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Parasitología al día

versión impresa ISSN 0716-0720

Parasitol. día v.23 n.1-2 Santiago ene. 1999

http://dx.doi.org/10.4067/S0716-07201999000100005 

TRABAJO DE INVESTIGACION

ESTRUTURA DAS INFRACOMUNIDADES DE NEMATOIDES
ESTRONGILÍDEOS (NEMATODA: STRONGYLIDAE)
DO CECO DE Equus caballus NATURALMENTE
INFECTADOS, PROVENIENTES DA REGIÃO
METROPOLITANA DO RIO DE JANEIRO, BRASIL

 

MARTA P. SOUTO MAIOR*, MARIA DE LURDES DE A. RODRIGUES**,
DÉBORA H. DA S. ANJOS***, ABISAIR A. DE ANDRADE**** e JOSÉ L. LUQUE**

*Bolsista de Desenvolvimento Científico Regional,CNPq/ Universidade Federal Rural de Pernambuco. Departamento de Medicina Veterinária Preventiva.
**Professor do Departamento de Parasitologia Animal da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).
***Doutoranda do Curso de Pós-Graduação em Medicina Veterinária-Parasitologia Veterinária (CPGMV-PV), UFRRJ.
****Mestranda do CPGMV-PV, UFRRJ.

ESTRUCTURE OF INFRACOMMUNITIES OF STRONGYLID NEMATODES
(NEMATODA: STRONGYLIDAE) OF CECUM OF Equus caballus NATURALLY
INFECTED, FROM METROPOLITANA REGION OF RIO DE JANEIRO STATE; BRAZIL

The strutucture of the infracommunities parasitic nematodes in equines from Metropolitana Region of Rio de Janeiro State was analyzed. Patterns in the parasite diversity and interspecific relationships were observed. Moreover, the prevalence and abundance of the strongylid nematodes were calculated. Thirty-three equines were necropsied, and were collected 8,640 helminths (6,078 belonging to Strongylidae) from the intestinal cecum. Dominance among the Cyathostominae species was not observed. Coronocyclus coronatus (90.9%, 60), Cylicostephanus calicatus (87.9%, 48.9) and Strongylus vulgaris (84.8%, 24), were more prevalent and abundance species. Cylicostephanus brevicapsulatus showed highest values of dispersion and aggregation. Three infrapopulations (2, 3 and 15) showed the same parasite richness (3), however the value obtained from Shannon and Pielou indices were different because the unequal evenness of these samples. From 182 possible associated species pairs, only 8 showed significance association and covariation.
Key Words: Strongylidae; Equines; Ecological analysis; Brazil.

INTRODUÇÃO

Os eqüinos, Equus caballus, os asininos, E. asinus, e seus híbridos são hospedeiros de uma grande variedade de helmintos, principalmente, dos nematóides pertencentesà família Strongylidae, que se tornam adultos no intestino grosso1.

Na literatura internacional, dados de prevalência, intensidade e distribuição de estrongilídeos indicam que as espécies de ciatostomíneos encontradas com maior freqüência no intestino grosso de eqüinos são: Cyathostomum tetracanthum, Cylicocyclus nassatus, Cylicostephanus longibursatus e Cylicostephanus goldi2,6

Autores no Brasil 7 identificaram 24 espécies de ciatostomíneos em eqüinos naturalmente infectados, proveniente da Baixada Fluminense, porém sem estudos quantitativos e/ou caracterização da estrutura da comunidade parasitária. Assim, o presente estudo foi realizado com objetivo de determinar a prevalência , a abundância e analisar a estrutura das infracomunidades parasitárias de E. caballus, detectando padrões de distribuição , diversidade e associações entre as espécies de Strongylidae, do ceco de cavalos naturalmente infectados, provenientes da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi realizado no Laboratório de Helmintologia da Estação para Pesquisas Parasitológicas W. O. Neitz, do Departamento de Parasitologia Animal, do Instituto de Biologia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica. Trinta e três eqüinos machos e fêmeas, de raças e idade variadas, provenientes da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, foram sacrificados e necropsiados. De cada animal retirou-se o sistema gastrointestinal, o qual foi separado através de ligaduras duplas, assim como os compartimentos do intestino grosso: ceco, cólon dorsal e cólon ventral. Estes foram abertos longitudinalmente e o conteúdo foi colocado em um recipiente graduado, onde procedeu-se a homogenização do conteúdo e a retirada de uma alíquota com aproximadamente 10% do volume inicial. As alíquotas foram fixadas com Álcool-Formalina-Ácido Acético (AFA) a quente.

