute;cias<sup><a name="t4"></a><a href="#n4">4</a></sup> mostram que em hor&aacute;rio de pico o metr&ocirc; de S&atilde;o Paulo chega a ultrapassar 9 pessoas por m<sup>2</sup>. Apesar de n&atilde;o temos fontes que fa&ccedil;am a medi&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o &eacute; nenhum absurdo dizer que a lota&ccedil;&atilde;o dos &ocirc;nibus em hor&aacute;rio de pico &eacute; similar ao do metr&ocirc;, com o agravante das condi&ccedil;&otilde;es de acelera&ccedil;&atilde;o, frenagem e solavancos da viagem.</font></p>     <p align="center"><img src="/fbpe/img/eure/v38n113/fig4.11.gif" width="673" height="610"></p>     
<p><font face="verdana" size="2">Assim, o que pode parecer um sintoma de crise de todo o sistema de mobilidade da metr&oacute;pole, a superlota&ccedil;&atilde;o e o baixo n&iacute;vel de servi&ccedil;o do transporte coletivo n&atilde;o piorou da d&eacute;cada de 70 para c&aacute;. Alguns setores da metr&oacute;pole at&eacute; tiveram uma melhora consider&aacute;vel no que diz respeito ao transporte coletivo. O que acontece agora &eacute; que a lentid&atilde;o nos deslocamentos come&ccedil;ou a afetar a todos, mesmo que de forma assim&eacute;trica, e s&oacute; ent&atilde;o se passa a enunciar uma situa&ccedil;&atilde;o de crise nos transportes p&uacute;blicos.</font></p>      <p><font face="verdana" size="3"><b>O c&iacute;rculo virtuoso</b></font></p>  	    <p><font face="verdana" size="2">A ruptura do c&iacute;rculo vicioso &eacute; um dos desafios que se coloca. Nessa busca, conseguese desenhar, de forma hipot&eacute;tica, um c&iacute;rculo virtuoso de aumento gradativo das formas coletivas de mobilidade. Caso se conquistasse a redu&ccedil;&atilde;o signficativa do n&uacute;mero de autom&oacute;veis particulares em circula&ccedil;&atilde;o, o que aconteceria com o transporte coletivo ? Esta redu&ccedil;&atilde;o teria impacto sobretudo no sistema de transporte por &ocirc;nibus, o principal modo de deslocamento da popula&ccedil;&atilde;o paulistana. Possibilitaria o aumento da velocidade de circula&ccedil;&atilde;o dos &ocirc;nibus e, conseq&uuml;entemente, a redu&ccedil;&atilde;o do tempo de espera.<sup><a name="t5"></a><a href="#n5">5</a></sup></font></p> 	    <p align="center"><img src="/fbpe/img/eure/v38n113/fig4.12.gif" width="536" height="449"></p>     
<p><font face="verdana" size="2">Com mais espa&ccedil;o para o transporte coletivo e sem problemas de congestionamento, aliado a uma melhoria no sistema de transporte coletivo, ampliando e integrando outros modos de deslocamento, o circulo virtuoso se desenvolve. O aumento do n&iacute;vel de servi&ccedil;o do transporte coletivo pode estimular o seu uso por parte dos usu&aacute;rios de autom&oacute;vel. Com uma maior velocidade do sistema, temse um aumento da capacidade de pessoas transportadas. Com uma maior rapidez, menor espera, menor tempo gasto nos trajetos, o custo do transporte diminui, o que acarretaria uma possibilidade de queda na tarifa final. Seria poss&iacute;vel ampliar a capacidade de alcance do sistema a &aacute;reas ainda n&atilde;o suficientemente atendidas. Com uma melhor condi&ccedil;&atilde;o de n&iacute;vel de servi&ccedil;o e uma menor tarifa, mais pessoas se sentiriam motivadas a usar o sistema de transporte p&uacute;blico e deixar de usar o carro. Disto, queremos dizer que a diminui&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de carros nas ruas &eacute; uma condi&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica para a diminui&ccedil;&atilde;o da desigualdade na mobilidade.</font></p>      <p><font face="verdana" size="2">Existem algumas implica&ccedil;&otilde;es a serem consideradas nesta reflex&atilde;o sobre a diminui&ccedil;&atilde;o dos carros nas ruas:</font></p>  	    <p><font face="verdana" size="2">&bull;&nbsp;A diminui&ccedil;&atilde;o dos carros nas ruas requer medidas inibidoras do uso do carro como, por exemplo, a diminui&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o dispon&iacute;vel para o autom&oacute;vel e o aumento do espa&ccedil;o destinado ao transporte coletivo e para o pedestre e ciclista;</font></p>  	    <p><font face="verdana" size="2">&bull;&nbsp;As cidades latino&#45;americanas possuem uma estrutura&ccedil;&atilde;o de seu tecido urbano que acarreta o deslocamento de uma multid&atilde;o de pessoas da periferia residencial em dire&ccedil;&atilde;o ao seu centro pela manh&atilde;, e novamente esta multid&atilde;o se repete em sentido oposto no final do hor&aacute;rio de trabalho. Isto implica numa maior dificuldade para implementar conforto e menor tempo gasto com deslocamentos.