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Ciencia y enfermería

versão On-line ISSN 0717-9553

Cienc. enferm. vol.22 no.2 Concepción ago. 2016

http://dx.doi.org/10.4067/S0717-95532016000200006 

INVESTIGACIONES

 

ESTRATÉGIAS DE CUIDADO À SAÚDE DE GESTANTES VIVENDO COM HIV: REVISÃO INTEGRATIVA

CARE STRATEGIES FOR PREGNANT WOMEN LIVING WITH HIV: INTEGRATIVE REVIEW

ESTRATEGIAS DE CUIDADO A LA SALUD DE EMBARAZADAS VIVIENDO CON VIH: REVISIÓN INTEGRATIVA

 

Raquel Einloft Kleinibing*
Cristiane Cardoso de Paula**
Stela Maris de Mello Padoin***
Clarissa Bohrer da Silva****
Tamiris Ferreira Daiani Oliveira Cherubim******

* Enfermeira. Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, RS, Brasil. Email: raquel_e_k@hotmail.com

** Enfermeira. Docente do Departamento de Enfermagem e do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, RS, Brasil. Email: cris_depaula1@hotmail.com

*** Enfermeira. Docente do Departamento de Enfermagem e do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, RS, Brasil. Email: stelamaris_padoin@hotmail.com

**** Enfermeira. Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil. Email: clabohrer@gmail.com

***** Enfermeira. Acadêmica de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, RS, Brasil. Email: tamirisf26@hotmail.com

****** Enfermeira. Santa Maria, RS, Brasil. Email: daiacherubim@hotmail.com


RESUMO

Objetivo: Avaliar as evidências disponíveis na literatura sobre as estratégias de cuidado na atenção à saúde de gestantes vivendo com HIV. Método: Revisão integrativa. A busca ocorreu em maio de 2016, nas bases de dados Lilacs, PubMed e Scopus, utilizando a estratégia ((prenatal care or pregnant women) and (HIV or Acquired Immunodeficiency Syndrome)). Selecionou-se 57 estudos com nível de evidência de 2 a 6. Resultados: A análise dos dados possibilitou avaliar as evidências de estratégias de cuidado: aconselhamento; testagem anti-HIV; contagem de carga viral; suporte nutricional; terapia antirretroviral; inclusão do companheiro no pré-natal; planejamento reprodutivo; visita domiciliar; ações educativas; capacitação profissional; implantação de sistema integrado de informação; escolha da via de parto. Conclusão: Faz-se necessário a qualificação dos profissionais de saúde, o que favorecerá a adesão da gestante às medidas estabelecidas durante o pré-natal.

Palavras chave: Cuidado pré-natal, gestantes, HIV, Síndrome da Imunodeficiência Adquirida.


ABSTRACT

Objective: To evaluate the evidence available in the literature on care strategies for pregnant women living with HIV. Methods: Intregrative review. The data collection took place in may 2016, in the Lilacs, PubMed and Scopus database, making use of the search terms ((prenatal care orpregnant women) and (HIV or Acquired Immunodeficiency Syndrome)). 57 studies with evidence level between 2 to 6 were selected. Results: Data analysis allowed us to evaluate the evidence in terms of care strategies: counseling; anti-HIV testing; viral load count; nutritional support, antiretroviral therapy; partner inclusion in the prenatal period; reproductive planning; home visit; educational actions, professional training; the implementation of the integrated system of information; selection of child delivery method. Conclusion: The qualification of health professionals in this area is necessary because it will favor the adhesion of the pregnant women to the measures established during the prenatal period.

Key words: Prenatal care, pregnant women, HIV, Acquired Immunodeficiency Syndrome.


RESUMEN

Objetivo: Evaluar las evidencias disponibles en la literatura sobre las estrategias de cuidado en la atención a la salud de embarazadas viviendo con VIH. Material y método: Revisión integrativa. La búsqueda ocurrió en mayo de 2016, en las bases de datos Lilacs, PubMed y Scopus, utilizando la estrategia ((prenatal care or pregnant women) and (HIV or Acquired Immunodeficiency Syndrome)). Fueron seleccionados 57 estudios con nivel de evidencia de 2 a 6. Resultados: El análisis de datos permitió evaluar las evidencias de estrategias de cuidado: asesoramiento; probación anti VIH; contaje de carga viral; soporte nutricional; terapia antirretroviral; inclusión del compañero en el prenatal; planeamiento reproductivo; visita domiciliaria; acciones educativas; capacitación profesional; implantación de sistema integrado de información; elección de la vía de parto. Conclusión: Se hace necesaria la calificación de los profesionales de salud, lo que favorecerá la adhesión de embarazadas a las medidas establecidas durante el prenatal.