Os nematóides coletados, das alíquotas, foram conservados em álcool 70º GL, clarificados em fenol-álcool8 e montados provisoriamente entre lãmina e lamínula com Lactofenol de Amann. A identifição dos estrongilídeos adultos foi realizada segundo a clave1,9. A nomenclatura das espécies da subfamília Cyathostominae está de acordo com Hartwich10.

A análise ecológica dos helmintos encontrados, restringiu-se às espécies das subfamílias Strongylinae e Cyathostominae. Utilizou-se o índice de Dispersão (ID), relação entre variância e a média, para cada espécie de nematóide, a fim de verificar se as infeções eram superdispersas e determinar o tipo de distribuição . O índice de Green (IG) foi utilizado para avaliar o grau de dispersão ou agregação dos estrongilídeos. A diversidade parasitária foi calculada para cada infracomunidade, através do índice de Shannon (H`) e o índice de uniformidade de Pielou (J`)11. Para avaliação das possíveis associações interespecíficas de pares de espécies co-ocorrentes, utilizou-se o teste Qui-Quadrado (c2), com a correção de Yates. O coeficiente de correlação de Spearman (rs) foi utilizado para avaliar as possíveis associações entre abundância das espécies12 .

Os termos ecológicos utilizados estão de acordo com o proposto por outros autores13 ,14.

Foram analisadas estatisticamente as espécies com prevalência maior que 10%15. O nível de significância usado foi de P £ 0,05.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

As 33 amostras do conteúdo cecal examinadas estavam parasitadas com pelo menos uma espécie de nematóide. Do total de 8.640 espécimes coletados, 5.277 (61,1%) eram adultos e 2.413 (27,9%) formas larvares pertencentes à subfamília Cyathostominae. A subfamília Strongylinae apresentou 801 (9,3%) espécimes na forma adulta. Também foram encontrados 5 (0,1%) espécimes de Habronema muscae (Habronematidae), 143 (1,6%) espécimes de Anoplocephala perfoliata e 1 (0,01%) espécime de Paranoplocephala mamillana (Anoplocephalidae).

Nos eqüinos examinados, observou-se que as infecções monoespecíficas causadas por estrongilíneos corresponderam a 57,6%, das quais, 51,5% por Strongylus vulgaris e 6,1% por Triodontophorus tenuicollis. As infecções duplas corresponderam a 24,2%, das quais 9,1% por T. serratus, S. vulgaris; 6,1% por S. edentatus, S. vulgaris e S. equinus, S. vulgaris. As infecções triplas corresponderam a 12,15%, sendo por T. serratus, S. edentatus, S. vulgaris; S. equinus, S. edentatus, S. vulgaris; T. tenuicollis, S. vulgaris, S. equinus; e 6,1% não estavam infectados por nenhuma espécie de Strongylinae. Na subfamília Cyathostominae, 100% dos animais estavam parasitados. Observou-se monoinfecção por Coronocyclus coronatus (3,03%) em apenas um eqüino e nos demais animais observou-se infecções variando de duas a 14 espécies (Tabela 1).

