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Parasitología al día

versión impresa ISSN 0716-0720

Parasitol. día v.22 n.1-2 Santiago ene. 1998

http://dx.doi.org/10.4067/S0716-07201998000100009 

COMUNICACION


Corynosoma sp (ACANTHOCEPHALA: POLYMORPHIDAE)
EM Umbrina canosal (OSTEICHTHYES: SCIAENIDAE), DO
LITORAL DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL, BRASIL

 
ANDERSON D. CEZAR* & J. F. R. AMATO** 


Corynosoma sp. (ACANTHOCEPHALA: POLYMORPHIDAE) IN Umbrina canosai
(OSTEICHTHYES: SCIAENIDAE) FROM LITTORAL OF THE STATE OF
RIO GRANDE DO SUL, BRASIL

 
Forty-three specimens of Umbrina canosai captured in the littoral of the State of the Rio Grande do Sul, Brazil, were examined between August 1991 and February 1992. Forty fishes (93%) showed infection by the acanthocephalan Corynosoma sp. (cistacanth) in the abdominal cavity and intestinal mesentery, with a mean intensity of 43.3, and relative density of 40.3 Corynosoma sp showed a overdispersed distribution. The intensity of Corynosoma was positively correlated with the host total length, but, the prevalence was not. The prevalence and intensity of Corynosoma sp. was not influenced by the host sex.
Key words: Acanthocephala; Polymorphidae; Corynosoma; Umbrina canosai; peixes marinhos; Brazil.

Curso de Pós-Graduação em Medicina Veterinária-Parasitologia Veterinária, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro,Caixa Postal 74508, Seropédica, R.J, Brasil, 23890-000. E-mail: a.cezar@openlink.com.br.
** Departamento de Zoología, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil.

INTRODUÇAO

Larvas do gênero Corynosoma são comuns em peixes ósseos marinhos, que atuam como hospedeiros de transporte ou paratênicos. As formas adultas são achadas parasitando aves e mamífveros marinthos.1
No Brasil, Rego et al.2 registraram Corynosoma sp. em Pomatomus saltator (L.), no litoral do Estado do Rio de Janeiro. Em peixes da família Sciaenidae, somente há registros para Micropogonias fumieri sendo citados no litoral Argentino,3 e no litoral do Estado do Rio Grande do Sul.4 As formas encontradas nestes peixes, são juvneis e geralmente encistadas na cavidade abdominal (cistacantos).
Umbrina canosai, constitui um importante recurso pesqueiro no sul do Brasil, princiopalmente no Estado do Rio Grande do Sul, porém, sua fauna parasitária tem sido muito pouco estudada. No presente trabalho são registrados espécimes de Corynosoma sp. encontrados na forma de cistacanto em U. canosai no litoral do Estado do Rio Grande do Sul, também, a informação parasitária foi tratada estatisticamente com a finalidade de detectar possíveis podrões populacionais desta forma larvária.

MATERIAIS E METODOS 


Foram realizadas 43 necropsias de U. canosai entre agosto de 1991 e fevereiro de 1992, no Rio Grande do Sul. Os peixes foram coletados nas regiões da área estuariana da Lagos dos Patos e áreas litorâneas adjacentes (aprox. 32°S, 52°O). Os peixes examinados mediram entre 14 e 45 cm de comprimento total e pesaram entre 25 a 1400 g., e foram indentificados segundo Menezes y Figuereido.5
A mostra de hospedeiros foi dividida em três classes de tamanho tomando-se por base intervalos de comprimento, que foram estabelecidos através da relação valor mínimo, média e valor máximo da amostragem; Classe I-até 16,0 cm, 17 espécimes. Os acantocéfalos foram fixados em AFA, corados com carmalúmen de Mayer e mnotados em bálsamo do Canadá.
Na análise estatística foi usada a relação entre variância e média (índice de dispersão), para indicar se a infecção foi superdispersa e determinar seu tipo de distribuição. O grau de superdispersão ou de agregação dos parasitos foi obtido pelo cálculo do índice de Green.6 Os dados também foram submetidos a correlação de Pearson r, foi aplicado para detectar alguma correlação entre comprimento do hospedeiro e a prevalência parasitária, com prévia transformação normal (Z), e o teste G Log-likelihood com tabela de contigência 2x2, para determinar possível influência do sexo dos hospedeiros e a intensidade parasitária e a prevalência parasitária, respectivamente.7 Os termos ecológicos utilizados seguem Margolis et al.8 