Palabras clave: Cuidado prenatal, mujeres embarazadas, VIH, Síndrome de Inmunodeficiencia Adquirida.


 

INTRODUÇÃO

Desde o diagnóstico dos primeiros casos de Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), na década de 80, o perfil epidemiológico da infecção pelo HIV sofreu transformações, como avanço dos casos entre as mulheres, principalmente, em idade reprodutiva. Isto resultou na incidência de AIDS em crianças, na categoria de exposição transmissão vertical (TV) do HIV (1).

A feminização da epidemia tem sinalizado a importância de estratégias de prevenção de casos de infecção, especialmente o investimento na terapia antirretroviral (TARV) (2).

Tem-se buscado atingir o controle da TV por meio da continuidade dos esforços preventivos e de estímulo à captação e monitoramento dos novos casos (1).

A distribuição de insumos como testes rápidos, exames de seguimento, medicamentos antirretrovirais e materiais técnicos vem formando a base dos esforços na busca pela remissão dos novos casos de infecção (3). Há a necessidade de fundamentar essas ações de cuidado em estratégias como: aconselhamento, diagnóstico precoce, acolhimento, vínculo entre profissionais e usuárias, entre outras (4). Imprescindível, também, contemplar questões sociais na atenção à saúde, sugerindo a necessidade da implementação e intensificação de estratégias de prevenção existentes (5-6).

Nesse sentido, embora o Brasil tenha apresentado um progresso na direção da eliminação da TV, evidenciada pelo decréscimo de 33,3% dos casos em menores de cinco anos de idade, o sexto objetivo do Milênio, assumido no ano de 2000 junto à Organização Mundial da Saúde, ainda está aquém do ideal1.

As falhas na identificação precoce das gestantes soropositivas para o HIV suscitam a importância do reconhecimento da forma de implementação da assistência e de estratégias utilizadas para o cuidado nos serviços públicos de saúde, representando uma importante questão quando se busca efetivamente a redução da TV e a qualificação da atenção materno-infantil (7-8).

Sendo assim, o objetivo deste estudo foi avaliar as evidências disponíveis na literatura sobre as estratégias de cuidado na atenção à saúde de gestantes vivendo com HIV.

MÉTODO

Trata-se de uma revisão integrativa (9), com a questão norteadora: "Quais as estratégias de cuidado desenvolvidas pelos profissionais de saúde às gestantes vivendo com HIV no pré-natal?"

Buscaram-se produções nas bases de dados Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), National Library of Medicine/National Institutes of Health (PubMed) e SciVerse Scopus (SCOPUS), utilizando-se, como estratégia de busca, a combinação dos descritores/mesh terms/key words: "Cuidado pré-natal/ prenatal care" or "gestantes/ pregnant women" and "HIV" or "Sindrome da Imunodeficiência Adquirida/ Acquired Immunodeficiency Syndrome".

O levantamento dos dados ocorreu em maio de 2016. Os critérios de inclusão foram: artigos de pesquisa que respondessem a questão norteadora; disponíveis na íntegra online; nos idiomas inglês, português ou espanhol. Os critérios de exclusão foram: artigos sem resumo na base de dados ou texto não disponível na íntegra. Os artigos que encontraram-se repetidos nas bases de dados foram considerados uma única vez. Foram encontrados 4228 artigos, dos quais 57 foram selecionados, conforme critérios de inclusão supracitados (Figura 1). O fluxograma de seleção dos resultados a seguir, indica o consenso entre os revisores.

Figura 1. Estrutura da seleção do corpus para avaliação das evidências de estratégias de cuidado na atenção à saúde de gestantes vivendo com HIV. LILACS, PubMed e SCOPUS, 2016.

Após leitura exaustiva dos estudos incluídos, preencheu-se um instrumento validado, com os seguintes itens: identificação do artigo, procedência do estudo, área do conhecimento, objetivo e delineamento do estudo, nível de evidência e principais resultados (10-11) (Quadro 1).

No que se refere aos aspectos éticos, foram respeitadas as ideias, os conceitos e as definições empregadas pelos autores dos artigos analisados, as quais foram apresentadas e citadas fidedignamente.

