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Ciencia y enfermería

versión On-line ISSN 0717-9553

Cienc. enferm. v.15 n.3 Concepción  2009

http://dx.doi.org/10.4067/S0717-95532009000300004 

CIENCIA y ENFERMERÍA XV (3): 21-28, 2009

 

ARTÍCULOS

 

O SIGNIFICADO DA ASSISTÉNCIA DE ENFERMAGEM SEGUNDO ABORDAGEM DE ALFRED SCHÜTZ

THE SIGNIFICANCE OF THE NURSING ASSISTANCE SECOND ALFRED SCHÜTZ

EL SIGNIFICADO DE LA ASISTENCIA DE ENFERMERÍA SEGÚN ENFOQUE DE ALFRED SCHÜTZ

 

Miriam Marinho Chrizostimo1
Ann Mary Machado Tinoco Feitosa Rosas2
Luizélia Alves
3
Miriam Gentil Bartoly
3
Carlos Magno Carvalho da Silva
3
Enilda Moreira Carvalho Alves
1

1 Enfermeira, Professora Mestre do Departamento de Enfermagem de Fundamentos de Enfermagem e Administracáo da Escola de Enfermagem Aurora de Afonso Costa da Universidade Federal Fluminense. Brasil. E-mail: miriammarinho@hotmail.com / pro-fmiriammarinho@yahoo.com.br

2 Enfermeira. Docente Doutora do Departamento de Metodología da Enfermagem da Escola de Enfermagem Anna Nery da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Brasil.

3 Enfermeira Supervisora da Divisáo de Supervisáo da Rede Contratada e Conveniada do Departamento de Supervisáo Técnica-metodológica da Fundacáo Municipal de saúde de Niterói. Brasil.

3 Enfermeira Supervisora da Divisáo de Supervisáo da Rede Própria do Departamento de Supervisáo Técnica-metodológica da Fundacáo Municipal de saúde de Niterói. Brasil.

3 Enfermeiro graduado pela Universidade Federal Fluminense. Discente do Mestrado Académico em Ciencias do Cuidado em Saúde (MACCS). Escola de Enfermagem Aurora de Afonso Costa (EEAAC/UFF). Brasil. E-mail: mcarvalho27@yahoo.com.br

1 Enfermeira, Professora Mestre, do Departamento de Enfermagem de Fundamentos de Enfermagem e Administracáo da Escola de Enfermagem Aurora de Afonso Costa da Universidade Federal Fluminense. Brasil. E-mail: enildacarvalhoalves@yahoo.com.br


RESUMO

Trata-se de um artigo de revisao bibliográfica que busca uma articulacao entre a assisténcia de enfermagem e a fenomenología de Schütz. Objetiva-se revisar o significado da assisténcia de enfermagem segundo a abordagem fenomenológica de Schütz, que se fundamenta na ação do enfermeiro, na motivação e razoes. O referencial teórico está apoiado na fenomenología sociológica de Schütz. O estudo apontou os motivos-para e os motivos-porqué para a compreensáo do significado dessa assisténcia; o primeiro destaca a recuperação, promoção da saúde, conforto, bem estar e seguranca do cliente; o segundo ressalta a importancia do ambiente e condicoes adequadas para o desenvolvimento da assisténcia. Sao necessários modelos de gestáo participativa e estrategias ¡novadoras para a transformação da prática e o desenvolvimento do cuidar holístico e humanizado com qualidade, pautados no paradigma sanitario.

Palavras chave: Atenção de Enfermagem, enfermeira, filosofía em enfermagem.


ABSTRACT

This article is a review of the literature looking for a relationship between nursing and Schütz phenomenology Model. Its aim is to examine the meaning of nursing care according to Schütz's phenomenological approach, based on the actions of nurses, their motivations and reasons. The theoretical framework is based on the sociological phenomenological of Schütz. The study found that the "reasons for" and "reasons why" to understand the meaning of care; the first one emphasizes the recovery, health promotion, comfort, welfare and safety of the client; the second, emphasizes the importance of the environment and conditions for assistance development. Participatory management models and innovative strategies for transforming the practice and development of integral and humanized care are neccesary, guided by the health paradigm.

Key words: Nursing care, nursing, philosophy in nursing.


