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Ciencia y enfermería

On-line version ISSN 0717-9553

Cienc. enferm. vol.22 no.3 Concepción Sept. 2016

http://dx.doi.org/10.4067/S0717-95532016000300035 

INVESTIGACIÓN

AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO EM GRUPO DE DIABETES NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE

EDUCATION ASSESSMENT IN DIABETES GROUP IN PRIMARY HEALTH CARE

EVALUACIÓN DE LA EDUCACIÓN EN GRUPO DE DIABETES EN LA ATENCIÓN PRIMARIA DE SALUD

HELOISA DE CARVALHOTORRES 1   , DANIEL NOGUEIRACORTEZ 2   , ILKA AFONSO REIS 3  

1Doutora, professora do Departamento de Enfermagem Aplicada da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Mi nas Gerais- EE/UFMG- Belo Horizonte (MG), Brasil. E-mail: heloisa@enf.ufmg.br

2 Doutor, professor do curso de Enfermagem da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) - Divinópolis (MG), Brasil. E-mail: danielcortez@ufsj.edu.br

3 Doutora, professora do Departamento de Estatística da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG- Belo Horizon te (MG), Brasil. E-mail: ilka@est.ufmg.br

RESUMO

Objetivo:

Avaliar a educação em grupo para o controle metabólico dos usuários com diabetes mellitus 2 na Atenção Primária à Saúde. Método: Trata-se de um desenho pré e pós teste em um grupo com amostra consti tuída por 76 usuários com diabetes mellitus aleatoriamente recrutados. A educação em grupo consistia de três encontros mensais, perfazendo um total de seis encontros, nos quais eram desenvolvidas dinâmicas lúdicas e interativas. O acompanhamento ocorreu por seis meses durante o ano de 2010 e os resultados foram avaliados por meio de questionários específicos sobre conhecimentos da doença, atitudes psicológicas e autogerencia-mento dos cuidados. As avaliações foram realizadas no tempo inicial e após seis meses da intervenção.

Resulta dos:

A média de idade dos usuários era de 61,6 anos. Os achados da educação em grupo mostraram aumento nos escores do teste de conhecimentos, atitudes e do autogerenciamento dos cuidados. Observou-se redução nos níveis de HbA1c com significância estatística (p= 0,012).

Conclusão:

A educação em grupo foi efetiva para favorecer o controle da doença.

Palavras chave: Diabetes mellitus; educação; autocuidado; avaliação de programas e projetos de saúde; Enfer magem em Saúde Pública.

ABSTRACT

Objective:

To assess education for metabolic control in a group of health care users with diabetes mellitus 2 in Primary Health Care. Methodology: A pre- and post-test analysis was conducted using a randomly recruited sample of 76 patients with diabetes mellitus. Education consisted of three monthly meetings (six meetings in total) based on interactive group activities and games. A follow-up was performed for six months in 2010 and the results were evaluated using specific questionnaires on disease knowledge, psychological attitude and self-management. The evaluations were carried out at the beginning of the study and after six months of intervention.

Results:

The average age of users was 61.6 years. The findings for group education showed an increase in the test scores for knowledge, attitude and self-management. There was a statistically significant reduction in HbA1c levels (p=0.012).

Conclusion:

Group education was effective to promote disease control.

Key words: Diabetes mellitus; education; self-care; program evaluation; Public Health Nursing,

RESUMEN

Objetivo:

Evaluar la educación en un grupo para el control metabólico de los usuarios con diabetes mellitus 2 en Atención Primaria de Salud. Material y método: Se trata de un diseño pre y postest de un solo grupo con una muestra de 76 usuarios con diabetes mellitus reclutados al azar. La educación en grupo consistió de tres encuentros mensuales, totalizando un total de seis reuniones, en las que se desarrollaron dinámicas lúdicas e interactivas. El seguimiento se realizó durante seis meses en 2010 y los resultados se evaluaron mediante cues tionarios específicos en conocimiento de la enfermedad, actitudes psicológicas y autogestión de los cuidados. Las evaluaciones se realizaron al inicio del estudio y después de seis meses de intervención.

Resultados:

La edad media de los usuarios fue de 61,6 años. Los hallazgos de educación grupal mostraron aumento en las puntua ciones de la prueba de conocimientos, actitudes y autogestión de la atención. Hubo una reducción en los niveles de HbA1c con significación estadística (p=0,012).