Quadro 1. Corpus da Revisão Integrativa. Lilacs, PubMed e Scopus, 2016.
















RESULTADOS

Quanto à procedência, a África e os Estados Unidos da América destacaram-se com 16 e 13 produções, respectivamente, seguido pelo Brasil que apresentou sete produções. A área de concentração com o maior número de publicações foi a Medicina, com 41 estudos, seguida pelas áreas da Epidemiologia e Saúde Pública, com três estudos cada. Com relação à classificação das evidências, no que tange as ruestões de pesruisa dos estudos primários, 30 produções eram voltadas para prognóstico/etiologia, enquanto que 23 produções ao tratamento/intervenção e três ao significado. Os níveis dois e quatro destacaram-se com 29 e 18 produções, respectivamente.

A análise dos dados (n=57) possibilitou avaliar as evidências de estratégias de cuidado na atenção à saúde de gestantes vivendo com HIV: aconselhamento (12-21); testagem anti-HIV (12-18, 21-32); contagem de carga viral (33-35); suporte nutricional (36-37); Terapia antirretroviral (TARV) (19, 28, 3852); inclusão do companheiro no pré-natal (32, 53-59); planesamento reprodutivo (6061); visita domiciliar (46-47); ações educativas (16, 62-65); capacitação profissional (46-47); implantação de sistema integrado de informações (66); escolha da via de parto (43, 67-68).

DISCUSSÃO E CONCLUSÃO

O aconselhamento, desenvolvido tanto pré quanto pós-testagem anti-HIV, foi identificado como o ponto inicial das ações preventivas ao HIV. Durante o pré-natal, pode representar uma ferramenta eficaz para promover, além da prática sexual segura, a prevenção da TV (1213, 20-21), pois pode resultar em uma maior captação das gestantes e, consequentemente, elevação das chances de prevenção. Estudos realizados na Nigéria e na China revelaram que o maior conhecimento sobre HIV e TV, obtido durante o aconselhamento, associa-se positivamente à aceitação de outras estratégias como, por exemplo, a testagem anti-HIV (14-15) e adesão aos medicamentos antirre-trovirais (19).

Embora estes estudos demonstrem a elevada realização de aconselhamento (14-16), ainda podem-se observar lacunas nas consultas de pré-natal, na qual muitas gestantes permanecem sem receber aconselhamento e, com isso, a testagem. Isto inviabiliza a detecção precoce dos casos de infecção pelo HIV (21), culminando na necessidade de investimento em intervenções que promovam a realização do aconselhamento nos serviços de saúde (17). No Zimbabwe, voluntários capacitados foram recrutados para promover o aconselhamento às gestantes em contextos de recursos escassos. Esta iniciativa contribuiu para o aumento da cobertura de aconselhamento e testagem anti-HIV (18).

A requisição do teste sorológico para o HIV representa uma oportunidade de diagnóstico precoce do HIV (31). As elevadas taxas testagem identificadas na Nigéria, Canadá e Camarões (16-17, 32), convergem com os achados na China, na qual a oferta do teste anti-HIV no pré-natal foi associada ao conhecimento prévio quanto aos riscos da TV, evidenciando a relevância das informações ofertadas no aconselhamento. Neste estudo, as mulheres mostraram-se 6,8 e 6,9 vezes mais dispostas a receber a testagem (15).

Estes resultados convergem com o estudo realizado na Nigéria, na qual 96,1% das mulheres mostraram-se dispostas a realizar o teste durante a gestação, principalmente após compreenderem sua importância para a prevenção da TV (14). Além disso, quando o aconselhamento e a testagem incluiam o companheiro, o maior conhecimento obtido sobre o HIV, culminou na prática sexual segura com uso de preservativo (12-13).

Tendo em vista que a não realização da testagem durante o pré-natal relacionou-se à identificação tardia de complicações relacionadas à progressão da doença, infecções e óbitos em mulheres, crianças e parceiros sexuais (21), diferentes métodos diagnósticos, por meio de sorologia anti-HIV foram identificados. A Polymerase Chain Reaction, que consiste na tecnologia de amplificação molecular, permitiu a identificação precoce de infeccção pelo HIV e, com isso, a otimização da profilaxia com administração de Terapia Antirretroviral Altamente Ativa (Highly Active Antiretroviral Therapy, HAART), reduzindo a TV do HIV (28). Estudo realizado no México, com o obsetivo de diagnosticar, tratar e prevenir a TV, utilizou testagem rápida por meio de fluído oral. As gestantes diagnosticadas receberam HAART o que culminou numa taxa de prevenção da TV de 100%, reduzindo a morbimortalidade e os custos (29).

