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Parasitología al día

versión impresa ISSN 0716-0720

Parasitol. día v.22 n.1-2 Santiago ene. 1998

http://dx.doi.org/10.4067/S0716-07201998000100007 

COMUNICACION 


HISTOPATOLOGIA DO PARASITISMO POR
METACERCARIAS DE
Clinostomum sp EM TAMOATA,
Hoplosternum littorale (HANCOCK, 1828)


Sergio Carmona de Sao Clemente*, Edilson Matos**, Rogerio Tortelly* e
Francisco Carlos de Lima*


HISTOPATHOLOGY OF THE PARASITISM BY METACERCARIES OF Clinostomum
sp IN TAMOATA, Hoplosternum littorale (HANCOCK, 1828) 

A histopathological study of the parasitism by metacercaries of genera Clinostomum was caried out in 26 fishes of the species Hoplosternum littorale. The fishes were collected in Guama River - Belem City - Para State. 85% of them showed the parasitism. Microscopically, degenerated muscular fibers around of the cystics formations and moderated inflamatory response with mononuclear cells infliltration were observed, being diagnosed as parasitary miositis.
Key-words: Clinostomum, Hoplosternum littorale, Tamoata, Parasitism, Histopathology. 

* Faculdade de Veterinária, Universidade Federal Fluminense / Rua Vital Brazil Filho, 64 - Vital Brazil - Niterói - RJ - Brasil / 24230-340.
** Faculdade de Ciências Agrárias do Pará / Belém - PA - Brasil.

INTRODUÇAO


Estudos sobre a patologia de peixes adquirem importância devido ao crescente interesse em piscicultura no Brasil, onde até o momento poucos trabalhos tem sido publicados sobre o tema.
O gênero Clinostomum possui como hospedeiros definitivos pássaros, mamíferos e répteis que se alimentam de peixes. A presença deste gênero em peixes é descrita por vários autores em diferentes partes do mundo, mostrando tratar-se de um parasito de ampla distribuição geográfica. No Brasil, a ocorrência deste parasita foi reportada pela primeira vez em 1928, sendo relacionados como hospedeiros intermediários as espécies de peixes de água doce Pimelodus clarias, Callicthys callicthys, Poecilia vivipara e Tetragonapterus sp1; na Amazônia registrou-se a ocorrência de metacercárias deste gênero em Cichla ocellaris e Crenicichla sp2. No Estado de São Paulo relatou-se o encontro de Clinostomum parasitando Symbranchus marmoratus3 e produzindo lesões macroscópicas em Poecila reticulata4. O presente trabalho registra, em nosso país, a primeira descrição de metacercárias de Clinostomum sp em Hoplosternum littorale. 


MATERIAL E METODOS

Foram necropsiados 26 peixes coletados no Igarapé do Murucutum do Rio Guamá, Belém, Es tado do Pará. A coleta, fixação, coloração e montagem dos helmintos, seguiram os métodos descritos por Amato et al5. Os cistos foram retirados juntamente com o tecido muscular onde estavam alojados, fixados e processados para inclusão em parafina e coloração pela hematoxilina-eosina. 


RESULTADOS E DISCUSSAO

Dentre os peixes examinados, 21 (85%) apresentavam cistos amarelados, distribu'dos em toda região do corpo. Quando do rompimento de alguns cistos, estes apresentavam metacercárias identificadas como pertencentes ao género Clinostomum, às vezes solitárias ou em número de duas (Figura 1). O exame microscópico mostrou várias fibras musculares em degeneração ao lado de moderada reação inflamatória, onde infiltração de células mononucleares, levando a um diagnóstico de miosite parasitária (Figura 2).
Embora a descrição da parasitose por Clinostomum realizada por Travassos et al.1 tenha sido feita em peixes vulgarmente chamados tamoatá, esta diz respeito à espécie C. callichthys e não à H. littorale, objetivo deste estudo.



RESUMO

Foi realizado um estudo enfocando o aspecto histopatológico provocado por metacercárias do género Clinostomum em 26 espécimes de Hoplosternum littorale coletados no Rio Guamá, Cidade de Belém, Pará 85% dos peixes apresentaram o parasitismo. No exame microscópico, ao redor de formaçães císticas contendo o parasito, observou-se fibras musculares em degeneração ao lado de moderada reação inflamatória com infiltração de células mononucleares. O quadro apresentado é sugestivo de miosite parasitária.
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 REFERENCIAS 


1.- TRAVASSOS L, ARTIGAS P, PEREIRA C. Fauna Helmintol—gica dos peixes de água doce do Brasil. Arch. Inst. Biol., S. Paulo, 1: 5-68, 1928.
        [ Links ]2.- THATCHER V E. Patologia de peixes da Amazõnia brasileira. 1. Aspectos Gerais. Acta Amaz., 11(1):125-140, 1981. 
3.- JERALDO V S, CORDEIRO N S. Detecção de metacercárias do género Clinostomum (Trematoda: Clinostomatidae) em Symbranchus marmoratus (Bloch, 1975) (Symbranchidae). Parasitol. al Dia 17:54-55, 1993.         [ Links ] 
4.- PAVANELLI G C, TAKEMOTO R M, RANZANI-PAIVA M J, ALEXANDRINO DE PEREZ A C. Lesões determinadas por metacercárias de Clinostomum sp em peixes ornamentais do Estado de São Paulo, Brasil. XII Congresso Latinoamericano de Parasitologia. Santiago. 1995, vol. 19, p 353.         [ Links ] 
5.- AMATO J R F, BOERGER W A, AMATO S B. Protocolos para laboratórios - Coleta e processamento de parasitos de pescado. 1ªed. Imprensa Universitária - UFRRJ, Rio de Janeiro. 81pp, 1991.