Conclusión:

La educación en grupo fue eficaz para promover el control de la enfermedad.

Palabras clave: Diabetes mellitus; educación; autocuidado; evaluación de programas y proyectos de salud; En fermería en Salud Pública.

INTRODUÇÃO

Dentre os tipos de diabetes mellitus, o tipo 2 compreende 90% dos agravos presentes no mundo e está intimamente relacionado com o excesso de peso e a inatividade física 1,2. Devido ao crescente aumento de usuários com diabetes mellitus, fazem-se necessárias ações de promoção e prevenção assim como a implementação de uma atenção à saúde estruturada, contínua e focada em capacitar o usuário para o autogerenciamento desta condição, proporcionando conhecimentos, habilidades, atitudes e motivação para o au-tocuidado 3-5.

Nesta perspectiva, os programas de edu cação em grupo devem ser promotores de mudanças comportamentais, incluindo in formação, educação e comunicação interpes soal (profissional/usuário) adaptada aos ob jetivos, ao contexto sociocultural e ao estilo de vida dos usuários com diabetes mellitus 2 5,6. No processo de planejamento deste programa, é fundamental o uso de aborda gens construtivistas a partir de uma reflexão crítica da realidade em que se considere os valores, as opiniões, e as experiências dos usuários na construção dos conhecimentos e habilidades para adesão ao autocuidado 7.

A educação em grupo tem apresentado resultados positivos, ao visar à educação para o autocuidado em diabetes no âmbito da ali mentação adequada, da prática de atividade física, da capacidade para a resolução de pro blemas, entre outros cuidados. Essa estraté gia, quando abordada por meio da dialógica, da valorização do usuário, dos conhecimen tos e das atitudes, é considerada efetiva na prevenção de complicações, fortalecendo a autonomia e adesão para as práticas de au-tocuidado 8.

A prática educativa em grupo, sistemati zada, pautada na dialógica, na troca de expe riências e na escuta qualificada é considerada um ambiente no qual o usuário pode ex pressar dúvidas, sentimentos e queixas, ad quirindo confiança e autonomia para tomar decisões de forma consciente, frente às suas necessidades, visando à manutenção do seu autocuidado associado ao seguimento de um plano alimentar saudável e à prática de ativi-dade física (4,9,10).

Considerando que a educação é funda mental para o autogerenciamento dos cuida dos em diabetes mellitus, as unidades básicas de saúde têm realizado desde 2008 um pro grama educativo em diabetes, visando sen sibilizar e capacitar uma equipe multidisci plinar para o desenvolvimento estratégias de educação em grupo. Este processo é baseado em um plano de intervenção estruturado que visa construir com o usuário conhecimentos, atitudes e habilidades necessárias para: (a) o desempenho do autogerenciamento dos cuidados do diabetes no controle das crises (hipoglicemia; hiperglicemia) e (b) para a mudança de comportamento, especialmen te, para adoção de hábitos saudáveis de vida relacionados à alimentação e à atividade fí sica 11. Nesta perspectiva, o objetivo deste estudo foi avaliar a educação em grupo para o controle metabólico dos usuários com dia betes mellitus 2 na Atenção Primária à Saúde.

MÉTODO

Trata-se de um desenho pré e pós teste em um grupo com amostra constituída por usuários com diabetes mellitus tipo 2, de ambos os sexos, na faixa etária compreendi da entre 30 e 70 anos, usuários atendidos em duas Unidades Básicas de Saúde da atenção primária de um município de Minas Gerais (Brasil), e inseridos no programa de educa ção em grupo de diabetes mellitus, no ano de 2010. Utilizando-se o software GPower ver são 3.0.10 para o cálculo do tamanho amos-tral e os seguintes parâmetros estatísticos: nível de significância a=0,05; poder de teste (d=0,90 e diferença mínima (em desvios pa drões) a ser detectada entre os níveis médios de hemoglobina glicada (HbA1c) no início e ao final do estudo d=0,5, o número mínimo de sujeitos a serem recrutados foi calculado em 44. Considerando uma perda de 25% ao longo do estudo, o número mínimo de su jeitos a serem recrutados foi calculado em 59. Sendo assim, no início do estudo, foram recrutados 76 sujeitos por meio de registros em prontuários vinculados a duas Unidades Básicas de Saúde.

