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Idesia (Arica)
versão On-line ISSN 0718-3429
Idesia v.28 n.1 Arica abr. 2010
doi: 10.4067/S0718-34292010000100002
IDESIA (Chile) Volumen 28, Nº 1, Enero - Abril, 2010, pp. 9-15.
INVESTIGACIONES
PRODUÇÂO DE MUDAS DE TOMATEIRO POR ESTAQUIA: EFEITO DO SUBSTRATO E COMPRIMENTO DE ESTACAS
TOMATO SEEDLING PRODUCTION BY CUTTINGS ROOTED IN DIFFERENT SUBSTRATES
Heder Braun1; Paulo Cezar Cavatte2; José Augusto Teixeira do Amaral3; José Francisco Teixeira do Amaral3; Edvaldo Fialho dos Reis5
1 UFV, Departamento de Fitotecnia, 36570-000, Viçosa-MG.
2 UFV, Departamento de Biologia Vegetal, 36570-000, Viçosa-MG.
3 UFES, Departamento de Produção Vegetal, 29500-000, Alegre-ES.
5 UFES, Departamento de Engenharia Rural, 29500-000, Alegre-ES. E-mail: hederbraun@hotmail.com
RESUMO
Palavras-chave: Clones, Lycopersicon esculentum, propagação vegetativa.
ABSTRACT
The use of cuttings to implement tomato crops has fundamental importance for farmers, mainly due to high cost of seeds. This study aimed at evaluating the viability of the tomato seedling production by cuttings rooted in different substrates. The experiment was carried out in greenhouse at the Centro de Ciencias Agrarias- UFES, Alegre- ES. The experiment was arranged in a complete randomized design using a 3 x 3 factorial scheme (substrate and cutting height) with three replicates. The following seedling characteristics were evaluated: rooting percentage, increase in height of aerial part, total length of root system, mean diameter of root system, dry matter of aerial part, and dry matter of root system. The total length of root system was not affected by the height of cuttings obtained from seedlings, whereas the commercial substrate for the establishment of seedlings provided plants with longer root system. The vegetative propagation of tomato plants via lateral shoots showed to be an alternative for the commercial cropping, becoming viable particularly for small farmers, mainly due the high cost of seeds.
Key words: Clones, Lycopersicon esculentum, vegetative propagation.
INTRODUÇÃO
O substrato hortícola pode ser conceituado como o meio onde se desenvolve as raízes das plantas produzidas em sementeiras e/ou viveiros de mudas olerícolas, ornamentais, frutíferas ou silvícolas (Carneiro, 1995). Esse deve garantir por meio de sua fase sólida a manutenção mecânica do sistema radicular e estabilidade da planta; da fase líquida o suprimento de água e nutrientes e; da fase gasosa, o suprimento de oxigênio e o transporte de dióxido de carbono entre as raízes e o ar externo (Lamaire, 1995). Deve ainda estar isento de elementos minerais ou qualquer outra substância em concentração fitotóxica, assim como de fitopatógenos, pragas e plantas indesejáveis (Carneiro, 1995; Minami, 1995). Desta forma, a escolha do substrato é uma das decisões mais importantes para produtores de mudas, principalmente quando se sabe que as condições ideais de cultivo dependemdas exigências da espécie cultivada (Silveira et al., 2002). Alguns substratos comerciais atendem os requisitos para a produção de mudas, porém possuem custo elevado. Uma medida adequada consiste em utilizar substratos produzidos com materiais que possam ser obtidos facilmente na região. Assim, tem-se preocupado em introduzir novas tecnologias de produção que supram à necessidade e ao mesmo tempo sejam acessíveis as condições econômicas dos produtores.