Na Colômbia, um estudo foi desenvolvido para identificar, dentre três estratégias de triagem ao HIV atualmente disponíveis (testagem voluntária, universal e opcional), a que possui melhor relação custo-eficácia. A testagem universal, realizada por meio dos testes de terceira geração (ELISA I e II) foram identificados como estratégias para a detecção de infecção materna pelo HIV, representando ferramentas diagnósticas menos onerosas, mais eficazes e de melhor aceitação de rastreio (30).

Estes resultados convergem com os encontrados no Canadá, na qual a estratégia "opt-out", o teste é solicitado de maneira universal, como parte da rotina de pré-natal, aumentou significativamente as taxas de testes anti-HIV, comparado a média provincial (22). Na Finlândia, a combinação do rastreio universal com a atuação multidisciplinar no maneso de gestantes permitiu o tratamento individualizado, levando ao diagnóstico em tempo oportuno, prevenindo a TV do HIV (23).

O teste rápido realizado durante a gestação e repetido ao final desta mostrou-se eficaz no rastreio e confirmação do diagnóstico de HIV na África, representando um dispositivo complementar na prevenção da transmissão do HIV, tanto na categoria de exposição vertical quanto horizontal (24). Um estudo realizado na Província de Battambang, no Cambodsa, identificou a viabilidade dos testes rápidos anti-HIV durante o pré-natal e parto, tendo em vista que o sucesso na prevenção da TV tem esbarrado na baixa absorção e realização de testes em gestantes. Com isso, os pesquisadores determinaram que a abordagem de repetição do teste rápido é viável do ponto de vista econômico e atingiu um alto percentual de aceitação pelas gestantes no pré-natal (95,5 e 99,4%) (25).

Resultados semelhantes foram encontrados por pesquisadores dos Estados Unidos, na qual promoveram a repetição do teste rápido no momento do parto em Uganda, considerando que o teste realizado somente no início da gestação limita a descoberta da infecção aguda pelo HIV, por não haver anticorpos ainda detectáveis, bem como a ocorrida durante o decorrer da gestação. Tal estratégia apresentou viabilidade de custo-eficácia na prevenção da TV, frente aos recursos econômicos limitados deste país (26).

Em um estudo realizado no Brasil, nas cidades do Rio de Janeiro e Porto Alegre, foi demonstrada a realização do teste rápido para o HIV durante o parto e pós-parto em maternidades, tendo em vista que 95% das mulheres dão a luz em hospitais, representando uma oportunidade para realização do teste. No entanto, salientou-se a necessidade de haver a disponibilização irrestrita e voluntária do aconselhamento, dos testes e TARV, para que seja possível ofertar um pré-natal de qualidade e coerente com os esforços para a prevenção da TV (27).

O acesso a carga viral do HIV e contagem de linfócitos T CD4 durante o pré-natal, parecem associar-se, também, à redução da TV (33). No entanto, ressalta-se a importância de se considerar o risco de TV relacionado à idade materna, idade gestacional e realização do acompanhamento pré-natal, uma vez que, relaciona-se ao menor risco de TV em mulheres mais jovens (34).

Os resultados apresentados acima convergem com os achados de um estudo realizado na Colômbia, na qual observou que a carga viral inicial de 10.000/mm3, a falta de acompanhamento pré-natal e o diagnóstico tardio durante a gestação consistiam em preditores de TV (35).

O estado nutricional materno consiste, também, em um fator a ser considerado durante o pré-natal. Nesse sentido, a suplemen-tação nutricional foi demonstrada nos Estados Unidos, na qual a disponibilização de multi-vitamínicos e suplemantação com vitamina A resultou no maior ganho ponderal durante o segundo e terceiro trimestre gestacional, em comparação com gestantes que não receberam suplementação ou receberam apenas suplementos multivitamínicos (36). Além disso, a suplementação nutricional com vitaminas A e do complexo B, C e E, apresentou efeito protetivo contra a malária em gestantes com HIV na Tanzânia (37).