O contato com os usuários foi realizado por meio de ligações telefónicas, nos quais eram marcados os grupos, ressaltando a im portância da participação em todas as etapas do processo educativo. Foram realizados seis subgrupos (SG1, SG2, SG3, SG4, SG5, SG6) com média de 13 participantes em cada gru po, sendo realizados na segunda, quarta e sexta-feiras. Foram agendados três subgru pos (SG1, SG2, SG3) para o horário de 09 h às 11 h e, de 14 h as 16 h, os subgrupos (SG4, SG5, SG6) eram atendidos. Todos os usuários que assinaram o termo de consentimento fo ram orientados quanto ao estudo-educação em grupo.

Os critérios de inclusão foram: ter entre 30 e 70 anos, grau de escolaridade acima da quarta série do ensino fundamental e pos sibilidade de comparecer aos atendimentos. Não foram incluídos usuários com incapa cidade de leitura e complicações crónicas definidas como insuficiência renal, cegueira, amputação de membros.

A educação em grupo incluiu encontros de duas horas de duração. Em todas as seções a enfermeira conduzia o processo. A cada en contro, um ou mais profissionais de saúde apresentava um tema, por meio de dinâmicas interativas e lúdicas que eram fundamenta das em cartilhas e jogos educativos baseados nos conhecimentos teóricos e práticos. Os encontros em grupo eram realizados sempre com a mesma equipe multidisciplinar, pro curando modificar as metodologias de ensi no e aprendizagem para a fixação dos conhe cimentos. Os temas sobre diabetes mellitus explorados foram: fisiopatologia, prevenção das complicações agudas e crónicas, impor tância da dieta e da prática de atividades físi cas e cuidados com os pés.

Os profissionais de saúde (médico, en fermeiro, fisioterapeuta, terapeuta ocupa cional e nutricionista) foram orientados quanto à postura, linguagem e forma de comunicação. A educação em grupo com preendeu seis encontros durante seis meses, sendo três encontros logo após a coleta dos dados e três encontros em tempo três (três meses após o primeiro encontro). Ao final de seis meses (tempo seis) foram coletados os mesmos dados do tempo zero. Nos in tervalos dos tempos (processo educativo) os usuários foram monitorados via ligação telefónica, sendo informados e orientados quanto suas necessidades de manejo da die ta e atividade física.

A estrutura para a avaliação do programa de educação em grupo é fundamentada em algumas teorias e conceitos, tais como: (a) teoria da aprendizagem social 12, que de fine a aprendizagem social como o processo de aprendizado para o novo comportamento ou modificação do indesejável, atingido por meio da imitação; (b) modelo de crenças em saúde8, modelo conceitual para compreen der e explicar aspectos da promoção da saú de em relação aos valores pessoais e às opi niões e crenças dos indivíduos; (c) educação em saúde7, mostrando que o profissional de saúde deve usar uma linguagem compre ensível e simples, adequada à realidade e que tenha como ponto fundamental o indivíduo, buscando conhecer seus conhecimentos pré vios e suas necessidades em relação à doença.

Os dados foram coletados no tempo ini cial (T0), antes do início das atividades edu cativas e logo após o término do ciclo (mo mento) educativo nos seis (T6) meses de acompanhamento do programa educação em grupo.

As variáveis de interesse incluíram: co nhecimento sobre o diabetes, atitudes (res postas emocionais sobre a doença) e auto-gerenciamento (adesão à dieta e atividade física). Para tal, foram utilizados, respectiva mente, os questionários: conhecimento geral da doença (DKN-A), atitudes psicológicas (ATT-19) e autogerenciamento dos cuida dos do diabetes (ESM). Tais instrumentos foram constituídos, respectivamente, por 15, 19 e 08 questões fechadas, autopreenchíveis e anónimas, aplicados individualmente com apoio de entrevistadores treinados.

O Diabetes Knowledge Scale Questionnai re (DKN-A) (13) inclui um escore total de 15 pontos abordando os conhecimentos sobre o gerenciamento da doença. O usuário precisa adquirir no mínimo um escore de oito pon tos para mostrar uma melhora dos conheci mentos sobre a doença.