Como alternativa para diminuir o custo de produção, com a aquisição de sementes, uma técnica promissora é o uso de propagação assexuada. Este processo consiste na reprodução de indivíduos a partir de partes vegetativas das plantas, caracterizandose principalmente por manter inalterada a constituição genética do clone durante sucessivas gerações. A propagação vegetativa é comum em muitas espécies comercialmente importantes, sendo a tecnologia de enraizamento de estacas o procedimento mais económico na propagação em grande escala (Foster, 1993). O tipo de estaca é decisivo para muitas espécies, contudo, de forma geral, as estacas de varias espécies de plantas enraízam com facilidade em grande diversidade de meios, porém, em plantas que apresentam dificuldade de enraizamento, o meio pode influir muito, não só na porcentagem de enraizamento, como, também, na qualidade do sistema radicular que se forma (Paiva & Gomes, 1995). De acordo com Cheng & Chu (2004), o método de propagação vegetativa do tomateiro via enraizamento do ápice mostrou ser alternativa importante para o cultivo comercial diminuindo o custo de produção, no entanto, segundo Fernandes (2004), o método mais utilizado e difundido para produção de mudas de tomate é por meio de sementes, sendo o enraizamento de estacas pouco comum. Por isso, objetvou se avaliar a viabilidade da produção de mudas de tomateiro por estaquia em diferentes substratos.
Para a produção de mudas do tomateiro comparou-se os substratos: mistura de solo + areia lavada + esterco bovino (1:1:1, v/v/v), Plantmax® (mistura de matéria orgânica de origem vegetal e vermiculita expandida) e areia lavada. Com exceção do Plantmax®, todos os materiais utilizados na confecção dos substratos foram passados em peneira com malha de
As brotaçôes foram retiradas de diferentes posições de plantas matrizes (geração F1, produzidas por semente), com bom aspecto fitossanitário e nutricional, acondicionadas em caixa de isopor, de modo a evitar perda de água. Na preparação das estacas, primeiramente, após pré-seleção do material vegetal, foram retiradas todas as folhas do ramo, deixando somente as folhas apicais. Posteriormente as estacas foram padronizadas em três alturas: 5, 8 e
Após o preparo das estacas, foi realizado no centro de cada recipiente um orifício de
Os tratamentos foram distribuídos no esquema fatorial 3x3 (substratos x estacas), em delineamento inteiramente casualizado, com três repetições e 30 mudas por parcela, totalizando 810 mudas. Aos 18 dias após o plantio das estacas foi analisada a porcentagem de enraizamento (ENR), determinada através da proporção de estacas viáveis. Para a avaliação da produção de mudas foram analisadas, aos 24 dias após o plantio, seguintes características agronômicas: comprimento total (CSR) e diámetro médio do sistema radicular (DR), após serem lavadas e destacadas da parte aérea, as raízes foram dispostas em lâminas de vidro e em seguida digitalizadas. O comprimento e diâmetro do sistema radicular foi estimado através do programa QuantRoot do Departamento de Solos da Universidade Federal de Viçosa, que realiza medição direta das raízes nas imagens digitalizadas em escala real, em que o programa cria linhas de igual comprimento ao das raízes; massa seca da parte aérea (MSPA), do sistema radicular (MSSR) e total (MST=MSPA+MSSR), o material vegetal foi seco em estufa com circulação forçada de ar à temperatura de
Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância e, os fatores significativos analisados pelo teste de Tukey em nível de significância de 5% de probabilidade.
A visualização dos primórdios radiculares ocorreu em média aos 6 dias após o plantio das estacas, sendo 4 dias para o substrato Plantmax®, 6 dias para S+A+E e 8 dias para areia, independente da altura das estacas. Fernandes et al. (2004) avaliando o enraizamento de estaca de tomateiro da cultivar Carmem, em espuma fenólica (5,0x5,0x3,8 cm), visualizaram o aparecimiento das raízes na parte externa dos blocos aos 10 dias após a transferência para enraizamento. Em solução nutritiva aerada relataram o aparecimento de pequenas raízes e calos na parte basal das estacas, ocorreu aos 4 dias após a transferência para o enraizamento (Fernandes et al., 2004). Com base nestes dados, admite-se que a condição para o enraizamento afeta o padrão de expressão do potencial organogênico das estacas. Sendo as condicoes de umidade e aeração fundamentais para que o material vegetal possa expressar eficientemente este potencial.