</font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">&bull;&nbsp;Na urbaniza&ccedil;&atilde;o desigual, o investimento em infraestrutura em qualquer localidade reflete num processo de mobilidade residencial, que desloca as fam&iacute;lias de baixa renda para cada vez mais longe das centralidades, num processo cont&iacute;nuo de insufici&ecirc;ncia do sistema de transporte e de manuten&ccedil;&atilde;o da baixa mobilidade das pessoas e acessibilidade &agrave; cidade.</font></p>  	    <p><font face="verdana" size="2">O enfrentamento do desafio da mobilidade urbana de qualidade para todos pressup&otilde;e uma mudan&ccedil;a no tratamento do espa&ccedil;o urbano, que precisaria ser entendido como uma produ&ccedil;&atilde;o social a ser distribu&iacute;da tamb&eacute;m socialmente, tanto nos benef&iacute;cios quanto nos impactos negativos. Assim como o direito &agrave; moradia, o direito &agrave; mobilidade urbana precisa se tornar uma demanda social. A abordagem do espa&ccedil;o urbano como um valor de mercado, faz com que uma parcela tenha acesso privilegiado, em fun&ccedil;&atilde;o de seu poder aquisitivo. A busca da manuten&ccedil;&atilde;o dos privil&eacute;gios agora enuncia o risco de uma condi&ccedil;&atilde;o prec&aacute;ria para todos.</font></p>  	    <p><font face="verdana" size="3"><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></font></p>  	    <p><font face="verdana" size="2">A cidade n&atilde;o funciona sem seus milhares de deslocamentos di&aacute;rios. Quem tem mais renda, mora nos lugares mais estrat&eacute;gicos, paga o valor gerado pela acessibilidade, e se</font> <font face="verdana" size="2">desloca com maior velocidade. Quem tem menos renda, se desloca mais devagar e de forma mais prec&aacute;ria e desconfort&aacute;vel. Isto faz com que as pessoas tenham diferentes n&iacute;veis de acesso &agrave; cidade. A busca pelas melhores oportunidades ica restrita a um determinado grupo enquanto a maioria n&atilde;o possui esta capacidade de escolha.</font></p>      <p><font face="verdana" size="2">A revers&atilde;o deste contexto passa pela discuss&atilde;o do acesso ao espa&ccedil;o urbano. No contexto da mobilidade signfica valorizar o sistema de transporte p&uacute;blico coletivo, as formas n&atilde;o motorizadas de deslocamento e ainda conter o uso do transporte individual. Ainda, a valoriza&ccedil;&atilde;o do transporte p&uacute;blico precisa se associar a uma pol&iacute;tica de moradia que possibilite as camadas de menor renda ter direito &agrave; moradia nas regi&otilde;es bem servidas de transporte coletivo, sem que a melhoria da infraestrutura urbana expulse aqueles que n&atilde;o podem pagar pela conseq&uuml;ente valoriza&ccedil;&atilde;o da terra urbana. N&atilde;o se trata de falta de vontade pol&iacute;tica, mas da necessidade de redirecionar as prioridades de forma a contemplar o interesse p&uacute;blico, ou seja, atrav&eacute;s da melhor distribui&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano. Em s&iacute;ntese, a quest&atilde;o da mobilidade urbana &eacute; antes de tudo uma quest&atilde;o de igualdade de direitos no acesso &agrave; cidade e aos espa&ccedil;os p&uacute;blicos. O padr&atilde;o de mobilidade das metr&oacute;poles brasileiras se desenvolveu com o pressuposto da desigualdade e a mudan&ccedil;a desse quadro demanda o questionamento dessa din&acirc;mica.</font></p> 	    <p><strong><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Notas</font></strong></p> 	    <p><font face="verdana" size="2"><b><sup><a name="n1"></a><a href="#t1">1</a></sup></b></font> <font face="verdana" size="2">Segundo estudo de Cardoso, nos hor&aacute;rios de pico em S&atilde;o Paulo circulam em uma hora nas ruas em torno de 840 mil autom&oacute;veis ou um total de 1 milh&atilde;o de ve&iacute;culos. Sobre esta pesquisa, ver reportagem da <i>Folha de S&atilde;o Paulo</i> de 26 de outubro de 2009, ou o artigo Cardoso (2009b).</font></p> 	    <p><font face="verdana" size="2"><strong><sup><a name="n2"></a><a href="#t2">2</a></sup></strong> <a href="http://www.detran.sp.gov.br/frota/frota.asp" target="_blank">http://www.detran.sp.gov.br/frota/frota.asp</a> acessado em 15 de setembro de 2009.