O Diabetes Attitudes Questionnaire (ATT-19) (13) contém 19 questões fechadas que descrevem as respostas emocionais sobre o diabetes mellitus. Cada enunciado é res pondido com a ajuda de uma escala do tipo Likert de cinco pontos, partindo de grande discordância até grande concordância. O va lor total do escore varia de 19 a 95 pontos. Um escore maior que 70 pontos indica atitu de positiva acerca da doença. O instrumento autogerenciamento dos cuidados do diabetes (ESM) (14) tem o escore total de 8 pontos. Para mostrar que o usuário alcançou uma mudança de comportamento, deve obter um escore mínimo de 5 pontos.

Os três instrumentos utilizados, DKN-A, ATT-19 e ESM, apresentam propriedades psicométricas que os tornam instrumentos válidos e confiáveis para avaliar respectiva mente, o conhecimento e compreensão, os aspectos psicológicos e emocionais, e o auto-cuidado nos usuários com diabetes mellitus o tipo 2 13,14.

Os usuários utilizaram de 20 a 30 min para completar cada questionário, perfazen do um total de duas horas.

Os indicadores clínicos do controle da doença foram: exame de hemoglobina gli-cada (HbA1c), que reflete a média do nível de glicose no sangue durante um período de três meses, além de índices lipídicos como triglicerídeos (TGL), colesterol total, lipo-proteínas de baixa densidade e alta densi dade (HDL, LDL) e o peso (balança Modelo PL150, Filizzola Ltda., Brasil).

Os resultados obtidos da coleta de dados e da aplicação dos questionários foram processados por meio do programa SPSS versão 19, com dupla digitação dos dados para controle dos possíveis erros. As análises estatísticas foram realizadas por meio do programa Minitab versão 17. A avaliação do efeito do tempo em cada uma das variáveis antropométricas foi realizada através da Análise de Variância com medidas repetidas, tendo sido verificada a suposição de normalidade dos dados por meio do teste de Anderson-Darling. As comparações múltiplas foram feitas por meio do teste de Tukey. Para as análises de correlação, utilizou-se o coeficiente linear de Pearson. O teste de Wilcoxon foi utilizado para dados pareados na comparação dos testes de Autocuidado, Conhecimento e Atitude. Para todas as análises, foi utilizado um nível de significância de 5%.

No que se refere às questões éticas, este trabalho foi apreciado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Mi nas Gerais e Secretária Municipal de Saúde de Belo Horizonte/MG, mediante o Parecer 0024.0.410.203-09.

RESULTADOS

Foram cadastrados 76 usuários com diabetes mellitus tipo 2 para participar da educação em grupo. As características dos usuários incluídos no estudo são apresentadas na Tabela 1. A distribuição dos usuários com relação às variáveis sóciodemográficas (idade, gênero, grau de escolaridade, renda, estado civil e tempo de diagnóstico da doença). Os 76 usuários apresentam a média de idade de 61,66 anos (DP= 10,51), sendo (84,21%) mulheres, casadas (64,5%), com renda média de 862,20 reais (1,7 salários mínimos (DP= 707,20 reais) ou 1,4 salários mínimos). Do total de 76 usuários, 85,6% possuem o 1° grau ou menos de escolaridade e têm tempo médio de diagnóstico da diabetes mellitus 2 igual a 11,04 anos (DP= 8,31) (Tabela 1).

Tabela 1 Caracterização da amostra no momento inicial do estudo. Belo Horizonte/MG, 2010. 

A partir das avaliações das variações das medidas antropométricas nos dois ciclos deste estudo, como apresentados na Tabela 2, foi possível observar diferença estatisti camente significativa entre as medidas de HbA1c do 2° e 1° ciclo. A HbA1c do 2° ciclo é, em média, 0,60 unidades menores do que a do 1° ciclo, considerando o intervalo de 95% de confiança para a diferença entre as médias de HbA1c no 2° e 1° ciclo: [-1,12; -0,09]%.

Quanto ao colesterol LDL, também foi possível observar diferença estatisticamente significativa entre as medidas do 2° e 1° ciclo. O valor do 1° ciclo é, em média, 11,40 mg/dl menor do que a do 2° ciclo, para um interva lo de 95% de confiança para a diferença entre as médias de colesterol LDL no 2° e 1° ciclo: [1,99; 20,81] mg/dl. Quanto às demais variá veis (colesterol total, HDL, VLDL, circunfe rência abdominal, peso e triglicérides), não foi possível observar diferença significativa entre os dois ciclos (Tabela 2).

Considerando os 41 usuários que partici param nos dois momentos do processo edu cativo, não foi possível observar diferenças estatisticamente significativas entre os esco res medianos de Autocuidado, Conhecimen to e Atitude nos dois momentos de avaliação (valores p iguais a 0,276, 0,300 e 0,313, res pectivamente) (Tabela 3).