Resumo do teste F com seus respectivos valores de probabilidade (p) e coeficiente de variação (CV) da análise de variância para as variáveis: ENR - enraizamento (%), CSR- comprimento do sistema radicular (m), DR- diâmetro médio das raízes (mm), TCAM - taxa de crescimento absoluto referente ao acúmulo de massa seca (mg dia-1), MSPA - massa seca da parte aérea (g), MSSR - massa seca do sistema radicular (g), PA/SR -relação entre massa seca da parte aérea e do sistema radicular (g g-1), MST - massa seca total (g), TCAA taxa de crescimento absoluto referente ao acréscimo em altura (mm dia-1), SRAD - superficie radicular (cm2), RMSPA - razâo de massa seca da parte aérea (g g-1), RMSSR - razâo de massa seca do sistema radicular (g g-1), RCSR - razâo do comprimento do sistema radicular (m g-1) e CER - comprimento específico de raiz (m kg-1) de mudas do tomateiro provenientes de diferentes substratos e altura de estacas
| Parâmetros | Fonte de Variação | |||
| Substrato | Estaca | Substrato x Estaca | CV (%) | |
| ENR | 26,21 (p < 0,001) | 1,98 (p = 0167) | 2,11 (p = 0,122) | 25,14 |
| CSR | 148,15 (p < 0,001) | 10,96 (p < 0,001) | 9,27 (p < 0,001) | 12,79 |
| DR | 380,56 (p < 0,001) | 14,39 (p < 0,001) | 7,77 (p < 0,001) | 11,25 |
| TCAM | 102,24 (p < 0,001) | 34,89 (p < 0,001) | 2,83 (p = 0,055) | 21,54 |
| MSPA | 102,28 (p < 0,001) | 49,40 (p < 0,001) | 2,82 (p = 0,056) | 16,79 |
| MSSR | 93,44 (p < 0,001) | 2,11 (p = 0,149) | 4,76 (p = 0,008) | 22,68 |
| PA/SR | 19,03 (p < 0,001) | 62,47 (p < 0,001) | 10,64 (p < 0,001) | 17,53 |
| MST | 56,15 (p < 0,001) | 18,86 (p < 0,001) | 1,61 (p = 0,216) | 24,14 |
| TCAA | 44,75 (p < 0,001) | 0,06 (p > 0,999) | 20,12 (p = 0,120) | 24,62 |
| RMSPA | 2,61 (p = 0,101) | 2,39 (p = 0,120) | 0,24 (p > 0,999) | 7,14 |
| RMSSR | 2,59 (p = 0,103) | 21,55 (p < 0,001) | 2,24 (p = 0,105) | 20,69 |
As estacas apresentaram, em média, 92 % de enraizamento. Estudando ENR nos diferentes substratos, valores semelhantes (~96%) foram encontrados para os substratos Plantmax® e S+A+E, superior em aproximadamente 12% a areia (83,9%) (Tabela 2). Por ter menor capacidade de retenção de água e reduzida porosidade, a areia não foi um substrato adequado para o enraizamento de estacas para a espécie
A taxa de crescimento absoluto (TCA) referente ao acúmulo de massa seca (TCAM) foi maior no substrato Plantmax®, superior em 58,9% ao S+A+E e 306,6% a areia (Tabela 2). Quando avaliamos a TCAA não se verifica diferengas significativas entre os substratos Plantmax® e S+A+E apresentando em média 4,05 mm/dia, superior em 258,4% ao substrato areia. O substrato horticula deve garantir o desenvolvimento do sistema radicular e estabilidade da planta, para assim, proporcionar o suprimento de água e nutrientes necessários ao seu crescimento. Portante, os maiores valores de TCA apresentados pelo Plantmax® pode ser reflexo de sua composição, por possuir uma maior proporção de matéria orgânica, portante, mais rico em nutrientes, esse substrato pode propiciar condições mais favoráveis para a planta absorver água e produzir massa seca. Este comportamento pode ser confirmado, avaliando a MSPA e MST. Esses resultados estäo de acordo com os resultados alcangados por Rizzo & Braz (2002), os quais constataram que o uso de substrato comercial Plantmax® proporcionou um bom desenvolvimento das mudas de tomateiro formadas a partir de brotos laterais. As raizes também obtiveram um bom desenvolvimento em seu comprimento e conseqüentemente, maior massa seca quando utilizou-se substrato comercial. Resultados concordantes foram obtidos por Smiderle et al. (2001), confirmando que o substrato Plantmax® propiciou maior massa de materia seca das plántulas e das raizes de alface, aos 21 e 40 dias após a semeadura. Contudo, Pragana (1998) em testes de bioensaio com diversas hortaliças verificou que de modo geral, a adição de pó de coco melhorou o desempenho daquele substrato.
