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Ciencia & trabajo

versão On-line ISSN 0718-2449

Cienc Trab. vol.19 no.58 Santiago abr. 2017

http://dx.doi.org/10.4067/S0718-24492017000100035 

ARTICULO ORIGINAL

Absenteísmo na Indústria está Associado com o Trabalho em Turnos e com Problemas no Sono

Absence in industry is associated with shift work and with problems in sleep

Rubian Diego AndradeA  *  , Geraldo Jose Ferrari JuniorB  , Renata CapistranoA  , Clarissa Stefani TeixeiraC  , Thais Silva BeltrameD  , Erico Pereira Gomes FeldenE 

A Doutorando(a) em Ciências do Movimento Humano do Centro de Ciências da Saúde e do Esporte, Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Florianópolis, SC, Brasil.

B Mestrando em Ciências do Movimento Humano do Centro de Ciências da Saúde e do Esporte, Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Florianópolis, SC, Brasil.

C Doutora em Engenharia de Produção. Professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis, SC, Brasil.

D Doutora em Ciências do Movimento Humano. Professora Titular do Centro de Ciências da Saúde e do Esporte, Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Florianópolis, SC, Brasil.

E Doutor em Educação Física. Professor Adjunto do Centro de Ciências da Saúde e do Esporte, Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Florianópolis, SC, Brasil.

RESUMO:

Introdução:

Cada vez mais as indústrias mantêm seu volume de produção durante as 24h horas do dia. Esta reorganização temporal traz repercussões importantes para a saúde do trabalhador. O objetivo deste estudo foi analisar os fatores associados ao absenteísmo em trabalhadores de diferentes turnos de uma indústria de grande porte do sul do Brasil.

Método:

A amostra foi composta por 885 profissio nais com média de idade de 31,1(8,5) anos de uma indústria do setor de telecomunicação. A variável dependente foi avaliada por meio de faltas ao trabalho nos últimos 12 meses por motivos de saúde.

Resultados:

A frequência de absenteísmo foi de 16,6%. Os fatores associados ao desfecho foram a idade avançada (OR=2,16; IC95%= 1,27-3,67), o trabalho em turnos extremos, primeiro turno (OR=1,91; IC95%= 1,08-3,36) e terceiro turno (OR=2,06; IC95%= 1,01-4,25), percepção elevada de estresse (OR=1,74; IC95%= 1,07 - 2,82) e os distúrbios do sono (OR=2,03; IC95%= 1,07-3,76). Não foram identi ficadas associações entre absenteísmo e fatores de estilo de vida como prática de atividade física e consumo de álcool e tabaco.

Conclusão:

Trabalhadores com distúrbios de sono e que exercem suas funções em turnos extremos (manhã ou noite) possuíram mais chan ce de faltar ao trabalho por questões de saúde.

Palavras-chave: TRABALHO EM TURNOS; SONO; ABSENTEÍSMO; TRABALHADORES; SAÚDE DO TRABALHADOR

ABSTRACT:

Introduction:

Increasingly the industry maintains its production vol ume during the 24 hours of the day. This time reorganization has important implications for workers' health The aim of this study was to analyze factors associated with absenteeism among workers in dif ferent shifts of a large industry in southern Brazil.

Methods:

The sample consisted of 885 professionals with an average age of 31.1 (8.5) years of the telecommunication sector industry. The dependent vari able was assessed by absence from work in the last 12 months for health reasons.

Results:

The absenteeism rate was 16.6%. Factors associated with outcome were advanced age (OR = 2.16, 95% CI 1.27 to 3.67), work in extreme shifts, first round (OR = 1.91, 95% CI 1.08 3.36) and third round (OR = 2.06, 95% CI 1.01 to 4.25), high perceived stress (OR = 1.74, 95% CI 1.07 to 2.82) and sleep disorders (OR = 2.03, 95% CI 1.07 to 3.76). No associations were found between absenteeism and lifestyle factors such as physical activity and consumption of alcohol and tobacco.

Conclusion:

Workers with sleep disorders and perform their duties in extreme shifts (morning or night) possessed more likely to miss work for health reasons.