Tabela 2 Caracterização da amostra nos dois momentos de avaliação das variáveis antro pométricas em estudo, Belo Horizonte/MG, 2010. 

Tabela 3 Caracterização da amostra nos dois momentos de avaliação dos testes de Autocuidado, Conhecimento e Atitude. Belo Horizonte, MG, 2010. 

Dos 76 usuários, 34 compareceram a, no mínimo, quatro encontros e a, no máximo, seis encontros. Desse subgrupo de usuários, 22 tiveram seu Conhecimento, Atitude e Autocuidado avaliados nos dois momentos. Nesse grupo de usuários, foi possível detec tar um relacionamento positivo entre a di ferença no nível de HbA1c e a diferença nas pontuações dos testes de Atitude. A correla ção linear entre a diferença da HbA1c do 2° para o 1° ciclo e a diferença das pontuações de atitude (final - inicial) pode ser considera da estatisticamente significativa, com coefi ciente de correlação de Pearson igual a -0,51 (valor p = 0,018). Isto indica uma correlação negativa moderada entre as duas variáveis. Assim, o aumento da diferença da pontuação de atitude está moderadamente associado à diminuição da HbA1c do 2° para o 1° ciclo (Figura 1).

Figura 1 Diagrama de dispersão para a diferença entre os valores de Glicohemoglobina no segundo e no primeiro ciclos (eixo vertical) e para a diferença entre os valores do escore de Atitude nos momentos final e inicial do estudo (eixo horizontal). 

Considerando os usuários que tiveram frequência nos grupos de quatro a nove en contros, foi possível detectar correlação linear estatisticamente significativa entre a diferen ça das pontuações do teste de conhecimen tos (momento final - momento inicial) e a diferença das pontuações do teste de atitude (final - inicial), com coeficiente de correla ção de Pearson igual a 0,62 (valor p = 0,002). Isto indica uma correlação positiva modera da entre as duas variáveis. Assim, o aumen to na diferença da pontuação de atitude está moderadamente associado ao aumento na diferença da pontuação de conhecimento (Figura 2).

DISCUSSÃO E CONCLUSÃO

Os resultados encontrados mostram que a maioria dos usuários são do sexo feminino, com baixo grau de instrução e idade média acima de 60 anos. Alguns estudos apontam

Figura 2 Diagrama de dispersão para a diferença entre os valores do escore de Conhecimento nos momentos final e inicial do estudo (eixo horizontal) e para a diferença entre os valores do escore de Atitude nos momentos final e inicial do estudo (eixo vertical). 

associação entre tais achados com a presen ça de diabetes mellitus, além da interferên cia destes fatores na adesão ao autocuidado 15-17). Além do sexo, escolaridade e idade, estudo recente, realizado no Brasil com 1.320 usuários com diabetes, encontrou resultado semelhante em relação ao estado civil, com mais de 60% da população apresentando-se com companheiro. Além disso, o tempo de diagnóstico da maioria dos participantes es tava acima de 10 anos 18).

Observou-se que o programa educativo em grupo para diabetes mellitus 2 reduziu os níveis de HbA1c, indicando uma melhora no controle metabólico dos usuários. Os acha dos demonstram que a educação em grupo pode favorecer a mudança de comportamen to e melhora do controle glicêmico, refor çando que os efeitos da educação terapêutica têm limitada duração, requerendo reforço periódico. Pesquisa recente desenvolvida na China obteve resultados semelhantes ao do presente estudo, revelando melhora no valor da hemoglobina glicada, bem como do auto cuidado dos participantes, a partir do uso de estratégias centradas no usuário e que visa vam à mudança do seu comportamento 19. A literatura coloca que a redução da hemo globina glicada está associada ao tempo de contato com o profissional da área da saúde, que no caso deste programa educativo em grupo foi em média 12 h, o qual proporcio nou a sustentabilidade das ações e do progra ma educativo 20.

Sobre os parâmetros lipídicos e o pró prio peso, observa-se diminuição, mas sem significância estatística. Alguns estudos, que apresentaram resultados semelhantes, tem discutido que os programas para o controle do diabetes baseiam-se principalmente em metas rigorosas para hemoglobina glicada, devido ao seu curto espaço de tempo. Com a implementação deste tipo de programa por mais tempo, demais resultados podem ser al cançados 21,22.