RESULTADOS


Dos 43 espécimes de U. canosai examinados, 40 (93,05) estavam parasitados por cistacantos de Corynosoma sp. na cavidade abdominal e no mesentério intestinal. Um total de 1734 espécimes de Corynosoma sp. foram coletados, representando uma intensidade de 1-214 e uma intesidade média de 43,3. A densidade relativa teve o valor de 40,3.
O índice de Dispersão (ID), apresentou o valor de 165,7 estabelecendo para a população de Corynosoma sp., uma distribuição superdispersa. O índice de Green (IG = 0,095), estabeleceu um grau baixo de agregação.
Os dados da Tabela 1, foram testados com o coeficiente de correlação de Spearmen, onde obteve-se resultado significativo (ts = 0,584, p < 0,001), fundamentando a hipótese de que o aumento da intensidade de infecção é diretamente proporcional ao comprimento do hospedeiro. Para a correlação entre o comprimento total e a p revalência parasitária o resultado não foi significativo (r = p > 0,50).
Em relação ao sexo dos hospedeiros, os testes U de Mann-Whitney e G Log-likelihood deram valores não significativos (Z = 0,156, P > 0,50) e (G = 0,505, 0,50 > p > 0,25), respectivamente. 

DISCUSSAO


As características dos espécimes examinados nesse estudo, indicam que a espécie mais provável deste acontecéfalo seja Corynosoma australe, Crompton y Nickol9 afirman que as diferenças entre a forma de cistacanto e a forma adulta se dão pela diferença das medidas e maturaão dos órgãos sexuais. Baseado-se nisso não foi possível a identificação são válidas para formas adultas. Os mesmos autores também afirmam que a transformação de acantela para cistacanto ocorre no hospedeiro intermediário (crustáceos anfípodes), forma já infectante, não havendo, portanto, desenvolvimento da forma jovem no hospedeiro paratênico, e o fato da forma jovem encistar-se no hospedeiro paratênico, ocorre oprque há uma reação imunológica por parte do hospedeiro, não permitindo o desenvolvimento da mesma. Petrochenko,10 também propõe que quando o hospedeiro é inapropriado para o desenvolvimento do parasito, este mantém-se encistado até ser predado por um hospedeiro definitivo adequado. O mesmo autor,10 considera a relação trófica existente no ciclo de Corynosoma, como uma estratégia do parasito, para garantir a infecção nos hospedeiros definitivos, usando os peixes, como reservatório e aumentando a dispersão de espécie.
A análise estatística realizada revelou importante aspectos do relacionamento parasito-hospedeiro. O primeiro deles é a distribuição superdispersa e a baixa agregação da população de Corynosoma sp. o que nos leva a sugerir que a distribuição das suas infrapopulações ocorre de maneira que garanta sua dispersão e que a carga parasitária não atinja pesadamente a população de U. canosai. Entretanto, ainda não é possível determinar os fatores que levam a essa situação, mas é seguro afirmar que esses fatores estejam relacionados com o nicho ecológico exercido por U. canosai, condições que o parasito tem encontrado no hospedeiro e fatores ambientais que podem interferir diretamente e/ou indiretamente na cadeia alimentar dos organismos pertenecentes ao ciclo de Corynosoma sp.
O segundo aspecto importante é o aumento da intensidade de infecção diretamente proporcional ao comprimento do hospedeiro, um reflexo da biología do hospedeiro que determina o efeito cumulativo dessa infecção. Pereira & Neves,4 também detectaram esse aspecto da biologia do hospedeiro em M. fumieri quando parasitado por C. australe. Essa semelhança pode ser explicada pela proximidade do hospedeiro, pertencente a mesma familia, pela semelhança taxonômica do parasito, já que possivelmente sejam da mesma espécie, pelo idêntico local de coleta dos hospedeiros e principalmente pela sobreposição alimentar que existe entre U. canosai e M. fumieri.11
O terceiro aspecto é o fato das prevalências permanecerem basicamente constantes nas três classes de tamanho dos hospedeiros (Tabela 1), o que nos revela hábito alimentar uniforme durante a vida do hospedeiro, que proporciona o aumento cumulativo e uniforme da carga parasitária de Corynosoma sp.
Haimovici12 afirmou que a alimentação das castanhas a partir de sua fase juvenil está constituida, fundamentalmente, de animais de fundo, entre eles pequenos crustáceos, que habitam os fundos arenosos e lodosos, sem muita variação de componentes. Isto pode explicar, a alta prevalência de Corynosoma sp. em U. canosai.
Em relação ao sexo dos hospedeiros, os resultados indicam que ele não tem influência nos níveis de parasitismo. Isto mostra que não há variação significativa nas relações ecológicas entre hospedeiros machos e fêmeas. Não está descartada a possibilidade de que haja influência do sexo no comprimento do hospedeiro, pois em alguns casos, pode-ser obter diferenças nas relações ecológicas entre machos e fêmeas. Luque et al.,13 afirmaram que estudos com relação à sazonalidade e períodos reprodutivos dos hospedeiros poderiam trazer conhecimentos importantes nesse aspecto, pois deve-se avaliar se existem modificações no comportamento dos hospedeiros machos ou fêmeas em épocas reprodutivas, em relação a mudança no hábito alimentar, na taxa hormonal, na migração desses hospedeiros para uma outra região e até dimorfismo sexual que possa modificar o nicho ecológico ocupado pelo hospedeiro até então.