Tabela 1. Número de espécies por infecções por nematóides estrongilídeos coletados das amostras do ceco de eqüinos naturalmente infectados, provenientes da Região Metropolitana do Rio de Janeiro



Número de espécies
por infecção

Nome da espécie


 

Subfamília Strongylinae


Com uma

Strongylus edentatus

 

Triodontophorus tenuicollis

Com duas

Triodontophorus serratus / Strongylus vulgaris

 

Strongylus vulgaris / Strongylus edentatus

 

Strongylus vulgaris / Strongylus equinus

Com três

Triodontophorus serratus / Strongylus edentatus / Strongylus vulgaris

 

Strongylus edentatus / Strongylus equinus / Strongylus vulgaris

 

Triodontophorus tenuicollis / Strongylus equinus / Strongylus vulgaris


 

Subfamília Cyathostominae

Com uma

Coronocyclus coronatus

Com duas

Cylicostephanus calicatus / Coronocyclus coronatus

 

Cylicostephanus calicatus / Cylicocyclus leptostomus

 

Cylicostephanus calicatus / Cylicocyclus nassatus

Com três

Cylicostephanus calicalus / Coronocyclus coronatus / Cylicocyclus nassatus

 

Cylicostephanus calicatus / Coronocyclus coronatus / Cyathostomum tetracanthum

 

Cylicostephanus calicatus / Coronocyclus coronatus / Cylicostephanus minutus

Com quatro

Cylicostephanus calicalus / Coronocyclus coronatus / Cylicocyclus nassatus

 

Cylicostephanus calicatus / Coronocyclus coronatus / Cyathostomum tetracanthum

 

Cylicostephanus calicatus / Coronocyclus coronatus / Gyalocephalus capitatus

 

Cylicostephanus calicalus / Coronocyclus coronatus / Cyathostomum tetracanthum

Com cinco

Cylicocylcus nassatus / Cylicocyclus leptostomus / Coronocyclus coronatus / Cyathostomum tetracanthum / Petrovinema poculatum

 

Cylicocylcus nassatus / Cylicocyclus leptostomus / Coronocyclus coronatus / Cyathostomum tetracanthum / Petrovinema poculatum

 

Cylicocylcus nassatus / Cylicostephanus calicatus / Coronocyclus coronatus / Cylicostephanus longibursatus

 

Cylicocylcus nassatus / Cylicostephanus calicatus / Gyalocephalus capitatus / Cyathostomum tetracanthum / Cylicostephanus minutus

Com seis

Cylicocyclus nassatus / Coronocyclus coronatus / Cyathostomum tetracanthum / Cylicocyclus leptostomus / Cylicostephanus calicatus / Petrovinema poculatum

 

Cylicocyclus nassatus / Coronocyclus coronatus / Cylicocyclus leptostomus / Cylicostephanus calicatus / Cylicostephanus minutus / Gyalocephalus capitatus

 

Cylicocyclus nassatus / Coronocyclus coronatus / Cyathostomum tetracanthum / Cylicostephanus goldi / Cyathostomum pateratum / Cylicostephanus longibursatus

 

Cylicocyclus nassatus / Coronocyclus coronatus / Cyathostomum tetracanthum / Cylicostephanus calicatus / Gyalocephalus capitatus / Cylicocyclus brevicapsulatus.

Com sete

Cylicocyclus nassatus / Coronocyclus coronatus / Cylicostephanus calicatus / Cyathostomum pateratum / Petrovinema poculatum / Cylicostephanus longibursatus / Cylicostephanus goldi

 

Cylicocyclus nassatus / Coronocyclus coronatus / Cylicostephanus calicatus / Cyathostomum pateratum / Petrovinema poculatum / Cylicocyclus leptostomus / Cylicocyclus elongatus

 

Cylicocyclus nassatus / Coronocyclus coronatus / Cylicostephanus calicatus / Petrovinema poculatum / Cylicocyclus elongatus / Cylicostephanus longibursatus / Gyalocephalus capitatus

Com oito

Cylicocyclus nassatus / Coronocyclus coronatus / Cyathostomum tetracanthum / Cylicostephanus longibursatus / Gyalocephalus capitatus / Cylicocyclus leptostomus / Cylicostephanus minutus / Cylicostephanus calicatus

 

Cylicocyclus nassatus / Coronocyclus coronatus / Cyathostomum tetracanthum / Gyalocephalus capitatus / Cylicocyclus elongatus / Coronocyclus labiatus / Petrovinema poculatum / Cylicostephanus minutus