Os dados sobre o conhecimento da doença apontam que a maioria dos usuários obteve escores inferiores ou iguais a oito, indicando resultado insatisfatório para a compreensão a cerca do autocuidado. E no segundo mo mento, após a intervenção educativa, os re sultados relativos à aplicação do questionário DKN-A, apresentaram média de 8,76, o que sugere uma melhora do conhecimento em diabetes mellitus. Estudo mostra que, após um programa educativo, 78,05% de seus 82 participantes obtiveram escores superiores a 8 em relação ao conhecimento sobre a doen ça, indicando melhora da compreensão acer ca da doença 23.

Em relação aos escores obtidos pela apli cação do ATT-19, constatou-se que a maioria dos escores foram inferiores a 70 pontos, o que indica que ainda não alcançaram atitu des positivas frente às modificações espera das no estilo de vida para obtenção de um bom controle metabólico. Alguns autores afirmam que nem sempre o conhecimento leva a modificação de atitudes em relação às demandas diárias, por isso, o aumento do co nhecimento não é, isoladamente, suficiente para melhorar a adesão às práticas de auto-cuidado 2,11,12. Observou-se, na educa ção em grupo, que os usuários reconheceram a dieta e a prática regular de atividade física como fatores importantes para o controle da doença, porém estes não foram relatados como hábitos praticados com frequência pela maioria, como apresentados na média dos escores da variável mudança de compor tamento.

A educação para o autocuidado e a cons trução do conhecimento é um processo difícil, especialmente no caso do diabetes mellitus 2, uma doença que afeta usuários de todas as idades, com diferentes níveis educa cionais, bases sociais e ambientais 6,11,20. Faz-se necessário, portanto, a utilização de uma abordagem construtivista de aprendi zagem continuada capaz de contribuir para o despertar do potencial reflexivo, crítico e criativo tanto dos profissionais quanto dos usuários 7.

Estudos recentes mostram que estraté gias de ensino-aprendizagem pautadas no processo de empoderamento são essenciais para facilitar e dar suporte aos usuários na adesão as praticas de autocuidado 8,9,23,24. Empoderar não envolve convencer, per suadir ou impor mudanças de hábitos. Signi fica facilitar e apoiar os usuários no processo de autorreflexão com os objetivos de corres-ponsabilizálos por seus problemas de saúde e de favorecer uma mudança positiva de seus comportamentos, emoções e/ou atitudes. Tal abordagem propicia uma maior conscienti-zação e compreensão das consequências de suas decisões 23,24.

Estudos demonstram que os profissionais de saúde reconhecem essa metodologia par ticipativa como importante para as práticas educativas. Entretanto, existem dificultado-res a serem transpostos nesse processo. Den tre eles destacam-se a escassez de formação pedagógica e de uma educação permanente capaz de dar suporte no planejamento, con dução e avaliação das práticas sistematizadas. Soma-se a isso, a ausência de uma postura positiva e motivadora em relação ao traba lho, devido a fatores intrínsecos e extrínsecos ao serviço 24.

Uma das limitações deste estudo diz res peito às perdas dos usuários durante a avalia ção do programa educativo e o curto período de acompanhamento. A ausência de um gru po controle não permitiu estabelecer evidên cias associativas com o grupo intervenção.

O presente estudo contribui para o avan ço do conhecimento em diabetes e a avalia ção de estratégias educativas, visando conhe cer seus efeitos no controle da doença. Além disso, permite discutir os possíveis limites e opções de aperfeiçoamento do processo de educação em saúde, associado aos programas para diabetes.

A prática educativa apresenta-se como a melhor maneira de conscientizar o usuário com diabetes sobre a importância do conhe cimento e atitudes sobre a doença e a mu dança de comportamento associada a dieta e atividade física. É um momento no qual usuário e profissionais de saúde discutem todas as informações acerca da doença e do tratamento.

Agradecimentos

Pesquisa Financiada pela Fundação de Am paro à Pesquisa de Minas Gerais (FAPEMIG) Processo: APQ-01301-10 , apoiada pelo Nú cleo de Gestão, Educação e Avaliação em Saú de do Departamento de Enfermagem Aplica da da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (EE/UFMG).

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Recebido: 17 de Dezembro de 2014; Aceito: 15 de Agosto de 2016

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