Keywords: SHIFT WORK; SLEEP; ABSENTEEISM; WORKERS; OCCUPA TIONAL HEALTH

INTRODUÇÃO

Uma mudança marcante na organização do trabalho contemporâ neo é o funcionamento das indústrias durante as 24 horas do dia gerando a necessidade da organização das atividades em turnos. Este tipo de trabalho caracteriza-se por ser realizado em horário diferente do horário formal (diurno). Pode ser realizado em turnos fixos (manhã, tarde ou noite), rodízios (escalas) ou em ciclos com primidos (geralmente em empresas petroquímicas), entre oito a 12 horas de duração.1

Estima-se que na Europa e nos Estados Unidos 13% a 14% dos trabalhadores estão inseridos no contexto do trabalho em turnos, especialmente à noite.2 Apesar de não haver dados oficiais com relação ao número de trabalhadores nesta modalidade no Brasil, acredita-se que este percentual seja próximo a esse valor1. Um dos principais problemas dessa atuação se associa ao que é imposto ao ser humano pelo trabalho executado em turnos, considerando o conflito entre sua natureza diurna e um ritmo artificial de ati vidade e iluminação. Tal situação pode não ser suportada por muitos indivíduos e aumentam o risco de acometimento de inú meras patologias.3

Por esta razão, os estudos sobre a temática se reportam aos termos tolerância ou resiliência4 ao descreverem aqueles possíveis fato res, de ordem social e, especialmente de ordem individual, que estariam associados com menores consequências do trabalho em turnos para a saúde. Esta discussão aponta para dúvidas a respeito da real possibilidade de considerar que o ser humano possa se adaptar de forma plena a este tipo de trabalho.

Neste contexto, questiona-se sobre a influência que as atividades em turnos exercem sobre as faltas ao trabalho principalmente pelos fatores associados à saúde. Também denominada absente- ísmo, a falta ao trabalho é considerada importante problema nas organizações. Impacta de forma negativa na produção, em custos com a reposição da mão de obra, bem como na diminuição da qualidade do trabalho.5 Teixeira6 destaca que os prejuízos em não manter um trabalhador saudável dentro das organizações reper cutem, tanto nas questões sociais, quanto nas questões econômi cas para o estado, empresa e para o próprio indivíduo.

Em decorrência disso, diferentes classes de trabalhadores foram investigadas no sentido de identificar variáveis que possam se associar à ausência ao trabalho. Os resultados destas pesquisas apontam que fatores demográficos, satisfação com o emprego, características organizacionais, níveis de autonomia e responsabi lidade estão associadas ao absenteísmo em trabalhadores de diversos setores da economia.7,8 No entanto, a relevância do tra balho em turnos no entendimento do absenteísmo em conjunto com diversos fatores, principalmente em trabalhadores brasileiros, é uma importante análise de ser realizada. Diante disso, este estudo teve como objetivo analisar os fatores associados ao absenteísmo em trabalhadores de diferentes turnos de uma indús tria de grande porte do sul do Brasil.

MÉTODO

População e amostra

A população considerada para este estudo foi de 1.674 trabalha dores industriários do segmento de telecomunicações (destes 720 trabalham na produção e 954 em setores administrativos) de ambos os sexos, contratados sob o regime celetista de uma das indústrias de grande porte da Grande Florianópolis. Para o cálculo amostral foram considerados os seguintes parâmetros: prevalência de 50% para desfechos desconhecidos, erro tolerável de amostra gem de 4% com nível de confiança de 95% e previsão de perdas de 20%, resultando numa amostra mínima de 532 sujeitos.9 Participaram do estudo 885 trabalhadores industriários da região da Grande Florianópolis-SC, Brasil. A empresa foi escolhida por ser uma das únicas da região que opera em regime de turno de trabalho, incluindo o trabalho noturno.

Os trabalhadores foram convidados a participarem da pesquisa por meio de comunicação interna coletiva e não individual. Assim, todos tiveram as mesmas oportunidades de fazer parte da pesquisa. Este procedimento foi realizado para facilitar o processo de coleta de dados em um ambiente corporativo e minimizar possível viés de seleção amostral. Os trabalhadores assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. A coleta de dados ocorreu no próprio ambiente de trabalho em momentos pré-agendados com a organização, evitando possíveis perdas amostrais. Para a realização desta pesquisa, foram cumpridos os princípios éticos contidos na Declaração de Helsinki e na Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética Envolvendo Seres Humanos da Universidade do Estado de Santa Catarina, conforme parecer n° 801.409/2014.

