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Parasitología latinoamericana

versão On-line ISSN 0717-7712

Parasitol. latinoam. v.63 n.1-2-3-4 Santiago dez. 2008

http://dx.doi.org/10.4067/S0717-77122008000100016 

Parasitol Latinoam 63: 85 -87, 2008 FLAP

COMUNICACIÓN

Comparação da infecção por protozoários em chinchila (Chinchilla lanigera) de uma criação comercial do município de Viamão-RS, Brasil, e de chinchilas no seu habitat natural, Chile

COMPARISON OF PROTOZOAN INFECTION BETWEEN CHINCHILLAS (Chinchilla lanigera) FROM A COMMERCIAL BREEDING FACILITY IN SOUTHERN BRAZIL AND CHINCHILLAS FROM A NATURAL RESERVE IN CHILE

 

CRISTINA G. FIALHO*' ROGÉRIO G. OLIVEIRA**- MARIANA C. TEIXEIRA*, SANDRA M.T. MARQUES***, RAFAEL G. OLIVEIRA**, RICARDO G. OLIVEIRA** e FLÁVIO A. P. ARAUJO***

* Programa de Pós-graduação em Ciências Veterinárias da UFRGS.
** Cabanha Chillacenter.
*** Laboratorio de Protozoologia da FAVET-UFRGS.

Correspondencia a :


RESUMO

Chinchilla lanígera é um roedor proveniente do Chile e sua criação é com fins comerciáis. As doencas parasitarias, principalmente giardíase podem causar problemas clínicos e sanitarios, causando perdas produtivas e económicas. Foram colhidas amostras de fezes de 220 chinchilas de urna criação comercial no sul do Brasil e 35 amostras de chinchilas da Reserva Nacional las Chinchillas no Chile, e submetidas ão método de Faust e colaboradores. O total de amostras positivas para cistos de Giardia sp. foi de 31,37%(80/255); da criação comercial foi de 36,36%(80/220). O número de amostras que apresentaram mais de 5 cistos/campo foi 4,55%(10/220). Todas as amostras dos animáis da Reserva foram negativas. Não houve associação entre a positividade e a faixa etária dos animáis analisados.


Chinchilla lanígera is a rodent native to Chile which is bred for commercial purposes. Parasitic diseases, mainly giardiasis, may cause clinical and sanitary problems and lead to production and economic losses. Fecal samples were collected from 220 chinchillas pertaining to a commercial breeding facility in southern Brazil and from 35 chinchillas from Las Chinchillas National Reserve in Chile. All samples were analyzed using the method proposed by Faust et al. Positive samples for Giardia cysts amounted to 31.37% (80/255); 36.36% (80/220) was recovered from the commercial breeding facility. The rate of samples with over 5 cysts/field was equivalent to 4.55% (10/220). All of the samples collected from the National Reserve were negative for Giardia sp. No association was found between positive rates for Giardia sp. and the age of chinchillas.

Key words: Chinchilla lanígera, Giardia sp., commercial breeding, National Reserve.


 

INTRODUÇÃO

Chinchilla lanígera é um roedor que originalmente habitava urna grande extensão da cordilheira costeira do Chile, entre 400 e 1.500 metros ácima do nivel do mar, em um clima que sofre variação de 0 a 30°C. O gênero Chinchilla, pertence a familia Chinchillidae e possui duas especies: C lanígera e C brevicaudata1,2.

Alguns historiadores relatam o interesse dos indios Chinchas (provavelmente vem daí a origem do nome chinchila) por esses animáis, utilizando a pele pra se abrigar, o pêlo para fazer tecelagens e carne como alimento. Após o dominio dos Chinchas pelos Incas, os dominados foram proibidos de usar a pele, que ficou vinculada a um símbolo de superioridade da realeza Inca. A Europa só conheceu a pele em 1524, quando os exploradores levaram pecas indígenas como souvenir, por exemplo, á Rainha Isabel. A partir daí comeca um exterminio que quase levou a extinção da especie3,2.