 

Cylicocyclus nassatus / Coronocyclus coronatus / Cyathostomum tetracanthum / Cylicostephanus longibursatus / Cylicocyclus brevicapsulatus / Cyathostomum pateratum / Cylicostephanus minutus / Cylicostephanus calicatus

Com nove

Cylicocyclus nassatus / Cylicocyclus leptostomus / Coronocyclus labiatus / Cyathostomum tetracanthum / Cylicostephanus minutus / Cylicostephanus calicatus / Cylicostephanus longibursatus / Cylicostephanus goldi

Com dez

Cylicocyclus nassatus / Cyathostomum tetracanthum / Cylicocyclus elongatus / Coronocyclus coronatus / Coronocyclus labiatus / Coronocyclus labratus / Cyathostomum pateratum / Petrovinema poculatum / Cylicostephanus minutus / Cylicostephanus calicatus

 

Cylicocyclus nassatus / Cylicocyclus elongatus / Cylicocyclus leptostomus / Coronocyclus coronatus / Coronocyclus labiatus / Coronocyclus labratus / Cyathostomum tetracanthum / Cylicostephanus minutus / Cylicostephanus calicatus / Cylicostephanus longibursatus

Com onze

Cylicocyclus nassatus / Cylicocyclus elongatus / Gyalocephalus capitatus / Cylicocyclus leptostomus / Coronocyclus coronatus / Cyathostomum tetracanthum / Cylicostephanus minutus / Cylicostephanus calicatus / Cylicostephanus longibursatus / Cylicostephanus goldi / Petrovinema poculatum

Com treze

Cylicocyclus nassatus / Cylicocyclus elongatus / Gyalocephalus capitatus / Cylicocyclus leptostomus / Coronocyclus coronatus / Coronocyclus labiatus / Coronocyclus labratus / Cyathostomum tetracanthum / Cyathostomum pateratum / Cylicostephanus minutus / Cylicostephanus calicatus / Cylicostephanus longibursatus / Cylicostephanus goldi / Petrovinema poculatum

Com quatorze Cylicocyclus nassatus / Cylicocyclus elongatus / Gyalocephalus capitatus / Cylicocyclus leptostomus / Coronocyclus coronatus / Coronocyclus labiatus / Coronocyclus labratus / Cyathostomum tetracanthum / Cyathostomum pateratum / Cylicostephanus minutus / Cylicostephanus calicatus / Cylicostephanus longibursatus / Cylicostephanus goldi / Petrovinema poculatum

A prevalência das espécies refere-se apenas às encontradas no ceco dos animais examinados (Tabela 2). Porém, os demais estudos realizados em várias regiões do mundo, relatam dados de prevalência obtidos do conteúdo total do intestino, sem que houvesse a individualização dos compartimentos do intestino grosso. Este fato impede a observação da verdadeira prevalência das espécies de cada compartimento, já que a composição faunística destes é distinta2, 6, 16 e 17. De acordo com estes autores, as infracomunidades prevalentes no ceco são: C. coronatus e Cylicostephanus calicatus; no cólon dorsal são : Cylicostephanus longibursatus e Cylicostephanus goldi e no cólon ventral são Cyathostomum tetracathum, Cyathostomum pateratum, Cylicocyclus nassatus, Cylicocyclus leptostomus e Cylicostephanus minutus.

Coronocyclus coronatus (90,9%), C. calicatus (87,9%), S. vulgaris (84,8%), C. nassatus (63,6%), C. tetracanthum (54,5%) foram as espécies mais prevalentes no ceco neste estudo (Tabela 2). Coronocyclus coronatus foi a mais prevalente, o que corrobora com os resultados de outros autores (95% 6, 65%16, 90%17 e 95%18). Com exceção de S. vulgaris e C. tetracanthum, as demais espécies prevalentes encontradas, neste estudo, ratificam o resultado de outro investigador 2. Love e Duncan 19 observaram que C. coronatus e C. minutus prevaleceram no ceco, no entanto, neste estudo, prevaleceu apenas C. coronatus. No que se refere à subfamília Strongylinae, S. vulgaris foi uma das espécies mais prevalentes (84,8%). Este resultado concorda com de Foster e Ortiz18, que observaram prevalência de 96% para esta espécie, porém não está de acordo com S. equinus, pois os autores acima citados observaram prevalência de 80% e no presente estudo, o valor foi de 12%.