Valores médios dos parâmetros: enraizamento (ENR), taxa de crescimento absoluto (TCA), massa seca da parte aérea (MSPA), massa seca total (MST), razão de massa seca da parte aérea (RMSPA) e razão de massa seca do sistema radicular (RMSSR) de mudas do tomateiro em diferentes substratos e altura de estacas
| Parâmetros | Substrato | Estaca | |||
| ENR (%) | S + A + E | 96,9 a | 5 | 94,3 a | |
| Plantmax® | 94,7 a | 8 | 92,3 a | ||
| Areia | 83,9 b | 11 | 89,1 a | ||
| TCA | (mg dia-1) | S + A + E | 20,50 b | 5 | 13,13 c |
| Plantmax® | 32,57 a | 8 | 22,57 b | ||
| Areia | 8,01 c | 11 | 25,38 a | ||
| (mm dia-1) | S + A + E | 4,07 a | 5 | 3,14 a | |
| Plantmax® | 4,02 a | 8 | 3,03 a | ||
| Areia | 1,13 b | 11 | 3,05 a | ||
| MSPA (g) | S + A + E | 0,58 b | 5 | 0,36 c | |
| Plantmax® | 0,83 a | 8 | 0,62 b | ||
| Areia | 0,31 c | 11 | 0,73 a | ||
| MST (g) | S + A + E | 0,62 b | 5 | 0,41 b | |
| Plantmax® | 0,91 a | 8 | 0,67 a | ||
| Areia | 0,32 c | 11 | 0,78 a | ||
| RMSPA | S + A + E | 0,92 a | 5 | 0,90 a | |
| Plantmax® | 0,90 a | 8 | 0,93 a | ||
| Areia | 0,94 a | 11 | 0,94 a | ||
| RMSSR | S + A + E | 0,08 b | 5 | 0,10 a | |
| Plantmax® | 0,10 a | 8 | 0,07 b | ||
| Areia | 0,06 b | 11 | 0,06 b | ||
Médias obtidas entre diferentes substratos e tamanho de estacas seguidas por diferente letra diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey (p < =0,05).
A MST foi estatisticamente igual entre as estacas de 8 e
No substrato Plantmax® 10% da MST foi alocada no sistema radicular, aproximadamente 42,9% superior a proporção de massa seca acumulada no sistema radicular de mudas crescidas nos substratos S+A+E e areia. Estacas com
A altura de estaca não influenciou estatisticamente os parâmetros CSR e DR. Para o substrato S+A+E com valores médios de
Estacas de
Valores médios dos parâmetros: comprimento do sistema radicular (CSR), diâmetro médio das raízes (DR), massa seca do sistema radicular (MSSR) e relação entre massa seca da parte aérea e do sistema radicular (PA/SR) de mudas do tomateiro provenientes de diferentes substratos e altura de estacas.
| Parâmetros | Estaca | Substrato | ||
| S + A + E | Plantmax® | Areia | ||
| CSR (m) | 5 | 6,04 aB | 8,91 bA | 2,15 bC |
| 8 | 5,61 aB | 10,30 bA | 4,46 aB | |
| 11 | 4,54 aB | 12,66 aA | 5,54 aB | |
| DR (mm) | 5 | 0,037 aB | 0,035 bB | 0,067 aA |
| 8 | 0,053 aB | 0,042 bB | 0,058 bA | |
| 11 | 0,035 aC | 0,056 aB | 0,063 bA | |
| MSSR (g) | 5 | 0,049 aA | 0,065 bA | 0,011 aB |
| 8 | 0,048 aB | 0,090 aA | 0,017 aC | |
| 11 | 0,039 aB | 0,100 aA | 0,018 cB | |
| PA/SR (g g-1) | 5 | 10,41 bA | 7,38 bB | 9,09 bB |
| 8 | 10,63 bB | 10,53 aB | 23,53 aA | |
| 11 | 18,21 aB | 10,50 aC | 23,33 aA | |
Diferençãs estatísticas entre médias obtidas entre tamanho de estaca sao indicadas por diferentes letras minúsculas. Diferentes letras maiúsculas representam diferençãs estatísticas entre médias nos diferentes substratos (Tukey, p <= 0,05).
CONCLUSÃO
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Fecha de recepción: 24 Septiembre, 2007
Fecha de Aceptación: 09 Noviembre, 2007