Variáveis investigadas

A variável dependente investigada foi o absenteísmo, analisado de forma dicotômica (sim/não) por meio da questão: “Você já se afastou do trabalho por questões de saúde no último ano?”. Além disso, o número de eventos ocorridos nesse período também foi questionado.

As variáveis independentes investigadas foram o turno, qualidade do sono, percepção de estresse, consumo de álcool e tabaco, nível de atividade física, status de peso além de variáveis sociodemográficas. Os protocolos de análise destas variáveis estão apresen tados a seguir.

Considerou-se como primeiro turno os participantes que relata ram exercer suas funções entre 5h50min e 14h20min, segundo turno das 14h10min às 22h37min, terceiro turno das 22h27min às 6h e turno integral, àqueles que exercem suas funções entre 7h30min e 17h30min.

A qualidade do sono foi avaliada de forma subjetiva em relação ao último mês, pelo questionário Pittsburgh Sleep Quality Index - (PSQI) criado por Buysse et al.10 que foi traduzido e validado para o português do Brasil por Bertolazi et al.11 A validação bra sileira ocorreu de forma concorrente com a polissonografia (medida objetiva) em 83 pacientes e 21 indivíduos do grupo con trole. A PSQI brasileira mostrou-se válida e confiável para manejo clínico ou pesquisa. Apresentou coeficiente de confiabilidade (a de Cronbach) de 0,82, indicando um alto grau de consistência interna. O questionário consiste de 19 questões auto administra das e cinco questões respondidas pelos seus companheiros de quarto. Estas últimas são utilizadas apenas para informações clí nicas e não fizeram parte deste estudo. As questões são agrupadas em sete componentes: 1) qualidade subjetiva do sono; 2) latência do sono; 3) duração do sono; 4) eficiência habitual do sono; 5) distúrbios do sono; 6) uso de medicação para dormir; 7) sonolên cia diurna e distúrbios durante o dia. Os pesos são distribuídos numa escala de zero (0) a três (3). As pontuações desses compo nentes são somadas para produzirem uma pontuação geral, que varia de zero a 21, no qual quanto maior a pontuação, pior a qualidade do sono. Escores superiores a cinco indicam qualidade ruim de sono e acima de dez indicam a presença de distúrbios do sono.

A percepção de estresse foi avaliada a partir da questão: “Como você descreve o nível de estresse em sua vida?”. Para esta variável considerou-se como percepção de baixo estresse as alternativas “raramente estressado” e “às vezes estressado” e, como percepção de alto estresse as alternativas “quase sempre estressado” e “excessivamente estressado”.12

O consumo de bebidas alcoólicas foi analisado a partir da pergunta: “Quantas doses de bebida alcoólica você toma em uma semana normal? Considerando como uma dose, V2 garrafa de cer veja, um copo de vinho ou uma dose de uísque, conhaque, cachaça ou vodca. Considerou-se como baixo consumo àqueles participantes que relataram consumir nenhuma a sete doses semanais e, alto con sumo valores superiores a oito doses de bebidas alcoólicas por semana. Já para a variável tabagismo considerou-se como “não fumante” àqueles que responderam ser “fumante ocasional”, “ex fumante” ou “não fumante”. E “fumantes” àqueles que assumiram fazer uso de cigarros regularmente.13

O status de peso foi calculado a partir dos valores autorreferidos de massa corporal e altura com o cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC) e categorizado de acordo com os pontos de corte da Organização Mundial da Saúde (OMS) em eutróficos (IMC ≤ 24,9kg/m2) e sobrepeso/obesidade (IMC ≥ 25,0kg/m2).14

O nível de atividade física foi avaliado por meio do Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ - versão curta), elaborado com suporte da Organização Mundial da Saúde e validado no Brasil pelo Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul (CELAFISCS).15 Este instrumento leva em considera ção o tempo dispendido em atividades físicas moderadas e vigorosas nos últimos sete dias em uma semana habitual. Para esta análise foram considerados insuficientemente ativos àqueles trabalhadores com menos de 150 minutos em atividades físicas moderadas e vigo rosos, e, ativos àqueles que obtiveram tempo superior a 150 minutos durante a última semana.

Com relação às questões sociodemográficas, o questionário continha perguntas quanto à idade (que para fins de análise foi categorizada em até 29,9 anos, de 30 a 39,9 anos e acima de 40 anos) e renda familiar em reais (R$) categorizada por meio de tercis em baixa, média e alta renda.