Tabela 2. Prevalência e intensidade média das espécies de Strongylidae recuperadas do ceco de eqüinos naturalmente infectados, provenientes da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.


Espécie

Prevalência (%)

Intensidade Média


Coronocyclus coronatus

90,9

60,0

Cylicostephanus calicatus

87,9

48,9

Strongylus vulgaris

84,8

24,0

Cylicocyclus nassatus

63,6

21,6

Cyathostomum tetracanthum

54,5

16,9

Cylicostepahnus longibursatus

39,4

10,0

Cylicostephanus minutus

36,4

36,7

Cylicocyclus leptostomus

36,3

20,9

Gyalocephalus capitatus

33,3

  4,0

Petrovinema poculatum

30,3

  6,6

Cylicocyclus elongatus

27,2

14,9

Coronocyclus labiatus

21,2

13,6

Triodontophorus serratus

18,2

10,5

Cyathostomum pateratum

18,2

10,3

Coronocyclus labratus

15,1

  7,0

Triodontophorus tenuicollis

15,1

  3,0

Cylicostephanus goldi

12,1

  6,5

Strongylus edentatus

12,1

  6,2

Strongylus equinus

12,1

  6,2

Cylicocyclus brevicapsulatus

  6,0

  2,5

Poteriostomum ratzii

  3,0
10,0

A comunidade parasitária apresentou típico padrão de superdispersão (S2 /x > 1), assim como padrão espacial agregado, o qual foi expresso pela distribuição binomial negativa. Apesar dos ciatostomíneos apresentarem alta prevalência em relação às demais espécies, pôde-se constatar que a estrutura da comunidade parasitária de Strongylidae em eqüinos não demonstrou dominância entre as espécies de Cyathostominae.

Cylicocyclus brevicapsulatus apresentou o menor ID (3,350) e o maior IG (0,587) de todas as amostras analisadas, significando ocorrência rara; consequentemente, a abundância parasitária desta espécie nas amostras foi bem distinta (Tabela 3).

Tabela 3. índice de dispersão (ID) e índice de agregação de Green (IG) das espécies de Strongylidae recupe-radas do ceco de eqüinos naturalmente infectados, provenientes da Região Metropolitana do Rio de Janeiro


Espécie

ID

IG


Gyalocephalus capitatus

    4,719

0,086

Cylicocyclus brevicapsulatus

    3,350

0,587

Cylicocyclus nassatus

  76,710

0,167

Cylicocyclus elongatus

  46,621

0,343

Cylicocyclus leptostomus

  57,248

0,225

Coronocyclus coronatus

  93,126

0,051

Coronocyclus labiatus

  36,360

0,376

Coronocyclus labratus

  12,784

0,347

Cyathostomum pateratum

  25,973

0,409

Cyathostomum tetracanthum

  30,515

0,097

Petrovinema poculatum

  23,063

0,339

Cylicostephanus minutus

165,851

0,375

Cylicostephanus calicatus

  79,503

0,055

Cylicostephanus longibursatus

  21,483

0,158

Cylicostephanus goldi

  13,068

0,483

Poteriostomum ratzii

    2,727

0,192

Triodontophorus serratus

  26,792

0,416

Triodontophorus tenuicollis

    6,887

0,420

Strongylus edentatus

  12,605

0,430

Strongylus equinus

  10,727

0,405

Strongylus vulgaris

  49,227

0,072


A ocorrência de espécies consubfamiliares foi cinco para Strongylinae e 16 para Cyathostominae. O número de espécies de Cyathostominae encontradas neste estudo foi menor (16), quando comparado com resultados na Inglaterra2; nos Estados Unidos3; na Austrália5 e na Polônia6, os quais coletaram 21, 21, 24, 23 espécies, respectivamente.