</font></p> 	    <p><font face="verdana" size="2"><b><sup><a name="n3"></a><a href="#t3">3</a></sup>&nbsp;</b>Para ver o detalhamento desta especifica&ccedil;&atilde;o, consultar a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Normas T&eacute;cnicas (ABNT), Norma Brasileira NBR 15570.</font></p>         <p><font face="verdana" size="2"><b><sup><a name="n4"></a><a href="#t4">4</a></sup>&nbsp;</b><a href="http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1036392-7823-PASSAGEIROS+RECLAMAM+DE+SUPERLOTACAO+NO+METRO+DE+SAO+PAULO,00.html" target="_blank">http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1036392&#45;7823&#45;PASSAGEIROS+RECLAMAM+DE+SUPERLOTACAO+NO+METRO+DE+SAO+PAULO,00.html</a></font></p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2"><b><sup><a name="n5"></a><a href="#t5">5</a></sup></b> Estamos supondo aqui que exista um planejamento racional para o sistema de &ocirc;nibus.</font></p>     <p><font face="verdana" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>      <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">Affonso, N. S. N. S. (1985). <i>Chega de Enrola&ccedil;&atilde;o, Queremos Condu&ccedil;&atilde;o &#45; Movimentos Reivindicativos de Transportes Coletivos em S&atilde;o Paulo, 1979&#45;1983.</i> (Vol. 1). Disertaci&oacute;n de Maestr&iacute;a, Facultad de Arquitectura y Urbanismo, Universidad de S&atilde;o Paulo (FAU USP).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0250-7161201200010000400001&pid=S0250-71612012000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">Ascher, F. (1995). <i>M&eacute;tapolis ou l'avenir des villes.</i> Par&iacute;s: Odile Jacob.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0250-7161201200010000400002&pid=S0250-71612012000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">Avellaneda, P. (2004). Urbanitzaci&oacute; i transport coMectiu a les grans ciutats d'Am&egrave;rica Llatina <i>Treballs de la Societat Catalana de Geografia, 57,</i> 33&#45;55. Disponible en <a href="http://publicacions.iec.cat/repository/pdf/00000019/00000021.pdf" target="_blank">http://publicacions.iec.cat/repository/pdf/00000019/00000021.pdf</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0250-7161201200010000400003&pid=S0250-71612012000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">Caldeira, T. P. do R. (2000). <i>Cidade de muros: crime, segrega&ccedil;&atilde;o e cidadania em S&atilde;o Paulo.</i> S&atilde;o Paulo: Editora 34/Edusp.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0250-7161201200010000400004&pid=S0250-71612012000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">Cardoso, C. E. de P. (2008). <i>An&aacute;lise do Transporte Coletivo Urbano sob a &Oacute;tica dos Riscos e Car&ecirc;ncias Sociais.</i> Tesis de doctorado em Servicios Sociales, Pontificia Universidad Cat&oacute;lica de S&atilde;o Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0250-7161201200010000400005&pid=S0250-71612012000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">Cardoso, C. E. de P. (2009a). Distribui&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o na regi&atilde;o metropolitana de S&atilde;o Paulo. <i>Engenharia</i> (Instituto de Ingenier&iacute;a de S&atilde;o Paulo), <i>596,</i> 116&#45;119. Disponible em <a href="http://www.brasilengenharia.com.br/ed/596/Art_Transporte.pdf" target="_blank">http://www.brasilengenharia.com.br/ed/596/Art_Transporte.pdf</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0250-7161201200010000400006&pid=S0250-71612012000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">Cardoso, C. E. de P. (2009b). <i>Q)ualo n&uacute;mero de ve&iacute;culos de circulam em S&atilde;o Paulo?</i> Trabajo presentado al 17&deg; Congresso Brasileiro de Transporte e Tr&acirc;nsito ANTP, Curitiba&#45;PR: ANTP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0250-7161201200010000400007&pid=S0250-71612012000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">Dupuy, G. (1995). <i>Les territoires de l'automobile.</i> Par&iacute;s: Antropos.