RESUMEN

Este es un artículo de revisión de la literatura que busca una relación entre la atención de enfermería y la fenomenología de Schütz. Su objetivo es examinar el significado de la atención de enfermería según la aproximación fenomenológica de Schütz, que se basa en la acción de las enfermeras, sus motivaciones y razones. El marco teórico se apoya en la fenomenología de Schütz. El estudio encontró los "motivos-para" y "motivos-por qué" para comprender el significado de la asistencia; el primero destaca la recuperación, promoción de la salud, la comodidad, el bienestar y seguridad del cliente; el segundo hace hincapié en la importancia del medio ambiente y las condiciones al desarrollo de la asistencia. Se necesitan modelos de gestión participativa y estrategias innovadoras para la transformación de la práctica y el desarrollo del cuidado integral y humanizado, guiados por el paradigma en la salud.

Palabras clave: Atención de enfermería, enfermera, filosofía en enfermería.


 

INTRODUÃÇO

Este estudo foi construído a partir de revisão bibliográfica, na busca da articulação entre a assistência de enfermagem e a fenomenologia sociológica proposta por Schütz (1).

A assistência de enfermagem cogita a sustentação das práticas de saúde tão necessárias no cotidiano do cliente, tendo em vista que o cuidar é uma das ferramentas do processo de trabalho que o enfermeiro dispõe para aplicação do conhecimento técnico-científico, imprescindível à assistência ao usuário e otimização das suas ações.

Por tanto, a assistência contribui efetivamente para que o exercício profisional do enfermeiro seja visto pela sociedade como arte do cuidar, deslocando-a para ciência que aponta para uma metodologia própria por meio do saber técnico-científico.

Desse modo, os profisionais de saúde desenvolvem suas práticas a partir de competências adquiridas por meio de um processo de formação que tem por base o acúmulo e desenvolvimento de conhecimentos e de tecnologias (2). Observa-se, então, que a ampliação do saber humano é um processo histórico, varia de acordo com o momento, espaço e a prática que orienta o saber-fazer dos profisionais, principalmente o enfermeiro, o que faz com que a assistência de enfermagem valorize a singularidade do ser humano, o cliente.

Dessa forma, a proposta se justifica pela compreensão do significado da assistência de enfermagem por meio da abordagem de Schütz, pois essa abordagem possibilita compreender a vida social, o conjunto de ações sociais o qual as relações mútuas são estabelecidas de maneira conscienciosa (1).

A partir de tal constatação, deu-se início à busca do material bibliográfico com relação à assistência de enfermagem e a abordagem de Schütz (1), quando emergiram os seguintes questionamentos: O que se tem em vista quando é prestada assistência de enfermagem? Qual é o significado dessa atividade assistencial para o enfermeiro?

Nesse contexto, foi possível traçar o objetivo desta pesquisa: compreender o significado da assistência de enfermagem mediante a abordagem fenomenológica de Schütz (1). Espera-se que este estudo propicie a ampliação da discussão crítica-refexiva sobre o tema e, assim, auxiliar na construção de modelos de gestão participativa. O entendimento do significado colabora para o alcance da eficiência e eficácia da ação do enfermeiro no processo do cuidar.

MATERIAL E MÉTODO

O estudo trata de um estudo bibliográfico que por meio da revisão analítica se discute o significado da assistência de enfermagem segundo a abordagem de Schütz(1).

Para realizar esta pesquisa buscou-se a produção científica existente sobre a temática, e para tal foi necessário percorrer os passos especificados a seguir. Primeiramente, a procura da produção científica se deu na Biblioteca Virtual de Saúde(3), considerando as palavras-chave, assistência de enfermagem e qualidade, obtendo-se três trabalhos(4-6).

Em segundo momento, nas Ciências da Saúde em Geral, a partir das palavras-chave abordagem fenomenológica e Schütz(1) fo-ram identificadas dezesseis produções, as quais foram reconhecidas na base de dados Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS). Ressalta-se que das dezesseis obras foram utilizadas quatro produções (1, 8, 9, 10)por focalizarem o tema e o paradigma fexneriano ou paradigma sanitário.

Em seguida, a leitura da literatura apoiouse nos autores citados (1-23) neste estudo, cuja análise voltou-se para o assunto, emergindo dois subtemas – assistência de enfer-magem e o campo de pensamento de Alfred Schütz (1). Os materiais selecionados para a realização dessa pesquisa foram os artigos, sites, livros, dissertação e tese, o que possibilitou a análise dos conteúdos, de acordo com o objetivo traçado.

A Assistência de Enfermagem

Na visão fenomenológica, descreve-se a ação do enfermeiro na assistência de enfermagem como um processo fundamentado na motivação, razões e objetivos, guiados por antecipações, na forma de planejamento e projeções desse profisional.

Na assistência de enfermagem, a ação do enfermeiro neste mundo pode ser vista como um ato de cuidar humanizado, pois quem pratica o cuidado zela, preocupa-se, observa, analisa e cria (10).

