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Parasitología al día

versión impresa ISSN 0716-0720

Parasitol. día v.25 n.3-4 Santiago jul. 2001

http://dx.doi.org/10.4067/S0716-07202001000300013 

Hepatoxylon trichiuri (Holten,1802) Dollfus, 1942,
Hepatoxylidae Dollfus, 1940 (Eucestoda:
Trypanorhyncha) em
Prionace glauca (Linnaeus, 1758),
do litoral do estado do Rio Grande do Sul e em
Coryphaena hippurus Linnaeus, 1758, do litoral do estado
do Rio de Janeiro, Brasil

SÉRGIO CARMONA DE SÃO CLEMENTE*, JOABER PEREIRA JR.**, MARCELO KNOFF***, CRISTIANEMIRANDA DA SILVA*, JULIO GONZALES FERNANDEZ** e JOÃO CARLOS COUSIN**.

* Faculdade de Veterinária - Universidade Federal Fluminense - Rua Vital Brasil - Niterói - RJ - Brasil - CEP - 24230-340. E-mail: higiene@urbi.com.br
** Departamento de Ciências Morfo-Biológicas - Fundação Universidade de Rio Grande - Rio Grande - RS - Brasil. E-mail: dmbjpj@super.furg.br
*** Departamento de Helmintologia - Instituto Oswaldo Cruz - FIOCRUZ - Rio de Janeiro - Brasil - CEP 21045-900.

Hepatoxylon trichiuri (HOLTEN,1802) DOLLFUS, 1942, HEPATOXYLIDAE DOLLFUS,
1940 (EUCESTODA: TRYPANORHYNCHA) OF Prionace glauca (LINNAEUS, 1758)
FROM THE COAST OF STATE OF RIO GRANDE DO SUL, AND OF Coryphaena hippurus
LINNAEUS, 1758 FROM THE COAST OF STATE OF RIO DE JANEIRO, BRAZIL

The prevalence was 86.4 % and mean intensity of infection was 9.1 of Hepatoxylon trichiuri of Prionace glauca, captured of the coastal waters of state of Rio Grande do Sul, and the prevalence was 4.9% and intensity of infection was 1.0 of Coryphaena hippurus, collected from a fish market of state of Rio de Janeiro. Hepatoxylon trichiuri was recorded by the first time of Prionace glauca in Brazil.

Key words: Hepatoxylon trichiuri, Records, Prionace glauca and Coryphaena hippurus, Brazil. Fish parasites.

INTRODUÇÃO

Hepatoxylon trichiuri, tem sido registrada por diversos autores em várias regiões do Mundo, Dinamarca, Islândia, Noruega, Irlanda, Escócia, Ilhas Britânicas, França, Itália, Groenlândia, Atlântico Norte, lado Atlântico do Canadá, no lado dos oceanos Atlântico e Pacifico dos EUA, lado Atlântico do Estreito de Gibraltar, Marrocos, Açores, Brasil, África do Sul, Oceano Indico, Nova Zelândia, Austrália, Japão e Chile; incluindo entre os hospedeiros uma diversidade de elasmobrânquios, sendo a maioria dos registros relacionada a Prionace glauca; uma diversidade de teleósteos e uma única vez registrada em molusco (Groên-landia)1-5. A literatura apresenta dois registros de H. trichiuri encontrados vivos nas fezes humanas. Um dos registros em 1954, na cidade de Johannesburg, África do Sul e o outro em um menino de 9 anos que ingeriu peixe cru em Maputo, Moçambique6,7. Entretanto é sabido que estes cistos de Trypanorhyncha não são transmissíveis aos vertebrados homeotérmicos e o reencapsulamento das pós-larvas não ocorre nos animais de sangue quente1. As duas vezes em que H. trichiuri ocorreu em peixes do Brasil estava relacionada ao teleósteo, Coryphaena hippurus, ocorrendo uma vez no fígado e a outra na serosa do estômago1. No presente trabalho são registrados os índices parasitários obtidos de prevalência e intensidade ou intensidade média de infecção de H. trichiuri no elasmobrânquio P. glauca e no teleósteo C. hippurus dos litorais do Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, respectivamente.