A diversidade parasitária implica na avaliação de elementos inerentes à infrapopulação : riqueza parasitária (número de espécies diferente em uma infracomunidade e a uniformidade das espécies ou equitabilidade). A uniformidade refere-se às abunâncias (como a intensidade das espécies se distribuem entre si); é um índice que tenta combinar estes elementos em um único valor 11. As amostras dois, três e 15 apresentaram igual a 0,857; 0,624; 0,412 e igual a 0,780; 0,568 e 0,375, respectivamente; nas três amostras a riqueza parasitária foi igual. Desta forma, pode-se inferir que a amostra 15 apresentou uma menor equitabilidade quando comparada com as outras duas. O foi menor, o que justifica o menor . Este fato pôde ser observado em outras amostras que apresentaram a mesma riqueza parasitária. Os maiores valores do assim como do observados neste estudo, foram da amostra oito, apesar de não apresentar a maior riqueza parasitária, este fato pode ser atribuído à maior equitabilidade entre as espécies, o que ratifica a necessidade de se associar o índice de diversidade aos dados de riqueza parasitária e ao índice de uniformidade, para maior segurança na interpretação dos resultados (Tabela 4).

Tabela 4. índice de diversidade de Shanon () e índice de Pielou () das espécies de Strongylidae recuperadas do ceco de eqüinos naturalmente infectados, provenientes da Região Metropolitana do Rio de Janeiro


Amostra
Indice de Shannon (H')
Indice de Pielou (J')

1

0,889

0,457

2

0,857

0,780

3

0,624

0,568

4

1,572

0,877

5

1,459

0,907

6

1,368

0,640

7

1,360

0,619

8

1,761

0,765

9

0,000

0,000

10

1,211

0,505

11

2,318

0,836

12

0,770

0,430

13

1,795

0,722

14

1,817

0,731

15

0,412

0,375

16

1,843

1,028

17

0,692

0,998

18

1,376

0,855

19

1,128

0,580

20

1,063

0,484

21

0,957

0,534

22

1,371

0,989

23

1,841

0,946

24

0,810

0,584

25

1,707

0,877

26

1,137

0,634

27

2,362

1,136

28

0,829

0,598

29

1,127

0,513

30

1,107

0,462

31

1,510

0,687

32

1,668

0,695

33

1,955

0,815


O c2, que é qualitativo, demonstrou a ocorrência de espécies dependentes e que podem estar associadas positiva ou negativamente, enquanto, rs avaliou quantitativamente os pares de associações . De 182 combinações sem repetição, apenas dez pares estavam associadas significativamente para c2, 30 para rs, demonstrando uma correlação negativa para estes, ou seja, a abundância das espécies associadas foi inversamente proporcional e apenas oito pares estavam associados para ambos (Tabela 5).

Tabela 5. Pares de espécies associadas da família Strongylidae recuperadas do ceco de eqüinos naturalmente infectados, provenientes da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Valores referentes ao teste Qui-quadrado
(
c²) e coeficiente de correlação por postos de Spearman (rs).