A primeira criação de chinchilas do mundo foi do americano Chapman (que levouparãos Estados Unidos da América 12 exemplares do Chile em 1923)3-2. Em condições de cativeiro esses animáis foram melhorados através de processo de seleção genética criteriosa, com cruzamentos dirigidos, ão longo dos anos, sendo hoje bem diferentes dos poucos exemplares observados na natureza. As chinchilas nativas medem aproximadamente 26cm e pesam até 350 g , enquanto as de cativeiro atingem até 30 cm e 600 g1,2.

Desde 1983 existe no Chile urna reserva, que protege a C. lanígera. É a Reserva Nacional Las Chinchillas, que está localizada a 15 km ão noroeste de Illapel no Vale de Choapa. A área tem urna extensão de 4.229 hectares e aproxi-madamente 6 mil chinchilas vivem neste habitat protegendo-se em cactos e em superficies rochosas4.

As enfermidades de chinchilas de criação são decorrentes, principalmente, de erros dos próprios criadores, quanto á alimentação, fornecimento de agua, higiene das gaiolas e instalações, ventilação, entre outros, aparecendo principalmente problemas bacterianos, fúngicos e parasitarios. Entre os problemas parasitarios relatados na literatura, duas doencas causadas por protozoários, giardíase e tricomonose são as únicas relatadas32.

Giardia sp. é um protozoário flagelado, que habita o intestino delgado de muitas especies animáis, incluindo o homem. Este protozoário apresenta duas formas: trofozoíto e cisto. O cisto é a forma de resistencia ñas fezes e no ambiente5. Esse protozoário normalmente não causa sinais clínicos para seu hospedeiro, porém, em determinadas situações pode multiplicar-se e adquirir virulencia, causando quadros clínicos de diarréia aguda ou crónica e má-absorção intestinal6.

Chinchilas podem apresentar quadro clínico em situações de stress, alteração de manejo, mudabas na flora intestinal ou outras doencas debilitantes. As fezes de urna chinchila adulta saudável são cilindricas, com cerca de lcm de comprimento por 3 mm de diâmetro, com as extremidades arredondadas, consistencia firme e de coloração castanho-escuro. A chinchila quando está saudável possui urna relação de 1-2 cistos por campo. Quando ela possui mais de 5 cistos/campo, está com a doença clínica (giardíase). A chinchila debilitada por Giardia sp. fica mais suscetível a infecções que podem lévala a morte32. A diarréia é observada pelas fezes amolecidas que ficam aderidas ão recipiente utilizado para o seu banho, e pela falta de formato ñas fezes encontradas na cama. Como sinais clínicos pode-se observar apatía, postura encurvada, olhar sem brilho, diminuição de peso, diarréia intermitente que pode apresentar sangue ou muco. Também pode ocorrer, em casos em que a carga parasitaria é alta, prolapso de reto e intestino, mas principalmente em animáis jovens2. Com essa pesquisa objetiva-se verificar a freqüéncia de cistos de Giardia sp. ñas fezes de C. lanígera, em um criatório comercial e em seu habitat natural, e verificar se há associação entre positividade e a faixa etária dos animáis.

MATERIAL E MÉTODOS

Os animáis utilizados foram chinchilas de urna criação comercial, criadas em gaiolas e com temperatura e alimentação controlada, provenientes do municipio de Viamão, Rio Grande do Sul, Brasil (30°05'de latitude sul e 50°47' de longitude oeste), e da Reserva de las Chinchillas, IV Region (Region de Coquimbo), Chile (31°40' e 32°15' de latitude sul e entre 71°15' e 70°15: de longitude oeste), com permissão da Corporation Nacional Foresta (CONAF), Unidad de Gestión Patrimonio Silvestre.

Na criação comercial, foram colhidas fezes de 220 chinchilas (110 adultos e 110 filhotes), para diagnóstico de Giardia sp. O período foi entre maio de 2006 a maio de 2007. As fezes foram imediatamente levadas ão laboratorio e mantidas em refrigeração até a realização da técnica diagnóstica, no mesmo dia da coleta. Na reserva foram colhidas 35 amostras de fezes de chinchilas diretamente de seu habitat, durante 5 dias, no período de 26 a 30 de maio de 2007. Os exames foram realizados na sede da reserva.