O manejo medicamentoso com TARV quando administrado de maneira ágil e seguido corretamente, auxilia na redução da TV, evitando a perda de oportunidades de prevenção (38-40, 52). Na África Subsaariana, um estudo desenvolvido com gestantes soropo-sitivas ao HIV demonstrou que o tratamento com HAART reduz significativamente a incidência de TV. Por meio do teste Polymerase Chain Reaction, identificou-se a incidência de 0,00% de TV em crianças expostas ao HIV devido a sorologia materna positiva ao HIV em tratamento com HAART, comparado com a incidência de 6,82% naquelas com outros tipos de tratamento (28).

Convergente com esses achados, um projeto desenvolvido na China, na qual a HAART foi oferecida para todas as gestantes infectadas pelo HIV, a taxa de TV foi de 1%, evidenciando a eficácia e segurança deste método (41). Na França, mães que estavam praticando aleitamento materno exclusivo receberam HAART. Os resultados apontaram uma taxa de TV para cerca de 1,3%, sendo similar a taxa de incidência quando a opção de alimentação infantil é a fórmula láctea (1%) (42).

Entretanto, contrastando-se à realidade de países desenvolvidos, o Ministério da Saúde (MS) do Brasil recomenda a utilização de fórmula láctea ou o credenciamento em bancos de leite. Em casos especiais, o banco de leite humano credenciado ao MS é recomendado à recém-nascidos pré-termo ou de baixo peso (5). No Brasil, os resultados satisfatórios de uma pesquisa apontaram o elevado cumprimento das ações propostas pelo MS. A cobertura de TARV durante a gestação, parto e ao recém-nascido ultrapassou 90% (43).

Contudo, salienta-se que ao avaliar-se a eficácia da TARV, o conhecimento do perfil fármacoepidemiológico, por meio da atuação do serviço farmacêutico na administração correta do tratamento, é fundamental, tanto para a identificação do nível de adesão a TARV, quanto para a promoção da satisfação do usuário com as terapias de manejo da infecção e profilaxia da TV (44).

Contudo, para que as estratégias sejam efetivamente adotadas, há a necessidade de maior integração de cuidados referentes ao TARV em clínicas pré-natais, o que promove uma maior captação e adesão, tanto materna ao tratamento e testagem para o HIV, quanto da criança exposta (45-47).

Um estudo, realizado em clínicas rurais no Kenya, apontou que, do ponto de vista dos profissionais que prestam cuidados às gestantes vivendo com HIV, a integração de HAART aos cuidados pré-natais habituais é viável e implica na melhoria da qualidade do cuidado, por meio de maior precisão nos registros, aproximação entre profissionais e usuárias do serviço advinda da maior satisfação com o trabalho e com os serviços prestados, trazendo maior adesão ao acompanhamento pré-natal e às medidas de profilaxia da TV do HIV (48).

Estudos realizado nos Estados Unidos e na África demonstraram que a intergração de antirretrovirais com a assistência pré-natal acarretou uma maior captação de mulheres durante a gestação, em comparação com o encaminhamento para a realização da TARV, em locais que possuem poucos recursos econômicos, diminuindo o tempo estimado para iniciação da profilaxia, o que repercutiu positivamente na prevenção da TV (49-51).

A inclusão do companheiro no cuidado pré-natal foi identificada em estudos no Cambodja, Estados Unidos e Camarões, na qual se mostrou positivamente associada com a participação das gestantes no pré-natal (32), facilitando a disponibilização da TARV em regiões rurais e a adesão aos cuidados de prevenção da TV do HIV (32, 53-54). A utilização de cartas convite como intervenção para estimular a participação masculina nos cuidados pré-natais (59), resultou em uma maior participação dos homens nos serviços de saúde (30%) e, com isso, propiciou o aconselhamento pré e pós-teste ao casal (55-56).

A participação masculina nos cuidados pré-natais, aconselhamento e testagem para o HIV em serviços de Atenção Primária a Saúde foi descrita. Mulheres que obtiveram apoio do companheiro nos cuidados, apresentaram maiores índices de adesão a profilaxia da TV com nevirapina e a recomendação de não amamentar, optando pela fórmula artificial em comparação com aquelas na qual o parceiro não teve participação nos cuidados (57-58).

Essas medidas quando incorporadas conjuntamente às outras estratégias, como o planejamento reprodutivo, ampliam a capacidade de intervenção ao HIV, auxiliando na eficácia das ações. A concretização dessa iniciativa, no entanto, implica, além da estruturação dos serviços para a garantia dos direitos reprodutivos dessa população, em expandir os serviços, inclusive, considerando sua importância como vértice estratégico nos programas de atenção ao HIV, o que pode contribuir para a prevenção da transmissão do HIV (60-61).