Análise estatística

Foram realizadas análises descritivas (médias, frequências e desvios-padrões). Para as análises inferenciais, utilizou-se o teste U de Mann-Whitney para comparação das médias entre os grupos e o teste Qui-quadrado para associação entre as variáveis categóricas por meio do programa estatístico SPSS 20.0. Além disso, recorreu-se a Regressão Logística Binária com o objetivo de testar as hipóteses de associação das variáveis sociodemográficas (sexo, faixa etária, turno de trabalho e renda) e de saúde (percepção de estresse, tabagismo, consumo de bebidas alcóolicas, status de peso, nível de atividade física e qualidade do sono) sobre o absenteísmo. Foram analisados modelos brutos e considerados para os modelos ajustados as variá veis com p<0,2016 no teste de Qui-quadrado. Para todas as demais análises considerou-se um nível de significancia de 5%.

RESULTADOS

A média de idade dos trabalhadores investigados foi de 31,1 anos. De modo geral, a maior parte da amostra (58,2%) foi composta por mulheres e pertencentes ao turno integral de trabalho (73,3%). Ainda com relação à análise descritiva, a proporção do sexo feminino foi superior no turno geral de trabalho (p<0,001), bem como na catego ria renda familiar baixa (p<0,001).

Ao analisar as variáveis de saúde na amostra geral, identificou-se que a maior parte dos trabalhadores (83,6%) apresentou baixa percepção de estresse. Grande parte (95,8%) declarou-se não fumantes e com nenhum ou pouco consumo de bebidas alcóolicas por semana (96,3%). Identificou-se ainda, predomínio de trabalhadores eutróficos (55,9%), ativos fisicamente (60,7%) e com qualidade de sono ruim (54,1%).

Ao comparar as variáveis de saúde entre os sexos, diferenças estatis ticamente significativas foram observadas nas variáveis, consumo de álcool (p<0,001), status de peso (p<0,001) e nível de atividade física (p<0,001). Cabe destacar que o sexo masculino apresentou maior índice de alto consumo de álcool (84,8%) e de excesso de peso (50,9%). Já no sexo feminino observou-se maior frequência de nível insuficiente de atividade física (66,4%) (Tabela 1).

Entre os trabalhadores analisados, 147 (58 homens e 89 mulheres) relataram ter sofrido algum problema de saúde que culminou no seu afastamento do trabalho durante o último ano. Isto representa 16,6% da amostra total. A Figura 1 representa o percentual de absenteísmo estratificado por sexo. Ao comparar a proporção entre as mulheres faltantes com a proporção dos homens faltantes, não foi identificada diferença significativa (p=0,977). A média de ocorrências de faltas ao trabalho por motivos de saúde foi de 1,27 com desvio-padrão de 0,79, com no máximo de seis casos relatados no último ano.

Na análise dos fatores associados ao absenteísmo verificou-se que os indivíduos com idade acima de 40 anos apresentaram duas vezes mais chance de faltar no trabalho por questões de saúde em comparação com indivíduos mais jovens (OR=2,16; IC95%: 1,27-3,67). Além disso, trabalhadores noturnos e do primeiro turno, apresenta ram duas vezes mais chance de faltar ao trabalho por questões de saúde em relação aos trabalhadores de turno geral (OR=2,06; IC95%: 1,01-4,25; OR=1,91; IC95%:1,08-3,36). Da mesma forma, indivíduos com alta percepção de estresse (OR=1,74; IC95%:1,07-2,82) e com distúrbios do sono (OR=2,03; IC95%:1,10-3,76) possuíam maior chance de se afastarem do trabalho em comparação com indivíduos com baixa percepção de estresse e boa qualidade de sono respectivamente (Tabela 2).

Tabela 1 Dados descritivos da amostra estratificados por sexo. 

Figura 1 Percentual de absenteísmo estratificado por sexo. 

Tabela 2 Fatores sociodemográficos, de trabalho e saúde associados ao absenteísmo. 