O enfermeiro, em sua assistência, deve considerar a consciência pessoal e o pensamento como sensíveis e mutáveis, o que se compara a uma corrente de pensamento, corrente de experiência ou cogitações, corrente de vida pessoal consciente(1).

Nesta conjuntura, percebe-se que a experiência individual do enfermeiro está relacionada ao vivido desse profisional, assim, à medida que ele vive, centra-se nos objetos dessa experiência e perde de vista os atos da experiência subjetiva em si. Para que esses atos sejam revelados, deve-se modificar a atitude ingênua com a qual ele se dirige aos objetos e para o qual volta sua própria experiência, na busca do caminho específico de refexão(1).

No entanto, para revelar a visão que se chega à intencionalidade da consciência, por meio da ponderação, necessita-se apontar o caráter básico das cogitações, que é o fato de ser consciência de algo. Desta maneira, a ação no mundo da vida está voltada para o desenvolvimento de uma teoria subjetiva, em que ela é vista como um processo de motivação(1).

Desse modo, observa-se que o enfermeiro precisa utilizar a escuta e o diálogo como estratégias do cuidar para adequar sua ação às necessidades do cliente, compreendido como um ser singular. No que se refere à ação junto à equipe de enfermagem, as razões e os objetivos do enfermeiro permitem a educação permanente em saúde, que, atualmente, é considerada uma tática importante na orientação e capacitação dos profisionais dessa área (11). Por isso afrma-se que a enfermagem moderna envolve o enfermeiro em diferentes tipos de atividades, conceitos relacionados às ciências da saúde e exige competência ética e técnico-científica.

O enfermeiro necessita compreender que a enfermagem é a arte e a ciência do cuidar, imprescindível à preservação da vida das pessoas (12). Acrescenta-se que essa profissão, a enfermagem, é única à medida que se dedica humana e holisticamente ao atendimento das necessidades humanas básicas de pacientes e familiares, frente aos problemas de saúde reais e potenciais, com autonomia, considerando suas competências(13).

Contudo, nem sempre os fatos ocorreram dessa forma, considerando que, na enfermagem das sociedades antigas, cabia, geralmente às enfermeiras, um papel de subserviência, segundo o qual era proporcionada assistência aos doentes, realizada sob supervisão direta de um médico, portanto, sem autonomia, também cabia a elas zelar pela higiene das casas dos pacientes (13).

Atualmente, para o enfermeiro é primordial exercer a assistência que lhe cabe com qualidade. A qualidade aqui é entendida como possibilidade de alcançar o mais alto padrão de eficiência e eficácia da assistência, isto é, resolutiva e segura, atendendo, de forma singular, a cada cliente.

O enfermeiro precisa entender, de forma clara, sua motivação pessoal e profisional. A pessoa carece ser vista de maneira singular, com suas particularidades, assim como o profisional deve ser percebido em seu vivido acadêmico, em seu contexto histórico-social.

Sendo assim, no que se refere à formação do enfermeiro, um profisional do cuidar, o professor deve atentar para as implicações psicoafetivas, histórico-existenciais e profisionais (14) do graduando, pois, este estudante irá prestar assistência ao cliente de acordo com sua escolha, uma vez que as formas de cuidar dependem daqueles que têm competência e habilidades para implementa-las. Vários estudiososconsideram que a essência da enfermagem é o cuidado, um cuidado implementado pelo enfermeiro ao cliente em todas as dimensões, em especial de sua consciência: o eu, a pessoa, o cidadão e o sujeito (15, 18).

Dessa forma, o enfermeiro estará vinculado, efetivamente, à ação do cuidar na instituição e, para que isso possa ser facilitado, ele deve participar da definição do paradigma a ser adotado, especificando o desenho assistencial, missão, visão, princípio, objetivo e meta, o que favorecerá para que se instale o dinamismo institucional que possibilita que esse profisional possa se apropriar e utilizar tais elementos como ferramentas para a gestão dos cuidados aos clientes, do pessoal, dos recursos materiais e ambientais necessários à avaliação da assistência de enfermagem na instituição.

No entanto, o típico da ação da equipe de enfermagem ainda se revela uma ação com olhar biologicista, voltada para orientar / ensinar (7), o que dificulta a implementação da ação no paradigma sanitário.

O profisional de enfermagem tem acesso à pessoa como um todo, em todas as dimensões, nas suas interações com o paciente, família e comunidade. O cuidado de enfermagem envolve a compreensão dos conhecimentos e experiências psicossociais, culturais e econômicas do paciente, de forma a propiciar a manutenção, promoção e adaptação às mudanças geradas pela patologia (19).