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0250-7161201200010000400008&pid=S0250-71612012000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">Garc&iacute;a Palomares, J. C. (2008). <i>Incidencia en la movilidad de los principales factores de un modelo metropolitano cambiante. EURE,</i> 34(101), 5&#45;24. doi: 10.4067/S0250&#45;71612008000100001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0250-7161201200010000400009&pid=S0250-71612012000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">Harding, G. (1968). The Tragedy of the Commons. <i>Science,</i> 162(1968), 1243&#45;1248. Disponible en <a href="http://www.garretthardinsociety.org/articles_pdf/tragedyof_thecommons.pdf" target="_blank">http://www.garretthardinsociety.org/articles_pdf/tragedyof_thecommons.pdf</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0250-7161201200010000400010&pid=S0250-71612012000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">Miralles, C. (2002). <i>Ciudady transporte. El binomio imperfecto.</i> Barcelona: Ariel Geograf&iacute;a.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0250-7161201200010000400011&pid=S0250-71612012000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">OD Pesquisa Origem Destino 2007. (2008). <i>S&iacute;ntese das Informa&ccedil;&otilde;es de Pesquisa Domiciliar.</i> S&atilde;o Paulo: Metr&ocirc;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0250-7161201200010000400012&pid=S0250-71612012000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref -->.</font></p>  	    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">Oliveira, F. de (2003). <i>Cr&iacute;tica &agrave; raz&atilde;o dualista/ O ornitorrinco.</i> S&atilde;o Paulo: Boitempo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0250-7161201200010000400013&pid=S0250-71612012000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p> 	    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">Santos, M. (1980). <i>A urbaniza&ccedil;&atilde;o desigual.</i> Petr&oacute;polis: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0250-7161201200010000400014&pid=S0250-71612012000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">Vasconcellos, E. A. (1996). <i>Transporte urbano nos pa&iacute;ses em desenvolvimento: reflex&atilde;o e propostas.</i> S&atilde;o Paulo: Unidas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0250-7161201200010000400015&pid=S0250-71612012000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');"></a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <p><font face="verdana" size="2">Sites consultados:</font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2"><a href="http://www.abnt.org.br" target="_blank">www.abnt.org.br</a></font>    <br>     <font face="verdana" size="2"><a href="http://www.agora.uol.com.br" target="_blank">www.agora.uol.com.br</a></font>    <br>     <font face="verdana" size="2"><a href="http://www.antp.org.br" target="_blank">www.antp.org.br</a></font>    <br>     <font face="verdana" size="2"><a href="http://www.cetsp.com.br" target="_blank">www.cetsp.com.br</a></font>    <br>     <font face="verdana" size="2"><a href="http://www.detran.sp.gov.br" target="_blank">www.detran.sp.gov.br</a></font>    <br>     <font face="verdana" size="2"><a href="http://www.folha.uol.com.br" target="_blank">www.folha.uol.com.br</a></font>    <br>     <font face="verdana" size="2"><a href="http://www.gazetadopovo.com.br" target="_blank">www.gazetadopovo.com.br</a></font>    <br>     <font face="verdana" size="2"><a href="http://www.ippuc.org.br" target="_blank">www.ippuc.org.br</a></font>    <br>     <font face="verdana" size="2"><a href="http://www.movilidadbogota.gov.co" target="_blank">www.movilidadbogota.gov.co</a></font>    <br>     <font face="verdana" size="2"><a href="http://www.nevusp.org.br" target="_blank">www.nevusp.org.br</a></font>    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     <font face="verdana" size="2"><a href="http://www.onibus.blog.br" target="_blank">www.onibus.blog.br</a></font>    <br>     <font face="verdana" size="2"><a href="http://www.pr.gov.br/detran" target="_blank">www.pr.gov.br/detran</a></font>    <br>     <font face="verdana" size="2"><a href="http://www.setransp.org.br" target="_blank">www.setransp.org.br</a></font>    <br>     <font face="verdana" size="2"><a href="http://www.video.globo.com" target="_blank">www.video.globo.com</a></font>    <br>     <font face="verdana" size="2"><a href="ww2.prefeitura.sp.gov.br" target="_blank">ww2.prefeitura.sp.gov.br</a></font></p>  <hr align="left" width="30%" size="1"> 	    <p><font face="verdana" size="2">Recibido el 26 de junio de 2010, aprobado el 9 de diciembre de 2010.</font></p>      ]]></body><back>
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