DISCUSSÃO

A taxa de absenteísmo é um importante indicador utilizado para mensurar as condições e qualidade de vida no trabalho. Os prejuízos econômicos causados às empresas e à previdência social por conta das faltas e afastamentos ao trabalho são muitos. Por isso, o investi mento em questões relacionadas à saúde do trabalhador não deve ser tratado como despesa. É preciso fazer parte da rotina das organi zações ações que promovam a qualidade de vida e que melhorem as condições de saúde e segurança no trabalho.17 Apesar de o Brasil possuir uma legislação completa que estabelecem diretrizes e reco mendações para empresas no que tange as questões de Saúde e Segurança do Trabalhador, segundo dados do Ministério do Trabalho e Previdência Social, os índices de faltas ao trabalho e afastamentos das funções laborais aumentam a cada ano.18

O presente estudo não se restringiu a analisar os afastamentos pro- vindos de acidentes de trabalho. Considerou-se como absenteísmo qualquer falta ao trabalho por motivos de saúde no último ano. Assim, esta variável obteve uma maior abrangência, podendo estar relacionada com diversas causas, como por exemplo, dores musculoesqueléticas, problemas dentários, consultas, licenças médicas, acidentes de trabalho, entre outras. Além disso, não foi meta do presente estudo analisar o período no qual o trabalhador permaneceu sem comparecer ao trabalho. De qualquer maneira, a frequência de faltas ao trabalho por motivos de saúde foi baixa (cerca de 17%) ao considerarmos outras categorias profissionais. Em profissionais da saúde, por exemplo, este percentual foi de 25%19 e, em professores 38%.20 Na Polônia, estudo conduzido com 11 empresas totalizando 350 trabalhadores, 19% indicaram que problemas de saúde haviam causado ausência ao trabalho nos últimos 12 meses.21 A equivalência do índice encontrado na presente investigação com países desenvolvidos, como no caso da Polônia, sugere a boa qualidade dos serviços de saúde e segurança da empresa analisada, que há anos vem sendo reconhecida como uma das 150 melhores empresas para se trabalhar no Brasil.22

Apesar disso, 28,6% dos trabalhadores apresentaram distúrbios do sono. A espécie humana como um ser diurno possui o seu ciclo vigília-sono como a maioria dos mamíferos, ou seja, durante o dia mantem-se em vigília e a noite necessita de horas de sono como forma de promover a organização dos processos fisiológicos. Os mecanismos de regulação entre o sono e a vigília são sincronizados por agentes endógenos (ritmicidade biológica) e exógenos (ambien tais), que no caso dos humanos, os eventos sociais como o trabalho podem ser considerados nesse contexto. Assim, a alteração dos horá rios de sono pelo trabalho, como no caso dos trabalhadores noturnos, ocasiona mudanças significativas nos mecanismos de consolidação das memórias e na liberação de hormônios, como o cortisol e a melatonina.23

De fato, o trabalho em turnos vem sendo associado a diversas enfermidades, entre elas destaca-se o ganho de peso corporal e risco metabólico aumentado24, depressão25, câncer de próstata26,27 e de mama.27,28 Especialmente entre trabalhadores noturnos, recente pesquisa, constatou diminuição considerável do desem penho funcional no local de trabalho gerado pelo cansaço e fadiga.29 Assim, em um primeiro momento, os trabalhadores noturnos apresentam tolerância quanto a inversão do ciclo vigília/ sono. No entanto, esse comportamento em longo prazo poderá trazer consequências para a saúde.27,30 De acordo com a International Agency for Research on Cancer27, o trabalho em turnos faz parte do Grupo 2A de fatores de risco para o câncer. Este grupo inclui agentes cuja associação com o câncer em humanos é provável e já foi confirmada em experimentos com animais.

Todos esses problemas podem anteceder o absenteísmo, e, em even tos mais extremos, ser determinantes em casos de acidentes no tra balho. Segundo as análises realizadas nesse estudo, o risco de faltar ao trabalho por motivos de doença aumenta consideravelmente se os trabalhadores exercem suas funções no primeiro e último turno quando comparados ao turno integral. Nesse sentido, a atenção aos trabalhadores em turnos merece maior intensificação.

Ainda referindo-se ao ciclo vigília/sono, os trabalhadores com distúr bios do sono apresentaram duas vezes mais chances de faltar ao trabalho em comparação aos trabalhadores com boa qualidade do sono. Em concordância com a atual pesquisa, estudos realizados na França31, Japão32, além de uma revisão sistemática33 apontam que a má qualidade e distúrbios do sono estão associados ao absenteísmo. Por conta de noites mal dormidas, os problemas do sono promovem eventos de sonolência diurna excessiva e fadiga29, que prejudicam tanto a saúde e o bemestar do trabalhador, quanto no rendimento do trabalho.