Nesse contexto, enfermeiros e demais funcionários do serviço de enfermagem, ao se basearem na realidade que vivenciam, poderão refetir sobre sua problemática para, então, definirem os fundamentos que norteiam suas ações (20). Para tal, faz-se indispensável a implementação de um método de avaliação ou auto-avaliação contínua e construtiva da assistência realizada pelos enfermeiros, quando existe o propósito de aperfeiçoar e qualificar a assistência desses profisionais e otimizar o cuidado aos pacientes. Para isso, o enfermeiro precisa compreender o significado da assistência que executa.

O campo de pensamento de Schütz

Alfred Schütz nasceu em Viena, em 1899, e morreu em Nova York em 1959. Interessouse profundamente pelo trabalho de Weber e Husserl. Como sociólogo, trouxe várias con-tribuições para o tratamento dos fenômenos de tipificações na esfera cotidiana (1, 21, 22).

Schütz, profundo conhecedor da flosofia, possibilitou confrontar esta ciência com a visão sociológica, e não com a sociologia como um todo. Marcou um ponto de partida radical, a sociologia da ação e compreensão de Weber. Procurou um método para compreender a vida social, o conjunto de ações sociais no qual as relações mútuas são estabelecidas de maneira conscienciosa (1, 9).

O campo de ação do pensamento de Schütz está pautado no conteúdo das idéias, concepções e pode ser subdividido em tópicos, tais como: fundamentos fenomenológicos para o tipo de sociologia que este visava estruturar; estrutura e funcionamento da consciência humana e suas ramificações sociais; estrutura e funcionamento do mundo social como um conjunto de construções mentais e suas duplas raízes na experiência individual e nos padrões preestabelecidos de relacionamentos sociais; características de diferentes domínios da experiência humana; fundamentos teórico-conceituais e metodológicos de uma sociologia de orientação fe-nomenológica (1).

Assim, ressalta-se que Schütz analisou os fatores fundamentais determinantes do comportamento do indivíduo no mundo da vida; a ação neste mundo da vida é vista como um processo fundamentado em funções de motivação, razões e objetivos, guiados por antecipações na forma de planejamento e projeções (1).

Assim sendo, no quadro da sociologia fenomenológica de Schütz, o esclarecimento sobre o ato pelo qual a vontade se determina a algo -a escolha, liberdade e determinismo no contexto da ação humana- está incluído em outras subdivisões, tais como: fundamentos da fenomenologia; cenário cognitivo do mundo da vida; mundo das relações sociais; reinos da experiência e a província da sociologia (1).

A abordagem fenomenológica da sociologia compreensiva de Schütz (1) enquan-to estratégia teórico-metodológica permite captar o típico da ação a partir do sujeito que vivencia as experiências no mundo da vida (8).

Considerando o exposto, apresenta-se, a seguir, o referencial teórico do estudo, centrado na assistência de enfermagem como um processo fundamentado na ação do enfermeiro e em suas motivação, razões e objetivos profisionais, entendendo que o cuidar desenvolvido pelo Enfermeiro precisa ser percebido como uma ação social (9).

Os motivos-para e os motivos-porque da ação do enfermeiro

A fenomenologia sociológica, fundamentada no vivenciar a experiência, valoriza a vivência que é única, pois, só o sujeito da ação pode dizer o que pretende sentir na relação com a mesma. Além disso, toda ação intencional tem significado. Ao investigar os impulsos subjetivos por trás da ação humana, é encontrada a teoria da motivação os homens agem em função de motivações (1).

Assim, a partir dos questionamentos deste estudo foram projetados os motivos-para e os motivos-porque da ação do enfermeiro, dando origem a dois entendimentos sobre significado da assistência de enfermagem, descritos a seguir.

O primeiro entendimento projeta os motivos-para. Permite orientar para que o cuidado alcance o potencial do cliente no que se refere ao físico-social, ultrapassando o limite do que é exteriorizado. O segundo deve possibilitar assistência de qualidade para atingir a singularidade do cliente.

No primeiro, a ação do enfermeiro procura o que não está contido na aparência. Compreende o significado da essência do cuidar. Leva-se em consideração ainda a recuperação, a promoção da saúde, conforto, bem-estar, consolo e aproximação com o outro.

No segundo entendimento, a ação do cuidar do profisional enfermeiro volta-se para a segurança, fundamentada no conhecimen-to ético, técnico e teórico-científico que em-basam a profisão e a maneira de cuidar, valorizando a singularidade do cliente.