RESUMO 


Quarenta e três espécimes de Umbrina canosai capturados no litoral do Estado do Rio Grande do Sul, Brasil, foram examinados entre agosto de 1991 e fevereiro de 1992. Quarenta peixes (93%) estavam infectados pelo acantocéfalo Corynosoma sp. (cistacanto) na cavidade abdominal e no mesentério intestinal, com uma intensidade média de 43,3 e uma densidade relativa de 40,3. Corynosoma sp. foi positivamente correlacionada com o comprimento total dos hospedeiros, mas, a prevalência não apresentou correlação. A prevalência e a intensidade parasitária de Corynosoma sp. não foram influenciadas pelo sexo dos hospedeiros.


REFERENCIAS 


1.- GEORGE-NASCIMENTO M, CARVAJAL J. Helmintos parasitos del lobo marino comun Otaria flavescens en el Golfo de Arauco. Chile. Bol. Chil. Parasitol. 36: 72-73, 1981.         [ Links ] 
2.- REGO A A, VICENTE J J, SANTOS C P, WEKID R M. Parasitos de anchovas, Pomatomus saltatrix (L.) do Rio de Janeiro. Ciênc. Cult. 35: 1329-1336, 1983.         [ Links ] 
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        [ Links ]6.- LUDWIG J A, REYNOLDS J F. Statistical Ecology: A primer on methods and computing. Wiley-Interscience Publications, New York, USA, 337 p. 1988.
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        [ Links ]8.- MARGOLIS L, ESCHY G, HOLMES J C et al. The use of ecological terms in parasitology (report of an ad hoc committee of the American Society of Parasitologists). J. Parasitol 68: 131-133, 1982.
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12.- HAIMOVICI M. Biologia e pesca da castanha no sul do Brasil. Projeto de divulgação pesqueira, Fundação Universidade Rio Grande, Departamento de Oceanografía, Rio Grande, RS, 23p. 1986.         [ Links ] 
13.- LUQUE J L, AMATO J F R, TAKEMOTO R M. Comparative analysis of the communities of metazoan parasites of Orthopristis ruber and Haemulon steindachneri (Osteichthyes: haemulidae) from the southeastem Brazilian littoral: I. Structure and influence of the size and sex of hosts. Rev Brasil Biol 56: 279-292, 1996.        [ Links ]

 
Agradecimentos. Ao Dr. José Luis Luque pela leitura crítica do manuscrito e sugestões. Ao Departamento de Parasitologia Animal da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. A Ricardo B. Robaldo pela coleta dos parasitos. Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pelo apoio financiero aos autores.