MATERIAIS E MÉTODOS

Durante o período de 11 a 20 de novembro de 1996 foram capturados 44 espécimes de P. glauca (tubarão azul) com 180 a 282 cm de comprimento total, entre Mostardas e Chuí (latitudes 31( 12' - 33( 42' S e longitudes 51( 06'-53(35'), no litoral sul do estado do Rio Grande do Sul. No ano de 1997 foram coletados 41 espécimes de C. hippurus (dourado) com 65 a 148 cm de comprimento total, no litoral do estado do Rio de Janeiro. Os hospedeiros foram medidos, pesados e necropsiados. As pós-larvas foram coletadas do fígado de P. glauca ou da serosa intestinal de C. hippurus, foram fixadas em AFA, coradas com carmim de Mayer e montadas em bálsamo do Canadá. Os materiais procedentes de P. glauca foram processados no Laboratório de Ictioparasi-tologia do Departamento de Ciências Morfobiológicas - FURG, Rio Grande, Rio Grande do Sul e os de C. hippurus no Laboratório de Tecnologia e Inspeção de Pescado na Universidade Federal Fluminense - UFF, Campus do Vital Brasil, Niterói, Rio de Janeiro. Os índices de prevalência, intensidade ou intensidade média de infecção foram calculados sensu Bush et al.8

Espécimes representativos foram depositados na Coleção Helmintológica do Instituto Oswaldo Cruz (CHIOC), Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Material proveniente de P. glauca, tubarão azul, do litoral do Rio Grande do Sul, apresentou 38 peixes parasitados com um total de 345 pós-larvas, encontradas no fígado, com a prevalência de 86,4% e intensidade média parasitária de 9,1. Foram encontradas isoladas ou em pequenos grupos, fixados à capsula hepática ou com os tentáculos penetrando no parênquima. Material depositado na CHIOC nº 34517.

Material proveniente de C. hippurus, dourado, do litoral do Rio de Janeiro, apresentou 2 peixes parasitados com um total de 2 pós-larvas, encontradas na serosa intestinal, com a prevalência de 4,9% e intensidade parasitária de 1. Material depositado na CHIOC nº 34514.

As pós-larvas coletadas no fígado de P. glauca e da serosa intestinal de C. hippurus, estão de acordo com a descrição de Dollfus1 para H. trichiuri. Os registros anteriores desta espécie também foram feitos em C. hippurus, sendo uma vez no fígado e a outra na serosa do estômago1. Este foi o primeiro registro de H. trichiuri em P. glauca no Brasil. Este é o elasmobrânquio com maior quantidade de registros para este parasito1,2,5. É provável que, C. hippurus, teleósteo cosmopolita, conhecida como hospedeiro intermediário de H. trichiuri em diversos locais no mundo2, exerça o papel de disseminador deste cestóide entre os oceanos pelos seus hábitos migratoriais.

RESUMO

Foi registrada prevalência de 86,4% e intensidade média de infecção de 9,1 de Hepatoxylon trichiuri em espécimes de Prionance glauca, capturados do litoral do estado do Rio Grande do Sul e prevalência de 4,9% e a intensidade de infecção de 1,0 em espécimes de Coryphaena hippurus, coletados de um mercado de peixes do estado do Rio de Janeiro. Este foi o primeiro registro de H. trichiuri em P. glauca no Brasil.

REFÊRENCIAS

1.- DOLLFUS R P. Études critiques sur les tetrarhynques du Muséum de Paris. Arq Mus Nat Hist Nat 1942; 19: 1-466.         [ Links ]

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3.- SIN F Y T, WATERMAN P B, BLAIR D. Morphological and enzyme variation in marine tapeworms, Hepatoxylon trichiuri (Cestoda: Trypanorhyncha) and H. megacephalum, off Kaikoura coast, New Zealand. J Nat Hist 1992; 26: 465-77.         [ Links ]

4.- BEVERIDGE I, CAMPBELL R A. New records and descriptons of trypanorhynch cestodes from Australian fishes. Rec South Aust Mus 1996; 29: 1-22.         [ Links ]

5.- CAMPBELL R A, CALLAHAN C. Histopa-thological reactions of the blue shark, Prionace glauca, to postlarvae of Hepatoxylon trichiuri (Cestoda: Trypanorhyncha: Hepatoxylidae) in relatioship to scolex morphology. Folia Parasitol 1998; 45: 47-52.         [ Links ]

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8.- BUSH A O, LAFFERTY K D, LOTZ J M, SHOSTAK A W. Parasitology meets ecology on its own terms: Margolis et al. Revisited. J Parasitol 1997; 83: 575-83.         [ Links ]