No que se refere aos motivos-porque, esses se manifestam de duas maneiras. Primeiramente o processo de trabalho do enfermeiro é possuidor de carga histórica, cultural, política e ideológica. E, em outro momento, o processo de trabalho com dependência do ambiente e condições de trabalho.

Com essa refexão, nota-se que, apesar do paradigma sanitário estar presente no cotidiano dos enfermeiros, ainda permanece, na prática, o refexo do biologicismo. Porém, entende-se que o conceito de saúde, em sua contextualização, encontra-se com a relação social; a ausência de doença não o restringe.

Percebe-se que a visão de mundo do homem modifica seu comportamento e cria nova expectativa, de acordo com o seu vivido e sua vivência na formação acadêmica e no seu processo de vida pessoal. Entretanto, para que possa ocorrer a realização da assistência de qualidade e outras atividades, é preciso que o enfermeiro tenha competência, ética, conhecimento técnico-científico e condições para o exercício profisional.

Por conseguinte, a vivência e o vivido do enfermeiro não se restringem a algo isolado. O conjunto, formado pelo meio onde se vive e a forma do viver, refete diretamente em suas ações que revelam o sujeito ativo, portador de concepções, costumes e comportamentos e de determinadas formas de pensar e atuar sobre a realidade (21, 22).

Assim, a qualidade e a eficácia da atenção dispensada aos usuários dos hospitais públicos no Brasil deve ser realizada por profisionais capacitados para haver a conceituação que valorize a vida humana e a cidadania dentre outros aspectos importantes para o tratamento humanizado (23).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Ao discutir este estudo afrma-se que a análise crítico-refexiva da literatura revisada foi realizada, tendo em vista que o significado da assistência de enfermagem emergiu quando os questionamentos iniciais foram respondidos.

Desse modo, quando as questões vieram a tona, percebeu-se que os motivos-para e os motivos-porque estão envolvidos nas questões referentes ao que o enfermeiro tem em vista quando presta assistência a clientela e no significado dessa atividade assistencial para este enfermeiro.

Sendo assim, os motivos-para compreende a essência do cuidar e implica a recuperação, a promoção da saúde, conforto, bem-estar, consolo e aproximação do outro, refere-se à segurança, fundamentada no conhecimento ético e técnico-científico da profisão.

O segundo significado, estão nos motivos-porque, pois se referem ao processo de trabalho vivido pelo enfermeiro, que tem sentido histórico, cultural, político e ideológico. Como também, depende do ambiente e condições adequadas e seguras de trabalho.

Por isso, constata-se que a compreensão do significado da assistência de enfermagem traz a concepção da saúde, a qualidade da assistência e a necessidade de atendimento da Política Nacional de Humanização.

Assim, é preciso qualificar as ações da assistência à saúde; ser eficiente na atenção dispensada aos usuários dos hospitais públicos no Brasil; capacitar os profisionais dos hospitais para um novo conceito de assistência à saúde, a qual valorize a vida humana e a cidadania; conceber e implantar novas iniciativas de humanização dos hospitais que venham beneficiar os usuários e os profisionais de saúde; fortalecer e articular todas as iniciativas de humanização já existentes na rede hospitalar pública; estimular a realização de parcerias e intercâmbios de conhecimentos e experiências nesta área; desenvolver um conjunto de indicadores de resultados e sistema de incentivos ao tratamento humanizado.

Dessa forma, o objeto ideal, a partir de uma realidade criada na consciência do en-fermeiro, não é suficiente, ao contrário, é preciso que os vários atos da consciência sejam conhecidos em suas essências. De tal modo, essa realidade não é única, mas comum à concepção dos demais, considerando que a vivência, na singularidade de cada ser, tornase um caminho percorrido por enfermeiros com experiências diversas, em tempos diferentes de atuação.

Vale ressaltar que toda vivência intencional é um fenômeno. Como fenômeno designa, em sua concepção, um objeto aparente e, como tal, isto implica que toda vivência intencional não só se refere a objetos, mas que ela mesma é objeto de certas vivências intencionais.

A partir deste ponto, afrma-se que tais considerações são pertinentes, tendo em vista que a compreensão do significado representa o desvelar da intencionalidade e a essência da consciência do enfermeiro.

CONCLUSÕES

O entendimento do aspecto de concepção da saúde e do sentido de qualidade da assistência possibilitam o movimento de criação de estratégias inovadoras para a transformação da prática profisional do enfermeiro, superando o paradigma fexneriano e fortalecendo o paradigma sanitário para o desenvolvimento do cuidar na conjuntura da atenção holística e humanizada com qualidade.

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Fecha recepción: 01/10/07 Fecha aceptación: 06/11/09