O método parasitológico de fezes foi o de Faust et al7. O diagnóstico positivo foi baseado na presera de cistos de Giardia sp. que foram também quantificados (cisto/campo) com uso da objetiva de 20x em microscopio óptico.

Para a análise estatística foi utilizado o teste %2 (qui-quadrado) objetivando avahar a associação entre a presera de Giardia sp. e a idade dos animáis.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

O total de amostras positivas para cistos de Giardia sp. foi de 31,37% (80/255). Do total de amostras do criatório comercial analisadas (Gráfico 1) 36,36% (80/220), foram positivas para cistos de Giardia sp., sendo que o total de adultos positivos foi 35,45% (39/110) e defilhotes 37,27% (41/110). Utilizando o Teste Qui-quadadro (%2) não houve urna associação entre a faixa etária e o resultado do exame parasitológico (p = 0,8885).

Das amostras positivas do criatório comercial 4,55% das chinchilas (10/220) apresentaram mais de 5 cistos/campo, ficando a maioria entre 1 até 3 cistos/campo. Destas 10 3,64% (4/110) eram adultos e 5,45% eram filhotes (6/110). Alguns livros académicos e específicos para a especie relatam a presera deste protozoário em chinchila13. Porém, um único relato sobre positividade foi encontrado, com 8% de positividade em 250 chinchilas amostradas, pelo mesmo método aqui utilizado8.

Das amostras da Reserva nenhuma foi positiva para cistos de Giardia sp. Anegatividade detectada nesses animáis sugere que, em seu habitat silvestre, eles não são parasitados por este protozoário. Isso talvez ocorra pelas condicóes climáticas daregião, indicando que possivelmente a Giardia sp. não faca parte da flora natural da chinchila, como até hoje a literatura indica.

Por outro lado, a positividade detectada em animáis mantidos em cativeiros pode ser explicada pelo fato de muitos animáis estarem agrupados num ambiente restrito, o que facilitaría a dispersão das formas infectantes do protozoário.

Agradecimentos:Os autores agradecem a Chinchilla Industry Council, ão Sr Guillermo e a Sra. Anita Holzer e ão Instituto da Chinchilla do Chile.

REFERÊNCIAS

1.- NEVES D M. Criação caseira da chinchila e seu melhoramento genético. 2ed. São Paulo: Nobel, 1989. 144 p.         [ Links ]

2.- LINDEN A R. Criação comercial de chinchilas. 1 ed. Guaiba: Livraria e Editora Agropecuaria, 1999. 200 p.         [ Links ]

3.- ALEANDRI F. Cría y comercialização de la Chinchila - Compendio actualizado. Buenos Aires: Impresso en la República Argentina, 1998. 422 p.        [ Links ]

4.- CONAF: Corporación Nacional Forestal. Gobierno de Chile. Reservas Nacionales, http://www.conaf.cl/. Acessado em 10 de Janeiro de 2008.         [ Links ]

5.- NEVES D R Parasitología Humana, 11 ed. Soa Paulo: Atheneu, 2005. 494 p.         [ Links ]

6.- REY, L. Bases da Parasitología Médica. 2 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. 379 p.         [ Links ]

7.- GURGEL A C F, SARTORI A S, ARAUJO F A P. Protozoan parasites in captive chinchillas (Chinchilla lanígera) raised in the State of Rio Grande do Sul, Brazil. Chile: Parasitol Latinoam 2005; 60: 76-8.         [ Links ]

8.- FAUST E C, D'ANTONI J S, ODOM V, et al. A critical study of clinical laboratory technics for the diagnosis of protozoan cysts and helminth eggs in feces. I. Preliminary communication. Amer J Trop Med 1938;18: 169-88.        [ Links ]

Correspondencia: Cristina G. Fialho
Universidade Federal de Porto Alegre. Falcultade de Veterinaria, Laboratorio de Parasitología.