Nesse sentido, tanto o trabalho em turnos extremos (primeiro e terceiro), quanto os distúrbios do sono, tem repercussões importantes na percepção de estresse e consequentemente impactam na falta ao trabalho por motivos de doença. Resultados semelhantes foram veri ficados em outros estudos brasileiros com trabalhadores de diversas áreas.34,35 Essas pesquisas reforçam as estimativas internacionais da European Agency for Safety and Health at Work. Segundo esta orga nização, mais de 40 milhões de dias de trabalho são perdidos a cada ano no Reino Unido em razão do estresse, assim como cerca de 225 milhões de dias por ano são perdidos nos Estados Unidos pelo mesmo motivo.36 Esse cenário mostra evidências de que o estresse pode ser considerado uma epidemia mundial. Supõe-se que, o número elevado de situações estressantes, aliado à pressão de produtividade em que os trabalhadores estão submetidos diariamente, ocasiona eventos agudos de estresse, que em longo prazo podem tornar-se patológi cos.12,35 Assim, observa-se a necessidade de maior atenção quanto à identificação dos fatores estressores para elaboração de estratégias a fim de prevenir e controlar o estresse.37

Esses fatores são potencializados com o avanço da idade, visto que na medida em que o indivíduo envelhece torna-se mais sensível aos eventos adversos ocasionados pelo trabalho. Nesse sentido, verificou- se que os indivíduos com idade acima de 40 anos apresentaram duas vezes mais chance de faltar no trabalho por questões de saúde em comparação com indivíduos mais jovens. Esse resultado foi semel hante a outros estudos brasileiros realizados com diferentes classes trabalhadoras como, por exemplo, o realizado com enfermeiros38 e servidores públicos.39 Também foram encontrados resultados semel hantes em estudos internacionais, como o realizado na Índia com trabalhadores de um hospital40 e na Holanda41 em estudo de coorte realizado também com trabalhadores industriários. Esses resultados mostram uma relação positiva entre a idade avançada e o absenteísmo, que pode ser justificado pelo processo de envelhecimento, o qual acarreta maior fragilidade do organismo e vulnerabilidade às doenças, diminuindo assim, a capacidade funcional do indivíduo.42,43,44,45 Com o objetivo de minimizar tais prejuízos algumas empresas buscam readequar o trabalhador em outra função.46

Contudo, atenta-se para importância e o cuidado que as empresas devem ter para o trabalhador não se sentir desvalorizado47 ou ainda haver desvio de função.

Outro importante resultado identificado no presente trabalho foi a não relação entre o sexo feminino com o absenteísmo. Por muito tempo, a participação de mulheres no mercado de trabalho foi limi tada. Isto se deve, entre outros fatores, às licenças no período pós-gestacional. No entanto, com a maior participação das mulheres em empregos formais, tais paradigmas estão sendo quebrados. O grande número de trabalhadoras na presente amostra fortalece este discurso, e esta análise, promove discussões importantes de igualdade em oportunidades no mundo coorporativo.

Por fim, outras variáveis comportamentais modificáveis também não apresentaram associação com as faltas ao trabalho. Entre elas destaca-se o status de peso, nível de atividade física, consumo de álcool e tabaco. Desta forma, este estudo traz evidências que além das campanhas motivacionais, a organização dos horários de trabalho de acordo com as características de matutinidade e vespertinidade (cronotipo) podem ter maior impacto para a saúde do trabalhador e consequentemente na manutenção de baixos índices de absenteísmo.

CONCLUSÃO

O sono e turno estiveram relacionados às faltas de trabalhadores. Além disso, os industriários com alta percepção de estresse faltaram mais ao trabalho por questões de saúde. Já, com relação às variáveis comportamentais modificáveis, não foi possível estabelecer essa relação. Ainda, observou-se que as mulheres faltaram tanto quanto os homens e o processo de envelhecimento foi um fator importante na relação saúde-doença em trabalhadores.

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Recebido: 27 de Novembro de 2016; Aceito: 04 de Março de 2017

*Correspondência/Correspondence: Rubian Diego Andrade. CEFID/UDESC. Rua Paschoal Simoni 358, Florianópolis - SC, Brasil CEP: 88080-350. Telefone: 48-3321-8600. E-mail: rubiandiego@gmail.com.

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