Pares de espécies

c ²

rs

Gyalocephalus capitatus/ Cylicocyclus nassatus

1,920

0,397*

Gyalocephalus capitatus/ Cylicostephanus minutus

3,683*

0,314

Gyalocephalus capitatus/ Triodontophorus serratus

5,729*

0,437

Cylicocyclus nassatus/ Cylicocyclus leptostomus

6,971*

0,716*

Cylicocyclus nassatus/ Coronocyclus labiatus

0,050

0,482*

Cylicocyclus nassatus/ Cyathostomum tetracanthum

6,601*

0,732*

Cylicocyclus nassatus/ Cylicostephanus minutus

2,721

0,666*

Cylicocyclus nassatus/ Cylicostephanus longibursatus

2,110

0,481*

Cylicocyclus elongatus/ Coronocyclus coronatus

0,240

0,480*

Cylicocyclus elongatus/ Coronocyclus labiatus

2,314

0,350*

Cylicocyclus elongatus/ Petrovinema poculatum

5,561*

0,544*

Cylicocyclus elongatus/ Triodontophorus serratus

0,766

0,359*

Cylicocyclus leptostomus/ Coronocyclus labiatus

2,306

0,395*

Cylicocyclus leptostomus/ Coronocyclus labratus

2,312

0,352*

Cylicocyclus leptostomus/ Cyathostomum tetracanthum

2,971

0,468*

Cylicocyclus leptostomus/ Cylicostephanus minutus

4,217*

0,464*

Cylicocyclus leptostomus/ Cylicostephanus calicatus

0,007

0,362*

Coronocylus coronatus/ Petrovinema poculatum

0,112

0,469*

Coronocyclus coronatus/ Cylicostephanus calicatus

0,001

0,649*

Coronocyclus coronatus/ Strongylus equinus

0,025

0,441*

Coronocyclus coronatus/ Strongylus vulgaris

1,768

0,401*

Coronocyclus labiatus/ Coronocyclus labratus

8,393*

0,699*

Coronocyclus labiatus/ Cyathostomum pateratum

1,836

0,368*

Coronocyclus labiatus/ Cyathostomum tetracanthum

5,260*

0,657*

Coronocyclus labiatus/ Cylicostephanus minutus

6,840*

0,683*

Coronocyclus labratus/ Cyathostomum tetracanthum

0,568

0,483*

Coronocyclus labratus/ Cylicostephanus minutus

2,881

0,518*

Cyathostomum tetracanthum/ Cylicostephanus minutus

4,611*

0,617*

Cylicostephanus calicatus/ Strongylus equinus

0,025

0,484*

Cylicostephanus calicatus/ Strongylus vulgaris

0,025

0,379*

Cylicostephanus longibursatus/ Cylicostephanus goldi

3,786

0,503*

Cylicostephanus longibursatus/ Triodontophorus tenuicollis

1,835

0,449*

* Significativo a nível de P £ 0,05.

Estudos sobre comunidade parasitária de helmintos parasitos de vertebrados são pouco realizados. No entanto, Kennedy y Busk 20 consideraram os nematóides estrongilídeos um fenômeno de agrupamento, devido à coexistência de numerosas espécies no intestino grosso de eqüinos. Porém, em estudo posterior, outros autores consideraram a comunidade de nematóides estrongilídeos estável, dominada por interações positivas com poucas interações negativas, sugerindo ausência de competição 21. As considerações acima mencionadas foram obtidas de estudos de amostras do conteúdo intestinal, sem compartimentalização , o que impede a comparação com este estudo, pois, cada compartimento possui características fisiológicas próprias, implicando na distinta composição faunística nos três compartimentos do intestino grosso de eqüinos 2, 6, 16 e 17.

O presente estudo foi realizado apenas com amostras do conteúdo cecal; e a análise dos demais compartimentos está em processamento. A compartimentalização do intestino grosso é fundamental para se obter resultados reais quanto à distribuição das espécies.

RESUMO

Analisou-se a estrutura das infracomunidades de nematóides Strongylidae em eqüinos, proveniente da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, observando-se padrôes na diversidade parasitária e relações interespecíficas. Além disto, a prevalência e a abundância dos nematóides Strongylidae foram calculados. Trinta e três eqüinos foram necropsiados. Coletou-se 8.640 helmintos do conteúdo cecal, deste total, 6.078 espécimes pertencentes à família Strongylidae. Coronocyclus coronatus (90,9%; 60), Cylicostephanus calicatus (87,9%; 48,9) e Strongylus vulgaris (84,8%; 24) foram as espécies mais prevalentes e abundantes, respectivamente. Cylicocyclus brevicapsulatus apresentou um dos maiores índices de dispersão e agregação. Três infrapopulações (2, 3 e 15) apresentaram a mesma riqueza parasitária (3), contudo, os valores obtidos para os índices de Shannon e Pielou foram diferentes, devido à distinta equitabilidade das amostras. De 182 pares de espécies associados, somente oito foram significativos para associação e correlação.

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