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Parasitología al día

versión impresa ISSN 0716-0720

Parasitol. día v.25 n.1-2 Santiago ene. 2001

http://dx.doi.org/10.4067/S0716-07202001000100013 

Lesão por Strongylus vulgaris na aorta abdominal:
relato de caso

ISABELLA VILHENA FREIRE MARTINS*, FLAVIO BARROS SANT'ANNA*
e FABIO BARBOUR SCOTT**

LESIONS BY Strongylus vulgaris IN ABDOMINAL AORTA ARTERY:
CASE REPORT

During a necropsy of a 13 years old equine from the Federal Rural University of Rio de Janeiro was observed the presence of a nodular lesion in the aorta artery, where 65 Strongylus vulgaris immature stages were recovered. This nematode is responsable for many cases of thrombus formation in mesenteric arteries in equines.

Key words: Strongylus vulgaris - aorta. Equine parasite.

* Aluno (a) do curso de pós-graduação em Medicina Veterinária - Parasitologia Veterinária do Departamento de Parasitologia Animal do Instituto de Veterinária da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.
** Professor Adjunto do Departamento de Parasitologia Animal do Instituto de Veterinária da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

INTRODUCCION

Strongylus vulgaris é considerado um dos helmintos mais patogênicos para equídeos, principalmente na sua forma imatura em decorrência das lesões que determina no seu processo de migrações pelo sistema arterial mesentérico responsáveis por severos casos de cólicas.1, 2 No Brasil, a prevalência de formas imaturas de S. vulgaris e das lesões presentes no sistema arterial mesentérico foram motivos de vários estudos.3-5

RELATO DE CASO E DISCUSSAO

Um eqüino de aproximadamente 13 anos, macho, tordilho e sem raça definida, mantido na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, foi sacrificado após um jejum prévio de 24 horas e necropsiado na Estação para Pesquisas Parasitólogicas W. O. Neitz do Departamento de Parasitologia Animal do Instituto de Veterinária da Universidade Federal.

Rural do Rio de Janeiro. Para a dissecção das artérias mesentérica cranial, ileocecocólica, cólica dorsal, cólica ventral, cecal medial, cecal lateral e jejunais, retirouse como ponto de partida a porção distal em relação à artéria aorta abdominal, a qual foi seccionada na altura do diafragma para a retirada de todo o sistema arterial mesentérico. Para cada artéria dissecada uma linha transfixada a uma placa plástica foi presa identificando assim o respectivo vaso. Após a retirada de todos os ramos arteriais, o material levado para laboratório para posterior observação da localização de lesões e contagem do número de larvas de S. vulgaris presentes. No início do processo de abertura das artérias foi observado uma lesão de cerca de 14 cm de diâmetro, caracterizada macroscopicamente por acentuada inflamação e espessamento da parede arterial, localizada na artéria aorta abdominal onde foram encontradas 65 formas larvares (Figura 1). Essas larvas foram clarificadas com ácido acético e montadas entre lâmina e lamínula para identificação e classificação quanto ao estágio larval.6 Do total de formas larvares encontradas, 32 eram exemplares de L4, 27 de adultos jovens e os 6 restantes, por se apresentarem danificados, não puderam ser identificados.

Figura 1. Lesão causada por Strongylus vulgaris encontrada na aorta abdominal de um equino.

Nos E.U.A., Canadá e no Marrocos há registros da ocorrência de larvas e de lesões causadas por S. vulgaris na aorta de equídeos,7-11 e no Brasil, apenas um relato foi encontrado na literatura pesquisada, onde a autora cita a incidência de 27,5% de lesões localizadas na aorta abdominal.3 A prevalência de larvas de S. vulgaris em equídeos do Estado do Rio de Janeiro é alta e o local de maior prevalência dessas larvas e lesões é na artéria ileocecocóli-ca.3, 4, 12

RESUMO

Durante a necropsia de um eqüino macho, sem raça definida, com aproximadamente 13 anos e proveniente da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro foi observada a presença de uma lesão com cerca de 14 cm na aorta abdominal onde foram encontradas 65 formas larvares de Strongylus vulgaris, nematóide responsável, na sua forma imatura, por casos de formação de trombos na artéria mesentérica e seus ramos, em equídeos.

REFERÊNCIAS

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