Estes achados suscitam a importância dos dados trazidos por pesquisas na África, quanto ao incentivo às visitas domiciliares durante a gestação, até o sexto mês de vida dos recém-nascidos. Isto pode levar ao aumento da cobertura de gestantes recebendo TARV, maior sensibilização para o uso de preservativos nas relações sexuais e maior conscientização quanto a amamentação exclusiva por, pelos menos, seis meses (46-47).

As ações educativas foram consideradas estratégias oportunas para o esclarecimento sobre as temáticas do HIV, TV e testagem durante o período gestacional, auxiliando nas decisões relativas à gestação e uso de antirre-trovirais, reduzindo a infecção infantil pelo HIV (62-63).

Nesse sentido, as Intervenções de Educação em Saúde podem atuar como componentes complementares fundamentais às ações de prevenção da TV e de manejo da infecção materna, na medida em que promovem maiores conhecimentos sobre as estratégias utilizadas, associando-se positivamente com aceitação das mesmas (64-65). No Canadá, por exemplo, o desenvolvimento de um folheto educativo culminou no aumento das taxas de aconselhamento e testagem, de 13 para 72%, o que contribuiu significativamente para a redução da TV do HIV (17).

No entanto, para que as ações educativas exerçam o seu propósito, a capacitação profissional deve ser oferecida e estimulada nos serviços de saúde (46-47). Um estudo realizado na África demonstrou que capacitar os profissionais quanto a importância do acompanhamento pré-natal e da prevenção da TV às gestantes soropositivas ao HIV, provocou o aumento da indicação e iniciação da TARV, o que repercutiu positivamente na saúde materno-infantil (46).

Outros dispositivos com vistas à redução da TV do HIV podem ser observados no Chile, na qual desde 1995 foi implementada uma estratégia preventiva que objetivou beneficiar mulheres vivendo com HIV e seus recém-nascidos expostos à infecção. Essa conduta consistiu na criação, por especialistas na área, de um Sistema de Registro Eletrônico, a fim de promover a otimização dos recursos e adesão às estatisticas em tempo real. Ressalta-se que a Vigilância Epidemiológica define-se como sendo um processo de coleta contínua, análise e interpretação dos dados de maneira a detectar, em tempo hábil, questões de saúde que possam afetar negativamente a população (66).

A escolha da via de parto consiste na etapa final das ações de prevenção durante o pré-natal. No Brasil, a cesariana é recomendada, preferencialmente, às parturientes vivendo com HIV. Um estudo efetuado na cidade de Fortaleza revelou a alta prevalência de cesárea (92,8%) comparada ao parto vaginal. Ainda, os pesquisadores identificaram que este procedimento favoreceu o cumprimento das demais recomendações propostas pelo MS do Brasil, como, por exemplo, a administração de antirretrovirais intraparto (43).

Contudo, na Espanha, a indicação do parto vaginal não acarretou em nenhum caso de TV do HIV, o que sinaliza uma alternativa às parturientes, apesar das atuais recomendações que elegem a cesárea como método mais eficaz para evitar a TV (67). Ainda, a utilização da desinfecção vaginal com Cloreto de Benzal-cônio pode ser considerada como uma intervenção complementar viável e bem tolerada ao final da gestação, diminuindo a carga viral no trato genital previamente ao início do trabalho de parto ou da ruptura das membranas (68).

Por meio das evidencias científicas encontradas neste estudo, pode-se constatar a existência de diversas estratégias de cuidado direcionadas às gestantes vivendo com HIV. Estas visam, em sua grande maioria, a redução da TV do HIV e, quando seguidas corretamente, representam potenciais intervenções para evitar a infecção perinatal e promover o manejo adequado da infecção materna.

Para tanto, faz-se necessário a qualificação dos profissionais que realizam o cuidado às gestantes vivendo com HIV, para que as oportunidades de prevenção da TV sejam efetivamente aproveitadas, destacando-se o a importância do incentivo às ações educativas e da inclusão do companheiro nos serviços de saúde, o que promoverá um cuidado individualizado e inclusivo, favorecendo a adesão às medidas estabelecidas durante o pré-natal.

NOTAS

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Fecha recepción: 21/01/15 Fecha aceptación: 12/08/16

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